Ironias do Destino
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Boa leitura...
Uma onda de ardência trespassou meu corpo tal qual raio em noites de tormenta, poderoso, arrebatador, mortífero. Sentia cada fibra de meu corpo vibrar em uma freqüência de pura raiva, enquanto meus músculos tensaram, pela ironia do momento.
A ira, o desprezo, a raiva, o ódio, a decepção digladiavam pelo controle de meus sentidos, minha visão turvava pouco a pouco, um suor frio correu por minhas costas juntamente com a descarga elétrica das batalhas travadas, cada vez mais ferozmente, dentro de meu corpo.
Movimentei meu ombro e cabeça para os lados, procurando calma, na vã esperança de acabar com as batalhas travadas em meu interior. Engoli em seco e senti nova onda de calor percorrer todo meu corpo. Estava perdendo o controle, concluí com dificuldade, não agüentaria por muito mais tempo.
A respiração acelerou ainda mais, os batimentos aumentaram de freqüência, o suor, agora, era visível em minha fronte. Meu rosto enrubesceu, meu corpo dobrou-se e apoiei-me em meus joelhos disfarçando a impotência de meu consciente em controlar os impulsos mais selvagens de meu ser.
Por um momento de pura concentração consegui ouvir os gritos abafados de minha razão que, sufocados pelo pranto de dor reprimido com dificuldade e beirando as raias do incontrolável, imploravam por controle de minha parte.
Endireite-me com dificuldades, ensaiei um sorriso, mantendo o controle parcial de minhas emoções, respondi com um falso tom de felicidade e surpresa.
- Prazer em conhecê-lo Carlos, desculpe-me a cena, mas acabo de chegar do treino e a notícia pegou-me de surpresa. — dirigi meu olhar angustiado para a que o acompanhava, mas esta não o notou. — Felicidades Larissa, espero que sejam muito felizes. — cumprimentei-os rapidamente procurando uma forma de evadir antes que perdesse o pouco controle que conseguira. — Sinto por deixá-los, mas tenho um compromisso e devo passar em casa antes de atendê-lo, foi realmente um prazer conhecê-lo, felicidades para vocês, realmente formam um belo casal. – não deixei que dissessem palavra nenhuma, não suportaria o tom de felicidade e luxuria sempre presentes na voz rouca e máscula dele, muito menos no tom aveludado e sensual... Dela.
Virei de costas e, com largas passadas, distanciei-me do motivo de tantos sentimentos reprimidos. O fel da impotência correu por minhas veias queimando tudo em seu caminho e uma única lágrima desceu por minha face, parando em meus lábios, novamente sentia o gosto amargo da derrota, uma das únicas certezas que tinha para meu futuro mais próximo. Chorar pelo que passou e não pode ser revertido numa ânsia autodestrutiva quase fatal, para depois reerguer-me e continuar a vida miserável de antes sem a companhia daqueles que me feriram, tão sutilmente afastados que, nos anos vindouros, não saberiam responder, quando indagados, sobre os motivos da distância imposta por todos.
Realmente, de todos os sentimentos que nos lesam a alma, o amor impossível é o pior e mais afiado deles.
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