Ironias do Amor
6 Suspeitas.
Pov's Allyson.
Jamais me passou pela cabeça ver um Embry nervoso, era tão estranho de tal que me fazia desconhecê-lo mas eu não podia culpá-lo, muitas coisas mudam a cada dia que se passa e em 10 anos eu não tive o mínimo de contato possível com o meu povo da reserva de La Push. Estive privada de tudo, eu não sei o que se passou tampouco imagino o que irá acontecer daqui pra frente. Mas eu também não fico atrás nessa história, o lugar horrível onde passei essa temporada me fizeram ser um tipo de pessoa a qual deixa muito a desejar.
Mas mesmo assim eu não deixava o sentimento que eu tinha por Embry morrer, isso era a única coisa me fazia me sentir forte e segura no lugar desprezível para onde Billy — eu não conseguia chamá-lo de pai, não depois do que ele fez comigo — havia me mandado, viver naquele covil de cobrar era angustiante, se eu passasse mais um ano lá eu iria acabar enlouquecendo de vez. Minha amizade com Embry era tudo de mais importante pra mim, embora eu tivesse totalmente privada de contato com qualquer ser fora daquele recinto, eu jamais o deixara cair em esquecimento, e eu tinha total confiança de que um dia eu sairia dali e teria alguém me esperando do lado de fora. E esse alguém seria Embry.
Sei que ele estava nervoso, mas ainda sim senti de que precisava do apoio de alguém então eu fui atrás dele — seja lá onde estiver — estava exausta da longa viagem de volta mas eu não queria me afastar dele mais do que já estive. Aquela floresta pra mim parecia imensa, mas eu já tinha uma ideia de onde poderia encontrá-lo. — Espero que eu esteja certa, tomara que eu o encontre lá.
Minhas pernas doíam mas eu não parei, continuei meu percurso até o tal lugar, até que meus devaneios foram interrompidos quando pude ouvir suspiros altos e pesados que viam a uns trinta passos a minha esquerda. — Encontrei! — Por dentro eu estava gritando.
Fui me aproximando cautelosamente do local de onde viam aqueles suspiros mas para minha surpresa não vi o Embry, o que eu consegui ver foi um animal enorme preto com cinza com altura semelhante a de um cavalo, estava deitado ao lado da árvore onde Embry costumava se esconder quando ficava triste e queria ficar sozinho — Mas o que ele estaria fazendo ali?.- Meu coração acelerou, confesso que senti muito medo de estar ali, eu estava só e jamais havia visto algo parecido. Como poderia existir um cachorro tão grande? eu queria sair correndo dali mas tive receio de que ele me atacasse, claro, um animal daquele tamanho me alcançaria em três passos que desse, então eu mantive a calma e continuei imóvel por uns dois minutos só observando aquela coisa ali parada. Ele suspirava a cada segundo, era alto mas não tão assustador quando eu imaginara, se eu me visse num espelho agora com certeza eu me veria tão pálida — branca como a neve — de agonia.
Mas uma mistura de sentimentos tomou conta de mim quando vi o que tinha por entre as patas — Eu tenho um igual a este, não é possível, não pode ser.- eu não queria acreditar no que eu tava vendo, o lobo grande carregava consigo o colar que eu e Embry usávamos quando criança. O avô de Quil os havia feito escondido de Billy para nós dois para que sempre estivéssemos perto um do outro seja lá onde fosse. Nós sempre lembraríamos daquela amizade doce e inocente de criança. Mas seria mesmo algo possível? O que o colar de Embry estaria fazendo em poder daquele bicho?. Tentei chegar mais perto para ver, dei mais alguns passos cautelosamente para não chamar a atenção do animal mas fora em vão, sem querer pisei em um galho seco no chão fazendo — o se partir e de imediato ele virou-se para mim, eu gelei. Meu coração batia mais forte do que quando eu o encontrara. Tive medo de que ele de fato me atacasse mas não o fez,levantou-se e me encarou por alguns minutos antes de afastar-se, ele soltava ganidos e por incrível que pareça eu conseguia entender que se sentia angustiado, abatido, revoltado com alguma coisa.
— Espera! .- eu gritei para ele como quando o dono chama pelo seu animalzinho de estimação mas fora inútil, ele parecia me ouvir mas mesmo assim não parou. Aquilo era ridículo eu sei, como um animal poderia atender ao meu chamado, porém não desisti e o persegui. O vi se afastando cada vez mais, corri atrás dele mas ele havia sumido na floresta, cansada e frustada apenas me joguei no chão. Eram emoções demais para um dia só...
— O reencontro com Embry era pra me deixar feliz e tudo que conseguiu foi me deixar irritada e aquelas histórias que Billy havia contado sobre a tribo? eu não entendi uma só palavra, principalmente naquela parte de imbi... impindi... impri... ah! como era mesmo a maldita palavra? Imprinin... imtindin...
— Imprinting! a maldita palavra é Imprinting.- Uma voz rouca e familiar dissera atrás de mim fazendo — me levantar rapidamente. Me virei e encontrei Embry com um olhar severamente frio. Olhei para todos os lados a procura do tal animal gigante mas ele havia desaparecido como num passe de mágica. — Seja lá o que estiver procurando, desista.- Seu tom era brando porém suas palavras não haviam um pingo de emoção.
— Como você sabia que era exatamente isso que ... .- falei na defensiva mas fora inútil não o consegui convencer. Agora estava sorrindo com cinismo como se soubesse de alguma coisa.
— Nada me escapa, garotinha.— ele me interrompera me encarando com os olhos semi-cerrados arqueando uma sobrancelha. Se eu não estivesse preocupada com o tal animal que vira a poucos minutos perceberia de que ele estava debochando de mim. Ele aproximou-se cuidadosamente de mim me estendendo a mão para que eu levantasse, sem hesitar a segurei.
— Ainda a procura dessa tal coisa?.- ele sorriu me observando olhar para todos os lados.
— Escuta, eu tenho certeza absoluta de ter visto algo por aqui, algo enorme.- suspirei alto, agora irritada.
— Uma coisa enorme? tipo um lobo? .- dissera soltando uma gargalhada.
— Como sabe disso?.— disse confusa.
— Allyson, muitos turistas vem aqui e eles soltam as suas bobagens nos jornais. Muitos deles relatam já ter visto ao menos um animal enorme por essa parte, alguns deles dizem ser um urso, outros afirmam que era ... Um lobo! .- dissera colocando a parte em destaque como que se quisesse me deixar assustada. — Mas eu nunca vi nada.
Virou-se para mim sorrindo ao ver minha cara de medo e decepção, ele não conseguia parar de mim de mim. Estava desnorteada e abalada. Eu sei o que eu vi, no mesmo instante me virei para ele e pude ver em seu pescoço o colar, o mesmo colar que estava em poder daquele bicho e de repente me veio a mente vagas lembranças do que Billy havia dito na reunião a respeito de lobos, embora ela não tivesse entendido na hora agora algumas coisas estavam fazendo sentido. E logo um tremor havia tomado conta do meu ser, parecia que eu iria explodir de raiva e estava mesmo quase acontecendo isso.
''Como ponto importante, todos devem ter em mente que os Quileutes são descendentes de lobos''
Aquela lembrança martelava fortemente em minha mente, um lobo, o que eu havia visto era um lobo enorme, igual aqueles da história de Billy. E como Embry poderia saber assim com tanta clareza o que era ... Imprinting! também eu tinha em mente uma pequena lembrança do que o havia feito correr como um louco para dentro da floresta assim que Quil e Jacob o contestaram a respeito disso. Quil disse alto e claro que ele havia... Nesse exato momento um clarão em minha mente me fez ficar confusa.
''Embry, você teve um imprinting pela Allyson'' foi o que ele havia dito. E então as palavras de Billy não me deixavam mais desconsertada ainda.
''Imprinting... como um amor a primeira vista, e é assim vocês encontrarão suas parceiras. Quando você a vê, não é mais a terra que te segura aqui. Ela te segura. E nada mais importa além dela. Você faria qualquer coisa por ela, seria qualquer coisa por ela. Você se torna qualquer coisa que ela precise que você seja. Seja como seu protetor, ou como um amante, ou um amigo, ou um irmão."
— Você está mentindo pra mim.- guinchei. Eu havia perdido a razão, rapidamente soltei sua mão e saltei pra sua frente o encarando furiosamente.
Fale com o autor