Ironias do Amor
8 Revelações II
A conversa com o diretor ia desenrolando-se em meio a fúria e gritaria, eu mal via a hora dele me dispensar para que eu pudesse retornar a minha solidão — na qual eu havia encontrado conforto.
De repente um arrepio me tomou conta logo em seguida o mesmo tremor ao qual sentira a vários dias me atacara, senti meu sangue ferver me subindo a cabeça fazendo com a mesma doesse agora mais forte.
— Ai! — gritei com toda a força que meus pulmões podiam aguentar, agarrando firma a cabeça com as duas mãos.
— O que houve? — perguntou-me o diretor demonstrando preocupação porém ainda mantendo-se firme. — Vamos garota, diga-me o que sente.
— Essas dores de cabeça que não passam... ai, ai... AI. — dava-se para ouvir meus gritos por todo o corredor — que não era tão grande — e de imediato duas professoras que passavam vieram até a sala em estado de alerta ao presenciar uma cena deplorável. Eu havia me jogado no chão — como acontecera no jardim — me debatendo com tamanha agressividade. As duas mulheres ali paradas só observando estavam sem reação, não sabiam se corriam desesperadas pedindo por ajuda ou se apenas ficavam ali incrédulas que algo daquele tipo fosse possível de acontecer.
— O que vocês duas estão olhando? rápido, chamem o médico.
Flash Back Off
— Nossa! é uma bela história — suas palavras sairão trêmulas, Embry parecia confuso e maravilhado ao mesmo tempo.
— Horrivelmente triste também — completei — Era muito estranho o por que eu sentia tanto esses tremores, nem o médico que me atendeu aquela dia sabia dizer o que aquilo significava. Ele dissera que nem a medicina seria capa de explicar tamanha veracidade do ocorrido, apenas disse que não ocorria em humanos normais.
Os olhos de Embry se arregalaram com as minhas últimas palavras, como que imediatamente ele havia entendido o que o tal médico queria dizer com ''humanos normais''.
— E se importaria de me dizer quem era essa médico? — perguntou num tom firme.
— O nome não me lembro direito, mas o sobrenome era algo parecido com Colin... Cali... ai não sei. — cocei a cabeça com tanta rispidez tentando me lembrar ao menos do sobrenome do tal médico estranho que cuidara de mim.
— Cullen... Carlisle Cullen! — Embry dissera de uma vez num tom alto e grave saltando tão rápido do tronco — que quase meus olhos não puderam acompanhar seu movimento — ficando em pé a minha frente, me encarando com uma expressão fria.
— É, acho que sim mas... — as palavras me falhavam, me levantei também sem entender o por que dele reagir assim — Você o conhece? — perguntei confusa.
— Todos por aqui o conhecem, não falo apenas na reserva mas na cidade, Forks inteira. — seu tom agora era de irritação, senti que ao pronunciar o nome do tal médico, Embry havia se incomodado. — Sei que pode parecer loucura o que irei lhe dizer, mas... — ele respirou fundo, sua respiração era tão alta que mal dava pra se ouvir qualquer outro tipo de som no ambiente, as folhas das árvores balançando, pássaros cantando, todos os tipos de ruídos possíveis foram abafados pelo o garoto.
— Afaste-se dos Cullen — disse por fim num de autoridade.
— O que? mas por que? — semicerrei os olhos fingindo não compreender o por que dele me pedir pra me afastar dele ou ... deles — quer dizer que haviam mais pessoas com aquele sobrenome engraçado e que pelo modo como Embry falava a respeito de todos os conhecerem, mantinham residência nas proximidades.
— É meio complicado de explicar.
— Olha, depois de tantos acontecimentos recentes, nada mais me surpreende.
Ele bufou, levando as mãos ao rosto esfregando-o ligeiramente angustiado.
— Você ouviu sobre as lendas, de que os quileutes descendem de lobos... e que... Os frios são nossos maiores inimigos.
— Pare de rodeios e diga-me logo onde está pretendendo chegar — o interrompi irritada.
— Todas as histórias são reais, não são apenas lendas e eu ... Allyson eu sou um lobo.
Arquiei uma sobrancelha o encarando e mordiscando os lábios, me mantive firme mesmo achando graça na sua irritação. Eu queria rir mas me contive.
— Um lobo? Você disse que é um... lobo? — soltei uma leve gargalhada fazendo-o ficar ainda mais irritado.
— Não acredita?
— Não, teria a honra de me mostrar? — meu tom era desafiador.
assentiu com a cabeça dando longos passos para trás virando-se finalmente de costas indo em direção a uma árvore.
— Feche os olhos.
Sem hesitar, obedeci. Aquilo tudo que estava acontecendo era engraçado, embora não fosse algo surpreendente Embry ser um lobo não estraguei o disfarce e apenas o deixei ''me impressionar'' com sua demonstração voraz. Algo peludo e grande tocara minha face, era úmido e quente e ao mesmo tempo gostoso de sentir. A respiração do animal a minha frente me tranquilizou.
— Você é incrível! — abri os olhos dizendo aquelas palavras calmamente soltando um sorriso de orelha a orelha.
Toquei sua face lupina depositando um beijo em sua testa. — Eu sabia que era você.
Uma onda de ganidos saiam daquele lobo cinzento o qual eu havia visto umas horas atrás mas que agora não me causara o mesmo sentimento de antes, dessa vez era algo bom pois pela primeira vez depois de muitos anos senti que estava no lugar certo, aquele era meu lugar, a reserva de La Push. Embry continuava com os ganidos, eu senti que estivesse querendo me dizer alguma coisa porém como humana eu não poderia ouvi-lo.
— Agora é minha vez, quero te mostrar uma coisa — Dei uns leves passos para trás arrancando um olhar confuso dele fazendo-o tombar a cabeça para o lado. Um calor tomou conta do meu corpo fazendo-me explodir e em milésimos de segundo lá estava eu na forma de um grande animal cinza claro com as patas e cauda escurecida, o lobo a minha frente esquivou alguns passos para trás.
— Como isso é possível? você... você é...
— Sim, Embry. Eu sou isso que você está vendo.
Ficamos imóveis e sem dizer uma só palavra por alguns segundos, aproximei-me dele roçando meu fucinho em sua face o tranquilizando.
— Entendo o por que de você me querer longe dos Cullen, é por causa de seres da sua espécie que nós somos assim, eles são ...Vampiros. E os tremores que eu sentia, era essa minha segunda face em seu esplendor...
Ele ainda continuava calado, acho que aquilo era informação demais para ele. Era realmente possível que tudo isso pudesse acontecer? nós dois, eu só queria saber quem mais podia.
— Por vários dias eu tentava entender o por que de sentir isso mas sem sucesso, a única coisa que eu sabia que só acontecia quando o médico se aproximava. Agora entendo os motivos.
— Mas você... é... meu...
— Imprinting?— o completei me afastando — Embry você ouviu o que eu falei?
Estava muito óbvio que ele não havia ouvido uma só palavra, ele apenas estava ligado no maldito Imprinting. Eu ainda não conseguia compreender como essa coisa funciona.
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