Ironias do Amor

4 Reencontro.


Ela manteve a calma e em milésimos de segundos consegui trazê-la para cima. Não dissemos nada, apenas a observei olhar para baixo.
Meu coração pulsava mais forte que o normal, parecia que em algum momento eu ia explodir, mas não sabia se era de emoção ou de nervoso, eu só não acreditava que a garota que estava diante dos meus olhos era a criança que um dia foi minha amiga e que corria comigo de um lado a outro pela reserva, deixando nosso pais de cabelo em pé quando demorávamos a voltar pra casa. Tempos que nunca voltarão, que só deixaram saudade.


— Você está bem?.- eu finalmente falei, quebrando aquele silêncio torturador que havia entre nós.


Ela não respondeu, apenas se virou para me olhar e sorriu meio sem graça. Cautelosamente colocou para trás da orelha a única mecha que tampava seu rosto deixando livre seu olhar e então eu pude ver o seu rosto. Naquele momento, eu pude sentir como se a terra parasse de girar, nada mais fazia sentido. Eu literalmente estava... voando. Nada mais me importava naquele momento, meu corpo queria sair correndo dali o mais depressa possível mas minha mente me fez ficar paralisado ali mesmo no local. Eu jamis havia visto nada tão bonito quanto ela.
Sim, parecia um verdadeiro anjo com suas madeixas douradas, seus olhos castanhos brilhavam como perfeitos diamantes, seu lábios rosados. Ela era encantadora que eu poderia ficar ali por horas só apreciando a sua beleza.
Meus devaneios foram interrompidos quando senti que algo me cutucara me trazendo de volta a realidade. Era ela.


— Ei! .- tocando em mim com seus pequenos dedinhos. — Terra para Embry, repetindo! Terra para Embry.- rindo da careta que eu havia acabado de fazer.


— O que foi? o que aconteceu? .- perguntei confuso.
— Você ficou aí parado feito uma estátua, faz um tempão que estou te chamando.
— Ah! me desculpe.- passando a mão no rosto.


Me virei de costas a fazendo ficar pensativa. Mas o que era aquilo que eu havia acabado de acontecer? O que foi isso que eu senti ? Eu não sabia responder a nenhuma das perguntas que me vinham a mente, eu só sabia que era maravilhosa a sensação.
— Não é possível.— falando a mim mesmo levando as mãos a cabeça como alguém que acabara de presenciar uma tragédia.- — Isso não aconteceu, não comigo.
— Você está bem?.— me repetindo a pergunta que eu fiz a ela minutos atrás.— O que não é possível? O que foi que aconteceu com você?


Continuei virado de costas para ela, não conseguia encará-la novamente, não depois de ter acontecido logo com ela.
— Allyson é meu... .- a palavra fugia da minha mente, eu lutava com todas as forças para mencioná-la mas todas as tentativas eram em vão . — Vamos Embry, lembre, não pode ser tão difícil pronunciar a palavra.— eu retrucava várias vezes. — Allyson é meu... meu... Imprinting! .- Embora eu estivesse completamente por tudo aquilo estar acontecendo ainda sim não podia deixar de me sentir culpado. Mas, por que logo ela? será que sempre foi ela? a tal garota que viraria meu mundo do averso?


— Vai me deixar falando sozinha ? certo.- demonstrando irritação em suas palavras. — Ótima maneira de me receber. Primeiro se alegra todo ao me ver e fala com o maior entusiasmo quem é e ainda me salva de cair de um penhasco e agora vira as costas pra mim como quem não quer saber de mais nada. O que é que está acontecendo? Qual é o seu problema, hein? .- seu tom era hostil.


Finalmente me virei para olhá-la, ainda sem graça com tudo aquilo mas não queria que pensasse que eu havia mudado em relação a ela.
— Escuta, eu passei longos anos longe daqui, eu esperava ainda encontrar o Embry que eu conhecia... O MEU Embry.


Minha respiração falhou no momento em que ela destacou o pronome possessivo, ela havia dito ''MEU Embry'' em bom tom. Não nada disse, apenas a observei em seu disparate de reclamações e ao invés de me irritar, me chatear, tudo que eu conseguia era achar graça pois estava feliz de mais pra sentir qualquer tipo de outro sentimento negativo.


— Mas não, você me vira as costas e me deixa falando sozinha.— deu um pesado suspiro.
— Já acabou? .— mesmo não querendo, o tom da minha voz era de deboche. suspiro. — Eu realmente adoraria te explicar o que aconteceu, mas isso você vai ter de descobrir sozinha. — Ao falar aquilo pude ''ver'' vários pontos de interrogações e exclamações ao redor de sua cabeça, soltei uma gargalhada e sai correndo sumindo floresta adentro a deixando lá no seu oceano de dúvidas.

Notas finais
ai ai '