Ironias do Amor
11 CAP 11 – As Ironias de um recomeço
O Niima’s estava vazio e na mesa ao fundo próxima a jukebox, sentada em uma mesa mexendo uma colher numa xícara de café expresso ainda fumegando, uma garota de sardas numa apatia que a imobilizava de tomar qualquer atitude. Havia se passado três dias, desde o incidente com Ben Solo no escritório de advocacia, sua mente estava vazia, e sem forças olhava o envelope em cima da mesa com um timbre de laboratório onde havia feito o exame solicitado pela doutora Christie, não tinha vontade de saber os resultados contidos ali, já estava se sentindo melhor.
Olhava tudo à sua volta sem fixar sua vista em nada. Nesse momento, cruzou pela porta sua amiga um tanto quanto preocupada com a garota que sempre estava alegre, agora era apenas uma sombra, então se aproximou e falou com um sorriso nos lábios.
— Oi Rey! Vejo que já pegou o resultado do exame. – Olhando para o envelope já antecipou a resposta da outra, assim se sentou em frente a jovem e deu um sorriso afetuoso. E pegou em sua mão para transmitir seu apoio incondicional e falou.
— Eu vou com você na minha cunhada, para levar o resultado do exame.
— Obrigada Rose! Por ser tão boa comigo. – Sorriu fracamente e disse. – Tem algum problema se Finn for com a gente?
— Nenhum problema. Quanto mais companhia melhor. – A oriental terminou a sentença e ambas riram. E ela se sentiu aliviada ao ver o rosto da amiga se abrir num sorriso sincero que alguns dias não era visto. Nesse instante um homem de pelo escura, sorri para as duas e perguntou.
— Posso saber o que fez as duas rirem assim? – A garota de sardinhas o olha animadamente para o rapaz e responde.
— Nada de muito importante. Ah! E antes que me esqueça, deixe eu apresentar você a minha querida amiga, Rose! – Olhando e apontando para a japonesinha e, tornou as apresentações e agora apontando para o moreno diz. – Rose esse é Finn ele tem me ajudado muito nesses meses. – Sorriu para o amigo, então o moreno e a oriental se olharam ambos com um sorriso tímido e estenderam as mãos um para o outro em um cumprimento de mãos longo e, lentamente desfizeram as mãos com um intuito de não quebrar o encanto e, Rey deu um risinho divertido e continuou.
— Bem agora que todo mundo está devidamente apresentado. Agora vamos pedir as panquecas mais gostosas de todos os tempos. – Todos riram e chamaram a garçonete e fizeram cada um os seus pedidos. Enquanto aguardavam a chegada dos alimentos. Rose sorri e encara a garota de sardas e o rapaz e antecipou todos os acontecimentos e falou.
— Depois daqui vamos onde primeiro? Qual será agenda do dia? – A garota de cabelos castanhos e o rapaz se entreolharam e, fitaram a asiática e ela respondeu.
— Vamos primeiro no escritório dos Organas tem uma vaga de estágio para mim lá, assim foi o que Poe disse. – Ficou meio sem jeito para continuar as informações o moreno percebendo a hesitação da garota por achar que estava tomando a sua vez, ele deu um sorriso largo e consolou a jovem.
— Não se preocupe comigo eu vou ficar bem, além disso vou começar lá daqui a alguns dias. – Quando nenhuma delas o olhava, sussurrou. – Isso se eu sobreviver ao acesso de ira do homem! – Rey voltou seu rosto em direção da voz masculina e perguntou.
— Você disse alguma coisa? – O moreno pigarreou e desconversou a garota com uma voz rouca. – Não disse nada. Relaxa.
Nesse momento, Rose ajeitou os óculos na ponte do nariz olhou para Finn com um olhar meigo e articulou.
— Foi muito nobre o que você fez para minha querida amiga. Saiba que isso é muito importante para ela. – Falava com um sorriso sincero. O homem à frente sorriu de volta um tanto quanto sem jeito pela gratidão que a oriental demonstrava. Não sabia como avaliar tal sentimento de agradecimento que ambas demonstravam para com ele. Era como se elas o vissem como herói, alguém que as tivessem resgatado de um perigo iminente, no entanto, ele se sentia como um desertor, uma fraude, limitado, mas por orgulho ou qualquer coisa que fosse o sentimento que estava sentindo, não pode ou não quis contrariar as expectativas de ambas.
Nesse instante chegaram os pedidos e a garçonete foi dispondo os pedidos um a um na mesa, os pratos fumegando um aroma delicioso, fez a barriga da garota de sardas reclamar, ela ficou vermelha ao perceber que todos ouviram, mas logo todos caíram na gargalhada e nesse clima descontraído todos começaram a se servir da comida ali na mesa.
(...)
Chegaram a um prédio bonito, estrutura muito antiga indicando o quanto tempo estava ali, todavia não poderia precisar se estavam instalados ali desde o começo da construção, mas gostava da ideia de começar a trabalhar ali.
Alcançaram o saguão estilo rococó, com o chão em quadrados preto e branco parecendo um grande tabuleiro de xadrez, as paredes todas repletas com quadros de pessoas, que provavelmente foram importantes para aquele escritório. No balcão uma recepcionista muito sorridente loira com olhos cor de mel e um penteado divertido, dois coques um de cada lado da cabeça e falou para o grupo que se aproximou.
— Tem hora marcada? No que o Escritório Organa pode ajudar? – A garota tinha um entusiasmo na fala que contagiou Rey e, com a mesma animação e energia respondeu.
— Temos uma hora marcada, Poe nos espera. – A recepcionista sorriu para a jovem de olhos esverdeados e tornou o seu olhar para o interfone digitou algumas teclas e, falou através do aparelho.
— Poe, tem três pessoas aqui, com hora marcada. – Nesse momento ela torna o olhar para o grupo e perguntou o nome da garota de sardas, esta entendeu que precisa de confirmação e ela respondeu para a recepcionista seus nomes que repetiu o que havia ouvido. A voz masculina atrás da viva voz riu animadamente e falou efusivamente.
— Connix, são meus amigos! Os melhores, deixe que subam, ou melhor vou aí busca-los. – O aparelho disparou um clique e emudeceu.
Alguns instantes se passaram e o bip do elevador acusou a sua chegada e com a abertura da porta saiu um homem efusivamente animado caminha em direção do trio que também estavam alegres, ao se aproximar abraçou o moreno, em seguida abraçou a garota de sardas e então falou.
— Até que enfim aceitaram meu convite e saíram daquele covil! – Sorriu ao falar aquilo, então tornou seu olhar para uma tímida japonesinha e perguntou curioso.
— Quem seria você? – Finn sorriu, e atropelando a garota redarguiu para o latino.
— Ah! Não se preocupe ela não veio atrás de estágio, ela apenas acompanhou a gente para nos fazer companhia. – O anfitrião riu e se defendeu alegremente e levantou as mãos como que rendido.
— Não foi isso que tinha em mente. Aliás se quiser embarcar nessa aventura, minha querida, posso falar com o Skywalker, para encaixar você no grupo. – Nesse momento, fez um gesto com a mão direita para que todos o acompanhasse. E seguiram até o elevador. Quando todos adentraram, Poe tornou a perguntar.
— A propósito qual é o seu nome? – Olhava a oriental que riu timidamente e disse. – Rose, prazer em conhecer. E nesse momento Finn levanta seus olhos e a porta se fecha.
(...)
Chegaram ao terceiro e último andar do velho prédio, e percorreram um longo corredor com iluminação natural proporcionada por uma sequência de janelas ao lado direito e pelo lado esquerdo algumas portas com nomes afixados, ao fim do corredor se depararam com uma porta, e Poe bateu três vezes e uma voz masculina abafada responde.
— Pode entrar.
Ao entrarem na sala que mais parecia uma biblioteca antiga toda ladeada de prateleiras com livros de todos os formatos e idiomas, ao fundo da sala havia uma janela de teto ao chão e uma mesa de madeira enegrecida toda entalhada em formas de galhos e folhas do período vitoriano, com um computador um tanto quanto arcaico, como tudo ali naquele ambiente, mais ao lado do escaninho um móvel cheio de ficheiros com muitos processos, e sentado à mesa um homem na casa dos sessenta anos, com cabelos castanhos claros e, alguns fios grisalhos pelas costeletas e barba cheia com o mesmo tom dos cabelos, os olhos de um azul límpido que encarava por cima dos óculos de leitura, as pessoas que adentravam o recinto. Com isso falou solenemente.
— Olá jovens, sintam-se à vontade. – Olhou para o grupo e perguntou para o latino. – Qual deles se candidatou para o estágio aqui? – O homem sorriu e respondeu.
— Luke, é essa aqui, Rey. – Apontando para a garota de sardas. – Ela que se candidatou a vaga. – O grisalho deu um sorriso cordato e disse.
— Muito bem! Sinta-se à vontade em nosso escritório, minha jovem.
— Obrigada pela oportunidade, senhor Skywalker. – Sorriu para o homem grisalho que abanou sua cabeça levemente e completou.
— Pode me chamar de Luke. E a propósito, todos são muito bem-vindos aqui. – Olhou a todos com um semblante receptivo e adicionou. – Precisamos de sangue jovem nesse escritório, para continuar a fazer as coisas certas, acima de egos ou dinheiro. – Nesse momento deu um suspiro pesado e, Poe sabendo o motivo de sua tristeza, tentou o consolar.
— Não se preocupe, Finn também vai se juntar a nós daqui para o fim do mês. E, Rose vamos convencê-la a se juntar a nossa equipe. – Riu olhando para todos na sala, e o mais velho sorriu discretamente.
Nesse momento, entra na sala do advogado uma senhora muito elegante e de modo altivo, como quem detém certa autoridade, ao se dar conta que seu irmão não estava sozinho diminui sua altivez e falou.
— Desculpe a intromissão, não sabia que estava em uma reunião. – Sorriu para todos no local e, ao se aproximar do homem sentado pousa um beijo no alto de sua cabeça que lhe responde carinhosamente.
— Você não atrapalha nunca. A propósito a jovem Rey, vai se juntar a nós no escritório. Ah, me esqueci, você é a juíza tem que ser imparcial nos assuntos desse local e os casos que advogo. – Sorriu ao dizer isso, a senhora elegante ri de volta e responde.
— Não seja bobo, Luke. Seus casos sempre estão do lado dos que mais precisam de apoio e de uma defesa de qualidade, mesmo não tendo muito dinheiro para pagar os honorários. E para mim isso é importante. – Então Dameron sorri para Leia e chama sua atenção e diz.
— Essa jovem aqui, por falar nisso, trabalha, ou melhor, só até hoje, no escritório de Snoke, começa amanhã com a gente. – Apontando para a garota de cabelos de avelã. A elegante mulher ao ouvir isso, piscou os olhos algumas vezes e encarou tal garota se sentiu compelida a saber sobre a criatura que mais amava, seu filho, porém engoliu sua curiosidade, passou sua mão na face da mais nova e perguntou ternamente.
— Qual o seu nome, doce criança?
— Rey Jakkes, mas pode me chamar de Rey. – Sorriu para mulher e essa assentiu e falou. – Seja muito bem-vinda, minha querida. – Retirou delicadamente a mão do rosto da menina e tornou seu rosto para Luke e falou tristemente.
— O motivo pelo qual vim até aqui foi para informar uma triste notícia. – O latino interpela.
— Se quiser podemos sair e deixá-los para conversar mais à vontade. – A isso a juíza meneou a cabeça levemente em negação e continuou. – Não se preocupe meu jovem. O que tenho a dizer a Luke tenho certeza que eles já sabem. O caso I.C.A., Doutor Snoke. Com seu poder e influência mexeu os ‘seus pauzinhos’ e, não sei como conseguiu me afastar de ser a juíza nesse caso. – Colocou as mãos no rosto e prosseguiu. – Você sabe muito bem como é essa comarca corrupta e sua grande maioria se dobra diante daquele crápula. – Nesse interim, ela se virou em direção do moreno e as duas garotas. E de modo aflito faz um pedido.
— A ajuda de vocês é muito importante. Qualquer informação, mínima que seja que vocês tenham será muito importante para meu irmão ajudar aquela comunidade. Mostrar aquela comunidade que existe esperança para lutar, eu não poderei brigar diretamente, mas serei uma consultora e apoiarei esse escritório no que for preciso.
Nesse momento aquelas palavras atingiu o coração de Finn, como uma flecha certeira. Sabia que como ficou com muitas responsabilidades daquele processo, ele conhecia muitos pormenores que seriam relevantes para atingir os oponentes. Mas seria isso uma traição? Não sabia como se portar e qual caminho seguir, ele sentia todo o peso dessa decisão sobre os seus ombros. A garota de olhos esverdeados sentiu o amigo um pouco acuado com a situação, então colocou sua mão esquerda sobre o ombro direito do rapaz e falou olhando para os irmãos e Poe.
— Sim Leia, vamos estar sempre apoiando no que for possível. Amanhã eu começo aqui e poderei saber quais maneiras práticas poderei fazer isso. – Os gêmeos se entreolharam e trocaram um sorriso cúmplice e o homem mais velho concluiu.
— Ótimo! Vai ser muito bom ter ideias novas e energia renovada, e mais uma vez. Muito bem-vinda a bordo. – Ao dizer isso, deu uma piscadela para os jovens ali. Terminando tudo ali, acertaram todos os detalhes da nova estagiária e o seu começo se cumprimentaram e todos se despediram.
(...)
Rey estava feliz, mas algo ainda dentro dela pesava e a deixava angustiada, ainda precisava por fim em seu outro estágio e, não saberia como reagiria, caso se encontrasse com Ben Solo então precisava ser muito forte, e seguir à risca sua agenda do dia, para que seu plano se encaixasse. Primeira etapa cumprida conseguiu seu novo estágio, agora ir à médica para levar o resultado do exame. E por fim, apresentar sua dispensa médica no antigo vínculo empregatício e se desligar oficialmente daquele lugar. Respirou fundo e olhou para os amigos e se pronunciou.
— Vamos ao médico para levarmos meu exame e, saber os resultados. E, depois ir para aquele lugar horripilante. – Riu fracamente e completou. – Por um fim definitivo nessa etapa da vida.
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