Ironia Do Amor
3 Capítulo 2
Ontem foi o pior dia da minha vida. Eu só queria nunca mais ter que sair de casa, ter que ver Robert, só gostaria de ficar em baixo das cobertas. Eu nunca me senti tão traída, eu realmente pensei que poderia haver algo entre nós, mas não, tudo não passou de mais um engano meu.
Mas tinha que ser feito, eu tinha que ser forte e ir ao trabalho. Caso Robert Lawrence vier falar comigo simplesmente o ignoro. E tenho que admitir, estou surpreendida comigo mesmo, nem pensei em comprar ontem, e também nem estava com vontade, depois de tudo o que aconteceu só quero esquecer.
Fui me arrumar, tentei parecer o mais bonita possível para mostrar para Robert que eu estou ótima e que nada me afetou, mesmo sendo mentira. Ele me humilhou e eu não vou deixar isso acontecer de novo. Como todos os dias, sai e fui para tomar um café e comer um muffin. E depois ir trabalhar na revista mais cobiçada de moda, mas eu estou aqui pensando comigo o quão horrível me sinto e sem vontade que estou. Qualquer outra garota ia querer estar aqui, e eu simplesmente estou jogando pelos ares todo o meu futuro por um cara. Eu não deixaria isso ser assim, eu consigo.
Depois de comer meu muffin, termino de beber meu café e saio para o prédio na qual trabalho. Chego lá, entro no elevador, nada de Robert por enquanto, chego ao andar e o mais discreta possível tento ir a sala sem que ele me veja.
- Anne. – Ouço alguém gritar.
Apenas me virei me sentindo maravilhosa com a roupa que vestia e disse o mais séria possível:
- Oi Robert.
- Eu quero pedir desculpas pelo o que falei. Eu fui estúpido e tenho me sentido mal desde então. Eu não sabia que você pensava que nós...
- Sim, você não sabia. E sim, você se desculpa. Mas não muda o que eu sinto, nem o que aconteceu porque isso já passou. – Falo interrompendo ele. – Eu só espero que sua namorada tenha gostado do presente e até mais.
- Anne, não faça isso. Eu sei que você está irritada, mas eu não tenho culpa disso. – Ele fala alto o bastante para todos nos encararem.
Eu jurei a mim mesma ignorá-lo e eu irei. Apenas fiquei parada e olhei com o canto do olho para trás e então, retomei e continuei andando. Assim ele percebe que não quero mais nada. E até aquele ponto todos ainda permaneciam a olhar, ia ser uma bela fofoca. “Robert Lawrence, da Economy the Day, em uma briga com Anne Blanchard, da revista Model”.
Vou entrando na sala e alguém encosta no meu braço, me puxando. E como nenhuma surpresa, era Robert.
- O que foi agora? Eu já disse que já passou e não adianta fazer nada. Não vou aceitar o que aconteceu e se contente com isso. – Gritei.
- Pare de me ignorar, isso também não vai adiantar. Me escute, Anne! – Ele fala gritando também. Eu fiquei olhando nos olhos dele e deixei-o falar. – Você sabe que não era isso que eu queria para nós.
- Ah sim, você queria o que, especificamente? – Eu falo quase chorando. Não chore, segure. Mas era tarde demais e ele percebeu que eu estava chorando, merda.
- Eu queria que a gente fosse amigos, você é o tipo de pessoa em que podemos confiar. Eu sei disso porque sua chefe é a minha mãe e ela fala muito bem de você. Você não entende que é isso que eu quero? Eu quero poder contar com você e você comigo. – Ele fala com um tom triste.
- Oh meu Deus, eu não acredito nisso. Amizade. Então é isso? Você quer alguém com que possa sair para comprar coisas para sua namorada ou alguém, com que realmente possa contar as coisas? Pois parece que você não quer uma amizade de verdade comigo. – Eu estava chorando mais do que antes e eu não sabia se estava com raiva ou se estava triste. – Eu tenho mais o que fazer Robert. – Entrei e me sentei na minha mesa, mais um dia.
Sasha, a secretária de Miranda, ficou me encarando e então saiu correndo atrás de Robert, eu não conseguia acreditar que ela era a namorada dele.
- Rob, o que aconteceu? – Sasha falou com uma voz melada.
- Não acaba de ver? – Ele responde.
- Bem, eu conheço Anne e ela não é a pessoa mais acessível quando se quer amizade. E ela sabe que eu era sua namorada, é por isso que ela está brava com você. – Ela vira o rosto e olha para mim, depois o vira de novo em direção de Robert. – Ela só tem ciúmes.
- Sério Sasha? Não consigo acreditar em você. Você vem até aqui para falar isso? – Ele fala inconformado.
- Rob, como assim? Olhe para mim, o que aconteceu? Ela conseguiu virar sua cabeça? Inacreditável é você. – Ela fala com raiva, mas com a voz melosa ainda.
- Conversamos em casa. Agora, por favor, ambos nós dois temos trabalho a fazer. – Ele fala dando um fora nela.
Sasha vira e me olha novamente, mas o olhar dela é de como se fosse me matar, literalmente, ela estava fervendo de raiva. Veio até mim, e disse:
- Ou fica longe do Robert, ou eu farei o serviço dando um sumiço em você. – Ela me ameaçou.
Eu larguei um sorriso pra ela e disse, sem mais nem menos:
- Você percebeu que todos não gostam de você? Robert quase terminou o namoro aqui mesmo, os outros nem olham na sua cara. Só estou te ajudando, estou fazendo esse serviço por você. – Falo irônica.
- Vadia. – Ela da um tapa na minha cara. E sai andando.
Agora, definitivamente, todos estavam olhando para nós. Pensando algo como, será que Robert Lawrence a garota da revista Model estão tendo um caso?
- Não se preocupe Sasha, mulheres como você se sentiriam elogiadas se a chamassem de vadias. – Falei alto para todo mundo ouvir.
Não estava nem aí para tudo isso que aconteceu, isso não me afetava. Me afetava um pouco, mas agora eu não daria atenção a nada que aconteceria. – Sasha, Robert e o resto do mundo não me afetariam, não mais, eu estava poderosa e fabulosa. Porque eu sou Anne e ninguém da família Blanchard deixaria algo os abalar. – Voltei a fazer o que tinha que era nada e fiquei rindo comigo mesmo de Sasha, a vadia da Model.
-
Depois do trabalho, fui a Gucci, tudo o que precisava era um pouco de paz e de roupas novas. Precisava de um sapato, um salto alto e uma saia. Comprei os dois e junto um lenço. Sai feliz, saltitando. Agora era só ir para casa com minhas novas aquisições e chamar em casa comida chinesa. O bom é que hoje era sexta. Sem mais trabalho, apenas ficar na frente da TV e ver filmes. E é aí que meu momento de felicidade e longe de tudo some e ouço o telefone tocar.
- Alô. Quem é? – Pergunto ao atender o telefone.
- A Miranda. Eu gostaria que você me acompanhasse no desfile amanhã e tome notas das novas tendências. – A outra voz do telefone responde.
- Ok. – Respondi. Ia ser bom ir a um desfile, poder ver as novas roupas de marcas de grife, ia ser divertido. – Mais alguma coisa?
- Iremos te buscar amanhã às 5 da tarde e vista a sua melhor roupa. – E então o telefone desliga. Mal posso esperar para vestir minha melhor roupa e impressionar todos! Ah, as coisas começaram a melhorar.
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