Iron Woman - Natasha Stark

3 A mais trágica figura da terra


Laboratório da Mansão Stark, Malibu, CA — 20:30 pm


A palavra Stark, mencionada com certa frequência nas conversas de Wong Chu, não saía da cabeça dela desde aquela reunião e aquilo era o combustível principal que a mantinha trancada em seu laboratório por horas a fio todos os dias.


Natasha não tinha medo de se sujar enquanto consertava o motor de um carro estilizado que deu de presente para Happy. Manter as mãos ocupadas, junto com o cérebro naquele motor ajudava a morena a afastar aqueles pensamentos. Não tinha porque continuar pensando tanto nisso, o projeto para solucionar o problema já estava pronto e seria entregue no dia seguinte.


— JARVIS, quero uma vista explodida.


JARVIS mostrou na tela do monitor o esquema do motor em perspectiva explodida, mostrando cada peça, suas sequências de montagem e componentes ligeiramente separados.


— A compressão do cilindro 3 parece baixa. — Responde a IA.


— Registre.


Do lado de fora, Pepper — Uma das poucas pessoas que tinha algum acesso ao laboratório de Stark — desce a escada e aperta alguns botões holográficos azulados no vidro. O barulhinho dos botões se misturava ao som de Peace Sells do Megadeth, que diminuía depois que a ruiva abriu a porta.


— Não abaixa a minha música, por favor. — Natasha resmunga baixo, debruçada sobre o motor. Era uma de suas favoritas.


— Você deveria estar dormindo a esta hora.


— Eu sei, mas você me conhece, tenho uma mente inquieta que só sossega quando tá aqui trabalhando. Como foi com o “He-Man” lá?


— Acho que lidei bem com ele. Reagiu com classe. Mas não se esqueça que o avião sai amanhã bem cedo ok?


— Sim, eu já programei JARVIS pra isso.


Não havia muito tempo que Potts havia entrado nas Indústrias Stark, mas sua notória habilidade de observação era o suficiente para perceber uma leve mudança no comportamento da patroa, apesar da playlist de Rock. E tudo começou quando ela voltou da reunião no Pentágono.


— Acho que… Estou com um pressentimento, Pep. — Natasha por fim quebrou o silêncio, percebendo que a ruiva ainda estava alí parada. Detectou os olhares sutis de preocupação da mulher.

— Do tipo "não vá"? — A ruiva franziu uma sobrancelha

— Do tipo "não sei". O que é pior. — Olhou de volta para a bancada cabisbaixa.

Pepper olhou para ela por um longo segundo preocupada.

— Então vá preparada. Leve colete. Leve o JARVIS offline no seu fone. E volte…

— O que seria de mim sem o seu colete, Pep? — Natasha responde tentando amenizar aquele clima pesado.


— Eu sei, e também sei que está na hora de dormir. Já está pronto o projeto?

— Sim, senhora — Natasha dá uma continência de brincadeira pra ruiva e ri um pouco. — Na verdade se não fosse você eu iria virar a noite vendo hologramas e projetos já prontos só pra matar a ansiedade.

— Bom, já resolvi tudo a respeito do vôo de amanhã, só vim aqui te avisar. Isto é tudo Senhorita Stark?

— Isso é tudo, senhorita Potts. Boa noite. — Natasha sorri.

Base da Força Aérea dos EUA em Bagram, Afeganistão.

Aquele talvez tenha sido um dos dias mais importantes na história de Natasha Stark e da Stark Industries. A guerra contra o terror daqueles tempos pedia armas cada vez mais bem elaboradas e poderosas, como só Stark poderia criar. Os Dez anéis naquele momento ameaçavam a paz no oriente e representavam uma dificuldade incômoda ao governo americano, que estava disposto a investir pesado para cortar o mal pela raiz, antes que eles alcançassem a América.

A base militar americana ficava próxima de uma vasta cadeia de montanhas, formando uma paisagem linda. Mas além da beleza, Natasha, parada em frente a elas com os braços cruzados, cabelos presos com um rabo de cavalo, vestindo uma jaqueta ACU verde-oliva, calça tática preta, e uma bota preta de cano alto, as via como um perfeito alvo para a demonstração de seu mais novo brinquedo.

— Tá parecendo o Happy. — James Rhodes quebra o silêncio, vendo a amiga na mesma posição dele.

Natasha fecha os olhos, pende a cabeça pra baixo e solta umas risadas

— Porra, Rhodey.

— Desculpa, eu sei que você preferiria se vestir de um jeito mais elegante. Mas ainda assim não está feia.

— Estou bem assim. Em um lugar como esse, cheio de homem, eu me sinto melhor usando esses trajes táticos militares mesmo. Homens são visuais. — Vira se para Rhodes.

— Por isso eu fiz questão de vir com você. Não podia te deixar sozinha.

Natasha assentiu com a cabeça e um sorriso fraco. Rhodes entendeu que ela agradeceu sem palavras.

O grupo seleto inclui oficiais de alta patente e generais. Por mais que torcessem o nariz para Natasha eles tinham que estar lá. Mesmo que ela fosse mulher, o exército americano era eternamente grato ao pai dela pela ajuda inestimável na Segunda Guerra Mundial.

Dentro de uma salinha, Natasha explicou a parte técnica de seu projeto. Ao contrário de mísseis convencionais que apenas explodem, o Jericho utiliza tecnologia de repulsores de última geração para guiar suas submunições. O diferencial eram as cápsulas filhas não lançadas aleatoriamente. Elas possuem propulsores independentes e sistemas de mira que as permitem "pairar" e redirecionar em voo. Isso permite cobrir um vale inteiro ou alvejar várias aberturas de cavernas em uma única passada.

Quando todos saíram da salinha, os lançadores estavam devidamente posicionados e apontados para as montanhas. Os oficiais aproximam-se para ver o produto ainda com um ar de desdém, que não intimidava nem um pouco Stark.

— É melhor ser temido ou respeitado? E por que não os dois? Dizem que a melhor arma é aquela que você nunca precisa usar e eu discordo respeitosamente. — Breve pausa. — A melhor arma é aquela que você só precisa usar uma vez.

Posicionada entre os dois lançadores, virada de frente para todos. Natasha prossegue. O vento balançando seu rabo de cavalo. Postura e fala imponente, refletindo a revolta em seu interior.

— Com os Raios Repulsores aplicados a este sistema, o inimigo não tem para onde correr. Todas as saídas são seladas simultaneamente.

Ao sinalizar para ligar o dispositivo, o míssil dispara, sobe, e no topo da trajetória explode em dezenas de pontas de lança brilhantes que se espalham pelo céu.

— Para a sua apreciação… O Jericho. — Natasha abre os braços enquanto terminava de falar. De costas para a destruição atrás.

As submunições atingem os picos das montanhas com precisão cirúrgica, explodindo as, causando uma onda de choque que chega até os presentes na forma de um vento forte que faz voar ainda mais o cabelo de Natasha e até derruba os bonés de alguns dos militares presentes.

Como esperado, a arma criada por Natasha cumpriu sua finalidade, explodindo boa parte do topo daquela enorme cadeia de montanhas e imediatamente as mentes estratégicas puderam imaginar diversos cenários possíveis com os mísseis destruindo vários alvos.


Negócios foram feitos naquele dia, mãos apertadas.

Enquanto os generais conversavam entre si naquele pátio amplo, de frente para as montanhas. Stark recebia a ligação de vídeo de seu padrinho Obadiah e prontamente atendia.

— Fala, velho. Missão cumprida.

— Já mostrou o brinquedinho pra eles? — Obadiah pergunta sonolento, ainda na cama.

— Sim, eles até admitiram que gostaram. Verbalmente, inclusive.

— Menos mal. Pelo visto o Natal vai ser mais cedo esse ano.

— Sim, vai. Mas cadê o pijaminha que eu te dei? — Resmunga Natasha, brincando.

— Boa noite, Tasha. — Desliga o homem sonolento.

Diante daqueles generais e oficiais, Natasha se mostrou o mais forte que pôde, e mais sóbria também. Pensou em oferecer um agrado de algumas garrafas de champagne, mas e se aqueles caras começassem a beber alí? Tinha o Rhodes lá, mas só pra garantir preferiu esquecer aquela ideia. Preservava sua integridade e o emprego do amigo.

Pretendia voltar para casa naquele mesmo dia. Não estava nem um pouco afim de fazer escala na Turquia e aproveitar algumas noites em Istambul. Só queria voltar a pôr os pés na América, mas uma queixa vinda direto de um oficial de alta patente sobre uma falha crítica em um dos componentes de reaproximação de mísseis fornecidos pelas Indústrias Stark para a base de Bagram arruinou seus planos.

James Rhodes entrou sem bater na sala de operações temporárias na base de Bagram antes de Natasha sair. Privilégio da patente. Queria tempo para resolver aquele problema. O local cheirava a café ralo e plástico queimado. O coronel Marshall, um homem de bigode grisalho e olheiras profundas, levantou os olhos de um tablet. Ao lado, a major Chen consultava um mapa tático sem realmente vê-lo.

— Rhodes. Sente-se.

— Não vou me sentar. — Rhodes apoiou as mãos na mesa metálica. — A Natasha Stark estava naquele comboio. O equipamento que ela ia demonstrar — os geradores portáteis — está lá, num caminhão que não foi destruído. Eu sei que ela tinha peças de reposição no veículo dela. Se me deixarem ir até o perímetro do ataque, eu posso...

— Você não vai.

— Coronel, com todo respeito...

— Rhodey. — Marshall usou o apelido como um bisturi, não como um afago. — O local do ataque está em zona hostil. Temos relatos de atividade insurgente num raio de quinze quilômetros.

— Eu sei o risco. Eu treinei para isso.

— Não é sobre o seu treinamento. — Dessa vez foi Chen quem falou, sem tirar os olhos do mapa. — É sobre o que você representa. Você é um oficial da Força Aérea dos Estados Unidos. Se você for capturado, ou pior, morto, tentando resgatar uma civil numa zona não autorizada, isso vira crise diplomática.

— Ela é uma civil que estava fazendo um trabalho para o Departamento de Defesa! — Rhodes bateu a palma da mão na mesa, mas não levantou a voz. A disciplina era mais forte do que a raiva. Quase. — Vocês têm o dever de…

— Temos o dever de proteger ativos estratégicos. — Marshall cruzou os braços. A cadeira rangeu sob seu peso. — E, neste momento, a Stark Industries não confirmou se o equipamento que ela levava contém tecnologia sensível que não pode cair em mãos inimigas. Até que a equipe jurídica em Washington se pronuncie...

— Até que a equipe jurídica se pronuncie? — Rhodes riu sem humor. — Ela pode estar sangrando numa vala enquanto vocês esperam um e-mail.

Chen finalmente levantou o olhar. Havia algo nos olhos dela — cansaço, talvez, ou uma culpa que ela já aprendera a engolir.

— Se você entrar lá, Rhodes, e for capturado... — ela pausou, escolhendo as palavras com o cuidado de quem planta uma mina terrestre — os terroristas vão ter dois reféns de valor em vez de um. E vão saber que um é militar. O que você acha que eles vão fazer com essa informação?

Rhodes sentiu o estômago cair. Não porque a lógica fizesse sentido, mas porque não fazia, e ainda assim era a lógica que venceria. Burocracia. Medo. Interesses sobrepostos.

— Então a desculpa de vocês — ele se endireitou, ajeitando a farda num gesto automático — é que eu sou valioso demais para salvar alguém.

Marshall não negou. Apenas disse:

— A desculpa, Rhodes, é que você não tem autorização. A justificativa é que não vamos transformar uma baixa possível em duas certezas.

— Ela não é uma baixa.

— Ainda não. — Marshall pegou o tablet, sinal de que a conversa terminava. — Reze para continuar assim.

Rhodes saiu sem se despedir. No corredor, encostou a testa na parede de concreto fria por um segundo.

O comboio militar, formado por cinco veículos do tipo Humvees, atravessava um desfiladeiro estreito chamado de “Vale da Sombra”, outrora conhecido pelo número frequente de emboscadas que aparentemente cessaram graças a uma bem-sucedida operação militar. Natasha estava no veículo de comando, no centro da formação. Três fuzileiros no total, sendo um sentado do seu lado esquerdo, e os outros dois na frente.


Natasha tamborilava os dedos no vidro da janela, no ritmo da bateria da música Back In Black do ACDC, que cantarolava baixinho e balançando um pouco a cabeça pra frente e pra trás, como uma forma de tentar se acalmar. Por dentro amaldiçoava o componente que deu defeito. Manuseiam mal os equipamentos, depois ela tinha que arrumar.

Mas algo começou a chamar a atenção dela, enquanto seus olhos vasculharam o interior do automóvel; alguns olhares curiosos daqueles jovens soldados.

— Hum... Parece que cês vão me levar pra corte marcial, que loucura. — Natasha brinca um pouco pra tentar esconder a inquietação e quebrar o clima tenso. — Mas acho que quem deveria ir era quem estragou meu brinquedo. — Breve pausa — Vocês falam?

— S... Sim, senhora. — Responde o jovem ao lado dela. Exatos vinte anos.

— Puxa... achei que o gato tinha comido tua língua.

— Você é intimidadora. — Responde uma outra voz feminina, a pessoa que estava dirigindo o veículo. Natasha abriu um sorriso largo e olhou na direção da motorista.

— Ai meu Deus, uma mulher? E ainda por cima dirigindo um Humvee? Melhorou meu dia em duzentos por cento.

— Obrigada, sou da força aérea.

— Igual o Rhodey.

Natasha passou um tempo trocando ideia com eles, conhecendo um pouco da história de cada um. Mas aquilo durou apenas cinco minutos. Mais calma, Natasha havia colocado a música Back In Black pra tocar enquanto eles tentavam bater uma foto. Jimmy, ao lado de Stark levantou dois dedinhos, fazendo um “V” mas mal havia terminado o segundo refrão, a música na metade, quando a primeira e forte explosão arrancou toda a paz que vivera até então.

— O que é isso? — Grita Natasha.

— Droga, são eles. Protejam a Stark. — Gritou um dos fuzileiros. O que estava do lado da motorista.

Mesmo sob tensão e medo, Natasha pode identificar que havia sido usada uma mina terrestre magnética, ativada remotamente sob o primeiro veículo. O blindado capota. E então veio a segunda explosão; Dois foguetes RPG-7 disparados das encostas acertam o veículo traseiro, o último da formação. Os fuzileiros dentro morrem instantaneamente. Natasha grita aterrorizada, os soldados dentro do Humvee dela se preparam. O comboio está agora imobilizado: primeiro veículo destruído, último veículo em chamas, os outros três presos no meio.

— Fomos encurralados. — Grita um deles.

Sem gritos nem negociações, os terroristas descem das encostas em silêncio. Suas fardas eram escuras, treinamento militar intenso. Não estavam lidando com amadores. O Humvee começa a ser alvejado por tiros certeiros que atingiram a motorista e seu colega, sentado ao lado assim que abriram a porta com seus rifles nas mãos. Um a um.

— NÃO — Natasha grita impotente assistindo as balas atingindo os.

Ela percebe em questão de segundos que aqueles terroristas sabiam exatamente as posições em que cada soldado de seu veículo estariam e grita desesperadamente para os outros dois não saírem.

— Não vai, não vai. Vão te matar. Fiquem aqui dentro porra. — Berrava Stark. — Isso é combinado.

— Fica aí dentro. — Berrou o soldado que estava do lado dela antes dele abrir a porta e o tiro acertar sua cabeça.

O sangue do rapaz espirrou em cheio em seu braço esquerdo e um pouco na cabeça. Berrou horrorizada e depois congelou, pondo as mãos na cabeça e se encolhendo como se aceitasse seu aparente destino. Sequer notou o outro combatente ter o mesmo destino do outro lado do veículo. A mente estava atordoada demais para lidar com mais uma baixa.

Abaixada no banco do veículo de comando, o som dos tiros, os corpos caindo e os gritos acabaram. O coração quase no mesmo ritmo das rajadas de metralhadora, as mãos na cabeça, a respiração intensa e o rosto marejado se misturando com um pouco do sangue. Droga, Natasha reage. Fuja dali. Veio a tremedeira. Adrenalina por todo o corpo.

Um dos terroristas, vestido com um uniforme americano capturado e carregando uma mochila, se aproxima do veículo em que ela estava, mas ao invés de atirar, o terrorista coloca a mochila na porta traseira e ativa o dispositivo: Uma minibomba das Indústrias Stark, adquirida no mercado negro ou fornecida por algum infiltrado. A essa altura já se passavam inúmeros cenários na mente de Natasha.

O terrorista corre, mas não há direção segura. O fogo já consome o que restava da estrada de terra. Atrás dele, o comboio explode com violência cirúrgica: a porta traseira do veículo blindado é arrancada como se fosse papel alumínio, o impacto faz os chassis gemer em metal torto, e então o carro capota lateralmente uma, duas vezes, até parar de cabeça para baixo. Lá dentro, Natasha é jogada contra o teto, transformado em chão, com a força de um punho de titânio, depois despenca de volta quando o veículo dá mais meia-volta. A coluna bateu no banco destruído, o ombro direito estalou em algum lugar entre a terceira e a quarta vértebra. O gosto de sangue e gasolina preenche sua boca antes mesmo que ela perceba que ainda está viva.

Primeiro veio o silêncio, depois a dor, o gosto do sangue, um pouco de terra e pólvora. Murmúrios de dor e raiva. Mas o pior foi virar a cabeça e ver o maior estilhaço de todos no chão, bem visível e o que mais a atingiu, não fisicamente, mas moralmente: O que estava com a logo das Indústrias Stark. Um lembrete cruel de que ela era a responsável por isso. A bomba era dela, havia se fragmentado e a atingido em cheio no peito, um deles, do tamanho de uma bala, alojou-se a menos de um centímetro do coração. Outros três se alojam no ombro, na costela e no abdômen.

— So… Socorro. — Murmurava.

O veículo estava de lado, como um animal morto. A luz entrava por buracos onde antes havia portas. Natasha abriu os olhos. Não sabia quando os havia fechado. O colete balístico, tão cuidadosamente preparado por Pepper, estava em frangalhos. Pontos vermelhos emergiram da camiseta branca que ela usava por baixo da jaqueta verde oliva e aumentavam de tamanho. A explosão ejetou diversos estilhaços no tórax de Natasha, transpassando quase como papel o material.

Ela olhou com certa lentidão ao virar a cabeça, a manga da jaqueta tática estava rasgada, escura de sangue. Não o dela, mas do rapaz que viu morrer. Seu rosto se alterou e se entregou totalmente às lágrimas que caíam grossas, misturando se com gotículas de sangue dele.

Jimmy havia acabado de completar vinte anos no dia anterior, comemorando o aniversário participando da missão no “Vale das Sombras” que eliminou alguns dos terroristas que estavam lá. A mulher da força aérea se chamava Judith e havia se tornado uma das poucas mulheres no exército a chegar naquele ponto de até pilotar um automóvel daquele porte. O terceiro, Dave, sentado do lado direito de Judith, também havia participado da missão junto com Jimmy.

O cheiro metálico misturado com pólvora invadindo suas narinas. Suas mãos agarravam a poltrona destruída numa mistura de tristeza com a dor que sentia no peito que ardia. Parecia que havia facas em seu pulmão toda vez que respirava e mais ainda quando soluçava de chorar e tossir sangue. Era impossível se sentar.

O céu azul que podia ser visto através da abertura, onde havia uma porta, começava a escurecer, mas antes de sua consciência e suas forças se esvaírem completamente, Natasha ouviu passos. Torcia para que fosse Rhodes e seus colegas, mas além dos passos ainda conseguia ouvir vozes, e para o seu desespero não falavam inglês, mas também não falavam árabe. Natasha nem conseguia mais raciocinar direito e nem queria. Queria que a escuridão a engolisse de uma vez, já que seu corpo a abandonou.

Era algo gutural, rápido, entremeado de risadas secas. E no centro daquelas risadas, alguém arrastou o cano de um fuzil pelo chão de metal bem perto do seu rosto. Natasha fechou os olhos, não por medo, mas por estratégia. Se a vissem acordada, perguntariam coisas. Se a vissem desmaiada, talvez a ignorassem por mais alguns minutos.

Ainda com os olhos fechados e o resto de consciência que lhe restou, ela pensou neles. Depois não pensou mais.