Iron Woman - Natasha Stark
5 A Armadura
Interior da Stark Industries – Sala de Reuniões – 11:00 am
Pepper Potts entrou primeiro na sala de reuniões no 42º andar passando pelas paredes de vidro do chão ao teto, mesa de mármore branco no centro, cadeiras de couro preto ao redor. Sempre elegante mesmo em meio àquela turbulência. O terno azul-marinho, o coque impecável, os saltos fazendo um barulho ao tocar o chão e o BlackBerry na mão. A imagem do controle. Mas os olhos estavam cansados, e a mandíbula, levemente tensa, traía o que o resto do corpo se recusava a mostrar.
Obadiah aguardava a todos já sentado à mesa. Terno cinza claro, ombros largos e um irritante sorriso largo aos olhos da ruiva. O homem se levantou assim que ela entrou.
— Pepper. Que bom que veio.
Quando Potts bateu os olhos no outro homem que estava ao lado de Obadiah gelou. Terno preto de alfaiataria, camisa branca, sem gravata. O cabelo loiro comprido dessa vez estava amarrado atrás num coque nem muito alto nem muito baixo, os olhos verdes fixos nela com uma calma que não era relaxamento e sim avaliação. Lars não se levantou, apenas inclinou a cabeça num gesto pequeno, quase imperceptível.
— Srta. Potts. Obrigado por nos receber.
— Obadiah, você não disse que Lars estaria aqui. — Pepper reclama gentilmente.
— Lars está aqui para ajudar. A Prometheus tem experiência em operações no Oriente Médio. Quando soube do incidente... ele se ofereceu. — O mais velho deu um sorriso.
Pepper não respondeu imediatamente. Enquanto isso, o BlackBerry vibrava no bolso, mas a ruiva teve que ignorar.
— Um incidente… — É assim que você chama o sequestro da sua sócia? — Pepper manifestou seu incômodo.
— Potts, ninguém está mais preocupado do que eu. Natasha é como uma filha para mim.
A ruiva não acreditava muito. Seu silêncio pesava uma tonelada.
Srta. Potts. Sei que não tenho direito de estar aqui e que você não é minha maior fã. — Lars quebra o silêncio, mantendo a calma. — Mas tenho alguns recursos que o governo americano não tem. Contatos, rotas, informações. Posso ajudar a encontrar onde estão a mantendo.
Pepper vira seu rosto na direção do alemão, franzindo o cenho num misto de curiosidade e desconfiança.
— Por que você faria isso?
— Porque Natasha Stark não merece morrer numa caverna no Afeganistão. E porque... coisas boas acontecem quando a Stark Industries está em dívida com alguém. — Lars Kaiser responde com um meio sorriso.
Pepper o encarou. Muita gente se derretia pelos lábios carnudos daquele alemão. Stark foi uma de suas vítimas, por mais que se achasse a caçadora. Mas não Pepper Potts, que tinha um faro incrível para pessoas como ele. Ele não desviou.
— Pepper, não há tempo para desconfianças. Natasha está lá fora, sozinha, com terroristas. Se Lars pode ajudar, devemos aceitar. — Obadiah os interrompeu com um pigarro.
— Uhh, está bem. O que você sugere? — Pepper se dá por vencida, só daquela vez.
— Uma operação conjunta. Prometheus fornece inteligência, a Stark financia e eu coordeno. — O mais velho responde.
A ruiva não respondeu por um bom tempo. As orbes azuis dela miraram Lars com certa fúria contida. O celular dela vibrando novamente.
— Obadiah, pode me dar um minuto com Lars?
— Claro. — Obadiah piscou sem compostura, levantou-se e saiu. — A porta de vidro deslizando atrás dele.
Pepper esperou a porta fechar para virar se para Lars.
— Muito bem. O que você quer, Lars?
— Já disse, ajudar. — O loiro manteve a voz calma.
— Obadiah não traria ninguém que não fosse útil para ele. Você não está aqui por acaso. Então... me diga. O que você quer?
Lars inclinou a cabeça, um gesto pequeno, de quem está considerando a resposta com cuidado.
— Quero acesso.
— Acesso a quê? — Pergunta a ruiva.
— Ao que está dentro do laboratório dela.
Lars tinha o dom de aparentar paciência, aprendeu isso com o pai e inúmeros livros. Mas havia um vulcão dentro, que nesse dia ele teve que fazer um esforço para conter. Estava muito perto e o único obstáculo era Pepper Potts. O silêncio se alongou. Pepper não piscou.
…
Int da Caverna – Base dos dez anéis – Afeganistão
— Desesperados para salvar seu povoado, alguns homens aceitaram o desafio de Wong Chu, que simplesmente derrubava um por um. — Ho Yinsen continuava narrando para Natasha enquanto cozinhava algo em uma panela no fogo. — E assim ele tomava o controle.
— Então ele se aliou ao Mandarim para expandir sua influência, não é? — Natasha completava.
— Sim, e se tornou praticamente imparável.
Yinsen assobiava após relatar tudo o que sabia sobre Wong Chu e Natasha não acreditava em como esse homem passou daquele estado exausto e fraco para aquela tranquilidade aparente.
— Você me operou? Professor Yinsen?
— Sim. Tentei remover todos os estilhaços que pude, senhorita Stark. Mas ainda restaram muitos. — Ele dizia com uma tranquilidade na voz um pouco aveludada. — E ainda estão alojados em seu septo atrial.
Natasha olhava para o objeto em seu peito fazendo um ruído característico de aparelho eletrônico. Elétrons dançando.
— Olha. — Yinsen apanhou um pequeno recipiente de vidro tampado e o balançou levemente ao mostrar à morena. Os poucos estilhaços que conseguiu capturar mexendo-se dentro. — Tenho um Souvenir.
Em seguida ele dá o recipiente para Natasha, que o gira com os dedos, olhando para os pequenos pedaços mal se movendo lá dentro.
— Já vi muitos feridos assim no meu vilarejo. Os chamamos de mortos vivos porque leva cerca de uma semana para as farpas chegarem aos órgãos vitais.
— Wong Chu me disse que isso que está no meu peito é para manter os estilhaços restantes longe do meu coração. Um eletroímã conectado a uma bateria de carro. Foi o senhor que fez, não é?
— Exatamente.
— Senhor Yinsen, eu nem sei como te agradecer, mas eu também odeio o fato de terem enfiado o senhor nesse buraco comigo.
— Não temos como impedir o que não conseguimos prever, Stark.
— Sim, mas ainda temos tempo pra virar esse jogo. E como eu disse, eu vou tirar a gente daqui Professor Yinsen.
— O que tem em mente, Stark?
…
Sala de Reuniões
— O laboratório dela está trancado, Lars. Precisa de códigos biométricos pra acessar. Ninguém entra sem ela. — Pepper foi categórica.
— Eu sei. Por isso preciso de você. — Lars ofereceu um meio sorriso. Pondo as mãos no bolso.
— Você acha que eu vou te ajudar a invadir o laboratório da minha chefe enquanto ela está sequestrada?"
— Acho que você vai fazer o que for necessário para encontrá-la. Mesmo que isso signifique abrir portas que não deveria.
Pepper o encarou com firmeza feroz. Lars sustentou o olhar.
— Eu não sou seu inimigo, Srta. Potts. Mas vou ser sincero; não estou aqui apenas para salvar Natasha.
— Então para quê? — Pepper cruza os braços mantendo o olhar.
— Porque há algo dentro da Stark Industries que precisa ser protegido. Algo que ela nem sabe que tem. E os homens que a sequestraram... Irão atrás disso."
— Do que você está falando? — A ruiva sentiu como se o calor tivesse abandonado seu sangue.
— Do que sobrou do projeto Arc Reactor original. Dos planos que Howard Stark escondeu e morreu sem revelar, Srta. Potts. — Inclinou- se ligeiramente para a frente.
O homem parecia ter roubado a voz de Pepper. O zumbido do ar-condicionado preenchia a sala. Novamente o Blackberry vibrou e não foi atendido. Ainda não podia.
— Como você sabe disso? — A voz da ruiva soando baixa e pesada.
— Meu pai trabalhou com Howard. Ele viu coisas que não devia. E contou coisas que não devia — Lars deu de ombros. — Eu não quero o que está lá dentro. Quero proteger. Quero evitar que caia nas mãos erradas.
— Como quer que eu acredite em você?
— Eu acho que você não tem escolha."
O silêncio se estendeu, até que Pepper se levantou.
— Fique aqui.
Ela caminhou para a porta. Lars não se moveu. Mas os olhos verdes a seguiram e havia algo neles que Pepper não conseguia decifrar muito bem. Quando chegou ao corredor, longe do alemão, Pepper atendeu ao celular assim que o sentiu vibrar novamente.
— Pronto.
— Rhodes conseguiu contato. Ele está a caminho. Quer falar com você. — A voz de Happy Hogan trouxe Pepper novamente para um local de conforto.
— Manda ele vir. E Happy… Prenda a entrada de Obadiah no sistema. Não deixa esse homem entrar no laboratório.
— Já fiz. — Happy responde confiante.
— Bom. — A ruiva desligou.
O corredor estava vazio. Ela olhou para a porta da sala de reuniões, onde Lars esperava. O homem estava bem calmo e sobretudo confiante com o braço esquerdo apoiado sobre a mesa de reuniões. Lars podia tentar ser misterioso e sedutor com quem quisesse, até mesmo com a poderosa Stark. Mas Pepper era paga para ter a mente afiada e forte.
"O que você quer, Lars?" — Pensou a ruiva.
…
Int da Caverna – Base dos dez anéis – Afeganistão
Aquela seria uma semana muito importante para Stark. Então não daria moleza para aqueles idiotas. Os faria trabalharem pesado na criação dos supostos mísseis que eles queriam tanto. Natasha dava ordens e Ho Yinsen as traduzia. Nada de sorrisos, só o olhar crítico e a fala dura. No entanto, sempre alerta, embora Wong Chu tivesse prometido que nenhum deles a tocaria.
Um míssil estava em cima de uma mesa enquanto Natasha debruçava-se sobre ele, removendo algumas partes para pegar um metal que ela queria.
— Você fala muitas línguas, Professor Yinsen. Quantas?
— Muitas, mas ainda assim não é o bastante.
— Os Dez anéis… — murmura Stark — Ouvi falar deles enquanto ainda estava em Washington, Sr Yinsen.
— Se me permite, Senhorita, eu gostaria de saber o que está planejando. Isso é muito importante.
Stark retira uma peça central do míssil e a trás para outro lugar. Coloca em cima da mesa e com uma pinça retira um pequeno metal, jogando a peça pesada para trás.
— O que vai fazer com isso?
— Vou usar Paládio. Este tem só 0,15 gramas, por isso precisamos desmontar os outros 11 mísseis para obter 1,6 g.
— Isso é o que eu chamo de tirar leite de pedra. — Dizia Yinsen impressionado.
— Eu meio que devorava seus livros na faculdade. Bons tempos.
Entre faíscas e fogo, Yinsen levou o Paládio derretido, soltando bastante vapor, segurando o recipiente de metal com a ajuda de uma pinça grande e o levou com cuidado até a mesa, derramando-o em uma espécie de molde circular e endurecer. Natasha juntou as duas argolas de Paládio que fez, unindo as com fios de cobre e no final de todo o processo de construção a luz azul iluminou seu rosto e o zumbido do gerador preenchia o espaço e também o coração de Natasha com esperança.
— Oh… — Yinsen se aproxima impressionado. — Isso não parece o míssil Jericó.
— É uma miniatura do Reator Arc. — Natasha disse sorrindo, como se estivesse em um dia qualquer quando tinha 10 anos de idade ao acabar de criar algo com as próprias mãos. — Na minha fábrica tem um grandão. Vai manter os estilhaços longe do meu coração.
— Isso deve gerar muita energia, Stark.
— Sim. 3 Gigajoules por segundo. A matemática sempre está certa.
— Pode fazer seu coração bater por 50 vidas.
— Ou algo maior por 15 minutos.
Natasha pegou um amontoado de folhas grandes quase transparentes e as depositou na mesa, sobre uma superfície iluminada. Yinsen as observou, haviam desenhos de peças anatômicas de metal. A morena as uniu, formando um desenho só. Braços, pernas, tronco e cabeça.
— E agora? é o projeto final?
— Sim.
— A senhorita viu muitas animações japonesas de Mecha quando criança?
Natasha deixou escapar um riso.
— Assim como elas me faziam escapar da realidade nessa época. Isso aqui também vai nos fazer escapar daqui. Pode não ser tão irado e sofisticado quanto as da TV, mas no contexto e com os recursos que temos aqui disponíveis tá de bom tamanho.
A imagem completa era simplesmente uma armadura de ferro, que junto com o mini Reator Arc formaria a arma perfeita, porém não em mãos erradas.
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