Irmãs
1 Capítulo 1
Notas iniciais
(ALASCA)
Eu estavaassistindo televisãocom a Cece quando mamãe apareceu. Eu odeio quando ela interrompe a gente assim, de uma hora pra outra. Bom, eu não fiz nada de ilegal nestefim de semana, mas com a Cece é outra história né.
-Maaaaaaae -Cece estava com a cabeça no meu colo quase pegandosono maisassistindo- você esta nos atrapalhando, poderia dar licença?
Ela se virou e desligou a TV. Suspirei. Isso não é boa coisa.
(CECE)
Alasca suspirou. Fu.de.o.
(ALASCA)
-Mamãe, serinho, não fizemos nada demais neste fim de semana! -eu disse gritando -Bom, pelo menos eu... -disse diminuindo otom de voz.
-Ei -Cece sentou direito e me encarou -Eu não fiz nada!
Lancei aquele olhar pra ela, Cece é uma péssima mentirosa.
-Ta legal...-ela disse enfiando a cara na almofada- Na sexta eu fumei um pouco e escondi no jarro de plantas, vai, pode me por de castigo!
-Fumante que não sabe nem mentir. -eu disse sem conseguir me conter.
-Pelo menos eu...
-Meninas parem! -gritou mamãe- Eu quero falar uma coisa seria! Cece, conversamos depois, mais agora temos uma coisa seria para falar!
Cece e eu nos entreolhamos. Nós temos códigos para conversar que só nos duas entendemos, mas dessa vez nem precisaríamos. Sabíamos que este dia chegaria.
-Esta na hora. -mamãe disse- Vocês completaram 16 anos e ja são maduras o suficiente para se cuidarem. Vocês vão para o Brasil.
Tenso. Silencioso. Dava pra ouvir atorneira do banheiropingar. Era assim que estava a sala.
-Passamos nossa vida inteira aqui! Você não pode fazer isto! -moramos em Nova York, nascemos aqui, mas nossa mãe não. Ela morava no Brasil, a vida toda, e quando descobriu que estava gravida aos 18 se mudou pra cá para ficar com uma amiga. Descobrir que esta gravida aos 18 e ainda levar um pé na bunda e ter que se virar não é fácil pra ninguém.As primeiras palavrasque aprendemos foram em português. Dominamos as duas línguas ao mesmo tempo, mas em casa só falamos em português.
-Querida já conversamos sobre isso... -ela disse pressionando a testa com a mão — falamos sobre isso desde que vocês tinham 12 anos! vocês vão morar com sua tia Esther até terminarem oensino médio, aí quando se formarem vocês voltam e resolvem o que querem fazer da vida, mas vocês precisam ir ao Brasil! Voces não conhecem ninguém mais da família alem de mim! Voces precisam conhecer seus tios e o seu primo !
Ja havíamos conversado sobre isso. Queríamos mesmo conhecer todo mundo, mas as vezes parece que o Brasil fica do outro lado do mundo e da um certo medo de ir. Olhei para Cece. Ela estava chorando.
Sempre que tocávamos neste assunto ela chorava, Cece sempre teve medo de avião, nunca viajei pois ela nunca quis ir. E se Cece sente dor, uma parte de mim também sente, nem tanta mais sente. Cheguei perto dela e a abracei. Ficamos assim um pouco e me afastei. Limpei as lágrimas dela com o polegar e disse.
-Vai dar tudo certo. Não vai? -eu olhei para mama, ela também estava chorando. Droga.
-E-e-eu sinto mu-mu-muito Cece -disse mamãe seria mais caia muitas lagrimas de seus olhos- Mas eu só consegui voo para amanha. As 5.
-O que? -Disse Cece chorando mais ainda -E você avisa assim? Com pouquíssimas horas antes? Eu te O-D-E-I-O !
Cece saiu correndo da sala e foi para o nosso quarto. Preciso ajuda-la, quando ela entra em crise, geralmente sou a única que ela aceita ver. Mamãe sabe, por isso não correu atras dela.
-Alasca, espere! -disse mamãe segurando meu braço — Olha eu não tive escolha... Pra manter vocês lá eu precisei gastar muito, e quando fui comprar a passagem só tinha para amanha, quer dizer, tinha pra daqui a 1 semana também, mais eu achei que se o mais rápido vocês fossem, mais rápido iriam se acostumar ao lugar.
Eu revirei os olhos -Quando você comprou?
-4 dias atras.
-E você deixa para contar na véspera? Cece morre de medo de avião e você sempre soube disto! Por que não avisou antes?
-Querida, eu sinto muito mesmo! -minha mãe fungava muito -Eu não consegui, sempre que eu a via ela estava sorrindo e parecia feliz, eu não queria deixa-la mal... mas eu admito, não consegui contar.
-Você tem noção da terrível mãe que você é ? Se você tivesse contado antes seria menos pior, podemos dizer, é claro que ela ficaria triste mas seria muito melhor do que você acabou de fazer! Ela esta sofrendo ! -levei a mão ao rosto e percebi que eu também chorava
-Sinto muito.
-Sente muito... -eu murmurei olhando em outra direção — Pode não parecer mais a Cece não é tudo isso o que pensam! Todo mundo pensa que a Cece é a pessoa mais forte que conhecem mais ninguém a conhece melhor do que eu! Ela faz de tudo para que não notem o quanto ela é fraca por dentro. Ela sente medo como qualquer outro ser humano. E o seu "sinto muito" não vai ajuda-la no avião.
Me retirei da sala. Eu estava com raiva, muita raiva, mais agora eu tinha que ser mais forte do que nunca fui. Minha irmã precisava de mim.
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