Irmãos, Apenas Irmãos...

50 Capítulo 50 - Essa cara é efeito do quê?


Notas iniciais
E... como recebi alguns reviews, e para provar que eu sou uma menina de palavra, eu decidi postar a continuação.
Espero que curtam e que tenham uma óptima leitura!!

Marta estava mal com essa história toda. Não estava com Miguel ao seu lado mais tinha a certeza que o tinha na sua cabeça por todo o momento. Para a gente conversar a levei para uma sala. Para a nossa sala, mais propriamente.

_ Está tudo bem?

_ Está. Está tudo bem mal.

_ O que rolou?

_ Eu e Miguel brigamos.

_ Tá bom. Até aí eu já tinha percebido.

_ A gente brigou por causa de Duarte.

_ Ok. Também não preciso que me diga quem foi o dito cujo que originou a briga e qual foi a razão, porque isso é meio que obvio.

_ Então o que você quer saber exatamente?!

_ Eu quero que me diga, é o que vocês falaram.

_ Eu nem sei por onde devo começar.

_ Talvez se começasse pelo o principio… — falei irónica e tentando a animar, mas acho que foi uma tentativa falhada, pois nem um simples rasgar de lábios obtive.

_ Miguel ontem foi em minha casa, ai a gente estive conversando e eu tentei obter uma justificação sobre o porquê de ele não ir na onda de Duarte e a resposta dele foi “…se mantenha longe dele, e por favor confie em mim…”, eu não gostei do que ouvi e o pus fora de minha porta.

_ E agora?

_ E agora só consigo pensar nele, só consigo me lembrar de como ontem adormeci chorando, só consigo pensar nos momentos que a gente estive junto. Só consigo pensar na vontade louca que tenho de ir ter com ele e me desculpar. Mas por outro lado, continuo a não entender nada. Não sei o que Miguel tem contra Duarte. – Marta fazia um esforço para não chorar, enquanto eu remexia em meu colar e a olhava com uma certa pena. Eu também não compreendia o que havia ali no meio mas depois daquilo que ouvi ontem, as minhas duvidas multiplicaram-se. Não queria falar para Marta o que escutei, mas consequentemente temia, que como Bernardo e Miguel falaram ontem, a gente corresse perigo e ela nem sequer desconfiasse disso.

Desviei o olhar para porta.

_ E por falar em Duarte… — sussurrei baixo para Marta. Ele estava encostado na porta remexendo no celular e se preparando para entrar. Marta se virou e o encarou, sorriu e depois foi até sua bolsa e pegou umas quantas folhas, todas escritas. Depois se dirigiu a Duarte e as mostrou, como se as fosse entregar para ele.

Eu permaneci no mesmo lugar e fiquei assistindo a cena.

_ Aqui está os seus apontamentos. Espero que esteja tudo certo. Se precisar de mais alguma coisa é só gritar. – Marta piscou o olho para ele.

_ Muito obrigado, mesmo. Mas será que seu namorado não fica aborrecido com isso?

_ Deixe para lá como Miguel fica ou deixa de ficar. Quem manda na minha vida sou eu. – Marta se impôs, mostrando seu lado de liderança e de auto afirmação.

_ Sendo assim eu não tenho como não aceitar. – Duarte abriu mais o sorriso que tinha no rosto e depois espreitou para me alcançar. – Bom dia Leonor.

_Bom dia. – estava tão pensativa e remoendo nos acontecimentos e fatos, que quando ele falou para mim, me engasguei por completo. Porém respondi e fingi um sorriso.

Aquilo que Bernardo e Miguel transmitiam era que Duarte era uma pessoa ruim e que trazia o mal junto, mas as suas atitudes demonstravam uma pessoa bem agradável, simpática e boa.

O sinal tocou e cada um de nós ocupou seu lugar naquela sala grande e que não tardava em encher.

_Bom dia classe. Espero que tenham feito os trabalhos de casa e que estejam prontos para trabalhar. Abram seus livros na página 61 e comessem lendo esses textos sobre o grande Ludwig Wittgenstein. Eles vos iram explicar um pouco da vida desse fantástico homem e vos iram dar a conhecer o que o levou a ser um grande filósofo, e que por muitos é e foi considerado o mais importante filósofo do século dezanove. Também vos vão dar a conhecer alguma das suas tão notáveis frases e expressões. – A professora de filosofia pousou suas coisas na secretária e pegou seu livro. Mal ela deu as ordens um barulho de páginas revirando encheu aquele lugar e num curto espaço de tempo todo o mundo estava fixo em seus cadernos e livros.

A aula até passou bem rápido. Foi daquelas aulas divertidas que os papeis são trocados e em que nós alunos é que somos os professores e temos que explicar para a aluna, mais propriamente a professora as coisas. E isso origina a que se abra um diálogo e uma troca de conhecimentos.

Quando ela terminou, Marta saiu primeiro que eu. Demorei mais tempo arrumando minhas coisas e depois tive que a ir procurar. Não era difícil de saber qual a sua localização. De certeza que estaria no bar.

Quando sai da sala e fui percorrendo os corredores gigantes daquela escola me sentia perseguida, observada. Não olhei para trás e asselarei o passo. Não sei o que me deu mais acho que a cena de quando fui estuprada se estava repetindo. A perseguição, a sensação de estar a ser controlada, o silêncio, a pressa no passo.

Senti alguém estar praticamente atrás de mim e agi. Me virei e para meu espanto era Duarte que seguia meu andar. Respirei fundo e levei a mão ao peito.

_ Me assustou garoto!

_ Desculpe, não queria isso.

_ Então o que queria, me matar de coração?

_ Não. Acho que você é uma garota excelente e uma boa companhia e como vi que está sozinha e como vai em direção ao bar, pensei que não se importaria com a minha companhia. – ri da cara dele.

_Conheço bem os da sua laia e olhe que se vem para me engatar te aviso já que não estou disponível, para você.

_ Eu sei.

_ Você sabe? – a gente já tinha começado a andar de novo e seguíamos para a o bar.

_ Você pensa que eu já não notei, que rola um clima entre você e Bernardo. – acho que paralisei naquele momento. Essa sua frase foi a forma que ele arranjou para falar que já sabia de mim e de Bernardo, serviu para falar que já suspeitava, ou serviu para insinuar aquilo que havia entre a gente? Parei de andar e o encarei.

_ Para que fique bem claro entre mim e Bernardo não rola nada.

_ Leonor, você e aquela coisa, podem enganar todo o mundo, mas a mim, a mim vocês, nem ninguém engana. – tentei me defender mais ele não deixou. – E não me venha com a história de que são irmãos e blá, blá, blá, vocês gostam um do outro e não conseguem controlar isso! – de rude, a voz de Duarte passou a meiga, depois bem devagar seguiu seu caminho me deixando meia desnorteada no meio do corredor. E eu ainda dizia que o bipolar era Bernardo, mas na real, Duarte era que era bipolar.

Mas como ele sabia de minha relação com Bernardo? Como ele sabia que a gente era irmão se eu mal falei para ele?

Voltei á realidade e fui até ao bar. A galera estava sentada na mesa do costume. Ocupei meu lugar habitual e pousei minha bolsa nas pernas.

_Está tudo bem? – Bernardo acarinhou meu braço.

_Ah?

_Como assim ah? Em que planeta você estava? Viajava longe hein!

_Desculpe. O que você perguntou mesmo?

_Se estava tudo bem. Não está com muito boa cara.

_Está tudo legal. Não precisa tanta preocupação.

_Mesmo?

_Mesmo! – afirmei com convicção. Mandei um beijo discreto para Bernardo e ele entrelaçou nossas mãos debaixo da mesa, num gesto de união.

Olhei em frente e Marta e Miguel estavam com cara de enjoados assistindo a cena.

_ Essa cara é efeito do quê? Da diferença de ideias, da saudade ou é mesmo porque acham que a gente faz um par invejável? – zombeteou Bernardo obtendo uma resposta rápida de Marta.

_Não. É mesmo porque de uma hora para a outra, um fenómeno raro me pus com náusea…


Notas finais
Gostaram?
Eu espero que sim.
Postei capitulo novo pensando em vocês por isso exijo muitos, mais mesmo muitos reviews!!
(Estava brincando! Mas se deixarem eu adoraria! *.*)
Um beijão para todas!!
Novo capitulo amanhã!!
Duda c(: