Irmãos

1 Irmãos


Notas iniciais
"Você sabe por que os irmãos mais velhos nascem primeiro? É para proteger seus irmãos e irmãs mais novos!" Kurosaki Ichigo - Bleach.

I. Começa com o I, de "iguais". Porque, mesmo que tenham anos de diferença – ou não – e seu irmão mais velho seja um louco com dupla personalidade que vive trocando a cor do cabelo, você dois são idênticos. E não só porque sua tia-avó meio cega os confunde. As atitudes e pensamentos falam por si só... Sabe aquela vontade ÚNICA de dominar o mundo que os dois compartilham em segredo? Então...

Saga e Kanon foram cumprimentar a tia. A velha já estava tão velha que nem os dois óculos que usava a faziam enxergar a cor do "claríssimo" cabelo do gêmeo mais velho... Ela apertava as bochechas de ambos, beliscava-os e dizia o quanto estavam parecidos.

– Porra! Velha chata... Beliscou minha bunda... – Kanon resmungou para si mesmo quando longe de todos. – E cega... O cabelo do Saga tá PRETO! PRETO, PORRA! Além do sorriso demoníaco no rosto dele... AGORA, ELA DIZ QUE EU PAREÇO COM ELE?

Longe dali, Saga pensava...

– Hiheheiahiehai, vou poder extorquir dinheiro da tia! E do resto da família também, é só fazer cara de "menino bonzinho que um dia será o Mestre do Santuário" que eu consigo tudo...

E o mais novo... Pensava o mesmo! Quer dizer, quase...

– Aposto que Saga vai tirar proveito disso. Porque se eu estou pensando em arranjar uma graninha da velha, ele também está... É só me fingir de injustiçado porque o bipolar ali vai fingir que é santo e... Perfeito! Vou arranjar ainda mais dinheiro!

Mas no fim, os dois acabam fazendo a mesma coisa: perdendo o controle e agindo para o lado negro! E terminam sentados no cantinho, um de cada lado do quarto, como castigo por terem tentado roubar a carteira da tia-avó.

– Ela que me aguarde, velha caduca... – Ambos pensaram. – Minha vingança será, primeiro, contra aquele buldogue maldito dela...

–x-

R. Depois vem o R. R de "reforço", justamente por irmãos serem o apoio um do outro. Um apoio nas provas, uma ajuda com as meninas... E um GRANDE reforço quando te implicam e você não consegue bater no cara sozinho. E essa mãozinha amiga lhe faz muito bem ao vê-lo negar até a morte que você NÃO parece com uma garota. Nem com a ex dele...

– Ikkiiiiiiiiiii! – Shun gritou com sua voz nada estridente, correndo até o irmão com lágrimas nos olhos.

– O que foi, irmão? O que você tem? – Fênix perguntou.

– M-Me chamaram de garotinha... – Andrômeda corou, e continuou a chorar.

– Quem foi o adivinho... Digo, o morto? Me fala que eu vou bater nele! – Ikki esbravejou. Shun apenas balançou a cabeça, negativamente.

– Foi o Milo! – Entregou. — M-Mas não bate nele, irmão! N-Não quero brigas!

– Nah, preciso mesmo de uma desculpa pra bater naquele babaca... – O sorriso que Fênix deu foi sinistro. Shun o observou se afastar, indo até onde Escorpião estava... E o viu levar um soco, e cair, e gritar, e pular pra cima do Milo, e Ikki cair, e Ikki mordê-lo, e os dois rolarem pelo chão... Até se sentarem e conversarem.

Quando o irmão voltou – vermelho e nervoso, o pequeno, curioso, perguntou do que conversaram.

– Nada não... Só o ameacei e mandei ele parar de chamá-lo de garotinha. Escuta, Shun. Se alguém lhe chamar assim, você pode me falar, ok? Eu dou um trato na pessoa! Até na Barbie, se for preciso... – Resmungou, contraindo a expressão. – Principalmente naquele corno do Shaka... Você só é tímido e delicado, diferente desse bando de macho sem modos; e vou também te ajudar com a June, porque você tá enrolando, hein?

Andrômeda corou e agradeceu com a cabeça, enquanto o irmão estava mergulhado no flashback da conversa com Milo.

– Pode até não ser, mas parece! – O aracnídeo falou. – Aliás, ele parece a Esmeralda...

– O QUE? Como você sabe dela? – Ikki gritou.

– O Shaka andou fofocando por aí que te conheceu quando era menor... E mostrou uma foto sua com a tal da menina. E é a cara do Shun. Isso pega mal pra ti, hein?

– MORRA!

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M. Seguido do R, vem o M. M de... "MERDA!", que geralmente é seguido de um "FUDEU!", ou "CORRE!", ou até um xingo. Serve para quando vocês fizeram algo errado e foram pegos no flagra... Ou quando VOCÊ foi pego por ELE matando aula no banheiro. E ele te delata pra mãe, com todo aquele papo de só querer o seu bem... E você com uma vontade IMENSA de chamá-lo de filho da puta mas não pode por serem filhos da mesma mãe.

A porta do banheiro se abriu violentamente.

– A-i-o-lia! – O dito cujo deu um salto ao ouvir a voz do irmão mais velho, escondendo algo atrás das costas e corando furiosamente.

– M-Mano? V-Você por aqui? – Gaguejou.

– Não acredito, Aiolia. Está matando aula de novo? – Aiolos gritou, se aproximando do irmão mais novo. – O que tem nas mãos? Me dá!

– N-Não é nada! E... eu não tenho culpa, matemática é um saco!

– Mas você tem que aprender!

– Vou ser um Cavaleiro, pra que matemática?

– Pra não ser só uma cabecinha oca! – Repreendeu o irmão. – Cavaleiros precisam ser sábios e inteligentes também. Agora, me dá isso que você está escondendo! Vou ter que contar para a mamãe!

– Ah não, Olos...!

– Nem vem, Olia. Já é a terceira vez esse mês. De hoje não passa!

– Droga... – O leonino fez a menção de sair do banheiro, mas ouviu o pigarro do irmão.

– Não está se esquecendo de nada?

– Filho da put...

– Olha a boca! – Aiolia levou um chute nas costas, cambaleando uns três passos. – E respeito com a NOSSA mãe. Agora, me entregue o que você está escondendo!

– Por quê?

– Porque isso está te fazendo negligenciar os estudos! Anda!

– Tá... – Rapidamente, o menor jogou uma revista nas mãos do mais velho e saiu correndo, antes que ele pudesse falar algo. Suspirou, e olhou para o que tinha em mãos. – M-Mas isso é...!

Aiolos corou furiosamente. Ele agora tinha que encontrar esconderijo melhor para suas OUTRAS revistas...

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A. O A é de "amizade". Amizade que faz vocês dois se aguentarem há duzentos e tantos anos. Ou por várias vidas. Ou pela eternidade. Amizade que faz vocês se considerarem irmãos, mesmo que se conheçam há pouco tempo. E pela mesma palavra, você tem que mentir e dizer que ele fica lindo com aquela tintura de cabelo cor de merd...

– Sabe que às vezes eu me canso de você, Hypnos?

– Eu lhe digo o mesmo, Thanatos. Mas fazer o que, se somos irmãos...

– Mas isso nem é o pior. Eu gosto de ser seu irmão. O chato é me importar tanto com você.

Hypnos corou. Aquele infeliz! Mesmo depois de uma eternidade juntos, ainda lhe surpreendia...

– x -

– Hey, Lithos! – Aiolia andava com uma toalha enrolada na cintura pela Casa de Leão, e outra na cabeça, tampando os seus cabelos. Ao ver a menina, chutou-lhe com delicadeza.

– M-Mestre Aiolia! – Ela exclamou. – Que nudez é essa? O senhor vai se resfriar se ficar andando por aí desse jeito!

– Bah... Mas eu preciso da sua ajuda. Você... É uma menina.

– Ah, diga algo que não sei!

– Enfim. Você entende disso, o que achou da cor? – Retirou a toalha da cabeça, mostrando os cabelos pintados em um vermelho extremamente vibrante e forte.

Lithos fez uma pausa de três segundos antes de responder.

– Está lindo, mestre Aiolia!

– Mesmo?

– Sim!

– Então por que você hesitou?

– E-Estava analisando!

– Ah... Tá. Obrigado! – E voltou, satisfeito, para o banheiro.

Lithos caiu na gargalhada quando se viu sozinha. Depois de alguns minutos rindo, secou as lágrimas e murmurou.

– Ainda bem que a cor desbota com o tempo. Coitado! Eu não podia dizer pro meu irmão que esse vermelho tomate é horrível...! Hahahah!

–x-

O. O de "orgulho". Orgulho em dizer: "está vendo aquela menina linda ali? É minha irmã!" ou ao ver seu irmão mais novo brilhando. Se esforçando e aprendendo com o que VOCÊ ensinou. Mesmo que você o tenha ensinado a passar a mão nas meninas...

Alone se aproximou de Sísifo calmamente. Sagitário olhou para o jovenzinho com receio, imaginando o que aquele menino de cabelos loiros queria com ele.

– Senhor Sísifo... – Ele chamou, os olhos brilhando.

– Sim, Alone?

– Sabe a Sasha? – Apontou para a menina de cabelos curtos e roxos que se despedia das outras crianças do orfanato. – Ela é só minha, sei que é linda e meiga, mas não vá se apaixonar por ela! É minha!

O Cavaleiro corou.

– N-Nem pensei nessa hipótese, Alone!

O menino riu.

– Que bom! Mas cuide bem dela, ok? Ela é minha! – Sorriu, orgulhoso, e voltou para perto da irmã, deixando Sísifo sem-graça.

Ao chegar ao Santuário, Sísifo sorriu.

Ele tinha Regulus como um irmão para si, e admirava ver o quanto o menino progredia.

Mas ele não esperava pelo motivo do menino...

– Sísifo-sama, quer saber por que me esforço tanto? – Ele sorriu.

– Pelo seu pai, não é? – O Cavaleiro retribuiu o gesto.

– Não somente por ele. Agora eu tenho outro motivo.

– Ah, é? E qual seria esse motivo? Uma garota, aposto... – Sísifo riu.

– Não! – Regulus corou. – É pelo senhor! Eu me esforço para ser um Cavaleiro tão bom quando o senhor! Porque você é honrado e...

A mão de Sagitário pousou levemente na cabeça do leonino. Ora, mas quem era honrado ali era o Leão, tão sincero consigo mesmo... E ele era o orgulho do Cavaleiro mais velho.

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S. E por fim, o S representa o "sentimento". Aquilo que você sente, que é indescritível. Que o faz correr por meio mundo buscando seu irmão. Que a faz acreditar que estarão juntos, independente de tudo. Independente de um Deus doidão que se apossou do seu irmão e agora quer matar a humanidade. Porque irmãos são para sempre. O S também é de "sempre".

– M-Me largue, Athena! – Hades, esbravejou. – O q-que é isso? D-Desde quando você abraça seu inimigo?

– Ahhhhh, Alone-nii-san! – Sasha chamou, quase chorando. – Que saudades do meu nii nii! Já disse que você fica lindo de cabelo preto?

– S-Sasha, você sabe que sou eu aqui e não Hades? – O irmão perguntou.

– Claro, bobo! Eu te conheço! Não devia, mas... – A menina corou. – Eu não aguenteeei! Que saudades, nii-san! Sentia tanta sua falta, a falta de te abraçar! De te mimar! – Apertou Alone com força em seus braços, a cabeça dele contra seu colo.

– Gaaaah!

E se pudesse, Sasha venceria a Guerra Santa assim. Matando o irmão de carinho e amor.

– Encare isso seriamente, irmã! Estamos em um confronto! – Alone a empurrou com força, corado.

– Mas isso não muda o fato de eu ser sua irmã. – Ela deu um sorriso confiante. – E pra mim não importa, Hades, Athena! Nada importa perto do meu irmão.

Alone ficou em silêncio e Sasha continuou.

– Você sabe, não é um Deus ou dois que vão nos separar. Muito menos a distância, ou qualquer obstáculo. Somos irmãos e ponto. Nada vai mudar meu sentimento por ti. Nada.

Notas finais
~ Mahorin, 27.07.15 (originalmente em 03.01.11).
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