-Como assim, o Kim? Não, não, não...- Pensou a garota, tentando afastar-se do irmão.

-Desculpa, é que...- Kim fora interrompido pela irmã, que agora o tampava a boca para que não dissesse mais nada.

-Não, não precisa se explicar. Talvez seja carência, já que faz uns 3 dias que você não come nenhuma puta. Eu entendo- E dito isso, sorriu um sorriso amarelo e triste.

Molly não estava entendendo, mas já havia reparado o jeito que o irmão a tratava. Talvez estivesse confundindo carinho com paixão, ou sei lá... talvez gostasse mesmo dela.

-Well, tô indo, se cuida.- E após tais palavras, Molly saiu, indo em direção ao banheiro.

-Que merda, eu sou um lixo mesmo- Pensava enquanto se via mergulhada em lágrimas. Pegou seu estilete que guaradava em seu estojo preto e assim riscou com força seu tornozelo, que se abriu em um pequeno corte, deixando escapar algumas gotas pequenas de sangue.

O alívio de Molly não estava durando, e quanto mais a garota lambia o próprio sangue, mas sangrava e assim não conseguia parar de pensar nos lábios de Kim, eram tão macios... Mas ela não podia insistir nesse pensamento.

-Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim...- Cantava em um sussurro, enquanto seus olhos deixavam vazar lágrimas e seu tornozelo sangrava mais e mais.

-É, sua idiota. Isso não para de sangrar e você ainda tem aula de biologia... Foda-se, vou matar, o Danniel vai ficar bem.- Disse para si mesma em um tom quase inaudível .

Levantou-se com dificuldade e foi até a parede cor de goiaba que ficava perto do refeitório de seu colégio. Adorava ficar ali e hoje precisava disto.

Estava com seu iPod e escutava Snuff, gostava de Slipknot e fazia lembrar do Dougie, mas hoje estava com raiva de tudo e não sabia o que fazer.

-Ótimo, é macumba pra mim- Pensou, enquanto via Dougie se aproximando, abaixou a cabeça e sorriu em um riso irônico.

-Oi gata.- Disse o garoto, com seu bom-humor aparente.

-Oi.- Respondeu Molly, em um tom seco, como de costume.

Dougie e Molly já não se gostavam como antes, mas mesmo assim, Molly o beijou e o abraçou com força, de modo que ele fizesse o mesmo. Molly estava sentindo o cheiro dele e isso a estimulava para continuar com o que fazia.

O beijo fora interrompido e Molly abaixou a cabeça e afundou-se no peito de Dougie. Esperava que depois daquilo, o sentimento estranho e as memórias recente passasse. Não havia adiantado.

-LOL, esse foi bom, hein?- Disse Dougie, sorrindo e acariciando os fios da garota.

-Ahn, valeu.- Respondeu, sem graça.

Dougie estava de aula vaga, gostava de ficar ao lado de Molly, mas a garota já havia se cansado dele.

O sinal para a 5° aula já havia batido, mas eram 2 de biologia e Molly não estava bem para entrar na sala de aula. Resolveu permanecer ali, já que Dougie iria embora.

-Tchau, até amanhã- Disse o garoto, selando os lábios de Molly e saindo com pressa.

Molly nada disse, apenas colocando os fones no ouvido e aumentando o volume do player.

Precisava ir para a casa, mas iria encontrar Kim. Talvez fosse melhor ela perguntar o por que de tudo aquilo e se snetir menos mal. Ou talvez seria melhor deixar aquilo quieto e não tocar no assunto para evitar se machucar.

Molly ficou ali naquele lugar parado, escrevendo coisas em seu caderno, sangrando em silêncio, apenas pensando. Nisso haviam se passado 30 minutos, já poderia ir embora. Então Molly levantou-se, e apenas saiu, indo para casa, ouvindo a canção triste que fazia lembrar daquele quase beijo.

Havia chegado em casa, Kim já estava lá. Para a sua surpresa, ele não falou nada. Então Molly foi ao banheiro, precisava tomar banho e chorar um pouco, mais uma vez.

A água quente caía em seus ombros, misturava-se à água e lágrimas, então ela havia tomado uma decisão.

Saiu do banheiro, vestia apenas um moletom branco e uma calça cinza, suas meias eram brancas e foi até o quarto de seu irmão. Kim estava tocando sua guitarra, bebendo algum energético enquanto sua mente não estava ali. Molly o abraçou, apertando-o com força, enquanto o maior deixava sua guitarra em um canto.

-O que houve?- Perguntou o maior, meio confuso com o gesto da irmã.

-Nada, só quero te abraçar- Respondeu.

-Molly, eu preciso conversar contigo.- Disse, enquanto acariciava as costas da irmã.

-Tudo bem, pode falar.- Disse, enquanto sentia o toque do irmão.

Kim afastou-se da menor, tomou-lhe as mãos e olhando em seus olhos disse: -Eu te amo. Mais do que apenas irmão, eu te amo como mulher, por ser quem é, eu te amo, Molly.

Eu te amo por ser diferente de qualquer ser humano, por ser você mesma, por não se importar com estilo, por estar ao meu lado em todos os momentos, por cuidar de mim e me proteger, por ser o único motivo de eu ainda estar vivo... Eu te amo.

Molly estava sem reação, mas mesmo assim, sorriu e aproximou os lábios ao de Kim, iniciando um beijo de verdade e intenso. Suas línguas estavam entrelaçadas e suas unhas arranhava de leve as costas do irmão.

Sim, Molly também era apaixonada por Kim.

Notas finais
Continua...