Irmãs Blood

22 Reconciliando.


Notas iniciais
Capitulo na visão da Caryn.

Eu definitivamente não sei o que faço.

O Cam noivo da Fenny? Eu quero morrer. Nunca quis tanto que Drakon cumprisse seu maléfico plano e me mata-se. Seria tão mais pratico do que sentir a dor que eu sinto agora. Aquela dor pulsante no coração. Que parece corroer aos poucos.

–Não.

–Não é verdade. Caryn, não é verdade.

Discordou Cam segurando o meu braço. Desviei-me dele. Meus olhos lacrimejavam, ardendo, e não demorou em lagrimas começarem a cair. Eu não conseguia acreditar nele. Não quando ele nem se quer se lembra de mim. O que ele queria?Enganar-me um pouco mais? Iludir-me? Eu não nasci para isso! Sou idiota o suficiente para acreditar uma vez, mas não para fazer isso de novo.

–Não me procure.

Pedi entre prantos, sair correndo do salão.

Sair do pátio só para receber chuva.

Não que eu me importo com a chuva castigando minha pele com grossos pingos gelados, molhando-me, e grudando o vestido na minha pele e meus cabelos na nuca e testa. Eu estou muito pouco me importando com a possibilidade de pegar um resfriado. Eu só quero morrer. Larguei os saltos dourados em algum canto. A grama pinicava minha pele.

–Caryn! Caryn.

Gritou Cam.

Nunca corri tanto na vida. Corri até ficar sem fôlego e minhas pernas e pulmões implorarem para parar. Eu não aguentei correr por muito tempo. Em pouco tempo eu estava dentro de uma floresta escura.

Sozinha e assustada.

Isso até ver o par de olhos vermelhos entre as arvores. O lobo preto gigantesco não poderia ter aparecido em pior hora. Iago parecia ter crescido e o focinho alongou um pouco. Mas ainda parecia um urso. Um urso na hora errado.

Iago avançou mostrando os dentes afiados e brancos. E eu recuei. Que droga! Eu estava sozinha, cansada e deprimida. Nem fugir desse lobo urso posso agora. E mesmo que eu pudesse, não poderia correr de um cachorro. Eles sempre alcançam suas caças. Iago não parecia nem um pouco disposto a desistir. Eu enxergo bem o que ele esta pensando. “A queridinha do Cam, meu arqui inimigo, sozinha em uma floresta escura sem ninguém para lhe proteger”. Se fosse eu não perderia a oportunidade.

Recuei até senti minhas costas bater contra uma arvore.

Ótimo!Maravilha! Encurralada com um lobo que é bem provavelmente sádico.

Meu desejo estava sendo realizado. Vou morrer da pior maneira possível.

Iago rosnou e abaixou um pouco prestes a pula. E pulou.

Fechei os olhos e me virei em uma atitude inconsciente para me proteger. Não que fosse adiantar. E esperei. Não aconteceu nada.

Abri os olhos e conferi.

O lobo negro de olhos azuis esverdeado rolava atacando o Iago.

Acho que nunca vi o Cam tão violento assim. Mas ele era um bom brigador. Rolou para de trás de uns arbustos com Iago. Escorreguei com um misto de preocupação e a ponto de um ataque de nervos. E se o Cam morrer?Como é que eu fico? Eu morro. Simples assim. E morro duas vezes ainda por cima. Deprimida e comida de cão. É eu não sei o que eu fiz para merecer isso. O homem da minha vida morre para depois eu morrer. Tem algo errado nessa frase.

Encolhi-me e comecei a chorar como nunca chorei na vida. Até ficar sem ar.

–Caryn.

Sussurrou alguém ao meu lado.

Nunca gritei tanto e bati em alguém na vida. A criatura segurou meus pulsos e percebi que era o Cam. Ele não parecia bem. Nem um pouquinho. O cabelo era uma bagunça cheia de folhas, tinha um corte na bochecha, outro nos lábios, um arranhão no abdome. Pelo menos estava vestido. Só com uma calça de moletom que eu não sei onde ele poderia arranjar. Mas mesmo com cara de todo acabado, Cam parecia mais Cam, do que o cara que estava de terno mais cedo. Apesar de que o cara que estava de terno mais cedo era uma boa paisagem para ficar olhando. E beijava bem. Mas era só um reflexo do Cam que eu conheço.

Cam sorriu da minha atitude.

–Você acha que iria conseguir afastar alguém desse jeito?

Perguntou Cam sorrindo um pouco torto. Eu estava com saudades desse sorriso. Dessa voz. Desse meio lobo inconstante que quase nunca sabe o que fazer direito. E do cara que sempre consegue me arrancar suspiros inconscientes.

Abracei-o, voltando a chorar copiosamente. Cam enfiou a cabeça em meu cabelo como se tivesse escondendo e beijou minha nuca. Ele sempre foi quente, no sentido literal e não tão literal da palavra. Mas hoje com a chuva castigando minha pele, ele estava excepcionalmente atrativo, me esquentando como uma fogueira em uma noite fria. E seu cheiro de pinho novo estava me deixando tonta.

Cam suspirou me abraçando de volta.

–Eu pensei que ia te perder.

–Eu também.

–Você nunca vai me perder Caryn. É a ordem natural de tudo. Sem você eu não tenho nem se quer motivo para viver.

–E a Fenny?

–É uma mentirosa que quer por que quer me colocar uma coleira.

Respondeu ele. Uma onda de alivio me invadiu. Eu não iria perder-lo para uma ruiva má e linda. Chega me deu vontade de gargalhar. Mas eu não acreditava que a Fenny quer controlar o Cam. Meu Deus! Ela é algum tipo de doente mental? Porque controlar o Cam. Quem controla o Cam? Ele é um lobo!

–Ninguém coloca uma coleira em um lobo.

–Esse é um dos motivos para o qual eu te amo! Você não quer me colocar uma coleira.

–Você me ama?

–Você duvida?

–Não! Eu só estou impressionada.

–Desculpa aí. Mas infelizmente você me colocou uma coleira e agora eu vou te seguir como um cachorrinho pelo resto da minha existência.

–Eu não quero um cachorrinho Cam!

–Que bom, porque eu sou um lobo. Virar um cachorro seria uma auto-ofensa. Você vai se contentar com esse lobo chato aqui não vai?

Perguntou sorrindo.

–Eu amo esse lobo chato.

–Que alivio. Esse lobo chato mandou te dizer que te ama também.

–Ah, Cala a boca!

Ordenei. Cam não poderia simplesmente me beijar sem essa enrolação toda? Foram apenas quatro dias, mas eu estava simplesmente precisando acabar com aquela saudade estranha de não ter a presença do Cam. Ele era tão necessário quanto o ar.

Eu pus meus braços em seu pescoço. Era estranho, eu não tinha certeza de como fazer isso direito. Pressionei minha boca contra a dele, apertando o pescoço dele quando a primeira reação dele foi se afastar. Lembrando de como a boca dele se moveu contra a minha antes, tentei imitar aquele movimento. Seus lábios se abriram para os meus. Eu capturei seu lábio inferior com meus dentes e ouvi um som de surpresa nascer no fundo da garganta dele. E então eu não precisei mais tentar. Uma das mãos de Cam segurava meu rosto enquanto a outra estava na base da minha coluna, me mantendo tão perto que era difícil puxar o ar para dentro do meu peito comprimido. Eu estava arfando, mas ele também estava.

–Vamos! Eu tenho que tirar você daqui. Ou vai pegar um resfriado.

Avisou Cam estendendo a mão. A segurei e ele me levantou calmamente. Abraçou-me e voltamos para a grande mansão negra. Eu não sou uma adivinha, mas ainda vai acontecer muita coisa essa noite.

Notas finais
Comentem, comentem e comentem. Me dê uma noção geral de como esta a historia. E até o próximo.