Irmãs Blood
25 Motivos...
Meu mundo caiu.
Tipo o Alef filho do Lorde Dark? Do cara que quer me matar? E agora o que eu faço? Não sei. Eu começo a chorar? Xingo a Bonnie por ela esta jogando essa bomba no nosso colo em um momento critico como esse? Ou acalmo o Alef que parece que vai ter um colapso nervoso? Mas como eu vou acalmar o Alef se eu mesma estou prestes a ter um treco e morrer do coração?
– Bonnie você esta brincando não é? Tipo, o Alef, filho dele?
Perguntou Angel incrédula, apontando para William que olhava para os próprios pés. O que eu acho estranho. Quando as pessoas descobrem que tem filhos que eles não conhecem, normalmente gritam e esperneiam de que não e verdade. Já William não, estava em silencio, sem nenhum sinal de nervosismo ou desespero. Ah não ser, é claro, que Willian já saiba.
–Bem que eu queria.
Respondeu Bonnie colocando as mãos no bolso. Ela parecia um pouco aliviada. Como se guardar-se um grande segredo por dezessete anos. O que realmente era. Alef filho de um dos sadics mais perigosos e odiados do mundo. É um tipo de segredo que automaticamente colocaria a vida do Alef em perigo, afinal, quem tinha sido alguma vez atingido pela maldade de William iria ver no Alef uma chance de se vingar. Isso sem contar o preconceito por ele ter um pai do mal, e o medo. Que iria querer ser amigo de um sadic com o sangue de William. Ninguém com o juízo perfeito. Eu me pergunto por que umas coisas dessas só acontecem com os mocinhos. Já viu algum vilão ter uma complicação dessas na vida? Não. Ah, e é claro, Willian é meu tio, isso faz com que o Alef seja meu primo. E eu não gosto dessa idéia.
“Eu me sinto o Luke Skywalker da vida.”
Disse Alef mentalmente. Consequentemente eu também me senti como ele. Confusa, irritada e totalmente estressada. Era como se um peso tivesse sido colocado em nossas costas sem permissão.
–A agora o que vamos fazer?
Perguntou Caryn em uma péssima hora. Eu estava tentando engolir a informação e o Alef estava tão estressado que fiquei tonta. Essa ligação de vez quando é um fardo.
–Você não disse uma vez que não dia ter filhos?
–Cala a boca Ítalo.
–Você já sabia?
Perguntei ainda estranhando toda a calma de William. Era uma necessidade de vida que essa situação fosse resolvida o mais breve possível. Se o William já sabia e não contou para ninguém, nem reivindicou a guarda de Alef foi por que deveria haver um motivo muito bom. Ou talvez, falta de instinto paternal seja de família e ele pensou que seria melhor para o Alef que não se souber dessa informação bombástica. O ele não sabia mesmo. O que é bem poço provável. William se movia nas sombras, e ele tinha dito que amava a Eva, seria fácil para ele acompanhar Alef crescendo. Ou então ele não se importava. Mas tanto faz e tanto fez. Eu só quero tirar essa historia a limpo, impedir a dominação mundial e ser feliz.
Willian confirmou com a cabeça olhando para Alef pela primeira vez desde mais cedo.
–Pera aí. Você já sabia?
Perguntou Dexter cético. O Dex estava meio estranho desde que descobriu que seu irmão mais novo era filho do lorde Dark. Mas quem não estava?
–Porque não reivindicou seus direitos sobre o garoto?
Perguntou Angel. Não ajudou muito. Tive a impressão de que William não gostava muito de porquês. Para ele era fazer e ficar calado.
–Aposto que é por ele ser diferente de você.
Balançou Caryn a cabeça, reprovando a atitude de William.
–Ou você nem se quer se importava. Não se importa nem com sua geladeira, quanto mais com uma vida.
Completou Ítalo. Eu pai gosta da coisa. Ele e Bonnie são do mesmo tipo: Gostam de colocar mais fogo no circo e depois correr para uma montanha para ver a bagaceira da melhor cadeira. E com pipoca se bobear.
–Quietos todos. Se não sabem do que falam, não falem.
Ordenou William irritado. A luz que piscava em cima quebrou. O cara deve esta num estresse que só.
–A historia toda, por favor.
Pediu Angel.
–Eu não consigo entender o porquê que você não é um pai presente na vida do Alef. Nem me venha com a desculpa de que é porque você é mal. Meu pai foi ausente e ele não é exatamente a pessoa mais exemplar do mundo. Até sobremesa antes do almoço ele come. Então dê um bom motivo.
Exigi por mim e pelo Alef. Quer dizer o Alef estava um poço de indiferença. Como se ele mesmo tivesse usado sua própria tecla mute.
–Um bom motivo?
Perguntou William levantando as sobrancelhas.
–Ou você não se importa mesmo?
Indagou Alef deixando claro sua indiferença.
–É claro que me importo. E me importei tanto que dei a guarda dele para Aaron e fiz a ligação de Alef e Bev.
–Porque exatamente?
Perguntou Dexter cauteloso. Ele meio que estava um pouco pasmado. Não voltaria ao normal tão cedo. Apesar de que normal é um termo errado para definir Dexter. Ou qualquer um da minha família.
–Simples. Você se tivesse em meu lugar iria querer que a única pessoa que você realmente se importa no mundo seguir-se o mesmo caminho de trevas que você?
–Não.
Respondeu Dexter de forma energética. Ok. Um ponto para William. O motivo de ele ter dado a guarda do Alef era justa. Era até paternal na verdade. Talvez uma exceção na regra de falta de instinto paternal dessa família maluca que tenho. Espero que isso seja apenas para os homens e não seja hereditário.
–Então pronto.
–Ok. Um ponto resolvido. Agora, me mande outra resposta sobre o porquê da ligação da minha filha com seu filho?
–Querido irmão, acho que você não percebeu ainda que se o Alef não fosse ligado de todas as maneiras possíveis a sua filha, e não soubesse o que é ter um amor correspondido ele ficaria igualzinho a mim. E eu não consigo nem se que me olhar no espelho sem sentir nojo. E Alef envolvido com a Bev vai se tornar como ela. Luminoso. Não essa coisa monstruosa que sou hoje. E eu não me suporto. Imagine se ele conseguiria.
Respondeu William um tanto melancólico. Ser das trevas deveria ser chato mesmo. Tudo muito deprimente até para William. Alef do meu lado deu um suspiro impaciente. O humor dele estava oscilando desde manhã. Acordou muito bem humorado, almoçou azedo, passou toda a tarde um romântico incorrigível, enquanto estávamos nos arrumando para a festa estava quase que morrendo de estresse, e agora é um poço de indiferença tão grande que estou até irritada.
“Desculpa, não é fácil não começar a falar palavras torpes e poucas e boas para esse cara. Estou me contendo do melhor jeito que posso.”
“Esse cara é seu pai.”
“Meu pai morreu! Foi assassinado a três dias atrás.”
“Alef, Porque tanta raiva?”
“Eu não sei Bev. Desculpa novamente. É como se eu não devesse nem se quer ter pensado em existir, e fosse como um erro do destino.”
“Ninguém é um erro do destino.”
Discordei dele meigamente. Pronto, piorou tudo! Agora o amor da minha vida esta em plena crise existencial. E quem quase morreu antes de nascer fui eu. E eu não sou filha de minha mãe. Acho que quem deveria estar em uma emice brava e em uma crise existencial também sou eu. Mas é claro que entendo o lado do Alef. Imagine ser filha do Lorde Dark? Seria um drama. Já esta sendo para o Alef, o azarado que teve a má sorte de ser filho do sujeitinho. Mas para mim seria pior. É que tipo, eu sou uma dama da luz, e ele é meio que um lorde das trevas. Então seriamos inimigos apesar do laço de sangue.
–Tem alguém deprimido aqui.
Resmungou Angel de mal humor.
–Esse é o preço do poder. Insatisfação com tudo.
–Mas tem volta. Todos têm uma segunda chance. Isso depende se você quer ou não agarrá-la.
Propus com um otimismo grande de mais até para mim mesma. Apesar de que á esperança até para o pior dos homens, imagine para o pior dos sadics. Não que alguém vá mudar de uma hora para outra do tipo: plim “nova criatura eu sou”. Mudanças levam tempo e força de vontade. E alguns hábitos custam a mudar.
–Boa tentativa, Bervely, de tentar levar meu melhor peão.
Elogiou Drakon descendo as escadas. Não consigo entender o porquê que os vilões dessa família são tudo loiros, bonitos e parecidos. Dá até para o porquê que meu pai tem desvios de personalidade. Tanto ele, quanto Drakon e William são tão loiros, que os cabelos parecem até brancos. Isso sem contar que eles parecem estatuas de mármores de tão brancos. Se não fossem pelas roupas pretas e os olhos dourados eles não teriam cor nenhuma. Mas que são lindos de morrer é inegável.
–Drakon.
Rosnei inquieta. A presença daquele bagunceiro com SDTC não era nem de longe um bom sinal. Apesar do rosto jovial, da beleza inconfundível, e do terno vinho caro, Drakon já tinha cara de alguém que você não confiaria nem um lápis barato. Estava simplesmente estampado em seu sorriso torto e nos espertos olhos dourados.
–Nossa ele é uma gato.
Gritou Angel. É nessas horas em que resisto uma vontade louca de cantarolar eu te avisei ao redor dela. Eu gostaria de saber por que ninguém leva a serio o que eu digo. Acho que é por causa dos meus abertos olhos para tudo o que não deveria ser real. Esse foi um dos alívios que recebi essa semana. Descobri que tudo anormal que eu via não era a minha imaginação fértil, era apenas meu subconsciente sadic denunciando a sociedade escondida atrás das pacatas, ou não, vidas humanas.
–Angel.
Reclamou Dexter com ciúmes. Fiquei até com pena. Quem manda amar logo a Angel? Ninguém. Não que eu esteja reclamando. Só assim para a Angel ter outro alvo para perturbar.
–Que é? É um colírio para os olhos. Tão gato quanto você Dex.
–Eu mereço.
Choramingou Dexter. Angel deu um beijinho de consolação nele. Ítalo ao lado deles fez uma careta que poderia ganhar o Oscar.
–Tenho que concordar.
–Caryn eu me sinto...
–Prefiro os morenos, amor. De olhos azuis esverdeados de preferência.
Acalmou Caryn a Cam que segurava sua mão afetuosamente. Pelo menos estamos todas ajeitadas com os sadics que amamos.
–Bev querida, você é realmente a mais amável das suas irmãs. Puxou a mãe. Ivy é lógico.
Comentou Drakon fazendo uma careta para Caryn E Angel. Elas retribuíram mostrando a língua. Fechei a cara para Drakon.
–Falando em mãe, cadê a minha seu vilão gato sem escrúpulos?
–Está falando da Antonieta? Ela deve estar quase pulando de um precipício agora.
–Como é que é?
–Como é fácil de atingir você Ítalo. Seu ponto fraco é muito fraco.
–Mas por quê?
–Primeiro, por que eu gosto do desespero. Principalmente do seu. Sabe como é né? Quando suas pestes nasceram foi assim que eu me senti. Desesperado. E como retribuição, agora eu estou fazendo você sentir assim também. Lindo, não.
–Lindo vai ser o estrago que você vai fazer em sua cara. Seu desgr...
–Paaai. Se a mamãe te ouve xingar você é um cara morto.
Avisou Caryn.
–Filho da mãe.
–Eu sei. Apesar de que não deve falar o nome de nossa mãe. Sabe como é né? Ela te mimou muito. E esqueceu-se dos outros filhos.
–Eu sou o mais novo e nasci prematuro, queria o que?
–Que você não fosse tão amostrado.
–Você que tem mania de controle. Que tudo para você seu egoísta. Queria toda a atenção de nossos pais, a Elise, a Constance, a cidade, o país, o mundo. Você quer tudo para você seu psicopata.
–E você sempre se mete em meu caminho. Como fez com a Ivy também.
–Ah ta. Agora entendi. Você me culpa pela morte da Ivy.
–Ivy minha mãe?
–É isso aí peste. Ivy, a mãe que você matou.
–Não chame minha filha de peste, Drakon. Ela é um... meio anjo.
–Onde ela arranjou a metade anjo mesmo? Porque você não é um santo e a Ivy, minha querida e amada Ivy, muito menos. Ou não teria feito essa coisa aí.
–Agora eu sou coisa. Veja bem titio Cronos, eu estou cheia da sua cara. Então vá te lascar. E vê se me esquecer.
Pedi gritando praticamente. Drakon fez uma careta, meio irônica, meio careta mesmo, e eu retribuir o favor.
–Eu me recuso a deixar que você viva mais algum dia, prole maligna.
Avisou Drakon apontando para mim. Mostrei a língua para ele. Imagine, eu, prole maligna. Só que não mesmo! E é um imundo falando do sujo.
–Suas filhas são proles malignas. Minhas três filhotas são do bem. Da luz. Garotas de família.
–Só que não! Uma esta grávida do lobo branco e a outra esta dormindo com o anjo sem asas.
–Mas vão casar assim que saímos daqui.
–E não temos certeza de que estou grávida, seu coisa.
–Antes dormi com um alado que nem o Alef a um besta como você.
–E pelo menos meus futuros cunhados zumbis são gente com procedência boa.
–Vou fingir que acredito. Um é só o filho do lorde Dark, e o outro é tipo... Você é filho de quem mesmo Cam?
–Não é da sua conta.
Respondeu Cam.
–Esta vendo. Ele não sabe. Ninguém sabe na verdade. Nem a Bonnie.
–Cala a boca. Você só fala merda.
Pediu Bonnie irritada.
–Eu falo às verdades que vocês não querem ouvir.
–Da boca de um mentiroso nunca vai sair à verdade. E se sair, vai parecer mentira.
–Olha só quem fala Ítalo.
–É papai. Você é responsável por 90% das desgraças que acontece na família. E 100% dos parentes que se tornaram vilões. Você é um cão chupando manga, é um cara com sérios problemas comportamentais. Fique longe da minha família quando eu tiver uma. Brincadeira papai. Eu quero ter filhos arrestados como você.
Comentou Angel. Ítalo deu um meio sorriso para ela.
–Eu to ferrado.
Balançou Dexter a cabeça.
–Então sua psicopatia não veio só pela vontade de governar todos e tudo. Mas é inveja e vingança também?
–Em parte sim, Bervely.
–E o que minhas irmãs, o Alef e minha mãe têm a ver com isso?
Perguntei tentando achar alguma lógica nesse louco.
–É algo fácil. Um sadic quando ama uma vez, ama por toda a eternidade. E seu pai, por incrível que pareça ama sua mãe. Por causa dele, eu fiquei sem quem eu amava, e por causa dele, vocês vão perder a sua mãe. Mas vocês vão ter sorte, nem vão sentir muito tempo a falta dela. Vou matá-las, porque será como matar dois coelhos em uma cajadada só. Primeiro porque assim é impeço de ter pedrinhas em meu sapato e faço seu pai sofrer por toda a eternidade. O Alef porque é uma pedra bem grande no meu sapato desde que nasceu. E você também William.
–Eu? O que foi que eu fiz?
Perguntou William cético. Drakon acabou de passar a perna nele. Mas é uma cobra venenosa mesmo. Usou o William até não poder mais, e agora vai descartá-lo como um lixo sem utilidade nenhuma.
–Me escondeu sua outra peste.
Respondeu Drakon friamente enquanto ajeitava o paletó cor vinho.
–Então era dois?
Perguntou Ítalo como se nem se quer acreditar-se. Pelo jeito ter dois filhos de vez também era de família.
–Alef tinha um gêmeo.
Conformou lorde Dark, não tão Dark assim.
–E cadê ele?
Perguntou Angel animada. Acho que ela só estava querendo dar uma de Afrodite e jogar o gêmeo do Alef para cima de mim para complicar minha perfeita vida amorosa. Não iria dar certo. Nem um pouquinho.
–Ele foi assassinado.
Respondeu William com um suspiro. Algo me dizia que ele só deu o Alef mesmo para não perder dois filhos em uma tacada só. O cara tem mesmo vocação para pai.
–Oh, sinto muito.
Falei com pesar.
–Não sinta. Eles eram idênticos e iriam te deixar confusa. Como me deixaram quando eu matei o primeiro. Eu devo-lhe parabéns William. Esconder uma criança com seu sangue e consequentemente grau de poder atrás de outra igualmente poderosa foi um truque de mestre. Mas você sabe companheiro, eu não gosto de ser enganado.
–Sua cobra venenosa...
–Faça-se um favor e poupe fôlego, William. Logo, logo você não vai ter nenhum. Ultimas palavras?
–Vá para o inferno.
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