Irmãs Blood

11 Acontecimentos improváveis.


Acordei com risadas e mais risadas. Eu e o Alef.

–Eu não acredito.

Disse Alef levantando rapidamente da cama.

–No que?

–Vem,vem,vem. Levanta. Você nunca participou de uma guerra de bola de neve antes.

Chamou Alef, animado. Guerras de bola de neve deveriam ser boas. Ele parecia radiante. Peguei a mão dele. E corremos até fora, onde tinha neve em tudo que é canto. Angel estava brincando de bola de neve com um cara de cabelo platinada. Ela tinha neve nos novos cabelos pretos e curtos dela, e sorria animadamente. Parecia até uma criança descobrindo uma brincadeira nova. Reconheci o cara de cabelo platinado. Era tipo o Dexter. Platinado. E deixou minha mente confusa. Talvez fosse uma miragem. Apesar de que nada mais parece uma miragem para mim. Ainda mais por que fucei a mente de Alef. Claro que ele deixou. E eu ainda aprendi a bloquear meus pensamentos. To feliz da vida. Agora, ver a Angel brincar de guerra de bola de neve com Dexter é estranho. No mínimo. Eles não estavam brigados a pouco tempo? Eita povinho confuso o da minha casa. Uma hora briga a outra dá beijinho. Tudo sempre entre tapas e beijos.

–Olha só o que o amor faz.

Comentou Alef.

Concordei com a cabeça. Que o amor faz coisas incríveis nisso ele tinha razão.

–Mas, ele não me impedi de não pegar leve com você.

Continuo ele, me deixando confusa. Quando a bola de neve explodiu em minhas costas eu entendi. Nem se quer acreditei direito. Alef tinha mesmo jogado uma bola de neve em minhas costas e agora estava rindo de mim. Mas parece que ele não me conhece tão bem assim. Enfiei meus dedos na neve. Isso vai doer depois, mas mesmo assim fiz uma bola de neve com a mão nua. Demorei um pouquinho, e então virei, lançando a bola de neve direto no rosto de Alef.

–É só isso que pode fazer?

Desafiou Alef, preparando outra bola de neve.

–Você quer que apele? Então ta.

Concordei. Preparando outra bola. A lancei.

Perdemos a noção de tempo. Minhas mãos já estavam queimando e doendo muito. Era uma droga. Mas eu sou orgulhosa. De mais até.

–Você nunca desisti?

Perguntou Alef rindo.

–Não, até me derrubarem. Você não conseguiu fazer isso ainda.

–Suas mãos já estão queimadas Bev. È melhor desistir.

–Eu não desisto tão fácil Alef.

–Ah, meu Deus. Que cabeça dura.

–Não viu nada.

Cantarolei enquanto jogava outra bola de neve nele. Alef se desviou facilmente. E depois começou a correr até mim.

–Mas o que eu você esta fazendo?

Perguntei. Na hora fui derrubada. O Alef tinha acabado de me derrubar. Ele caiu em cima de mim. Tive diferentes sensações. As minhas costas estavam geladas, e um fogo exuberante me esquentava onde Alef me tocava. Era bom.

Estávamos muito próximos. Minha respiração estava ofegante, ritmada. E meu coração. Acho que ele batia tão forte que dava para ouvir. Alef encostou sua testa na minha. Acariciei seu pescoço, subindo para o maxilar, queixo e depois para seus lábios rosados. Alef fechou os olhos, acompanhando o movimento de minhas mãos, com uma cabeça. Ele esboçou um leve sorriso. Respirei fundo. Nossos rostos estavam a menos de um palmo. Tão perto que eu poderia senti sua respiração quente sobre meu rosto. Aproximei-me devagar. Iria ser um toque. Um toquezinho de nada. Encostei meus lábios no dele suavemente. Deu um pequeno choque, com uma mistura de prazer e fogo. E de repente eu, queria mais. Pressionei meus lábios contra o dele, que se abriu com os meus. Eram cálidos, doces e irresistíveis. E me fez perder do mundo. Eu tive uma falta de ar inédita e fascinante. Alef prendeu meus labios entre seus dentes e os puxou levemente. Dei um meio sorriso. Interrompido pelo encontro de nossos lábios novamente. Dessa vez tudo foi bem mais intenso. Cada toque, provocador de calor e choque me davam a sensação de que eu teria que lutar pelo Alef. Eu não iria deixá-lo morrer. Ele era minha anestesia contra o mundo.

Alef parou de me beijar. E piscou os olhos.

–O que foi?

Perguntei preocupada. Será que nosso beijo não tinha sido pra ele o que foi pra mim?

–Pera aí. Estou me sentindo estranho.

Respondeu Alef levantando.

–Como?

Reperguntei não entendendo nada.

–É uma sensação boa. Como uma alegria sem limites. É meio você, meio eu. Mas tem algo mais. É como quando eu... Eu tinha minhas asas. Mas é impossível.

Tentou explicar ele. Mas eu não entendi.

–O que? O que é impossível?

Perguntei. Dessa vez Alef não respondeu. Ele só tirou o suéter azul que ressaltava os seus olhos azuis. E ele tinha um belo abdome definido. Não só abdome, mas braços também. Nem dava para acreditar. Alef é o menor de seus irmãos. Em todos os sentidos. Nas costas tinha uma estranha cicatriz em forma de V invertida, que sumia a cada instante. A cicatriz estava sumindo muito rapidamente. Poucos minutos depois, sobrou somente um V invertido rosado.

–O que vocês estão vendo?

Perguntou Alef.

–Nenhuma cicatriz.

Respondeu Cam.

–Talvez suas asas estejam nascendo novamente.

Propôs Dexter voltando ao normal, com seus olhos verdes e cabelos pretos.

Alef fechou as mãos em punho, ele estava temendo um pouco. Aos poucos algumas penas brotaram de suas costas. E elas cresciam cada vez mais rápidas, até se tornarem asas do qual as pontas arrastavam no chão. Eram asas parecidas com a de anjos, de penas brancas tão claras que pareciam brilhar. Elas eram lindas. Aproximei-me e as toquei com as pontas dos dedos. Eram lisas, suaves e macias. Quentinhas também. Tinha algumas partes falhadas, mas era só eu tocar para as penas voltarem. Eu estava curando o Alef. Era bom também. Dava sensação de paz e calmaria. No máximo um formigamento nos dedos.

–São lindas.

Elogiei dando lhe um beijo na nuca.

–Que bom que você gostou.

Disse ele aliviado.

Como se eu não fosse gostar do anjo que chamo de meu.Parece que a cada instante fico cada vez mais perto de me apaixonar pelo Alef. Isso se eu não já estiver encantadinha. Melhor, eu já estou encantada.

Alef virou-se me segurou pela cintura e então baixou a cabeça para me beijar. Puxou-me de encontro ao seu peito, me segurando mais perto dele do que eu pensei ser possível, e seus lábios tocaram os meus. Seu beijo começou terno e suave, mas rapidamente tornou-se ávido. Suas mãos percorreram meus braços, meus ombros, e então seguraram meu pescoço.

–Era só o que faltava. Um anjo beijoqueiro.

Comentou Angel, quando acabamos de nos beijar. Alef não me soltou em nenhum minuto.

–Alado.

Corrigiu Dexter bem humorado.

–Vocês não deveriam ser todos do mesmo tipo?

Perguntou Caryn sonolenta, coçando os olhos. Essa menina deveria ter ficado na cama.

–Não. Isso depende muito da idade e da dose do soro.

Respondeu Alef. Prendi um suspiro bem longo. O mundo estava tão estranho hoje.

–Que soro?

Perguntou Angel.

–O delta.

–Como você... Ah deixa quieto, foi seu namorado que te falou?

–Não tenho namorado e você sabe bem disso Angie.

–Ainda. Se depender do Alef, você pode até ser a primeira a casar.

Comentou Angel com um sorriso chato na cara.

–É melhor entrarmos. Estar meio frio aqui.

Desconversei, ficando um pouco vermelha.

–Meio frio? Eu só percebi agora que estou congelando. Mas também a guerra esta tão divertida que dá até pra esquecer que estou com frio.

Concordou Angel.

–E suas mão Bev?

Perguntou Alef. Eu tinha me esquecido das minha mãos.

–Ahn. Digamos que elas estão meias quei...

Minha voz sumiu quando olhei para minhas mãos. Elas estavam somente um pouco rosadas, Sem nenhuma queimadura.

–Saradas?

Completou Alef.

–Legal. Será que eu posso fazer isso também?

Perguntou Angel batendo palminhas.

–Eu acho Angie, que você não fazer isso.

Respondeu Dexter.

–Por que?

Perguntou Angel, com um tom de garota mimada que eu até me impressionei.

–Puxou mais sua mãe do que seu pai.

Respondeu Dexter.

–Preconceito contra loiras.

Comentou Angel.

–Você não é mais loira.

Lembrou Dexter.

–E é mesmo. Eu agora sou morena.

–Por que você pintou o cabelo?

Perguntei a Angel. Ela tinha um cabelo lindo. Quer dizer. Ainda tem.

–Enlouqueci.

Respondeu Angel.

–Eu gostei.

–Valeu Dex.

Agradeceu Angel docemente.

–Que estranho.

Disse Cam.

–Me lembra de deixa a Caryn longe do Cam.

Pediu Angel rindo.

–É. Lembrem-me de ficar longe do Cam.

Concordou Caryn. O sorriso de Angel desapareceu como nuvem em dia de fumaça. Ninguém entendeu nada.

–Você não vai querer beijar ele de novo não?

–Aconteceu algo ontem em que eu acho melhor ficar longe do Cam.

Explicou Caryn dando nono meu cérebro.

–Que algo?

–Eu não acredito.

Disse Angel. Ela já tinha matado a charada? Mas que droga! Eu tenho que ser mesmo a mais lenta dessa casa.

–Você beijou minha irmã de novo Cam?

–É e aconteceu uma coisa bem mais intensa.

Respondeu Cam. Não entendi de primeira, então minha boca abriu em exclamação. Olhei para Caryn e ela tinha ficado vermelha que nem um pimentão.

–Eu não acredito.

Falei.

–Nem eu.

Concordou Caryn melancólica.

–Você seduziu minha irmã.

Afirmei.

–Acho que sim.

Concordou Cam meio envergonhado.

–Ah meu Deus. O mundo acabou!

Exclamei.

–Pra mim.

Concordou Caryn.

–Desde que você não esteja... você sabe.

–É. Bem, por que você esta tão deprimida Caryn?

Perguntou Angel.

–Eu estou preocupada com isso mesmo.

–Como eu não ouvi nada?

Perguntou Angel. Ela tem sono leve, o que significa que ela deveria ter ouvido alguma coisa pelo menos.

–Eu te deixei surda por umas horas.

Avisou Dexter.

–Que bom. Agradecida.

Agradeceu Angel dando um meio sorriso. Só desse jeito para ela ser simpática.

–É melhor entrarmos.

Propus, dirigimos a varanda todos em silencio. Bem saber que Cam estava pegando minha irmã de jeito bem mais intimo era no mínimo assustador.

Quando entramos em casa demos de cara com os adultos nos esperando na varanda. Aaron cruzou os braços, e Bonnie e minha mãe olhava meigamente para nós.

–O que vocês estavam fazendo lá fora?

Perguntou Aaron.

–Guerra de bola de neve.

Respondeu Angel.

–De novo Dexter?

Perguntou Bonnie.

–Angel é especial. E ela estava meio tensa.

–Bem vocês ouviram alguns barulhos suspeitos à noite?

Perguntou Bonnie.

–Não foram vocês?

Perguntou minha mãe.

–Não.

Respondeu Aaron e Bonnie juntos. Depois eles olharam para o Alef e para mim, Alef fez sinal negativo com a cabeça, e então eles encararam Cam e Caryn. Minha irmã olhou para baixo envergonhada.

–Cam.

Gritou Aaron.

–Já ouviu falar do que os hormônios adolescentes de um meio lobo são capazes? E que na lua cheia somos incontroláveis? E que digamos que atrações fortes de mais podem dar em algumas situações em que perdemos o total controle sobre os nossos corpos?

Perguntou Cam desesperado.

–Ítalo vai te matar.

Avisou Aaron. Minha mãe do lado dele estava de boca aberta. Se a Caryn estiver mesmo grávida, vai ser bem provavelmente um dejavu para minha mãe. O destino e suas peças.

–Bem, pelo menos tive uma amante que valeu a pena morrer.

Suspirou Cam olhando para Caryn como um cara apaixonado. Minha irmã estava meio acuada com tudo o que estava acontecendo. Mas quem não estaria? Imagine a possibilidade de estar grávida com quinze anos de um cara que você conheceu a pouco tempo? Eu estaria desesperada em uma situação dessa.

–Eu disse que ele era tarado e que ela é fogosa.

Jogou na cara Angel. Mas que vacilada minha irmã deu. Em todos os sentidos.

–Não precisa me dizer que você avisou Angel. Peso na consciência dói pra caramba.

–Bem. Se você estiver grávida, já sabemos quem é o pai.

Disse Angel mordendo as cutículas. Ela já teve duas infecções por causa disso. Mas não aprende mesmo.

–Não me lembre disso.

Pediu Caryn cabisbaixa.

–Bem, podemos esperar um pouco.

Disse Angel sorrindo um pouco. Ela estava agindo com muita naturalidade a essa informação. Acho que pra Angel é tanto faz, tanto fez.

–Pílula do outro dia?

Propus. Eu não sei quase nada de sexo. Mas já ouvi que a pílula funciona.

–Você acha que uma pílula que evita gravidez humana, vai funcionar em um feto metade sadic? E se não funcionar? Vai dar algum problema na criança.

Discordou Cam.

Lobos são bons pais? Bem eu não sei. Mas se a Caryn estiver mesmo grávida, ela pode contar com Cam. Isso é tão estranho. Deus do céu. Imagine. Ser tia com minha idade. Pior deve ser engravidar aos quinze. Mas talvez ela não esteja grávida realmente. O que é pouco provável. Mas em tudo se deve ter um pouquinho de esperança. Apesar de que essa vai ser a criança mais bem paparicada do mundo. Ou no mínimo com os pais mais imaturos da face da terra.

–Gente, nem sabemos se ela esta grávida mesmo. Então relaxe todo mundo. Vamos discutir problemas mais urgentes.

Pediu Alef. Bem ele estava bem calmo. Não ansioso como eu, nem desesperado como o Cam e a Caryn.

–Como?

Perguntou Angel. Esquecendo da possibilidade de Caryn ser mãe.

–Drakon esta atrás de nos. Para nos matar.

Respondi. Se continuássemos com esse assunto morreríamos de estresse.

–Quem é Drakon?

Perguntou Caryn.

–Nosso tio. Ele é muito do mal.

Respondi. Saber as respostas é tão bom.

–Como pode ter tanta certeza?

Perguntou Dexter.

–Ele esteve na minha mente ontem. Foi horrível.

Respondi fazendo uma careta ao lembrar-me de Drakon fuçando minha mente.

–Eu não duvido. Para um cara que tentou matar seus irmãos usando a energia vital deles é bem a cara do Drakon.

Disse Aaron.

–Seus? Eu pensei que era somente dois.

Falei abismada.

–São seis na verdade.

Informou Aaron.

–Dois do lado de Drakon, dois do lado de Ítalo.

Explicou Bonnie entrando na conversa.

–Então podemos pedir ajuda para nossos tios né?

Perguntou Angel esperançosa.

–Bem. Digamos que eles estão espalhados pelo mundo. Um em cada continente mais precisamente.

Respondeu Bonnie.

–Você é a quarta né Bonnie?

Perguntei o obvio.

–Yes.

Concordou ela.

–Se a Bonnie esta na America, deve ter um na Europa, outro na Ásia e o outro ou na África ou na Oceania. Vocês sabem?

Perguntei aos adultos.

–Ítalo esta na China, Adrian na França e Victor na Austrália. Já os Apaches estão todos na África.

Respondeu Bonnie. Ela sabia mesmo onde estava o restante.

–Em que parte da África?

Perguntou Angel.

–Na Tanzânia.

Respondeu Aaron.

–Então esses são nossos destinos. China, França, Austrália e passar bem longe da África.

–O que vai ser difícil.

Completou Dexter.

–Então vamos ao aeroporto.

Disse Aaron levantando.

–Dá para compra passagem assim do nada?

Perguntei. Nunca sai do país. Então eu não sei de sobre viagens internacionais.

–Se fomos cedo.

Respondeu Alef.

–Ah, que bom. China, lá vamos nós.

Notas finais
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