Irmãs
2 Capítulo 2
Notas iniciais
(CECE)
Quando eu tinha 6 anos, aconteceu uma...coisa.
Eu tinha uma melhor amiga, Alasca não ia muito com a cara dela, por isso era sempre só eu e ela.
O nome dela era Margo
Chegamos até a fazer pulseiras da amizade! Sim! Pulseiras da amizade, mais eu não sou tão brega assim, ela me convenceu. A minha são 3 elásticos de cabelos unidos por uma fitinha amarela, e a dela também só que com uma fitinha azul.
Uso a minha até hoje.
Aos 6 anos eu tive que presenciar uma tragédia. Eu tinha apenas 6 anos.
Margo estava viajando em um a-avião.Ela foi visitar o avô, passar as férias de inverno na casa dele, mais fez questão de voltar para passar o meu aniversario comigo.Ela fez uma viagem sozinha só para passar o meu aniversario comigo (quer dizer meu aniversario e o da Alasca). Só que houve uns probleminhas neste avião. A porta foi arrancada, simplesmente escancarada. E como as crianças desacompanhadas sempre ficam nas primeiras fileiras, ela foi uma das primeiras a ser lançada para fora do avião.
Nem todos morreram, foram pouquíssimos, por isso se sabe o que ocorreu exatamente. Os pais de Margo pagaram uma fortuna para encontrarem o corpo dela no mar.
E houve o funeral.
Eu precisava ser forte, eu sempre fui forte, por isso fui ao funeral. Alasca não quis ir, e só foi eu e minha mãe.
Quando eu vi o corpo azul da minha amiga me arrependi. E me arrependerei para o resto da minha vida. Eu não consigo tirar a cena da minha cabeça, e acho que nunca vou. O pior de tudo é que ela estava usando a pulseira. Eu vi minha amiga azul, morta, usando nossa pulseira da amizade.
Eu sai correndo da sala e fui vomitar no gramado. Jurei que nunca entraria em um avião por ela, e também jurei que eu nunca iria entrar em uma piscina ou praia. Estes são os maiores e talvez os únicos medos que eu tenho.
(ALASCA)
O Nosso quarto foi projetado para termos pelo menos um pouquinho de privacidade, porque quando se tem um irmão gêmeo, privacidade é uma das poucas coisas que temos.
É como se o quarto tivesse dois andares, por isso ele é alto, quando entramos no quarto da pra ver todo o meu espaço, eu fico em baixo. Tem uma cama de casal grande com uma televisão perto e a minha mesinha para o meu notebook e para tarefas. O nosso guarda-roupa fica junto é uma porta que da pro closet e o closet da pro banheiro.A parte da Cece fica exatamente em cima do meu, de baixo da pra ver a gradinha que a protege, é como uma varanda com uma escada bem proxima da minha cama.
Cece não fica muito em baixo, quando ela entra no quarto ela sobe imediatamente.
Mas isso tudo tem um problema , quando ela entra em suas crises, é difícill ela deixar eu subir pra conversar, quanto mais ela descer.
(CECE)
–Cece!! Precisamos conversar! -Alasca gritou lá de baixo.
–Me deixa em paz! -eu disse, nossa como a minha voz esta chorosa. -Eu não vou para o Brasil, ninguém me tira daqui! Eu vivo a base de pizza!
–Engraçadinha, e quem vai trazer a pizza aqui no quarto?
–O entregador, oras!
Eu estava tentando. Mas segurar o choro era quase impossível quando iremos quebrar a promessa que fizemos a nossa amiga morta a tantos anos. Chorar era pouco devida a quantidade de lágrimas que eu estava pondo para fora.
–Cece... eu sei que é difícil... você acha que eu não estou com medo também?
–Você não tem que ter medo! Não é você enfrentar o pior medo da sua vida em poucas horas! -disse eu
–Você se acha a unica pessoa que tem algo a perder com isso percebeu?
–Ta legal, agora voce vai me dizer que sua vida perfeitinha tem algum problema!
–Você acha que é fácil ser "a irmã zero a esquerda da Cece Boss"? Você acha que eu sempre quis ser uma ninguém enquanto você ia pra festas e mais festas? -ela parecia irritada.
Me senti mal, ela tinha toda a razão. Na escola ela só era chamada de "a irma gêmea da Cece". Nunca mudei isso. Pensei que ela não ligasse para esse tipo de coisa , mas parece que liga.
Me aproximei da grade da varandinha para poder olhar para o rosto da Alasca, ela esta vermelhinha e com os olhos marejados.
–Me desculpe. Eu nunca quis que isso acontecesse.
Ela me deu um sorriso meio torto -Tudo bem. Posso subir para conversarmos?
Eu afirmei com a cabeça e abri um espaço na minha cama para ela deitar comigo, ficamos deitadas. E eu com a cabeça apoiada na barriga dela, sempre fomos assim. Apesar de eu ser a mais velha (por 2 min e 16 seg) ela sempre foi a mais madura. A que sempre sabia o que fazer e dizer.
–Vamos fazer um acordo ? -ela disse
–Depende.
–Nunca fomos, sabe, "próximas" de verdade, só nos víamos em casa e olha lá. Você sempre andava com o seu grupinho e eu me virava sozinha. Talvez as coisas possam mudar a partir de agora.
–Seria maravilhoso. — eu disse e abracei a minha linda irmã, claro que ela era linda, tinha a minha cara né?
–Agora, você precisa me dar a total certeza que não vai surtar no avião. Pelo menos não muito.
–Não sei...- não surtar? Será que ela ainda não me conhece? -Posso "tentar", mas sabemos que eu não vou conseguir.
–Droga, pelo menos eu tentei né? -rimos e acabamos pegando no sono assim mesmo, parece que mamãe que teria que fazer as malas.
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