Iris

8 Uma Noite em Família


Notas iniciais
Olá, como você está? Boa leitura!

Olívia P.O.V.

Observei Ruby se distanciar até sumir completamente do meu campo de visão e entrei. Tia Z estava sentada na sala com o controle da televisão na mão.

— Olha só quem lembrou o caminho de casa! Isso são horas de chegar Olívia?

— Tia Z, ainda não são nem 19:00 da noite e eu avisei a vovó que eu ia chegar mais tarde.

— Então vai falar com ela logo, a velha está preocupada.

— EU OUVI ISSO ZELENA! — Minha avó gritou da cozinha e minha tia riu. – OLÍVIA CORALINE MILLS VEM AQUI AGORA! — Deixei minha mochila encostada no sofá e fui em direção a cozinha, minha avó estava pegando os ingredientes para começar a fazer o jantar, me sentei em um dos bancos que ficam de frente para a bancada.

— Posso saber onde a senhorita estava até essas horas?

— Lembra da morena que eu falei mais cedo? — Assentiu. – Eu saí com ela.

— Enquanto eu quase morri de preocupação você estava transando é? — Me encarou séria e eu ri.

— Ficou preocupada porque quis, eu avisei que ia chegar mais tarde e não foi nada disso, a gente só foi almoçar.

— Sei muito bem que tipo de comida que teve nesse almoço, começa com B e termina com A. — Disse tia Z entrando na cozinha e sentou ao meu lado.

— Gente, é sério mesmo, eu não transei.

Mas bem que eu queria viu.

— Então o que vocês fizeram esse tempo todo? — Jogaram truco? Tia Z ironizou.

— Nós conversamos a tarde toda e vimos o Sol se pôr.

— Vocês se conheceram ontem mesmo? — Perguntou minha avó e concordei balançando a cabeça.

— Mama, acho que em breve teremos mais uma associada a família. — Disse bem humorada.

— Associada? Que termo peculiar, tia Z. — Ri. – Ainda é muito cedo para brincar com isso, não acham não?

— Acho! Minha avó respondeu rapidamente.

— Muito! — Completou tia Z. – Mas eu só fui fazer esse tipo de coisa com a sua tia e porque queria conquistar ela de vez.

— Lógico, antes da Kris você só queria saber de trepar e beber. — Rimos.

— Era um bom estilo de vida, mama.

— Acho que seu fígado discorda disso, minha filha. — Ironizou.

Melhor eu mudar de assunto enquanto elas estão distraídas, se não daqui a pouco estão pedindo para que eu traga a Ruby para elas conhecerem sem a gente nem estar namorando ainda

— Vó, quer ajuda com o jantar?

— Quero sim, você pode fazer o purê de batatas?

— Faço sim, só vou trocar de roupa rapidinho e já volto.

— Zelena, para de ser inútil e corta a porra dessas cenouras!

Saí rindo da cozinha, peguei minha mochila e fui em direção ao meu quarto. Tirei minhas roupas, coloquei um short preto e uma camiseta larga com a estrela da morte estampada, fiz um coque frouxo. Desci e fui para a cozinha.

— Cadê o resto dos habitantes dessa casa? — Perguntei assim que entrei na cozinha.

— Seus primos e a Vic foram ao mercado com a sua tia e seus padrinhos. — Zelena respondeu.

Tem muita gente nessa casa, mas não tem necessidade de irem seis pessoas no mercado, até porque metade só vai atrapalhar. E que porra de compra é essa que precisa de dois carros?

— E seu avô ligou para avisar que vai chegar mais tarde. — Completou minha avó.

— E minha mãe? — Pergunto indo em direção ao fogão para pegar a panela com as batatas cozidas.

— Ainda não deu sinal de vida. Respondeu minha avó.

Comecei a espremer as batatas enquanto minha tia corta as cenouras e minha avó pica cebola. Apesar de minha avó e minha tia não falarem nem um pouco baixo, a falta do resto do pessoal faz com que a casa tenha um sossego estranho e bom, pelo menos para mim. No entanto, eu aproveitei a calmaria poucos minutos, o resto da minha linda família já chegou aos berros.

— ANTONY, CARREGA ESSA CAIXA PARA DENTRO. — Minha madrinha gritou do lado de fora.

— Acho que as compras foram meio estressantes. — Minha avó comentou irônica.

— Por que acha que eu não fui? Eles são maiores de idade mas parecem ter 12 anos.

— Tia Z, eles são seus filhos, não dava para ser diferente. — Eu e minha avó rimos e ela jogou um pedaço de cenoura em mim.

— Não desperdiça comida, Zelena! Joga a casca. — Minha avó falou bem humorada.

— Isso mesmo, dona Coraline, faz complô contra mim. — Fiz um falso tom de tristeza e tia Z acertou um pedaço de casca no meu rosto.

Meus primos começaram a passar pela cozinha para levar algumas das compras até a dispensa, minha madrinha começou a guardar o que é de geladeira nela e os outros foram deixando itens de higiene pessoal pelos quartos.

— Boa noite, família! — Minha mãe disse entrando na cozinha.

— Boa Noite. — Eu, minha avó e minhas tias respondemos em conjunto.

— Gina, ajuda seus sobrinhos atrapalhados a arrumar a dispensa? — Minha tia pediu.

— Ajudo, mas não sei como vocês gostam que organizem. — Respondeu meio envergonhada.

— Eles também não. — Minha avó ironizou e minha mãe entrou na dispensa.

Terminei de fazer o purê, mas eles ainda não haviam terminado de guardar as compras. Compraram o mercado todo? Já que sou a única livre fui arrumar a mesa, quando terminei minha avó e minha tia saíram da cozinha com travessas, logo atrás minha mãe vinha com duas jarras de suco.

— O JANTAR ESTÁ PRONTO! — Minha avó gritou. Aos poucos todos vieram e se sentaram em seus respectivos lugares.

— Onde vossa senhoria se meteu hoje, dona Olívia? — Vic me perguntou.

— Estava me drogando por aí. Disse em tom brincalhão.

— Ela teve um encontro. — Tia Z falou pausadamente igual uma criança quando quer implicar.

— Com a ruiva? — Tony perguntou e a Vic riu.

— Aquela lá só quer o corpinho da Liv nu.

— Ou só dedos amigos. — Lily me olhou maliciosamente. Tenho certeza de que eu corei.

— Foi com a tal morena que você ainda nem se dignou a me contar o nome? — Vic perguntou com um tom nada amigável.

— Com ela mesmo, e o nome dela é Ruby. — Sorri.

— Como foi? — Lily perguntou.

— Bem romântico. — Tia Z se manifestou. – Sis, se prepara que em breve você vai ter uma nora.

— Não acha muito cedo para brincar com isso, Zel? — Minha mãe perguntou.

— É cedo! Mas elas foram almoçar na praia e ficaram para ver o Sol se pôr, o que acha disso?

— Que eu já sou quase sogra. — Minha mãe disse rindo.

Entendo que não foi um primeiro encontro convencional para os dias de hoje, mas afirmar que nós já vamos namorar é viajar demais. Não que eu não queira ter uma chance de namorar uma mulher tão incrível e fofa quanto ela, só não sei se vai ser tão rápido. Assim como todas as vezes em que nos reunimos o resto do jantar foi repleto de falatório e risadas. Depois do jantar minhas tias obrigaram meus primos a lavarem a louça, e por não ter mais o que fazer fui para o meu quarto. Peguei meu telefone e tinha algumas mensagens, a primeira conversa que abri foi a da Ruby.

Ruby Lucas: Cheguei inteirinha, pequena

Ruby Lucas: Talvez seja meio cedo, mas vc quer ir almoçar comigo amanhã?

Ruby Lucas: Não vejo a hora de te ver de novo

Liv Mills: QUERO! Onde vamos dessa vez?

Bem que podia ser na sua casa, Rubs. Volto o início do WhatsApp e respondo o Henry, ignoro as mensagens dos meus primos e da minha avó pois só estavam perguntando onde eu estava e a última mensagem que tem é da ruiva.

Melody Fisher: Por onde tu anda? Está me evitando?

Melody Fisher: A gente pode conversar amanhã? Conversar de verdade.

Melody Fisher: Acho que te devo desculpas não é?

Liv Mills: Não estou fugindo, só não estou mais a sua disposição como antes. A gente pode conversar, mas não acho que vá alterar nossa situação.

Notas finais
O que achou? Comenta aí Até o próximo capítulo :3