Iris

14 Pôr do Sol


Notas iniciais
Olha quem já voltou. Caso tenha alguém aí de Psicologia, assim como eu, fala da piadinha de psicanálise por favor! Boa leitura!

Olívia

Ao entrar em casa já pude ouvir o habitual tumulto matutino, contudo, me dirigi direto para o meu quarto e fui tomar um banho. Graças aos deuses não havia ficado se quer uma marquinha em meu pescoço, mas ainda assim prefiro ficar em casa, essa situação não me deixou lá muito disposta para ir a aula hoje e também não quero abrir qualquer possibilidade de encontrar aquela salsicha ambulante tão cedo. Tomei meu banho, coloquei um pijama, meus óculos e me joguei na cama com meu livro, que restavam pouquíssimas páginas para serem lidas.

— Liv? – Minha avó bateu suavemente na porta a abrindo.

— Oi, Vó.

— Como você está? – Se sentou no pé da cama. Podia mentir e falar que estou bem, mas ela é paranoica, não acredita nem quando é verdade.

— Querendo seu colinho. – Me deitei recostando minha cabeça em suas pernas e ela logo começou a afagar meus cabelos.

— Quer me contar sobre ontem?

— Você está se corroendo de curiosidade, não é?

— Já estou todo corroída. – Brincou. – Quis te ligar ontem, mas seu avô não deixou, disse que você é responsável o suficiente para se cuidar sozinha, nem pareceu que ele ouviu quando eu disse que você ia passar a noite na casa de uma desconhecia. – Fez uma expressão de indignação.

— Nem parece que é ele que me trata como uma boneca de porcelana. – Para o senhor Henry Mills eu permaneço com 9 anos e ainda amo brincar de Barbie.

— Pois é. – Sorriu. – Agora me conta tudo! – Contei para ela a história desde o início, sempre tive muita abertura para contar sobre meus relacionamentos, mas nunca tive vontade de contar sobre mim e Melody. O fato de eu saber que minha avó não ia muito com a cara dela contribuiu bastante com a minha decisão de não falar nada, além de eu não ser do tipo de pessoa que transa e sai explanando por aí.

— SEMPRE SOUBE QUE AQUELE PEDAÇO DE FERRUGEM NÃO PRESTAVA! – Levantou abruptamente, me fazendo bater a cabeça no colchão. – Como ela ousou encostar na minha azeitoninha? – Apesar de ela ter esboçado uma feição brava não pude conter o riso. Não tem como levar a sério com ela falando esse apelido. – Ela dificultou o fornecimento de oxigênio para o seu cérebro? – Me encarou séria.

— Não doutora, Mills.

— Então qual o motivo da risada, Olívia?

— O apelido descredibiliza um pouco seu discurso inflamado. – Sorri.

— Muito engraçadinha você, já pode largar a faculdade e viver de stand-up. – Ironizou. A bicha ficou atacada.

— A senhora já teve um senso de humor melhor, dona Cora.

— A situação não contribuiu para despertar ele não. – Colocou as mãos na cintura.

— Eu sei.

— Está tentando amenizar a situação? – Minha avó só pode ser bruxa.

— Exatamente. – Forcei um sorriso.

— Vem cá, azeitoninha. – Me abraçou. – Ainda bem que a desconhecida te salvou. – Me apertou e me soltou.

— O nome dela é Ruby, Vó.

— Agradeça a sua salvadora por mim. – Foi indo em direção a porta – Se quiser, pode convida-la para vir almoçar aqui no domingo. – Piscou para mim e fechou a porta. Dona Cora, dona Cora, se eu não te conhecesse diria que é muita gentileza, mas sei muito bem que há outras intenções por trás desse convite. Será que se eu convidar ela vem? Realmente tenho que fazer algo para recompensá-la. E se ela estiver ocupada? Bom, só vou saber se eu perguntar, não é?

Liv Mills: Ei, Rubs.

Liv Mills: Por acaso você tem algo marcado para o domingo?

Regina

O último lugar para onde Emma me levou foi para uma trilha no meio da floresta.

— Por acaso você está fingindo ser legal comigo esse tempo todo, e agora decidiu me matar em uma cabana sinistra no meio da floresta? – Ela que estava andando na minha frente até o momento parou e se virou para mim.

— Como descobriu meu plano maléfico? – Tentou segurar o riso, mas não foi bem-sucedida.

— Você não me contou para onde estamos indo, então essa é a única ideia que me veio à mente.

— Você é bem criativa hein, Mills. – Zombou. – Ainda não vou contar para onde estamos indo, mas juro que vale super a pena e já estamos chegando. – Andamos por cerca de mais 5 minutos. – Chegamos! – Se virou para mim ostentando um belo sorriso. Estávamos de frente a uma cachoeira que parecia ter sido alinhada minuciosamente para ficar perfeitamente enquadrada de frente com o lugar em que o sol iria se esconder dentro de alguns minutos.

— Definitivamente valeu a pena, isso aqui é lindo Emma. – Retribuí o sorriso.

— Eu adorei passar o dia com você, mas senti que faltava alguma coisa para fechar ele com grande estilo, então pensei em te trazer no meu lugar preferido da cidade, para assistir um dos meus momentos preferidos do dia. – Seu rosto ficou levemente rosado. Nem temos nada sério e ela já é assim, imagina quando tivermos. Pera aí. Como assim, Regina? Não está criando expectativa um pouco cedo não?

— Emma, eu adorei a surpresa, sério. Mas falta uma coisinha só para terminarmos esse fim de tarde com perfeição. – Mordi de leve meu lábio inferior.

— O que? – Ou ela se faz de sonsa muito bem ou é dotada de uma lerdeza de grandes proporções.

— Isso. – Passei meus braços entorno de sua cintura e a puxei para um beijo calmo que foi correspondido sem êxito. Acho que meu Id está ganhando do meu Superego.

— Concordo contigo, agora sim está perfeito! – Iniciou outro beijo. – Queria ficar mais tempo aqui, principalmente mais tempo com você, mas temos que sair da floresta antes que escureça de vez e vou te deixar em casa para voltar para a delegacia.

— Voltar? – Como tecnicamente passamos a tarde em “ronda”, já estamos liberadas pelo horário.

— É, hoje vou ficar mofando no plantão para os meus pais poderem ter um jantar romântico. – Explicou. Acho que o gosto por fazer gestos fofos está no DNA.

— O plantão numa cidade tão movimentada e perigosa como essa deve ser extremamente caótico, não é? – Ironizei.

— Claro! É necessário grande tempo de preparação e estratégia para que eu ganhe de mim mesma no xadrez. – Rimos.

— É isso mesmo que você fica fazendo lá?

— Infelizmente sim. – Começamos a trilhar o caminho de volta para o carro. – Como fico sozinha não gosto de me distrair muito. Acredita que uma vez um bando de fedelhos já tentou soltar rojões dentro da delegacia enquanto eu tirava um cochilozinho? – Eu até tentei segurar, mas uma gargalhada tomou conta de mim.

— Desculpa. – Falei entre risos.

— Tudo bem, depois de dar uma boa bronca nos moleques e ameaçar prender eles por depredação de patrimônio público e mandá-los para casa eu tive uma puta crise de riso.

Logo chegamos ao carro e durante o caminho ela me contou algumas histórias das, segundo ela, inúmeras enrascadas que já meteu aqui, na academia de polícia e na homicídios. Em menos de 20 minutos já estávamos em frente a nossas casas.

— Emma, muito obrigada pelo dia de hoje. – Sorri. – Não tenho ideia de quanto tempo fazia que eu não tinha um dia tão agradável como esse.

— Eu que tenho que agradecer, Regina. – Pegou minha mão esquerda e envolveu entre as suas. – Muito obrigada por ter aceitado a fazer uma “ronda” comigo. – Rimos. – E por ter me permitido te arrastar para tudo quanto é lado.

— Estou sempre a sua disposição. – Pisquei. Acho que essa frase da abertura a mais duplo sentido do que eu tinha imaginado.

— Muito bom! Esse foi o primeiro de muitos outros roles aleatórios para os quais eu irei te levar.

— Mal vejo a hora do próximo. – Abri a porta do carro e saí. – Tchau, Emma.

— Tchau, Regina. Até amanhã. – Me mandou um beijo e deu partida no carro.

Notas finais
Obrigada pela leitura. O que achou do capítulo?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.