Ira
2 Homens!
Notas iniciais
Remi adentra a sala de espera do Metropolitan Hospital Center pisando firme e mantendo a postura ameaçadora que Shepherd sempre lhe ensinou. Rich e Reade congelaram nas poltronas diante da entrada triunfal. Weitz levantou-se e foi ao encontro dela:
— Finalmente! Eu já teria ido embora, mas aqueles dois senhores ali me disseram que existia a possibilidade de você ir chutar a minha bunda dentro da minha própria casa._ e solta um soluço da embriaguez.
A fúria de Remi exalava por seus poros. Ela sugou o ar buscando forças para falar ao invés de suspender Weitz pela camisa e lançá-lo contra a parede mais próxima. Sequer tentou evitar a forma como contorceu o pescoço assustadoramente antes de pronunciar:
— Qual dos respeitáveis representantes do FBI vai me esclarecer o que aconteceu aqui?
— Janie, acalme-se...
— Não me chame de Janie! _ ela rosnou de forma tão fria que os três homens estremeceram. _ E eu estou calma. Vocês sequer me viram nervosa ainda.
— Ok, ok. Se você diz...Tudo não passa de uma sequência infeliz de interpretações... digamos exageradas. Você sabe: um pouco mais de álcool, algumas mulheres muito bonitas e com roupas sensuais demais, namorados extremamente ciumentos...
Mulheres? Roupas sensuais? Era melhor Weller estar vivo, porque ela precisava matá-lo mais que nunca! Que tipo de esposa idiota ele achava que ela era? Remi não interrompeu o relato, apenas deixou a raiva crescer dentro de si.
— Claro que Kurt tentou manter a sensatez diante da situação... Venha, sente-se aqui._ Weitz deu uma risadinha e colocou a mão nas costas dela para encaminhá-la até o sofá numa atitude condizente com o político que foi.
— Tire suas mãos de mim, Weitz! _ a força com que ela pegou o punho dele e jogou para o lado deixou clara sua determinação de não ser tocada. A expressão de dor no rosto de Weitz acatou completamente a ordem de manter distância. _ Eu achei que já tinha o suficiente para uma noite! Ter que me levantar e vir socorrer um marido bêbado que não é capaz de se manter responsável mesmo quando está na companhia de outros três homens adultos!
Weitz finalmente se calou. Com olhos arregalados e boca aberta, permaneceu imóvel. Reade se viu no dever de intervir:
— Ah, vamos lá, Jane. Você não acredita realmente que somos tão irresponsáveis assim, não é? _ o olhar de Jane o alcançou e ele ponderou realmente se calar, mas insistiu._ Weitz e um dos franceses se aproximaram das garotas sem saber que elas estavam acompanhadas. Então a confusão começou._ Reade tentou ficar em pé, mas balançou e voltou a se sentar_ Weller só tentou impedir que um dos caras agredisse as meninas. Você não pode se irritar por isso._ e Reade puxou um sorriso no canto da boca denunciando a pouca credibilidade que colocava em sua frase final.
— Não me diga o que eu posso ou não sentir por saber que meu marido estava bêbado defendendo outras mulheres na madrugada! Vocês me enojam...
— Hei, não me diga que toda essa raiva não é pelos ferimentos do seu marido e sim porque você está com... ciúmes._ Weitz balbuciou sorrindo apenas por alguns segundo até perceber seu erro.
Remi estava em frente à ele com dois passos. Debruçou-se apoiando as mãos nos braços da poltrona.
— Você acha realmente que eu sentiria qualquer coisa além de asco diante da vulgaridade de vocês? Se você ousar se referir a isso novamente, não vai ter língua pra falar nunca mais na vida!
— Não, Jane. Não foi bem assim. _ Reade falou apenas pela necessidade de salvar a vida de Weitz _ Weller só foi em socorro de uma situação provocada por Weitz. Ele nem bebeu muito. Aliás, ele bebeu tão pouco que Rich decidiu “potencializar” o uísque dele...
Foi o que bastou para Remi deixar Weitz e ir em direção ao ex-hacker. Rich poderia dizer que nunca sentiu tanto medo da morte em sua vida.
— Você drogou meu marido?
Ele queria responder, mas não sabia se a verdade ou a mentira era o melhor caminho para uma morte mais rápida, então abriu a boca, mas as palavras não saíram.
— Não me faça esperar, Rich...
— A...a... Stubbles precisava relaxar. Os últimos anos tem sido tensos pra ele. Então eu pensei: que mal tem dar uma forcinha... Você sabe como ele sempre está carrancudo, preocupado com tudo e com todos. Preocupado com você...
— Então agora a culpada por essa noite de horrores é minha??
— Não! Claro que não... eu não diria isso... você sabe que o quanto eu gosto de viver. _ e sorriu tentando aliviar a situação.
Remi fechou os olhos e aspirou o ar ponderando o quanto a série de assassinatos que sentia vontade de promover atrapalharia seus planos. Só assim foi capaz de se controlar.
— Jane, Stubbles só riu com a gente. Vamos lá, você sabe como ele é. Ninguém o conhece tão bem quanto você. _ Rich tentou emendar. _ Ele defendeu a garota? Claro. Não seria justo deixá-la pagar por nossos deslizes.
— Oh, claro. Justo sou eu aqui no meio da madrugada tentando consertar os erros de vocês.
— Ele só pediu para todos manterem o respeito ali. Então os caras voaram pra cima dele e nós... bem, não estávamos em condições de ajudá-lo. Mas Stubbles estava se virando bem contra aqueles três, se o quarto não desse com uma garrafa na cabeça dele.
De repente, Remi se viu imaginando a cena: Kurt lutando contra três homens e levando a garrafada na cabeça de um quarto. Concussão? Algum golpe teria atingido seu abdômen próximo à cirurgia? As possibilidades eram horríveis. Jane repetiu a si mesma que qualquer uma delas atrasaria seus planos. Então deu às costas aos três patetas que não mereciam sua atenção. Ela precisava falar como médico! Claro, apenas para reassumir o controle da situação.
Vinte minutos depois ela voltava a se sentir no controle da situação como devia. Nenhum ferimento grave. Uma merecida sutura feita sem anestesia devido à embriaguez. Ela assinou os papéis e não foi até ele. E esperou.
Kurt chegou na sala de espera cabisbaixo. Ele estava chapado, mas não o suficiente para não ter noção do significado daquilo.
— Jane... eu sinto muito.
Ela não olhou em direção a ele. Apenas levantou a mão estabelecendo um distância física e balançou a cabeça de forma negativa:
— Em casa.
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