Inválida

2 Contos em Contos


Notas iniciais
Demorou mais do que eu esperava para ter vontade de escrever, e também ficou menor, mas é muito mais gratificante escrever querendo. Corrido, escrito em um dia, poucas horinhas, mas coeso e bonitinho, puro desenvolvimento de cenário, entendo se acharem esse chatinho, porém é aqui que encontramos a base de muita coisa que está e estará acontecendo. Tenha uma boa leitura.

Em algum lugar tão perto quanto longe de Equestria, havia um enorme pedaço de terra. Sua extensão se transformavam em enormes montanhas que roçavam os céus, apenas para sumirem em pó e se tornarem um escaldante e assolador deserto. Seus rios eram muitos e corriam de cima a baixo com suas ramificações como uma grande teia, apenas deixando de correr nos extremos pontos austrais, ou ao sul se você achar mais simples, sendo congelados enquanto a tundra se torna rainha da paisagem, arrancando suspiros com tamanha beleza.

Esse lugar poderia ser chamado de Equestria, talvez até mesmo ser Equestria em um passado ou futuro distante, porém as coisas eram diferentes.

Até certo ponto os pôneis estavam espalhados por cidades independentes, que muitas vezes entravam em conflito por preconceitos, má gestão ou ganância. Cada vez mais os equinos derramavam o sangue dos seus, enfraquecendo-os enquanto seus vizinhos cresciam os olhos sobre suas terras e recursos, Cães, Grifos, Dragões e até mesmo as Zebras.

Então com uma sabedoria, força de vontade enorme, e um carisma digno do mais velho dos dragões dourados, o unicórnio Thundering Whip surgiu e peregrinou pela terra. Ele reuniu seguidores e lentamente unificou as cidades ao longo de sua vida, algumas pacificamente enquanto teve que bradar sua lança sobre outras, tornando-se Rei ainda na meia idade.

Aliter, A Terra Nutrida, logo cresceu, se espalhou e prosperou sob o comando de Thundering, porém sua peregrinação lhe custou caro, tomou vários anos da vida do unicórnio que logo teve que passar o trono para seu filho,White Maw.

White Maw era um grande unicórnio de pelagem negra com manchas brancas pelo corpo, a mais notável e que lhe rendeu seu nome estava ao redor de sua mandíbula, e crina nívea. Unicórnios eram criaturas raras e estimadas quando comparados aos outros tipos de pôneis, e geralmente compunham as classes altas da sociedade atual graças à magia, algo escasso e valioso graças aos seus poucos números.

Os pôneis terrestres, a raça mais abundante, habitavam tanto as cidades quanto os campos, suas engenhocas auxiliavam no avanço tecnológico enquanto sua força e números traziam através do trabalho rural o alimento para o reino.

Pégasos por sua vez também habitavam as cidades no chão, porém eram raros lá, sua grande maioria estava nas cidades aladas que construíam nas nuvens. Com sua habilidade de gerir o tempo eles trabalhavam em conjunto com os pôneis terrestres para melhorar o aproveitamento das colheitas, enquanto sua destreza e mobilidade eram muito bem aproveitadas nas posições do exército.

Os Pôneis de Cristal eram até mesmo mais raros que os unicórnios, belos, carismáticos, oportunistas, mas sem magia ou asas. Alguns até mesmo se arriscavam a dizer que eles eram um capricho dA Criadora, feitos para enfeitar, porém ninguém nunca viu um deles passando dificuldades, pelo menos não por muito tempo.

White, assim como seu pai, governou de modo justo para seus subordinados, porém ao contrário de seu antecessor ele procurou se aproximar das raças que um dia predaram os pôneis e lutaram até a morte pelo seu território, o que acabou dividindo a opinião de muitos no reino. Alguns viam muitas vantagens em comercializar com os Grifos, Cães e até mesmo Dragões, porém os mais velhos não conseguiam se ver como amigos daqueles que um dia devoraram seus pais, avós ou até mesmo amigos.

Até que um dia o Sol nasceu, e com isso revelou o castelo envolto por chamas enquanto seu piso estava encharcado de sangue, um grupo sorrateiro de pôneis tomou para si o dever de exterminar o Rei e sua linhagem. Tal grupo teve sucesso com o extermínio, porém seu plano de clamar o trono falhou já que o exército perseguiu até o último de seus membros.

Agora a sala do trono estava vazia, no seu chão estava o sangue de todos os nobres que poderiam e teriam capacidade de ascender à posição de Rei em uma emergência, enquanto o estofado carmesim estava coberto do sangue de White e sua esposa.

Esposa que White tanto amava, mesmo que ela tivesse um grande problema para alguém em seu posto, Blue Sunset era estéril, sendo assim incapaz de dar continuidade para a linhagem real, porém seu marido continuou fiel ao seu lado, mesmo sendo contrariado por todos, e ao invés de abandoná-la ou ter seu herdeiro com uma concubina, ele procurou pela ajuda de uma égua chamada Burning Ivy.

Burning Ivy era um unicórnio branco que havia passado boa parte de sua infância e adolescência com as Zebras, sua magia era apontada por muitos como a melhor chance de fazer com que Blue Sunset pudesse gerar uma prole. Convidada pelo Rei, Burning tomou seu lugar na corte como parteira real, porém dois anos depois de sua chegada...

Uma manhã brilhante, brilhante até demais, Burning Ivy corria pelas ruas de Cinere, a capital do reino, enquanto as labaredas que consumiam o castelo podiam ser ouvidas e sentidas de longe, amarrada em suas costas uma potrinha com menos de um ano de vida chorava como podia. A pequenina estava irritadíssima, era muito calor, barulho e movimento, tudo o que ela queria era poder ficar em paz e se alimentar, porém a égua que a carregava estava muito ocupada fugindo.

Ivy fugia de tudo, os últimos dois anos de sua vida haviam sido incríveis, e agora queimavam atrás dela, estava perdida sem a mínima ideia de quem realmente estava atrás dela, só sabia que o Rei, sua dama e seus amigos agora estavam mortos, maldição!

Como um vulto ela costurou entre becos e disparou, podia trombar com um inimigo a qualquer momento e nem o reconheceria, seus pensamentos a consumiam enquanto o choro da criança não ajudava a sua situação.

Sozinha e sem um destino, lágrimas escorriam de seus olhos, sempre sofrera coisas absurdas em sua vida, mas logo agora que havia que cuidar de uma criança, logo agora que as coisas estavam dando certo? Ela amaldiçoou O Branco e todas as divindades que cruzaram por sua cabeça, e assim sumiu no mundo, deixando para trás as ruinas do que acreditava ser seu futuro.

Anos se passaram e uma potrinha corria em meio as macieiras, mergulhava em arbustos apenas para emergir pulando sobre um alvo invisível e voltar a correr. A poeira do chão grudava com imensa facilidade em sua pelagem branca, ou melhor, quase branca, os pelos que revestiam o corpo dala eram de um verde tão claro que tal erro era comum e perdoável. Sua crina que corria até metade de seu pescoço poderia ser facilmente descrita como creme dental de menta, alternando entre listras de um verde vivo e forte e um branco níveo, o mesmo padrão se repetia em sua cauda que abanava contra o vento, um pequeno galho quebrado estava enfiado nela, e a potra pouco se importava.

Bitter Weed era a rainha do pomar, e em sua imaginação ela combatia um conjunto de desordeiros que queriam roubar as maçãs de sua família, mas ela não deixaria! Seu pequeno chifre balançava no ar, fazendo seus inimigos recuarem antes dela dar seu bote! Uma cabeçada, um rodopio seguido por um belo chute com suas patas traseiras e bam! Dois a menos, porém seus inimigos não paravam de surgir.

“Eu protegerei o que é meu! Desistam!” Ela comandava, porém eles a ignoravam. Tudo bem, Bitter pensou, tem casco e chifre para todo mundo. Um sorriso cresceu em seus lábios enquanto ela afastou suas patas e se abaixou, tomando uma postura clássica de combate.

“Bitter! Saia desse Sol mocinha, e venha comer!” Uma voz madura ecoou e a arrancou de seu mundo de faz de conta, ela olhou ao seu redor e os baderneiros não estavam mais lá, claro, provavelmente eles haviam corrido para debaixo da saia da mamãe depois de tomarem uma surra de uma potrinha de sete anos.

Com uma expressão satisfeita no rosto pelo trabalho bem feito, ela seguiu por entre as árvores até a sua casa, que ficava alguns metros de onde estava brincando, até chegar na frente de uma casa simples de madeira, porém bem grande, a pintura vermelha com detalhes e quinas marrons era praticamente um clichê e ainda assim caia muito bem.

Ela se dirigiu até a sala onde geralmente almoçavam, e lá estava a sua mãe, Burning Ivy, com um avental, servindo uma generosa tigela de mingau com pedaços de cenoura e tempero amargo, um de seus pratos favoritos!

Bitter sorriu e correu até sua mãe para abraçar uma de suas pernas e foçar contra a mesma, Ivy por sua vez sorriu e mencionou como ela deveria se apressar e comer antes que esfriasse. Isso para a pequena Weed soava como um desafio, ela ficaria grudada em sua mãe até que ela realmente se irritasse, para apenas então se dirigir até o seu lugar e dar cabo em sua refeição.

A casa estava vazia com exceção de Bitter e Ivy, seu pai, um pônei terrestre azul de crina marrom chamado Soil, não estava lá, nem mesmo um de seus quatro irmãos. Era dia de finados, então seu papai e seus irmãos passavam o dia inteiro fora, porém lhe escapava o motivo pelo qual ela e sua mãe não iam junto. Bem, não importava, assim ela tinha mais atenção para ela mesma!

Bitter, a potrinha, continuou a crescer cada vez mais até se tornar uma éguinha, como não tinha a mesma força que seus irmãos, todos pôneis terrestres, ela começou a focar em seus estudos, por mais que adorasse chutar as macieiras ela sabia que tinha um dom e deveria dar prioridade a tal.

Dia após dia, menos Bitter deixava seu quarto de estudos, perguntava para a sua mãe o por que seus irmãos também não estudavam, e ela respondia que esse não era o destino deles.

Destino.

Aquela foi a primeira vez que tal palavra havia tocado seus ouvidos, porém logo ela seria martelada em sua cabeça, sua mocidade passou e com isso vieram os primeiros calores, estava uma égua crescida e pronta para o mundo.

Mas talvez o mundo ainda não estivesse pronto para Bitter Weed, pelo menos era isso que ela pensava, com seu estudo veio o conhecimento, e assim que ela descobriu a história do seu reino, e de como sua mãe fugiu com seu pai para começarem uma pequena fazenda em um lugar distante de tudo aquilo que havia a perseguido no passado, ela sentiu-se enojada do que havia lá fora.

Porém o destino tem um jeito curioso de nos fazer engolir o que não queremos.

Bitter Weed estava trotando em um campo aberto, ao fundo, como se fosse uma paisagem pintada em um quadro estava um bosque longínquo. A brisa deliciosa e gentil do vento fazia carinho pelo seu corpo e fazia sua crina tremular de leve, fazia muito tempo que não dava uma boa volta por aí, até mesmo havia esquecido de como isso era revigorante.

Em seu alforje ela trazia consigo um livro de contos de sua mãe, algo que tinha um contraste enorme com seus livros sobre o estudo complexo dos fundamentos da magia e outras coisas totalmente não divertidas. Porém algo havia lhe deixado um brilho nos olhos, um dos contos, um dos seus favoritos por sinal, havia ocorrido a alguns quilômetros de sua casa. Seu coração bateu rápido com a ideia de haver algo lá que pudesse ter servido de inspiração para o autor do conto.

Será que ela, que adoraria escrever um livro daqueles, poderia achar algo lá? Por um momento, perdida no meio do campo e de seus pensamentos, ela podia até mesmo ver a cena do livro: a potra desviou de uma pedra em seu caminho, o que a fez mudar o ângulo de sua trajetória, e então uma porta de um tamanho aproximadamente três vezes maior que o de um pônei apareceu, como se o ângulo de que fosse observada fizesse a porta aparecer e desaparecer.

A porta era bela como se fosse esculpida pelos deuses, mas ainda assim tinha uma simplicidade mundana que quase a transformava em um paradoxo, a madeira era clara como o mais puro marfim, no topo de sua armação estava escrito algo, porém pela distância não conseguia distinguir o quê.

Então como se em um passe de mágica, a porta sem maçaneta que estava no meio do nada se abriu e um clarão cegou seus olhos.

Silêncio.

Bitter Weed sentiu seu coração palpitar, cheio de medo e curiosidade enquanto o conto e a realidade se misturavam em um só, já que a porta, assim como no conto, havia sumido, e alguns passos à sua frente, se fosse como no conto, estaria um viajante de um lugar muito distante, além das estrelas, além do possível.

Com passos tímidos, a égua verde pálido se aproximou cuidadosamente, o viajante, ou melhor, a viajante, já que podia ver que seu focinho tinha um formato bem arredondado e sua crina era rosada e bela demais para ser um garanhão, estava deitada e parecia desacordada sobre a grama.

Até agora nada, pensou Bitter que temia que algo totalmente aleatório acontecesse e lhe causasse algum mal, será que ela está bem? Ao se aproximar o suficiente, ela estendeu seu casco e cutucou a égua desacordada de leve em seu ombro.

“Ei bunda mole... acorda!”

Notas finais
Se você está gostando da história até aqui, e quer ler algo já completo e com várias páginas, leia: http://fanfiction.com.br/historia/542777/Sunshine_and_Butterflies/ Mais uma vez, muito obrigado.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.