Invisível aos olhos
30 Capítulo 30
Notas iniciais
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Meu corpo está pesado. Meus olhos estão fechados e lutam para abrir um pouquinho. A febre se alastrou pelo meu corpo e isso não devia estar acontecendo. Matthew não estava me curando? É possível que naquele breve momento que conversamos sobre escolha ele simplesmente não tenha percebido que eu estava mal?
Procuro dentro do armário de Matthew alguma coisa parecida com uma poção ou remédio, que possa me ajudar. Não enchergo muito bem, mas percebo uma garrafa que parece se água. Estou morrendo de cede. Levo essa garrafa até perto da cama e bebo tudo de uma vez, antes de sentir o gosto ácido.
Minha calça está apertada demais, e meus braços lutam com o cansaço para eu conseguir abrir o ziper e a puxar para baixo. Com muito esforço consigo tirar. Mas tenho que parar para respirar fundo. Eu não sei a quanto tempo estou sozinha, e eu nem posso mexer nas coisas, por está pressa a cama... Eu estou suando, e ao mesmo tempo estou com frio. Não sei como resolver esse mistério.
Sento na cama, me apoiando na parede, e consigo levantar a blusa. Meu peito não colabora para a retirada da peça de roupa molhada. Tento olhar para baixo e minha calcinha também está um pouco grudada. Provavelmente pelo suor. O sutiã eu tenho certeza que foi pela chuva. Meu braço dói só de virar um pouco para trás, para soltar a garrinha e me liberar. A calcinha é a peça que sai com menos dificuldade, assim que dobro as pernas.
Dor... Meus músculos doem. Minha cabeça dói. Minha vida dói. O ar ainda está desligado... Eu queria ligar. Está frio, mas está quente... Como isso pode está acontecendo? Coloco meu corpo debaixo do edredom e sinto minha cabeça pegar fogo. Já as minhas pernas e os meus pés estão tremendo de frio. Deus! O que eu faço agora?
Enrolo meu corpo no edredom e afundo meu rosto no travesseiro. Que cheiro... É muito bom... É relaxante. Cada vez meu corpo está mais pesado e eu estou inundada com o cheiro de seja lá o que eu esteja sentindo. Será que ele drogou o travesseiro para eu sentir o cheiro e não conseguir me mexer? Deito virada para a parede e não consigo ver muito mais que um pouco da fronha do travesseiro.
Fecho meus olhos e desisto. Não dá mais. Não aguento. Sinto meus dedos congelarem. Os dos pés e os das mãos. Ah... Que calor no pescoço. No rosto. No peito. Escuto a porta se abrir, mas não consigo gritar com seja lá quem entrou. Os passos chegam perto e eu sinto a cama balançar. A mão que toca meu rosto é a de Matthew. Eu consigo perceber. Só minha cabeça está para fora do edredom. Escuto o barulho do ar condicionado ligando e sinto um alivio.
Por que meu corpo inteiro não pode concordar em sentir só uma coisa?
— Ei, Cass. Vira aqui... Coloca o seu pijama. – Matthew me puxa e eu rolo muito devagar até o seu rosto parar um pouco acima do meu. Tremo de frio e meus olhos ficam semiabertos. – Deixa, eu, só... – Ele puxa o que está me cobrindo um pouco para baixo e trava. – É... Eu... Han...
— Hm... – É a minha melhor resposta. Espero que ele me ajude a sentar e coloque a blusa do pijama em mim, mas ele está apenas segurando o meu edredom um pouco a baixo, mostrando meu pescoço e um pouco da minha clavicula. – Faz... Alguma... Coisa... – As palavras saem sem pressa de mim. Eu estou com frio. Estou com calor. Não sei o que estou.
— Cass... Caralho! Eu sou homem, sabia disso?
— Han? – Melhor resposta de novo...
Seus dedos tocam devagar um pouco a baixo do meu pescoço, onde está a minha clavicula.
— Queeeente. – A palavra demora para terminar. – Não... Me... Toca... Ai...
— Está com calor? Então, por que se cobriu inteira? – Ele puxa o cobertor um pouco do lado e eu sinto minha coxa pegando a friagem.
— Friiiiiio. Está friiiiiio, Maaaatt. – Falar é muito dificil. Meu corpo rola para o outro lado, me fazendo encarar a parede de novo. – Muuuito friiiiio, Maaaatt.
— O feitiço... Me fará... Normal? – Eu não quero ficar sentindo multiplas coisas. Ou frio, ou calor. Pelo amor de Deus! Alguém escolhe!
— Feitiço? – Ele pergunta baixo, e a sua voz parece errada. Ou talvez seja eu. Sinto que ele está subindo na cama. – Eu... Eu vou... Er... Você está com frio em baixo e calor em cima... Foi isso?
— Hm...
Minhas costas estão descobertas. Na verdade, acho que estou completamente descoberta. Escuto a respiração de Matthew e ele parece estar falando alguma coisa. Consigo escutar o barulho de algo quebrando e o cara gritando um palavrão.
— Você resolve se embebedar justamente quando está doente? Qual o seu problema, Cass?
Então, aquilo não era remédio... Que pena.
— Certo, eu... Eu tenho que...
Seu peito encosta nas minhas costas e me queima na hora. Ele está tem camisa? Ele está? Hein? Por que ele não está com ela? Sinto o edredom se mexer e fico com menos frio na perna. Acho que ele me cobriu. Mas por que ainda sinto queimar minhas costas? Chego um pouco para trás, devagar, para tentar ouvir a voz dele que sumiu.
— Porra, Cass. Não se mexe assim! – Ao ouvir a sua voz em meu cabelo, eu paro.
Eu estou doente, Matt... Por que está aqui em baixo... Por que você é tão quente? Gosto de você ser quente. Sinto minhas pernas tremerem de frio e isso sobe até a minha barriga. O resto para cima está com calor. Deslizo uma das minhas pernas devagar e coloco entre as de Matt. Escuto o seu dente bater. Será que estou muito fria? Eu estou? Estou cansada... Muito cansada... E com dor... E com frio. E com calor.
Deslizo a minha outra perna para o mesmo lugar da primeira.
— Me... Es-esquenta... – Não sei se ele me escutou, mas sinto começar a passar o seu calor da perna para a minha. – Melhooor... Está... Bom...
Minhas pernas não estão mais com tanto frio, apesar de meus dedos do pé e da mão estarem congelados. Sinto um arrepio nas costas e um pouco de frio na bunda. Minha barriga se arrepia, enquanto, coloco uma das mãos para trás e tento segurar em Matt.
— Mão... – É tudo o que sai. Não sei exatamente como, mas ele me entende, e seu braço esquerdo me abraça pela cintura e segura a minha mão. Passando calor. – Melhor...
Tento chegar o corpo um pouco mais para trás, por que o toque em minhas costas parece ter sumido. Chego o quadril um pouco para trás e o tronco também. Sinto o troque de Matthew nas minhas costas e na parte de trás da coxa. Minha bunda continua com frio. Frio...
— Maaatt... – Minha voz é baixa e não sai direito. Tento virar o rosto um pouco, para conseguir ser ouvida. – Minha... Bunda...
Seu braço a minha volta, está com a palma perto do meu umbico e meus dedos estão entrelaçados com o dele, para se esquentarem. Minha outra mão está em baixo da minha cabeça, já que só sei dormir assim.
— Cass... Fica quieta. – Sua voz parece errada de novo. Ele segura minha cintura mais forte e respira fundo. – Vira. – Eu não consigo obedecer, então ele segura meu ombro e me faz ficar com a parte de cima do corpo virada para cima. Tento abrir um pouco os olhos, e seu cabelo preto está caindo em meu rosto. Faz cosquinha e eu sorrio. – Espero que você não se lembre de nada disso amanhã...
Seus olhos são faceis de identificar, mesmo no escuro. Mas não sei decifrar o que passa em sua mente. Ele os fecha e respira fundo. Sua boca para, levemente, sobre a minha e eu a abro um pouco. Sua respiração é quente, e quando sua lingua encosta na minha, trás arrepios para algumas partes do meu corpo. Engulo um pouco de saliva, devido a posição, e sinto isso me esquentar por dentro. Até meu dedinho mindinho do pé. Sua mão sai de perto do meu umbigo e sobre, até a lateral do meu peito de novo. A diferença é que não estou com o sutiã.
Espera! Isso... O que está acontecendo? Calma! Está muito... Não era para ser assim... Eu... Han?
Não sei bem como chego a isso, mas tento sugar um pouco a lingua dele. Pegar para mim. Isso está me mantendo aquecida em baixo. Em cima também. Estou com calor. O frio está sumindo. Finalmente. Seus dedos tiram alguns fios de cabelo que ficou entre nós, enquanto a outra mão de Matthew está segurando direito o meu peito. Sua mão desce pela minha pele e toca em meu quadril. Finalmente sinto o frio na bunda diminuir. Elevo meu braço devagar até seu pescoço e seguro em seu cabelo o puxando mais para mim.
— Você... – Minha tentativa de falar, faz com que ele pare de se mexer. – É... Tão... Quente...
— Porra, Cass. Eu juro para você que eu não... – Matthew respira fundo e vira o meu corpo inteiro para ele, me fazendo mexer mais ainda. Meu corpo não está doendo mais como antes.
— Hm...
Eu solto uma espécie de ruido, por estar tendo que fazer esforço. Meu rosto para em seu peito e eu o sinto subir e descer. Minha mão toca perto do seu coração, bem na pele, e vai descendo, procurando a temperatura mais quente. Meus dedos param no último pedaço de pele que encontro. Logo depois tem algum tecido, então o seguro ali. Cansada. Ainda bem... Estou com frio... Ele está de cueca. Ainda bem... Não consigo coordenar meus pensamentos... Meu nariz está gelado e eu tento aquecê-lo enfiando o rosto em seu peito. Minha perna sobe na sua e recebe um pouco de calor.
— Cass... A sua... Você está me segurando muito perto... – Escuto o eco de sua voz, pelo seu peito. Que sobe e desce... E sobre e desce...— A sua perna está abrindo muito... Eu...
Então, eu fico parada. Cansada, sem saber como me mexer, e me aquecendo um pouco melhor. O frio está passando. Porque ele só sabe reclamar? Sou eu quem está com frio aqui!
— Dor... Cabeça...
Matthew toca em minha testa com os dedos, e alivia, e muito. Mas meu corpo ainda está muito tenso e pesado. Mexo um pouco o meu tronco, e deito um pouco mais confortável, nele.
— Obrigada, Matt... Bons sonhos... – Fecho os olhos devagar e vou perdendo todos os sentidos. Por último a audição.
— Como se eu fosse conseguir dormir desse jeito...
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