Invisível aos olhos
40 Capitulo 40
Notas iniciais
Voar é algo extraordinário. Não é como se eu realmente pudesse desfrutar desse momento. Algo no jeito de Gaelle me faz excluir os pensamentos negativos, e realistas, da minha vida. Nunca voei assim antes. E duvido que eu conheça alguem que já tenha voado dessa forma. Uma coisa é avião, ou helicóptero, onde você está tecnicamente seguro. E outra coisa é voar em cima de um dragão, sem segurança nenhuma.
A cidade de Ohio nunca me pareceu tão bonita quanto agora.
Leonardo da Vinci já falou algo sobre voar... O que era mesmo? Quando você tiver provado a sensação de voar, andará na terra com os olhos voltados para o céu, onde esteve e para onde desejará voltar.
Estando aqui em cima, vendo as pequenas luzes lá em baixo, também vejo o lago, e alguns rios. As casas e prédios parecem tão insignificantes, e as pessoas... É como se não existissem. Sei que há alguém que pode nos ver. Se for do Outro Lado, terá como nos ver. Mas, e dai?
Sinto meu cabelo voar, e vejo que meu vestido está todo amarrotado e com algumas manchas de sangue. Não sinto dor perto do pescoço, no entanto, sinto dois buracos, onde os dentes do homem deve ter me perfurado. O vestido de “empregada” começa a subir e só então, quando coloco a mão para pará-lo, percebo que estou caindo.
Não estou mais em cima de Gaelle. Não estou mais voando. Eu estou caindo, daquela altura. Não sei quantos metros estou acima do chão... Tenho certeza que mais de um quilômetro . O vento tampa os meus ouvidos, enquanto tento olhar para cima, onde estaria meu dragão. Você não tinha que me proteger?
Bem distante de mim, Gaelle também está caindo, em sua forma humana. Primeiro, noto seu rabo, só depois percebo que ambas estamos no ar. Como humanos. Sem paraquedas.
Eu grito.
Afinal, não tem mais o que fazer. Então, me apavoro.
Gaelle também grita. Parece que ela está mergulhando, pois ela chega perto de mim ainda caindo. Vejo nossas mãos se entrelaçando, enquanto olhamos uma para a cara da outra e gritamos. Mas não por medo.
Estamos gritando enquanto rimos. Enquanto caímos sem possibilidade de diminuir a velociade. Enquanto meu vestido sobre. Enquanto nossos cabelos ficam na nossa cara. É divertido. Não é como se estivéssemos vendo nossa vida diante dos nossos olhos. Isso é assustador, ao mesmo tempo que é divertido. A adrenalina que está em nossas veias é tão grande a ponto de rirmos a tantos metros de altura.
— Se transforma! – Eu grito, olhando para baixo e vendo o mundo mais de perto.
— O que? – Ela grita de volta.
— Vire dragão!
Gaelle nega com a cabeça, ainda segurando a minha mão.
— Não dá! – Não escuto o seu grito, apenas leio seus lábios.
— Como assim? Não dá? – Minha mão solta da dela e nos distanciamos um pouco. Suficiente para não conseguirmos nos tocar. – Faz alguma coisa!
— Estou com muita dor! – Ela toca no braço e tudo volta a minha mente.
Foi ali que Estratos a acertou. Gaelle estar fora do quarto irrastrável significa que o cara que quer me matar pode aparecer a qualquer momento. Fomos inconsequentes por estar fora de nossa segurança a essa hora da noite. E no meio do nada. Sozinhas. Caindo.
Não consigo voltar a gritar. Olho para baixo e vejo tudo vindo em minha direção. Quando chegarmos ao solo, morreremos. Daremos com a cara no concreto. E morreremos.
— O que diabos vocês estão fazendo?
Olho para frente, e Said está parado entre nós duas de braços. Ele não está caindo, como a gente. Está apenas descendo. Em pé. Consigo ver as olheiras em baixo dos seus olhos e isso mostra o quanto vem trabalhando. Chander está com ele. Eu acho. Nas suas costas... Ao menos, eu consigo ver uma foice. Se é meu irmão fantasma, já não sei.
Said olha para baixo e nega com a cabeça.
— Vamos para casa...
Ele segura cada uma de nós por um braço e então entramos no portal transdimencional. Assim que vejo a luz, onde será o quarto de Said, ele para de voar e me solta. Caio de joelhos em um chão colorido e olho para cima.
— Vai para a casa de Willian. Ainda não posso ficar te protegendo. E ficar perto dela... – Said olha para a minha familiar. – Está sendo mais perigoso, do que seguro.
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— Eu queria saber se tudo isso foi um sonho.
Assim que falo, percebo que não estava apenas pensando. Eu acabei de sair do portal, e estou no corredor. Na frente da porta do Matthew.
— Não foi. Se fosse um sonho, não seria tão doloroso.
É Amon quem me responde. Eu olho para o lado e ele está com um copo d’água e apenas uma bermuda, me olhando. Esses garotos não sabem se comportar com uma garota em casa? Isso já vai fazer uma semana amanhã! Não sei bem se está mais espantado com a minha roupa ou o meu pescoço, mas assim que ele franze o nariz, sei que sentiu o cheiro do meu sangue.
Amon dá um passo, mas para, parecendo incerto. Ele estica a mão até minha clavicula e seu toque é quente. Eu sei exatamente onde ele está passando os dedos. Tento desviar, mas então sua mão segura a minha, com cuidado para não deixar cair a água do copo.
— Se Willian perceber isso... – O seu sussurro é alto demais, mas Amon não parece ligar. – Onde você encontrou um sangue-suga? – Ele olha para o meu vestido de “empregada” e balança a cabeça. – No trabalho... Você não pode mais ir ao trabalho.
— Como se eu tivesse escolha! – Rebato, tirando a sua mão da minha.
— Você atrai o sobrenatural... Fico pensando em como o seu “guardião” cuidou de você esse tempo todo. Provavelmente, você tentava se matar a cada passo.
— Você nem acreditaria que eu estava caindo do céu até poucos minutos... – Sussurro e me surpreendo quando Amon dá um passo para trás. Audição canina... Eu sempre me esqueço.
Ele segura em meu braço e me vira para a porta de Matthew. Depois de bater algumas vezes, ele respira fundo e volta a bater. Será que Matt realmente não está ouvindo? Amon passa a usar força bruta, empurrando a porta, no entanto ela continua fechada. Parece até intocada.
Ele está começando a se irritar... Coloco a mão na maçaneta e a viro. Calma consegui? Empurro a porta e Matthew olha para o homem que está entre nós dois. Ele está deitado na cama, com um livro na mão e um lapis na outra. Ele é do tipo que faz anotação em livros? Quem diria...
— Pirralho, venha cá.
Matthew apenas olha para o loiro e volta a ler, como se a irritação do irmão não fosse nada demais. Amon me empurra para dentro do quarto e eu quase caio.
— Confira a saúde dela agora. Cass acabou de ser atacada por um vampiro.
Isso faz com que o moreno indiferente reaja. Matthew levanta e vem até onde estou. Notando ou ignorando a presença de Amon, o garoto puxa a minha mão e depois segura a minha cintura. Ele me beija rápido, enquanto toca em meu pescoço. Um pouco acima a mordida.
— Não é possível...
Quando me solta, eu cambaleio para fora do quarto e Amon me segura.
— O que houve? Ela está morrendo de novo? Aquele sangue-suga drenou a Cass? – A raiva do homem loiro que me segura é evidente. Como se Amon já tivesse brigado com um vampiro antes.
Matthew parece chocado. Uma de suas mãos está em sua boca, como se sentisse esse beijo apressado. A outra mão está a sua frente como se não entendesse o que vê.
— Ei! Fala alguma coisa, pirralho!
— Ela... Está bem. Muito bem, para falar a verdade. – O garoto dá alguns passos chegando mais perto de nós dois, mas Amon coloca o braço entre nós. – Eu não sei a atacou... Se eu fosse apenas olhar para essa marca no seu pescoço... Mas quando olho para a sua vida... É como se...
— Nós fizemos uma troca. – Digo o que me foi dito por aquele homem de preto, no beco. – Nada mais, nada menos.
— Vampiros não são bons, Cass. – Amon vira o rosto para trás, e eu vejo os seus olhos azuis claros, um pouco apagados.
— Foi uma conhecidencia o homem estar se curando no beco atrás do meu trabalho... Bebendo do pescoço da minha chefe.
Os dois irmãos ficam quietos, e como se combinasse saem da porta do quarto para o corredor. Os dois descem as escadas correndo e então, mesmo eu estando no segundo andar, consigo os ver encarando a mãe que estava em pé perto da cozinha.
— Foi você, não foi? – Matthew parece a ponto de apontar um dedo na cara da própria mãe. Não é assim que costumam se comportar na frente de Pam.
— Não existem conhecidências! Você nos ensinou isso antes mesmo de ensinar-nos a falar! – Amon dá um passo em direção a mãe e depois parece indecisso.
— O que você ganharia com isso, mãe?
Meu irmão não está na sala. Não sei onde ele está. Também não vejo Tom. Caleb e Dylan devem estar enroscados em algum rabo de saia, por ai. Pamela olha para cima e me vê. Sorri de uma forma simpática, quando percebe a minha roupa e assim que vê o sangue, ela concorda com a cabeça. Como se estivesse dizendo “entendi”.
— Cassandra queria voltar logo para a própria vida. Quando percebi que o caminho que ela terá que pecorrer era longo e escorregadio, fui olhar a linha da vida dela. Acontece que... Bem... – Pam dá de ombros. – Por algum motivo, durante o passado dela, houve muitos acidentes. É comum que ela se machuque.
— Você não podia empurrar um vampiro para cima dela! – Amon grita e sua mãe apenas continua a sorrir. Ela não parece brava por eles agirem assim.
— Realmente... Um ser despressível como aquele pode ser um tanto irresponsável. Mas ela não estava sofrendo nada perigoso. Nada fora do comum. Se o Shinigami estivesse lá...
— Ele não pode estar comigo no momento. – A interrompo e os garotos olham para a minha direção enquanto desço as escadas. – Said está trabalhando e não pode ser meu guardião em tempo integral mais.
— Bem... Se ele estivesse, tenho certeza que não teria sangue espalhado pela sua fantasia.
Ao falar fantasia, percebo que Matthew está me olhando de cima a baixo. Não sei se ele não percebeu antes, mas agora parece envergonhado. Amon também.
— Eu não sei quem era aquele homem, mas apesar de ter sido estranho... E a mordida ter doído, eu não estou me sentindo mal.
— Por que não está, querida. – Pam estica o braço e eu ando até ela, onde a mulher me abraça, como a minha mãe fazia. Eu acho que sentia falta de ser abraçada assim. — Por que não toma banho e tira essa roupa? Não é como se você precisasse ouvir a nossa conversa.
— Não! – Os dois garotos falam ao mesmo tempo, na minha frente. Eu também ia dizer não... Quero entender por que não foi conhecidencia.
— A Cass não vai sair mais do meu alcance. – Amon passa a mão no cabelo loiro e isso me faz perceber que seus músculos da barriga estão se precionando.
Eu tenho que admitir que ele é muito bonito, e esse corpo... Se ele fosse um pouco mais... Amigável, eu tenho certeza que conseguiria uma namorada. Apesar de que mesmo sem a parte amigável, eu acho que ele conseguiria... Deve ser aquele trauma com a garota que Tom falou...
— Não preciso disso. – Digo fria. Eu sei que é para o meu bem, mas eu não quero isso. Mal conheço Amon. Posso não acreditar que ele matou a namorada, mas isso não significa que ele não me mataria em um momento de fúria. E ele já quebou o meu pulso, só por eu surpreendê-lo. — Não quero nada que venha de você.
Amon não parece se abalar. Ele apenas cruza os braços, como se o que eu estivesse falando fosse besteira.
— Senhora Pam... Como eu faço para ficar segura? Sem ter esse aí na minha cola? – Olho para cima, ainda sendo abraçada pela esposa de meu irmão. Que teria idade para ser a minha mãe. Ou talvez minha avó... Não sei a idade de Pam.
— Ah... Você só precisa não ficar sozinha. – Ela me solta e anda até a bancada da cozinha. Quando volta está com um livro preto nas mãos. – Olha aqui... Essa é a sua vida. Eu estava agora mesmo lendo.
— O que? – Apesar de eu estar impressionada, os garotos não parecem estar nem um pouco surpressos. – Como assim?
— Esse é o seu diário. Fala sobre tudo da sua vida. – Pam abre e me mostra onde ela estava lendo. – Olhe aqui. – Ela aponta para uma frase. Assim como o resto da folha, está escrita com lápis. “Me alimentei... Engraçado você falar isso. Já que você atrapalhou minha refeição.” – Fui eu quem escreveu. Divertido, não?
Ela pode fazer isso? É isso que uma Norn é? É claro que nunca ouvi falar disso antes de Billy me contar a respeito, mas é impossível. Um diário que diz o futuro? Um diário que conta a minha vida antes dela acontecer? Um diário que pode ser alterado?
Pam sorri para mim e vejo que os filhos dela não estão nem olhando para o diário, como se não pudessem. Ela é um monstro. Como todos eles.
— Então, você poderia escrever que estou curada e pronto. Não é? Pode escrever que Estratos não está atrás de mim, e que eu nem sofri o acidente.
— Ah, claro. Está dizendo daquele Shinigami mutante que está atrás do equilibrio do mundo, que meu filho que se acha o “sabe tudo” irritou ao trazer a irmã do meu marido de volta dos mortos? – Pam fecha o livro e coloca de baixo de um dos braços. – Sendo sincera, posso rescrever a sua vida desde que você existe, no entanto, se não for uma boa escrita, com continuidade, a folha apenas volta para o original.
— Nossa mãe não é boa escritora.
— Deve ser por isso que casou com meu pai. – Matthew parece rancoroso, mas prefiro não comentar.
— Claro que não foi. Existem melhores escritores por ai. – Digo rindo. – Meu irmão não é tão bom assim. – Dou de ombros. – Você não pode fazer nada para me ajudar então?
— Além de descobrir sobre a sua familiar que tem um pedaço da sua alma e serve de farol para o caçador de almas? – Isso quer dizer que ela sabia... — Bem, o sangue que o vampiro te deu... Ele ajudou não foi?
— Sangue de vampiro cura? – Pergunto. – Aquele homem foi controlado por você?
— Serei franca, Cassandra. Eu não controlei as atitudes dele. Além daquela frase. – Ela sorri. – Eu só o fiz se encontrar com você. Não escrevi que ele te daria do próprio sangue. Eu achei que ele perceberia quem você era e iria achar um humano para você beber e...
— O que? – Amon grita, nos fazendo nos lembrar de sua existencia.
— Cass não é uma vampira, mãe. – Matthew dá um passo para frente, ficando mais próximo de nós duas. – Por que ela beberia sangue.
— Com tanta sabedoria não sabe sobre isso, Matthew? – Pamela olha para mim com espectativa. Ela quer que eu conte o que o vampiro me disse, não é?
— Era com sangue que algumas pessoas se curavam antigamente... – Aponto para o meu pescoço. – Como eu disse, ele sugou o meu e me deu o dele. Acho que não conta, já que ele não era humano. Mas ele disse que tinha bebido o suficiente para dividir.
— Vampiros não dividem. Muito menos assim. – Amon passa a mão no cabelo de novo, como se sentisse o meu cheiro de sangue.
— Isso quer dizer que não preciso mais do tratamento de Matt? – Pergunto para Pam e vejo que o garoto em questão parece apreensivo. – Ele disse que já estou bem melhor e...
— Eu fiz isso por você, Cassandra. – Pam apoia as duas mãos no meu ombro e me faz virar para encará-la. – Você não está curada, mas está melhor que antes. Contanto que continue bebendo sangue de humano você...
— Ela não é uma porcaria de vampiro, mãe! – Amon grita, fazendo com que eu vire o meu rosto para encontrar os seus olhos azuis.
— Acho que deixei os dois se expressarem demais para uma noite. – Pam fala lentamente, e eu vejo os olhos de Amon se expandirem. – Eu acho que vocês devem voltar para seus respectivos quartos agora.
— Espera. – Falo baixo e respeitosamente, não quero que o medo que Amon sinta passe para mim. – Isso quer dizer que posso ir para casa?
— Tem alguém na sua casa para você beber o sangue? – Pam passa a mão por seu cabelo castanho longo e então me olha esperando a resposta. Nego com a cabeça. Não quero me alimentar como um vampiro. Não quero virar um monstro também. – Então, fique aqui por enquanto. Quando você tiver seu recipiente de sangue, pode ir. Até lá Matthew cuidará da sua saúde.
Olho para Matthew que parece quieto e indiferente novamente.
— OK... Podem ir. – Digo olhando para os dois. Sei que estou sendo fria de novo. Sei que eles queriam me ajudar, mas é assim que Matthew prefere ser tratado quando não estamos sozinhos. Já que é assim que me trata. – Eu vou esperar Tom, assim não fico sozinha.
— Tom foi dormir na casa de um amiguinho. – Pam me faz olhá-la. – Você me fez ver que ele precisa de laços para querer continuar por aqui.
Isso quer dizer que ela sabe sobre Tom querer ir comigo para o Canadá. E é contra?
— Você pode vir para o meu quarto.
Eu não esperava que Amon dissesse isso. Não esperava mesmo. Amon é bom em ensinar luta. Mas não parece ser bom com palavras. Ou comigo.
— Vá para o quarto sozinho. – Sou grossa novamente e assim que digo as palavras, vejo Pam levantando a mão.
— Vão para seus quartos. Cassandra passou por coisas de mais para um dia. – Ela me olha como se esperasse alguma coisa. – É bom você não dormir sozinha essa noite.
Os garotos parecem não ter permissão para continuar ali, então batem em retirada antes mesmo da mãe deles dizer onde eu vou dormir. Quando eles fecham a porta, Pam volta a me abraçar, como uma mãe e então me solta e olha a minha roupa.
— Vá tomar um banho quente, depois durma com Amon. Eu diria que pela diferença de idade, ele seria o que se comportaria melhor, mas... Com os filhos que tenho, sei que nenhum se comporta bem perto de você.
— Você sabe disso? – Eu disse isso alto?
Pam ri tampando a boca com a mão.
— Desculpa-me, eu li um pouco demais o seu Livro. Não queria dizer nada sobre os meus próprios filhos.
— Eles estão no meu futuro?
Ela parece não saber se diz ou não. Então, ela acena para mim. O que isso quer dizer? Começo a subir as escadas para ir ao quarto de Tom pegar meu pijama.
— Menina?
Olho para baixo, onde Pamela continua parada com o meu Futuro nas mãos.
— Oi?
— Você é fria, e por conhecidencia, ele ama o inverno.
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