Invisible Play - Cursed City
12 Tarefas
Notas iniciais
Takeda pula sucessivamente em direção ao céu enquanto cria plataformas de mana para suportar o seu peso. Ele avista uma matilha de cães descansando à sombra da muralha de Masteam. Takeda concentra uma grande quantidade de mana na sua mão e dispara um projétil. A esfera de energia cai no meio do grupo de monstros e explode, desintegrando tudo num raio de cinco metros. Ele observa o seu inventário e percebe que já conseguiu a quantidade de carne que procurava:
—Ainda faltam cinquenta minutos até a hora de voltar para o acampamento. -Suspira ele entediado. -Achei que fosse conseguir distrair-me um pouco matando os lobos, mas acabei apenas por ficar com tempo livre demais...
Takeda continua criando plataformas de mana enquanto sobe cada vez mais alto. Ele senta-se numa das plataformas e consegue ver Sasesu e Lizzy pequenos como formigas no chão. Os dois discutem enquanto observam um cacto. Takeda tira o seu celular do seu bolso e liga para Lizzy:
—Oi, Takeda, aconteceu alguma coisa?
—Eu esqueci de dar uma dica: tente ver como os animais interagem com o cacto. Eles não vão tentar comer um cacto venenoso.
—Muito obrigada! Vou ter isso em mente partir de agora. Como vão as coisas do teu lado?
—Ainda não consegui achar os lobos, mas vi algumas pegadas então não deve faltar muito.
—Tudo bem, vamos tentar ser rápidos aqui então. Tchau, tchau!
—Adeus.
Daquela altura a vista de Masteam não é horrível, talvez por não conseguir ver com nitidez os detalhes ou por tudo estar banhado na luz dourada do sol:
—Sentado no trono artificial da cidade fantasma. -Pensa Takeda em voz alta. -Ajudando crianças a sobreviverem...por quanto tempo vou continuar brincando de casinha?
O seu telefone toca e Takeda move-se para atendê-lo achando que fosse Lizzy, mas o nome exibido na tela é outro. Um sorriso cruel surge no seu rosto:
—Sim?
—Em uma semana vários membros do alto escalão de Kepler e Euler juntamente de LionHeart vão se reunir. -Diz a voz do outro lado. -Eu aconselharia que você não causasse mais problemas antes disso. Já foi difícil o suficiente esconder a bagunça na prisão de alta segurança Tártaro.
—Sim, eles se empolgam demais às vezes, mas quem pode culpá-los? Carregando tanta fome e tão próximos da refeição mais saborosa das suas vidas.
—Você e o seu complexo de deus. -Ri aquele ser. -Era só isso que tinha para dizer, pode não parecer, mas sou um homem muito ocupado.
—Sim, lamber os pés do rei deve gastar bastante tempo.
—Não me provoque muito. Quanto tempo o teu plano duraria sem a minha ajuda?
—Não precisamos brincar de amigos, nós dois sabemos o que vai acontecer no instante em que o plano funcionar. -Responde Takeda.
—Sim, mal posso esperar para expor a tua cabeça pela cidade enquanto sou aclamado como o herói que salvou o continente.
Takeda gargalha até quase ficar sem fôlego:
—Eu vou gostar de ver você tentando.
A ligação desliga e ele percebe que ainda faltam dezenas de minutos até a hora marcada por Lizzy. Takeda apoia as suas costas contra a plataforma de mana e estende os seus braços:
—Tenho que arranjar alguma coisa para fazer durante essa semana ou vou morrer de tédio...
Não muito longe dali, Sasesu e Lizzy continuam coletando cactos:
—Esse tem umas partes faltando. -Aponta Sasesu.
—Sim, parecem bicadas de pássaros então não deve ser venenoso. -Diz Lizzy.
—Será que não dá para distinguir pelo cheiro ou pelo tamanho?
—Pelo o que eu sei, existe mais do que uma espécie que é venenosa e o cheiro também não é um bom critério. Nem todo veneno tem cheiro.
—Bom ponto...
Eles continuam andando enquanto tentam basear a escolha de cactos em motivos lógicos, mas a falta de informação dificultava o processo. Lizzy abre o seu inventário e observa a quantidade que coletou:
—Talvez isso seja o suficiente.
—Ufa, ótimo. -Suspira Sasesu. -Ficar andando embaixo desse sol quente não é nada fácil. Ainda falta algum tempo até a hora combinada. Se formos rápidos talvez consigamos chegar lá primeiro que Takeda.
Os dois deslocam-se com alguma velocidade, mas ao chegar no acampamento encontram o restante do grupo reunido à volta da fogueira assando carne:
—Você foi rápido, Takeda... -Diz Sasesu um pouco decepcionado.
—Eu dei sorte, logo depois de desligar eu consegui achar uma matilha.
—Como todo mundo já está acordado, podemos começar a falar sobre o que vamos fazer hoje. -Sugere Lizzy procurando um lugar para sentar. -Temos dois objetivos: continuar explorando Masteam e visitar uma ilha ao sul para conseguir água e comida.
—Vão haver monstros na ilha? -Pergunta Kurokawa com o seu típico mau humor matinal.
—Sim, vamos precisar-
—Eu vou para a ilha então, mas é melhor vocês explorarem a cidade de verdade dessa vez! E não ficarem brincando por aí! -Diz ele interrompendo Lizzy.
—Imagina levar sermão do Kurokawa, a que ponto a minha vida chegou... -Resmunga Sasesu.
—Eu acho que precisámos de mais uma pessoa para ir a ilha, não é uma boa ideia deixar Kurokawa ir sozinho. -Continua Lizzy.
—Parece interessante, eu topo. -Intervém Kaiser ainda um pouco sonolento.
—HA? Eu prefiro muito mais ir sozinho do que com o Sr. Perfeito aqui. -Reclama Kurokawa.
—Kurokawa, vocês precisam trazer água, frutas e carne para vários dias. -Explica Lizzy. -Não só é conveniente ter mais pessoas para conseguirem trazer mais coisas, como você provavelmente esqueceria o que foi lá fazer se fosse sozinho.
—Que seja então! Não me culpe se ele não conseguir me acompanhar!
—Kurokawa e Kaiser vão a ilha enquanto eu, Takeda e Sasesu continuámos explorando Masteam, vocês concordam com isso?
O grupo responde de forma positiva e entusiasmada com a exceção de Kurokawa:
—Ótimo! Hoje vai ser um dia produtivo! -Sorri Lizzy mordendo um pedaço de carne com pão logo em seguida. -Isso está surpreendentemente bom!
—Eu ainda tinha alguma pimenta e sal, mas já acabou. -Responde Takeda. -Se vocês trouxerem água do mar, dá para pelo menos conseguir sal.
—Tudo bem, não vou esquecer! -Sorri Kaiser.
O grupo termina de comer, apagam a fogueira, guardam as tendas e começam a se moverem em direções diferentes:
—Até mais tarde! -Se despede Lizzy.
—Se cuidem! -Responde Kaiser.
Kurokawa encara Kaiser com algum nojo:
—O que foi? -Pergunta ele não entendendo a repentina hostilidade.
—Tch, tanto faz, vamos logo. -Diz Kurokawa começando a correr.
Kaiser ajusta-se a velocidade de Kurokawa sem muita dificuldade. Kurokawa percebe isso e acelera o passo. Kaiser esforça-se um pouco mais para acompanhá-lo, mas Kurokawa não tem a intenção de deixar isso acontecer. Os dois continuam nessa brincadeira até rapidamente chegarem na praia. Ambos estão suados e respiram ofegantemente:
—Você...não acha que...viemos um pouco...rápido demais...? -Pergunta Kaiser tentando recuperar o seu fôlego.
—Claro que... não... eu estou...totalmente... -Antes de terminar a sua frase o corpo de Kurokawa colapsa na areia.
Kaiser aproxima-se e entrega-lhe um pouco de água que tinha recebido de Lizzy durante o almoço:
—Aqui, bebe um pouco.
Kurokawa observa Kaiser com ódio nos seus olhos, mas ele sabe que não vai ser capaz de se mover caso não se hidrate um pouco. Ele hesita durante alguns segundos, mas logo em seguida toma a garrafa da mão de Kaiser e tenta beber tudo. Kaiser é rápido o suficiente para pegar a garrafa de volta e salvar um pouco de água:
—Hey! Essa é a toda a água que temos até encontrarmos mais na ilha!
Kurokawa se levanta e começa a caminhar em direção a ilha:
—Não é problema meu.
—Claro que é... -Suspira Kaiser.
O mar parece estar especialmente agitado e eles rapidamente percebem que essa não será uma tarefa fácil. Mesmo nadando o mais rápido que podem, Kurokawa e Kaiser quase não se afastam da costa:
—Hmnn, isso não vai dar certo. -Comenta Kaiser parando de nadar.
—Você já vai desistir? -Ri Kurokawa. -Patético!
—Guia do Mochileiro! -Diz Kaiser ativando uma habilidade e projetando uma prancha de surf.
Ele deita-se em cima da prancha e começa a se impulsionar com os seus braços:
—Você realmente acha que isso faz alguma diferença? -Provoca Kurokawa. -Você não vai conseguir-
Kurokawa percebe que tinha se distraído sendo esnobe e que Kaiser já tinha deixado-o para trás:
—Ei!! Não me ignore enquanto eu estou falando!!! -Grita ele acelerando o ritmo a que nada para alcançar Kaiser.
—Mas você sempre faz isso. -Responde Kaiser se movendo ainda mais rápido com o auxílio de mana.
A distância entre os dois continua a aumentar mesmo que Kurokawa esteja a fazer o melhor que pode para nadar rápido. Ele rapidamente atinge o limite da sua paciência e grita:
—Volta aqui!!!!
Uma explosão acontece muito próxima ao seu corpo impulsionando-o na direção de Kaiser. Mesmo sem entender o que aconteceu, Kurokawa não perde a oportunidade para agir. Ele cria uma corda de mana na forma de um laço e a arremessa contra Kaiser. Kaiser tenta acelerar para sair do alcance da corda, mas a velocidade com que a corda voa ainda é o suficiente para alcançá-lo. Kaiser desiste e deixa o laço prender-se à volta do seu tronco: Kurokawa gargalha achando que tudo o que tinha de fazer agora era ser levado por Kaiser até a ilha:
—Se você quiser carona vai ter que pagar uma taxa! -Sorri Kaiser segurando a corda de Kurokawa.
Kurokawa imediatamente sente uma sensação desconfortável atravessar a corda e correr o seu corpo:
—Maldito!! O que você está fazendo?
—Projetar essa prancha e impulsionar o peso de duas pessoas gasta mana! Eu estou roubando de você metade da mana que estou gastando!
—E quem te disse que você tinha permissão para fazer isso? -Grita Kurokawa irritado.
—Você pode soltar a corda a qualquer momento, não estou te forçando a vir comigo.
—Moleque metido...
Kaiser começa a atingir o limite da sua paciência após ter tido que aturar Kurokawa durante alguns dias. Ele se irrita com o comentário e bruscamente vira a sua prancha. Isso faz com que Kurokawa seja girado pela corda ficando alguns instantes submerso:
—Ah, desculpa...tive que desviar de uma alga... -Mente Kaiser.
Kurokawa estabiliza a sua posição com alguma dificuldade e consegue manter a sua cabeça fora da água. Ele imediatamente começa a sacudir a corda tentando derrubar Kaiser:
—Para com isso! Se eu cair nós dois vamos perder tempo!
—Não ache que pode mexer comigo e sair ileso!
—Meu deus!!! Você é tão irritante!
—Cale a boca!! Você que é!!
Distraídos gritando um com o outro, eles não percebem a presença de um monstro aquático se aproximando. De um momento para o outro, um tubarão com vários metros de comprimento abre as suas mandíbulas na superfície da água e começa a nadar ferozmente na direção da dupla. Kaiser instintivamente faz uma curva com a prancha enquanto puxa Kurokawa, fazendo-o ganhar mais velocidade. Ele termina um arco com a sua trajetória quando está próximo o suficiente do monstro.
Infelizmente ele não tem alcance para atingi-lo com um ataque, mas esse não era o seu plano de qualquer forma. Ele utiliza a corda para arremessar Kurokawa contra o monstro. Kurokawa sente-se extremamente insultado em ser usado daquela forma, mas por não ter outra opção, desconta a sua raiva no monstro e não em Kaiser. Ele soca a lateral da mandíbula do tubarão com força o suficiente para quase tirá-lo da água. Os dois param um pouco e observam o monstro atordoado e com dificuldade em voltar a nadar:
—Será que a carne disso é boa? -Pergunta Kaiser.
Kurokawa sorri de uma forma sinistra:
—Eu tenho uma ideia melhor...
Ele aproxima-se do animal, sobe em cima das suas costas e prende a corda à volta da sua boca na intenção de usá-la como uma rédea:
—Isso é um monstro selvagem...você realmente acha que isso vai dar certo?
—Senta e assiste.
O tubarão parece estar recuperado do último ataque e rapidamente começa a tentar tirar Kurokawa das suas costas. Ele é atingido por outro forte soco de Kurokawa e para:
—Vamos! Em frente! Agora! -Ordena Kurokawa apontando.
O monstro finge não saber com quem Kurokawa está falando até novamente ter um punho afundado no seu corpo. Ele lentamente começa a seguir as ordens de Kurokawa:
—Viu? Domesticado.
—Você é um pouco assustador...
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