Invisible Play - Cursed City
2 Herói e Vilão
Notas iniciais
—Eu e Lizzy conseguimos manter a sentinela distraída durante cinco minutos, vocês dois acham que conseguem derrotá-la nesse tempo? — Pergunta Sasesu.
—Sim! -Responde Kurokawa.
—Não. -Responde Takeda. -Mas não precisamos derrotá-la, se conseguirmos fazer um bom corte numa das pernas dela, a sentinela não vai conseguir nos perseguir.
—Vai ser fácil! -Continua Kurokawa expressando quantidades anormais de confiança. -Eu vou concentrar toda a minha mana num ataque e BOOM! A sentinela vai ficar sem uma perna!
—Isso não vai funcionar, a sentinela tem uma resistência muito alta a mana. -Explica Takeda. -Devíamos usar mana para aumentar a nossa velocidade e desferir o ataque físico mais forte que conseguirmos.
—Projeteis se aproximando! -Diz Lizzy percebendo que o inimigo realizou outro ataque. -Eu vou espalhar fios para facilitar o nosso movimento, Sasesu. Kurokawa e Takeda, vou tentar deixar a vossa presença mais fraca.
—Tudo bem. -Responde Sasesu.
—Vamos lá! -Sorri Kurokawa.
—Arte Ninja — Manipulação de fios! Arte Ninja – Passos Ocultos!
Lizzy e Sasesu ajudam-se a esquivar-se dos ataques da criatura enquanto Kurokawa e Takeda procuram por uma oportunidade para atacar. Kurokawa vê a sentinela se preparando para lançar mais projéteis e pensa que achou uma abertura. Ele pega impulso, espalha tatuagens brancas pelos seus braços e desfere um golpe com toda a força que tem em um dos pés da sentinela. O monstro casualmente move a sua perna e desvia. Kurokawa perde o seu equilíbrio após errar o seu ataque e vê-se perigosamente perto da sentinela:
—Sai daí, Kurokawa!!! -Grita Lizzy.
Um raio vermelho de mana é disparado dos olhos do monstro, mas no último segundo antes do impacto, Takeda pula e tira Kurokawa da trajetória do ataque. Sasesu e Lizzy fazem o melhor que podem para atrair a atenção da sentinela enquanto Kurokawa e Takeda utilizam essa oportunidade para se afastarem:
—Eu sei que você fica animado nesse tipo de situação, mas você precisa levar isso a sério. -Comenta ele irritado com Kurokawa. -Você teria morrido se tivesse sido atingido.
Kurokawa suspira e troca a sua expressão descontraída por uma irritada:
—Você é tão chato…essa luta não tem sentido se eu não estiver me divertindo.
—Você só pode se divertir se estiver vivo. -Continua Takeda. -O teu ataque foi bom, mas você está sendo impaciente. A sentinela demora alguns segundos para disparar aquele laser vermelho, a próxima vez que ela fizer isso nós vamos atacar.
Kurokawa presta atenção no que Takeda diz, mas concordar abertamente com a sugestão de outra pessoa não é algo que ele faria:
—Amigos!!! -Grita Sasesu usando o seu martelo para destruir projéteis. -Estamos ficando sem tempo!
—Continuem destruindo os projéteis, mas fiquem parados no mesmo lugar! -Diz Takeda. -Isso vai fazer a sentinela tentar usar o laser!
Sasesu tenta reclamar perante a dificuldade do pedido de Takeda, mas toda a sua energia tem de ser usada para se manter vivo. Lizzy pula para se esquivar de mais um projétil, mas ao voltar ao solo, a dor na sua perna faz com que ela perca o equilíbrio. Sasesu corre na sua direção o mais rápido que pode e os olhos da sentinela começam a emitir aquela luz vermelha característica:
—Agora, Kurokawa!! -Grita Takeda.
Os dois disparam em direção à perna do monstro e acertam o mesmo lugar ao mesmo tempo. Fissuras se espalham na pele da Sentinela, mas o corte não tinha sido profundo o suficiente. Takeda percebe que Lizzy e Sasesu serão desintegrados se ele não fizer nada:
—Em pensar que teria de usar isso tão cedo…
Ele corre o mais rápido que pode, tira um item do seu inventário e pula na direção de Lizzy e Sasesu. A sentinela dispara mais um gigantesco e mortífero laser que destrói tudo o que toca. O ataque dura somente alguns segundos, mas para Kurokawa que observa a situação de fora sem saber o que está acontecendo, aquilo parece durar uma eternidade. A poeira abaixa e no meio da paisagem queimada existe uma pequena área que não foi afetada. Takeda abaixa o escudo que segura nas suas mãos e grita:
—Kurokawa, não temos tempo! Temos que repetir o ataque! Só que dessa vez com mais força!
Kurokawa olha para as suas mãos e vê feridas causadas por ter segurado Eclipse com toda a força que tinha. Os seus dedos tremem e uma dor aguda se espalha pelos seus braços:
—Você consegue, certo?
Kurokawa sorri:
—Claro que sim!
Takeda guarda o escudo no seu inventário, tira uma espada e junto de Kurokawa corre na direção da sentinela. Sasesu e Lizzy levantam-se e tentam distrair o monstro, mas após ter sofrido danos, a sentinela adota uma postura muito mais cautelosa. Takeda percebe que Lizzy e Sasesu não vão aguentar por muito mais tempo, eles não podem esperar pela próxima abertura, tem de ser agora:
—Vamos, Kurokawa!!
Os dois novamente fazem um ataque em sincronia, mas a sentinela move-se fazendo com que a espada de Kurokawa não consiga acertá-la num bom ângulo. Kurokawa entende a gravidade da situação, falhar ali significa que ele e todas as outras pessoas presentes morrem. Ele afunda os seus pés no chão, grita e faz força o suficiente para quebrar os seus dedos. Mais rachaduras se espalham pela perna da sentinela e a vitória parece estar próxima. Kurokawa prepara-se para colocar mais força no seu golpe quando subitamente o seu corpo deixa de responder:
—Merda…
A sua visão escurece e a sua consciência se dissipa. Kurokawa sente que está lentamente afundando num lago, mas aquela água morna é estranhamente confortável. Cada vez mais distante da superfície, ele consegue ouvir o seu nome sendo chamado, mas permanece imóvel. Ele observa a luz que vem de fora da água ficar cada vez mais opaca enquanto não consegue se lembrar do que estava fazendo antes:
—Kurokawa!
Ele abre os seus olhos e vê-se de volta na realidade:
—Acabei de ter um sonho super estranho. -Diz ele com uma voz calma e ainda bastante cansado. -Estava caindo cada vez mais fundo na escuridão…mas por algum motivo, eu estava me sentindo muito bem.
Takeda observa-o um pouco assustado:
—Para mim parece que você estava sonhando sobre a morte.
Kurokawa tenta se levantar e percebe que o seu corpo inteiro está dolorido:
—Autch…de qualquer forma, o que aconteceu com a sentinela?
—Você desmaiou um pouco antes de conseguirmos quebrar a perna dela, mas alguém apareceu, terminou o trabalho e depois te carregamos para aqui. -Responde Lizzy.
—Quem apareceu? -Pergunta Kurokawa.
Todos ali presentes focam o seu olhar na direção de uma figura sentada no lado oposto de Kurokawa. Traços masculinos, corpo atlético, cabelos curtos e prateados. O seu rosto é coberto por uma máscara branca com duas finas linhas por baixo da abertura que revela os seus olhos cinzas. Existindo ainda um padrão espiral negro que cobre a parte direita desta:
—Ah, sim, eu devia me introduzir. -Diz a figura. -Meu nome é Rai-
—Kaiser! -Interrompe Takeda rindo num tom nervoso. -O nome dele é Kaiser!
Kaiser também ri forçadamente:
—Sim! Kaiser é o meu nome!
Kurokawa sente que algo está errado:
—Tenho a impressão que já te vi em algum lugar antes…
—Não questione a bondade do nosso salvador, Kurokawa! -Interfere Takeda tentando mudar de assunto. -Temos assuntos mais importantes para falar! Se você estava perto do teu limite, você podia ter me avisado antes de desmaiar. Eu teria te dado a tua mamadeira.
Os olhos de Kurokawa enchem-se de ódio:
—Eu não teria desmaiado se não tivesse que fazer todo o trabalho sozinho! -Retruca ele irritado. -Você fala demais para alguém cuja única utilidade é ser uma enciclopédia viva!
Kaiser da risada com a criatividade de Kurokawa na hora de insultar outras pessoas:
—Vocês são um grupo engraçado! E bastante forte também! Não conheço muitas pessoas que conseguiriam sobreviver contra aquele monstro.
—Foi mais sorte do que força… -Responde Lizzy. -Agora que penso nisso, o que era aquele escudo que você usou, Takeda?
—Chama-se Égide, é um escudo bastante forte que eu comprei com o dinheiro que estava juntando. -Responde Takeda. -Mas o seu verdadeiro poder está na habilidade que ele permite usar: uma vez a cada doze horas você pode anular um ataque e não sofrer nenhum tipo de dano. Se não fosse por isso, nós provavelmente não teríamos saído vivos.
—Não tive tempo de perguntar antes, mas por que vocês vieram aqui? -Diz Kaiser.
—Viemos explorar Masteam para fazer uma missão. -Responde Lizzy.
—Uau, sério? -Pergunta ele surpreso. -Eu também estou aqui por causa de uma missão! Podemos ir juntos se vocês quiserem.
Kurokawa senta-se com as últimas energias que tem e sorri de forma arrogante:
—An? Você realmente acha que vamos querer cooperar com um cara suspeito como você? Nosso grupo não precisa de-
—Sim, é uma boa ideia. -Responde Takeda.
—Vai ser uma jornada difícil e você parece confiável. -Fala Lizzy.
—Se vocês concordam, eu também concordo. -Diz Sasesu. -Toda a ajuda é bem-vinda.
—Eu não concordo! Eu literalmente acabei de dizer que esse cara é suspeito! -Reclama Kurokawa. -Nada garante que ele não nos vai atacar durante a noite!
—Acho mais provável você me atacar durante a noite do que ele. -Comenta Sasesu. -E outra, ele nos salvou e já teve várias oportunidades para nos atacar, mas não o fez.
—Ele está à espera do momento perfeito…quando a nossa guarda estiver baixa e ele puder derrotar nós todos de uma vez só…
—Você é sempre assim? -Pergunta Kaiser. -Mesmo com os seus amigos?
—Não fale como se me conhecesse, estranho!
—Sim, verdade…desculpa…eu não te conheço…
—Você está exagerando, Kurokawa. -Interfere Takeda. -E mesmo se ele nos trair, tudo o que você tem que fazer é nos proteger com a tua força incrível.
Kurokawa sorri e se desconcentra com o elogio:
—Sim…com a minha força incrível…
—Vocês sabem lidar com ele bastante bem. -Comenta Kaiser.
—É uma questão de costume. -Responde Lizzy. -Mas acho melhor seguirmos a viagem antes que anoiteça, podemos carregar o Kurokawa em turnos.
—Eu não preciso que vocês me carreguem! -Resmunga ele fazendo força para se colocar de pé enquanto as suas pernas tremem. -Viu…eu ainda tenho…forças…para…
Ele perde o equilíbrio, cai e bate bruscamente a sua cabeça contra o chão. Lizzy aproxima-se preocupada:
—Está tudo bem, Kurokawa?
—Sim…eu…bem… -Responde ele antes de novamente perder a consciência.
—Ele…está vivo…? -Pergunta Kaiser um pouco chocado.
—Não se preocupe, o Kurokawa quase morre pelo menos duas vezes por semana. Isso é normal. -Responde Takeda. -Bom, vocês conhecem aquele jogo “dois ou um”? Que tal decidirmos quem começa a carregar Kurokawa usando esse jogo? O primeiro a sair é quem começa.
—Tudo bem. -Concorda o grupo.
—Vamos lá então! Dois ou…um!
—Não!!!! -Grita Sasesu observando o resultado. -Eu sou incrivelmente azarado…
—Daqui uma hora jogamos de novo para mudar de pessoa. -Sugere Takeda.
Sasesu suspira enquanto coloca o corpo imóvel de Kurokawa nas suas costas:
—Tudo bem…
O grupo levanta-se e continua a viagem. Kaiser sorri ao perceber que essa é a primeira vez que passa tempo com outras pessoas além do seu mestre. Mas apesar da atmosfera descontraída, ele não consegue deixar de preocupar-se com a figura que observa o grupo de longe.
—Eventualmente teremos que confrontar quem está nos seguindo… -Pensa ele. -Mas acho que vou deixar isso para mais tarde. Vou só aproveitar a viagem agora.
Ele sente o seu estômago roncar:
—Algum de vocês tem comida?
—Eu tenho frutas e o Kurokawa tem caramelos. -Responde Sasesu.
—Eu adoro caramelos! Posso comer um?
—Sim, só me deixa pegar com o Kurokawa… -Diz Sasesu colocando a mão nos bolsos de Kurokawa e procurando.
—Não…por favor…caramelos não… -Se debate Kurokawa inconsciente.
—Uau, a obsessão dele por caramelos realmente não tem limites. -Ri Lizzy.
Kaiser também ri e percebe que se sente estranhamente confortável na presença daquelas pessoas.
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