Notas iniciais
Demorei um pouco, mas aqui está! Espero que gostem

— Eu estava me perguntando se você falou aleatoriamente ou se tinha algum sentido por detrás disso, mas não gostei nada da resposta. – Apesar do que diz, Caleb ri. Segurando-me pelo cutuve-lo, me leva até o canto da sala escura. – Então, Cass. Tenta me explicar por que dessa vez está diferente? Eu não deveria ser espantado por ele. Já estou acostumado a dividir tudo com Dylan.

— Eu não sei... Ele tinha dito algo parecido com esse ser o jeito de Incubos curarem. – O garoto ruivo me coloca contra a parede, mas suas mãos não encostam em mim. Atrás dele, consigo ver que os meninos estão intretidos.

— Ah! Agora faz todo sentido. Ele não estava querendo me afastar de você, e sim te curar. Quando ouvimos na mesa que você estava machucada, e Matt nem olhou para você, estranhamos. Provavelmente, o Shinigami não o deixou te curar direito ontem, não é? – Subo meus olhos para os seus e vejo que ele está se animando. – É estranho um Anjo da morte estar responsabilizado por uma vida.

— É... Eu estou me acostumando com isso...

— Ainda está machucada? – Ele puxa a gola da minha blusa para o canto e consegue ver alguns arranhados na minha clavicula. – Imaginei.

Sua mão solta a minha roupa e de uma forma rápida, segura meu pescoço.

— Está tudo bem! Não é nada demais. Isso um humano consegue se curar sozinho. – Minha voz é baixa e contida. Não sei se deixei meu dessespero evidente.

Ele se inclina para frente e pousa seus lábios nos meus. Sua lingua invade a minha boca, e é como se eu tomasse um choque. Diferente de ontem, o beijo de Caleb é como se tentasse tirar um pedaço de mim. Parece seduzir o meu corpo inteiro, sem, ao menos, me tocar direito. É algo possessivo e diferente do que ele disse antes, é como se ele quisesse colocar uma marca em mim. Como se não tivesse ninguém olhando, como se fossemos invisíveis, ele me segura firme. Eu sei onde estamos. Sei que um beijo desses no canto dessa sala é um erro. E eu não penso diferente disso nem por um segundo. Porque todos eles tentam resolver as coisas assim? Não interessa a espécie, todos são homens. É isso?

— Não quero que me cure para sua própria diversão, Caleb.

Coloco uma distância entre nós, segurando-o pela camisa.

— Será mais fácil assim. Por que se eu disser que estou preocupado, você se irritaria. Cass? Vai me dizer que não?

Fico quieta por que é exatamente isso que eu disse para o Matthew: eu realmente preferiria não precisar que alguém me curasse toda hora. Consigo ficar em pé direito, mas ele não sai de perto de mim e não para de me olhar. Eu preciso voltar a minha vida normal urgentemente.

— Cassie? O que estão fazendo?

Olho para onde Tom deveria estar, mas inconvenientemente, o menino está bem mais perto. Ao contrário de chegar para o lado e me deixar falar com ele, Caleb me puxa para si e olha para o irmão.

— E se eu te falasse que eu e a Cass estamos namorando? Deixaria-nos em paz?

Percebo quando Tom esbugalha os olhos e tenta me soltar do ruivo. Ele coloca as duas mãos entre nós e nos empurra para lados opostos. Caleb continua me segurando firme, de uma forma que eu não consigo me mexer e a insistencia de Tom me machuca.

— Eu diria que Cê vai te matar, mas eu prefiro ficar quieto e apenas observar, enquanto como pipoca. – Chander aparece ao lado do menino e cruza os braços, como se sua aparencia de fantasma de oito anos fosse dar medo no, tecnicamente, Incubo adulto.

— É por isso que você continua solteira, Cass? – Caleb perto da minha orelha, mas alto o suficiente para os dois meninos escutarem. – É por que o Olhos Brilhantes mata a todos que criam coragem de escalar a barreira que existe a sua volta?

Claro que não. Said não faria isso. Faria, Chan? Olho para o meu irmão, como já fiz muitas vezes com Said. Sei que ele pode ler a minha mente, ou seja lá o que ele faz.

— Bem... Ele apenas intimidava... Ou ameaçava. Normalmente, bancava o irmão mais velho que eu não pude ser. – Chander parece meio arrependido, como se a culpa fosse dele. – O lado possitívo é que Cê é realmente forte. Entre um Shinigami e um Incubo, tenho certeza que o Cê vence.

— Não é para ninguem brigar, Chan. Então, não inventa coisas para trazer mais problemas, OK? Eu e ele não temos nada. – Solto a mão de Caleb do meu ombro e ele para de me abraçar, mas parece que a cena está muito cômica para ele.

— Ai, Cass assim você me magoa. – O garoto coloca a mão no peito, exagerando no fingimento.

Assim que fico livre, Tom me abraça e me faz olha-lo.

— Eu sou o único que vai com você, não é? – Seus olhinhos parecem desejar isso com todas as forças.

— Sim, Tommy. O único.

— Do que ele está falando, Danda? – Chander chega mais perto, ficando entre mim e Caleb.

— Nada! – Tom fala rápido e me dá a mão, me puxando para o resto do passeio.

Depois do ocorrido, Caleb parecia bem mais alegre. Como se tudo estivesse da forma certa. Agora que já havia descoberto o mistério de por que eu o escolhi. Quando estavamos comprando um sorvete, eu o percebi indo atrás da casa dos aracnideos com uma garota. Poderia afirmar que cada vez que iamos comer alguma coisa, ele se alimentava diferente. Eu não sei direito se ele realmente precisa disso, mas... De certa forma, parece errado.

— Cassie! – Tom puxa a minha manga e me faz presta atenção dele. – Você disse que poderiamos tirar várias fotos! – Ele aponta para a foto-cabine perto da loja de lembrancinhas.

— Claro. Quantas fotos você quizer. – Abro a minha carteira e vejo apenas algumas moedas. Contanto que eu tenha dinheiro.

Nós entramos na cabine e tiramos quatro fotos. Assim que puxo a cortina, Chander está do lado de fora parecendo um pouco triste.

— Me desculpa, irmão... Mas você não apareceria nas fotos...

— É... Eu sei... – Ele desaparece de repente. – Existe uma camera do Outro Lado que eu poderia perdir para o Cê trazer, quando ele voltar...

Tom pega as fotos recem impressas e me mostra. Fica rindo e diz que assim que chegarmos em casa vai pedir para a Pam fazer uma cópia. Por que aí, ele pode ter as fotos em porta-retratos no quarto dele e no album que vai fazer para mim.

— Vamos tirar mais!

Olho para cara do menino e nego com a cabeça. Já tiramos muitas.

— Por quê?

— Você acabou com o meu dinheiro, Tommy.

Tom corre e eu o sigo. Quando o encontro, ele está conversando com Caleb. O mais velho sorri e concorda com a cabeça, seguindo o menino até a loja que estou.

— Meu irmão disse que vai emprestar o dinheiro! – Tom parece bem feliz e entra na cabine.

— E qual é a condição para o seu irmão ser tão legal de repente? – Olho para Caleb e vejo que ele está satifeito. – Vai cobrar juros até o menino se formar?

— Claro que não! Eu nunca faria isso! – Ele finge que se ofendeu e coloca a mão onde seria o seu coração. Demônios têm coração?

— Ele disse que só queria tirar foto junto. Falou que se sentiu deslocado por que nunca damos atenção. Ai eu senti pena. Você não sente, Cassie?

Olho para o ser ruivo ao meu lado e faço uma careta.

— Pena, Tommy? Você é bonzinho demais.

Entro na cabine, seguida por Caleb. Por falta de espaço, Tom senta no meu colo. Tento fingir que o garoto ao meu lado não me beijou e depois foi sugar a vida de outras garotas pelo zoológico, assim consigo tirar boas fotos para ter de recordação quando voltar ao Canadá.

— Essas fotos estão ótimas, Cassie! Assim você não tem como se esquecer da gente! – Tom pega as fotos que estão saindo da impressora e me mostra. – Eu nunca tirei tantas fotos.

— Sério, Tom? Então de presente, eu deixo você escolher algum bichinho de pelucia! – Caleb estica uma nota de cinquenta reais, que o menino pega contente e corre para dentro da loja. Ele me olha e seu sorriso doce vira travesso. De novo.

— O que foi, Caleb?

— Que história foi aquela de você se esquecer da gente? – Ele me empurra de volta para a foto-cabine e coloca o dinheiro.

— Não foi nada! – Tiramos a primeira foto sorrindo para a tela.

— Tem algo a ver com o fato que você vai para o Canadá assim que Matt te curar?

— Claro que não. – A segunda, eu estou sorrindo para a câmera e Caleb está olhando para mim, com o seu jeito sexy. Eu queria que esses garotos fossem mais normais.

— Seria por que você vai tentar selar sua visão de novo, Cass? – Ele segura a minha mão e eu não consigo negar.

Na terceira foto estamos nos olhando fixamente.

— Vai mesmo tentar nos esquecer? – Fico quieta e ele chega mais perto. – Acha mesmo que vou deixar você me esquecer?

Seus jestos rápidos são capturados pela câmera. Sua mão em meu cabelo, sua boca na minha. Nossos olhos fechados. O meu por surpresa e o dele por diversão. Quando o empurro, a foto já foi tirada, mas Caleb olha para mim de um jeito que me faz parar de respirar.

— O que foi?

— Não acha que vou manter o seu segredinho. Ou acha? – Ele continua sentado virado para mim, quando puxa as duas fotos para dentro da cabine.

Rasgo a última e coloco no lixo que tem na minha frente. Caleb sorri e me mostra a dele.

— Você mal olhou a foto! – Colocando bem em frente aos meus olhos, consigo ver o que ele quer me mostrar.

Olho para o meu próprio peito e vejo o cordão. É prateado e tem um pingente de arco e flecha. Fino, delicado, e, principalmente, algo difícil de arranjar no meio de um zoológico. Coloco a mão no fecho, mas não o encontro. Tento puxar, no entanto, não sai.

— É um cordão especial. – Caleb se encosta à parede da cabine.

— Sério, está tudo bem. Entendi que sou bem vinda à família. Mas eu não visto coisas assim, e parece ser infantil demais. – E estranho demais.

— Não deveria reclamar quando alguém quer te dar um presente. De qualquer jeito, coisas normais não combinam mais com você, Cass. – Ele coloca meu cabelo para trás do meu ombro, deixando a vista o cordão.

— Não é isso...

— Não importa o quão entediante seja. Um presente é o início de uma nova história. – Sorri e encara o pingente.

— Levando a um lindo resultado?

— Bem. Quem sabe? – Caleb ri. Se levantando, estica a mão para me ajudar, a qual recuso imediatamente, e sai da cabine. – Na verdade, pode ser meio estranho. Já que é enfeitiçado.

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Notas finais
Comentários são bem vindos!!