Invisível
6 Paixão Inesperada
Com Byakuya os dias eram sempre mais atarefados para Hisana, ao contrário de Ginrei, ele precisava dela para tudo, ela entendia que ele estava voltando de muitas viagens e que estava começando a se adaptar às suas novas responsabilidades, mas parecia demais querer que ela até almoçasse e lanchasse com ele todas as vezes, às vezes ela se sentia até mesmo uma grande intrometida, e achava que as outras pessoas poderiam pensar que ela estava se aproveitando da situação, querendo se tornar parte da família.
Mas ela não podia fazer nada, à cada minuto que ela se afastava da sala de Byakuya, ele mandava que a buscassem de novo. Ele a respeitava e sempre tomava o cuidado de não a sobrecarregar com o trabalho, mas havia momentos que ela acabava se sentindo mal por ter tanta confiança e liberdade por parte dele...
— Senhor Kuchiki, se sentir que eu estou atrapalhando, ou parecendo ousada, por favor me avise, não quero que pensem que posso viver uma vida que não possuo, não que eu esteja reclamando de almoçar e participar dos chás com o Senhor, mas tenho medo que pensem que estou me aproveitando de sua gentileza. — Disse a moça olhando para o chão.
— Não se preocupe com o que os outros pensam, você é uma excelente funcionária e eu preciso cada dia mais de você... Quer dizer... Eh... Dos seus serviços. — Disse ele todo embaraçado.
Ela não pode controlar uma singela risadinha, e tentava contê-la com uma das mãos...
— Entendo, e me perdoe por isso, mas não esperava vê-lo embaraçado, sempre é tão sério e confiante, não se preocupe comigo, eu sei bem onde é o meu lugar. — Disse ela já mais séria.
— Como assim "sei bem onde é o meu lugar"? É aqui, ou você pensa em fugir? — Perguntou ele intrigado.
— Eu disse isso com relação ao fato de poder imaginar que o Senhor poderia pensar em mim como algo a mais que uma simples funcionária. E com aquilo eu só deixei claro que não tenho a intenção de esperar qualquer retribuição que não seja profissional, já que sua família me tem ajudado muito além do que eu merecia. — Respondeu a jovem e continuou ao abrir a porta em direção ao corredor... _Fique tranquilo Senhor Kuchiki, eu não pretendo fugir. — Disse ela e a porta se fechou entre os dois.
Ele sentiu que aquelas palavras tinham entrado em seus ouvidos mas ressoado em seu coração, rapidamente se levantou e saiu em busca da moça, mas como seu horário de trabalho tinha se encerrado, ela como de costume tinha voltado para seu quarto. Ele então pensou se seria estranho aparecer no quarto dela de repente assim, mas não queria mandar chamá-la, já que ela tinha acabado de cumprir com seu horário.
Ele ficou andando pelos corredores da mansão, esperando que ela pudesse sair por qualquer motivo e ele usaria disso para poder falar com ela, mas acabou encontrando seu avô, que tinha dado uma pausa nas medicações e tratamentos para descansar tranquilamente...
— O que faz com essa expressão de desespero vagando pela casa? Surgiu algum imprevisto? — Perguntou Ginrei, já imaginando o que poderia ter acontecido.
— Sim, um imprevisto de imensas proporções... — Disse ele na varanda olhando para o céu estrelado.
— E você já imagina como resolver essa situação? — Persistiu o avô.
— Já pensei em muitas formas, mas não tenho nenhuma pista de como chegar ao resultado que preciso, e se isso não acontecer... Eu sinto que não vou ter paz... Se ela se assustar e for embora... O que eu poderia fazer? — Respondeu ele com um ar de desolação.
— Ela é uma boa moça, e eu já previa que isso aconteceria, mas se acalme, ela vem de um turbilhão de problemas, problemas reais que você nem pode calcular o dano naquele coração tão pequeno. Mas ela é um mar de doçura, tenho certeza de que vocês resolverão da melhor forma, mas se eu estivesse em seu lugar... Não desperdiçaria esse belo luar. — Encerrou Ginrei e se retirou.
Byakuya se encheu de coragem pelas palavras de seu avô e começou a caminhar em direção ao quarto de Hisana. A cada passo que dava seu coração acelerava mais, ia ensaiando frases e poemas, mas cada vez que se aproximava do local, sua mente se esvaziava mais, então ele começou a rir de si mesmo, um homem com uma bagagem enorme de experiências tendo essa imensa dificuldade de encarar uma moça que nem bem alcançava seus ombros.
Ali estava ele, enfrente ao quarto dela, tremendo e mal sabia o que dizer quando ela abrisse a porta, mas tinha que fazer aquilo ou não poderia dormir, resolveu começar com uma batida na porta e deixar o resto com seu coração...
— Kuchiki-sama... Algum problema? — Perguntou ela assustada pelo horário, imaginando que algo poderia ter acontecido a Ginrei.
— Não quero que se assuste, mas precisamos conversar. — Disse ele com um ar de nervosismo.
— Se foi algo que eu disse, diga-me e eu repararei, mas saiba que preciso muito do emprego. — Disse ela quase a implorar.
— Não é nada disso. — Disse ele sorrindo.
— Então o que poderia ser tão grave a ponto de trazê-lo aqui a essa hora? — Perguntou ela preocupada.
— Eu preciso de você, não somente de seus serviços, nem da sua ajuda com a minha adaptação, ou qualquer outro motivo. Eu só preciso de você. — Disse ele e a abraçou ternamente.
Ela estava com os olhos a ponto de sair das órbitas, nunca em sua vida tinha pensado em nada sobre o amor, e ao sentir o calor dos braços dele e do seu corpo ela teve como que uma luz em sua mente, soube na hora que poderia passar pelo pior momento de sua vida, mas se estivesse naqueles braços estaria protegida.
— E-eu não entendo, me perdoe Kuchiki-sama, mas não sou alguém à sua altura e nunca serei digna do Senhor. -Disse ela assustada.
— Eu não me importo com suas condições e sei que ainda está em uma busca, mas não posso aceitar um não como resposta. Estou disposto a esperar por você, mesmo se eu precisar te conquistar pouco a pouco, todos os dias. — Disse ele determinado.
— O senhor é alguém por quem seria muito fácil de se apaixonar, mas tenho muito a fazer, minha procura está ainda bem longe de acabar, mas prometo estar ao seu lado se assim o Senhor desejar. — Disse ela.
— Vamos começar parando de me chamar de Senhor, me chame pelo nome. — Disse ele com um lindo sorriso.
— M-mas isso seria um insulto! E-eu não poderia... — Dizia ela corada quando foi interrompida por ele tocando seu rosto com as duas mãos:
— Repita comigo: Byakuya...
Ela ficou sem ar ao ver que ele se aproximava enquanto falava, os olhos dela mergulharam nos dele e mesmo com o rosto corado, embarcou naquele momento...
— Byakuya-sama...
Quando ela disse isso ele não pode se conter, aquela voz suave, o rosto avermelhado, o cetim de seus trajes de dormir acariciando-lhe os braços, ele então a beijou e aumentava a intensidade na medida que sentia os braços delicados dela ao o envolver, a luz do luar entrava pelas imensas janelas de carvalho no corredor.
Ele então soltou lentamente dos lábios da moça e permaneceu com as mãos dadas a ela:
— Nós vamos encontrar sua irmã e até lá eu já terei feito você se apaixonar por mim, então a pedirei em casamento. Esteja pronta pra dizer sim. — Disse ele soltando então as mãos e caminhando flutuante até seu quarto.
Hisana entrou no quarto se sentindo tão abençoada, pois agora, com a ajuda de Byakuya, ela poderia encontrar Rukia e construir uma família feliz ao lado do homem por quem já estava se apaixonando.
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