Inversão de Opostos
1 Hey, Patrick Hanks.
Notas iniciais
Bom, vou deixar vocês lerem. Espero que gostem *U*

Patrick P.O.V
Cadeia.
Calabouço.
Prisão particular.
Cárcere privado.
Masmorra.
São minha definições pra escola.
Escola: palavra usada para referir-se ao local onde as pessoas ficam presas, privadas da liberdade.
Certo, isso descreve perfeitamente a escola. Um lugar patético dividido em grupos ridículos cujo qual a maioria me odeia. Sim, me odeia. É, não é fácil ser o garoto problema da escola. Dá muito trabalho fazer as pessoas se afastarem e terem medo de você. Também, quem odiaria um cara lindo como eu? Acredite, muita gente. Até porque, felizmente, eu sei executar muito bem a tarefa de bad boy. As únicas pessoas que não me odeiam nessa porcaria de escola são os três patetas dos meus melhores amigos: Jason Horn, Noah Clark e Ethan Monrey. Apenas.
Embora sejamos totalmente diferentes, nos damos bem. Dos três, Ethan é o meu amigo quase irmão. Posso sempre contar com ele, eu realmente adoro aquele cabeça dura. Claro, óbvio que eu nunca vou dizer isso em voz alta. Isso já soa gay o suficiente na minha mente, imagina falando! Eu seria zuado eternamente.
Bem, prosseguindo... Outro bobão que anda comigo é o Jason. Esse é aquele amigo que você pode classificar como o idiota piadista que vai sempre querer fazer você sorrir. Ignore o fato dessa frase ter soado totalmente estúpida, mas é verdade. Jason nunca gostou de ver ninguém triste. Se ver, ele faz o possível e o impossível pra pessoa sorrir. É, é realmente um bocó.
E por ultimo, mas não menos importante, tem nada mais nada menos que o Noah. Deixe -me ver... O Noah... Bom, pense em uma ameba. Agora pense em quão estúpida é uma ameba. Pensou? Ótimo, mas o Noah consegue ser tão idiota quanto todas as amebas do mundo. Sem exageros. Conversar com uma porta é mais produtivo que passar uma hora ao lado do Noah. Não me pergunte o porquê de nossa amizade, nem mesmo eu sei, só simplesmente somos amigos. Como eu disse, nós quatro somos totalmente diferentes um do outro. E isso é... Bom. Óbvio que o que eu acabei de dizer, ou pensar, não vai nunca sair da minha mente. Talvez só a parte do Noah mas...
— Ei, você vai parar de sonhar acordado e vai me dar um minuto de atenção ou eu preciso esperar a princesinha se situar? – uma garota ruiva totalmente alegre que está sentada ao meu lado pergunta me tirando dos meu devaneios.
Espera um instante... Sentada? Ao meu lado? Cadê o filho da puta do Jason?
Passo meus olhos pela sala como um cão farejador a procura do Horn, que a minutos atrás estava sentado ao meu lado e na minha humilde opinião ainda deveria estar ali. O professor de química fala algo que parece ser importante mas eu não estou nem um pouco interessado em saber. Paro meu olhar atento em umas das cadeiras perto do professor e encontro Jason sentado ao lado da maior nerd da sala parecendo tão perdido quanto eu.
— Ér... Calma aí, porque você 'tá aqui? – pergunto com a minha melhor cara de arrogante para a ruiva ao meu lado fazendo o possível para intimida-la.
Mas ela parece não perceber minha expressão. E se percebeu ignorou.
— Aqui onde? – me olha com a maior cara de inocente do mundo.
Espera, eu conheço essa ruiva. Ela é a namoradinha do Morgan. Peter Morgan. Taí um cara que me odeia profundamente. Nunca soube o porquê, mas isso é bom, já que eu também não gosto dele.
— Aqui, do meu lado. – respondo com a mesma cara arrogante de antes.
— Ah sim... É que eu sou sua dupla ué. – diz abrindo um pequeno sorriso.
— Minha o que?! – pergunto trocando a cara de arrogante pela de confuso.
Como assim minha dupla?
— Sua dupla no trabalho de química. – explica ainda sorrindo. Sorriso que por sinal já 'tá me irritando. E muito.
— Mas o que? Onde? Como? Quando? Como assim? Que trabalho?
Acho que não é exagero meu dizer que não tem ninguém mais confuso que eu nesse momento.
— O trabalho que o professor acabou de passar. Você está acordado ou você dorme de olhos abertos? – pergunta brincalhona.
É impressão minha ou essa garota transpira inocência? Será que ela não percebe que eu não a quero aqui? Solto um suspiro pesado tentando ganhar paciência.
— Então vamos fazer o seguinte, já que eu não tenho a mínima ideia do que é que 'tá acontecendo, você faz todo o trabalho sozinha e depois diz que eu te ajudei, ok? – digo fazendo minha melhor cara de "faça o que eu 'to pedindo e será recompensada" dando meu "sorriso fatal". Mas parece que ela não cai na minha, porque a cabeça de tomate simplesmente ri. Isso mesmo, ela RI! — Qual é a graça? – pergunto voltando a minha expressão arrogante.
— Ou, ou, ou, calma aí o cavalo negro. – diz gesticulando. Ela me chamou de CAVALO NEGRO? — O trabalho é em dupla, sabe, dupla, duas pessoas, eu mais você... – explica como se estivesse falando com um ser com problemas mentais.
Me ajeito na cadeira olhando-a ameaçadoramente.
— Ei, ei, ei, espera aí cabeça de tomate. Que história é essa de me chamar de cavalo negro? – arqueio uma das sobrancelhas ainda olhando-a ameaçadoramente.
— Ei, ei, ei, e que história é essa de me chamar de cabeça de tomate, cavalo negro? – me imita me olhando de cima a baixo.
— Você é ruiva, então o apelido combina. – digo dando ombros.
— E você parece com o cavalo do meu tio Tresh. – me olha com desdém. — Sabe, ele também anda todo de preto. – debocha com um sorrisinho sacana. — Então o apelido também combina. – completa ainda sorrindo.
Ela sabe com quem 'tá falando? Não, ela certamente não sabe com quem ela está falando, porque se soubesse ela não falaria desse jeito comigo.
— Escuta aqui garota, você sabe com quem está falando? — fecho uma das mãos em punho estalando os dedos dela de uma só vez, com a outra mão.
— Estou falando com um inútil, arrogante, prepotente que até agora não disse ou fez nada de útil para o nosso trabalho! – diz balançando a perna direita freneticamente.
Revisando aqui, primeiro ela me chamou de cavalo negro e agora ela me chamou de inútil, arrogante e prepotente. Ela não tem amor a vida dela?
— Olha só cabeça de tomate você já 'tá começando a me irritar. E você não vai querer nem pensar em ir parar na minha lista negra. – digo com expressão impassiva.
— Ui, ui, e se eu for parar nessa tal lista negra? O que vai acontecer? O demônio vai começar a me perseguir? – pergunta fingindo medo. Obviamente debochando da minha cara.
Fecho os olhos e as mãos em punhos, tentando me controlar. Ela.Tá. Me.Tirando. Do. Sério.
— O que tem que fazer nessa droga desse trabalho?
Solto um suspiro pesado ainda de olhos fechados.
— Temos que fazer um resumo sobre Albert Einstein, então nós vamos precisar nos reunir na sua casa ou na minha e...
— Na sua casa. Hoje. Depois da escola. – digo abrindo os olhos, interrompendo -a, levantando-me da cadeira e pegando minha mochila. O sinal acaba de tocar.
— Espera, você não pode...
— A gente se vê por aí, cabeça de tomate. – interrompo-a, colocando a mochila sobre o ombro antes de sair rapidamente da sala.
Assim que passo pela porta encontro o Horn com um ombro escorado na parede.
— Que sorte em cara! Ficou logo com a namoradinha do Morgan! – diz com uma animação ridícula, dando soquinhos no meu ombro.
— E daí? – olho-o entediado.
— Como assim, "e daí?" – pergunta passando um braço envolta do meu ombro. — Cara, ela é muito gata! – sussurra como se fosse um segredo, me olhando incrédulo.
Ok, nisso ele tem razão, ela é realmente bonita. 'Tá legal ela é muito gata. Qual é? A garota é ruiva dos olhos cinzas! Claro que ela é gata! Mas também é debochada, e irritante, e insuportável...
— É, mas é metida a espertinha. Cheia de sarcasmo e arrogância. – digo com desgosto ao me lembrar de algumas palavras dela, tirando o braço de Jason do meu ombro.
— Minha vez de dizer, e daí? – diz arqueando uma das sobrancelhas. — Você é sinistro e arrogante, e, mesmo assim, milhares de gurias caem aos seus pés. – completa dando de ombros.
— Por que nós somos amigos, hein? – franzo a testa em sua direção.
— Porque você me ama. – responde forçando uma voz fina e piscando os olhos de forma afeminada.
— Faz isso de novo, e eu quebro a sua cara. – ameaço entediado parando em frente ao meu armário.
— Viu? Arrogante. – diz rindo e parando ao meu lado.
É, talvez ele e a ruivinha estejam certos. Talvez eu seja arrogante. Mas e daí? Quem se importa? Eu sei que eu não.
Apenas olho-o entediado e enfio minha mochila no meu armário fechando o mesmo com um soco.
— Por que guardou a mochila? Ainda temos aula. – me olha sorrindo maroto.
Provavelmente ele já sabe pra onde eu vou. Ele sempre sabe.
— Não 'tô a fim de assistir aula. – digo dando ombros.
— E você pode fazer isso? – sorri brincalhão.
— Posso. Vai se fuder. – digo pegando os óculos escuros que estão pendurado na jaqueta de Jason, colocando-os.
— Grosso. – revira os olhos. — Bom, minha próxima aula é cheia de maravilhosas líderes de torcida chacoalhando seus pom poms, então, eu com certeza não vou perder. – diz piscando pra mim e esfregando as mãos de ansiedade. — Vou nessa. Até mais cara! – completa dando um soquinho no meu ombro e sumindo no corredor logo em seguida.
Bocó.
Olho em volta verificando o perímetro e começo a ir em direção a parte mais afastada da entrada da escola. Nessa parte existe uma espécie de jardim que tem um pequeno muro. Pulando esse muro você sai em uma outra espécie de jardim, só que, maior e melhor pra se esconder, já que a maioria não sabe da existência dele. Acho que os únicos que sabem sou eu, o Horn, o Clark e o Monrey. Meus melhores amigos, óbvio. Fora a gente, ninguém mais sabe. Eu acho, assim eu espero. O lugar é ótimo, sempre venho pra cá quando não estou a fim de assistir aula, ou, quando estou fugindo de algum inspetor. Foi assim que eu e os caras descobrimos o jardim. Fugindo do inspetor. É, digamos que nós temos um longo histórico de encrencas... Mas, nenhum dos três liga, então... Foda-se.
Assim que chego perto do muro, subo no mesmo em um pulo e coloco as pernas para o outro lado. Ótimo, agora é só pular.
Paro instantaneamente assim que ouço um sonoro pigarro.
— Senhor Hanks, desça daí de cima agora mesmo!
Ferrou.
Fale com o autor