Inversamente Opostos

22 Arte Moderna Para Loucos


Notas iniciais
Demorei? É eu sei. Mas eu não estava tendo tempo de escrever.
1º - Estava em semana de prova, tinha que estudar, e aliás, minhas provas ainda não acabaram.
2º - Estou ficando de babá à noite, que era o período que eu geralmente escrevia, o que foi o principal motivo do atraso.
Agora vou passar a escrever mais nos finais de semana, por que é quando geralmente eu fico sempre em casa, mas pode ainda acontecer atrasos :s
E à Monica Watson, eu não havia visto quando mandou a recomendação, mas agora eu vi e MDS, SUA LINDA, BRIGADA PFTA TE HUGANDO FOREVERMENTE ♥333 :33

— Luna? – a voz de Jason a chamou e ela procurou-o no quarto. Estava escorado à porta, segurando uma rosa vermelha perfeita, tinha as pétalas abertas sedosas e macias e espinhos afiados dos lados, que pouco antes havia machucado o dedo indicador esquerdo dele – Eu peguei… lá embaixo para você.

— Lá embaixo? — perguntou ela, enquanto segurava cuidadosamente a rosa.

— É, tem um jardim. Está logo abaixo da sua janela. – ele estendeu a mão, para que ela segurasse.

Ela não queria demonstrar o quanto achou suas desculpas vagas. E também não queria brigar de novo. Então segurou sua mão.

— Não vai com ele. – ela escutou uma voz atrás de si, era Tomas, ela tinha certeza, assim como tinha certeza de que ele não era real – Não vai com ele, não confie nele, por favor, ele é traiçoeiro, vai te empurrar da janela se tiver uma oportunidade.

Jason a olhava confuso, por ela ter empacado no meio do caminho e estar olhando com os olhos brilhantes para o vento.

Tomas do outro lado tinha um olhar pidão e preocupado, o que quase a convenceu de soltar a mão de Jason.

Mas dois pensamentos passaram por sua cabeça.

Primeiro: Se Tomas era fruto de sua imaginação, o que ele dizia podia ser apenas um medo bobo vindo de sua insegurança e raiva que estava sentindo de Jason.

Segundo: ‘’Sou uma louca muito sensata’’ seguido de um risinho infantil.

Isso fez com que ela se voltasse para Jason e o acompanhasse em direção à janela.

E realmente, lá em baixo havia um pequeno corredor, de rosas vermelhas perfeitas e bem cuidadas. Um velhinho curvado usava um chapéu enorme de palha e segurava um regador perto das rosas e sempre que passava uma criança perto dele, ele cortava uma rosa, tirava uma bala do bolso e as entregava para a criança. E para cada rosa cortada, ele plantava uma nova.

— Não é lá muito secreto, mas eu gostei. – falou Luna.

— Secreto? – ele franziu o cenho – por que devia ser secreto?

— O sonho que eu tive enquanto estive em coma. – respondeu ela – passei algum tempo em um castelo medieval, tinha um jardim secreto lá.

— Deve ser divertido ter um desses.

— E era. – ela riu.

— Tenho algo para você.

Ele a acompanhou até a cama e tirou uma corrente do bolso. Lá estava ele, aquele anel que ele a pediu em namoro. Ela sorriu, pegou a corrente, passou pelo pescoço e guardou o anel dentro da blusa.

— Estava com você? – ela perguntou.

— Na verdade, estava no bolso da sua calça. Eles tiraram quando te trouxeram para cá.

— Que cara é essa? Você tem uma notícia ruim, não é? – perguntou ela.

— Como ainda consegue perceber? – ele forçou um sorriso.

— Você trouxe um ‘’presente’’ – ela fez aspas com os dedos – E tentou me fazer sorrir. Agora está suando frio.

— Como conseguiu não se esquecer disso?

— Essa era uma mania sua. Como poderia me esquecer? Agora diga, qual a noticia ruim? – ela esfregou as mãos em um gesto de preocupação, sabia que o que tinha por vir não era boa coisa.

— O médico decidiu que o quanto antes te levarmos para a clínica melhor.

— O quanto antes… quando exatamente?

— Hoje, Luna. O quando antes mesmo. Seus pais não discutiram, já assinaram os papeis.

Ela teve vontade de chorar, de gritar, de bater com a cabeça na parede ou de dar um soco no nariz da pessoa mais próxima.

Mas não fez nada disso, se deitou e abraçou o travesseiro. Apertou os olhos contra as lágrimas. Ela se sentia traída pela sua própria família. ‘’Eles acham que eu sou louca. ’’ ‘’Querem se livrar de mim. ’’ ‘’Não é minha culpa. ’’ Era o que se passava em sua cabeça.

Jason sentiu o coração apertar. Chegou mais perto e começou a fazer cafuné em sua cabeça, mas a chamou antes que dormisse.

Ela limpou a babinha que escorria no canto da boca e fixou o olhar nele.

— Antes que eles te levem para lá, quero que saiba o quanto eu me senti mal pela nossa briga de ontem. Desculpe-me por aquilo tudo.

- Como assim? – perguntou Luna – Você já disse isso ontem. Já veio aqui à noite me pedir desculpas.

— Ah, não… Luna, depois que eu saí do quarto, o horário de visita acabou, por isso não voltei, do contrário, eu teria dito isso logo depois que saí.

— Tudo bem, eu devo ter sonhado, ou algo assim.

Um silêncio incômodo se passou.

— Você não sonhou, não é? – perguntou Jason.

— Não. – respondeu ela, brincando com a corrente do anel no pescoço, ele não insistiu mais.

— Não acho que seja louca.

Não houve resposta, ela pôs a cabeça em seu colo e guiou a mão dele até seus próprios cabelos.

Ele voltou a fazer cafuné e pouco depois ela dormia e a babinha voltou a escorrer do canto de sua boca.

[…]

— Luna? – uma voz suave a chamou. Ela abriu os olhos e encontrou uma plumagem branca lhe cutucando o nariz.

Quando abriu os olhos se deparou com um Jason vestido com roupas de babados e bordados coloridos. Sapatos de cores vibrantes, um chapéu de plumas brancas e uma capa com brilho. Era Tomas, bem a sua frente.

— Por que está vestido assim? – perguntou ela segurando o riso.

— Com tudo isso acontecendo, eu quis te alegrar um pouco. Voltar a ser o principezinho que eu era. Bom… pelo menos em parte. – ele falou olhando para a própria roupa e fazendo uma careta engraçada.

Ela não segurou mais o riso. Soltou uma gargalhada alta. Tirou o chapéu plumoso dele e pôs em si mesma.

— Temos que ir. – ele falou sério e essas três palavras já fizeram o humor de Luna acabar.

— Como vão me levar?

— De carro. Seus pais acharam que não havia necessidade de uma ambulância, então os próprios vão te levar. Eles já devem estar vindo para cá.

— Você sabe como é lá? – perguntou ela – Quer dizer, não parece uma prisão, não é?

— Mas é claro que não. Eu não deixaria que te levassem para um lugar assim nunca. E é muito bonito lá. Os pacientes praticam pintura, nas próprias paredes do lugar.

— Imagino o desastre que deve ser. – ela riu.

— Não, não, é até legal, sua primeira impressão quando entra é de estar em um museu de arte moderna. Eles são muito bons. – ele completou.

— Muito bons? – ela perguntou franzindo o cenho e com um sorriso travesso no rosto.

— Ok, não tão bons assim. Mas eles também incentivam as atividades que cada paciente gosta de fazer. Não se preocupe, vai ter muita massa de cupcake lá. – ele riu – E eu te prometo que vou te visitar todos os dias.

— Todos os dias? – ela perguntou estendendo o dedo mindinho da mão direita para que ele fizesse o mesmo.

— Todos os dias. – ele retribuiu o gesto, uma promessa estava feita ali – Sem falta.

[…]

Tocava Christina Perri no som do carro, fora isso o único som que se ouvia era o barulho das marchas do carro e do volante virando. Luna escorou a cabeça no ombro de Jason no banco de trás. Nos da frente, a mãe e o pai em silencio.

O quarteirão em que estavam tinha um prédio enorme, muros altos com cerca elétrica, todos pintados com cartoons, rabiscos coloridos, formas geométricas e até alguns desenhos reconhecíveis. O carro dobrou a esquina e o paredão de desenhos continuou, nessa rua, tinha um portão de grades de ferro de três metros de altura, com o topo redondo.

O carro parou pouco a frente do portão. Jason deu a volta e abriu a porta enquanto ela se desenroscava do cinto de segurança. Ela saiu segurando em sua mão. Eles foram até o portão, os pais estavam na frente, tocaram o interfone e se identificaram. Pouco depois um enfermeiro chegou pessoalmente para abrir o portão.

Ele se dirigiu primeiramente a Jason, provavelmente pela forma que estava vestido.

— Na verdade, sou eu a paciente. – explicou Luna.

— A claro, claro, querida. Desculpe senhor. – ele se dirigiu a Jason, ele riu.

Os cinco entraram e o enfermeiro fechou novamente o portão.

— Você pode andar por aí e conhecer o lugar, vou com seus pais para o escritório, vamos analisar sua estadia aqui. – o enfermeiro se dirigiu a Luna com um sorriso enorme e se voltou para seus pais, que acenaram e o acompanharam.

Luna olhou ao redor e viu um gramado do tamanho de no mínimo dois campos de futebol. Espalhados nele, pessoas fazendo todo tipo de atividades. Alguns jogavam bola, peteca, conversavam com outros, sozinhos e alguns estavam deitados em divãs, conversando com médicos no meio do gramado.

Havia que parecia ser grupos de terapia, com pessoas sentadas em rodinhas no chão.

Alguns pintavam em telas espalhadas em todo lugar, outros, pintavam o rosto uns dos outros, e alguns pintavam os próprios muros do lugar.

Alguns plantavam flores, outros colhiam. Um deles ofereceu uma a Luna e saiu saltitando para o outro lado.

Alguns estavam deitados rindo, conversando, lendo, mas ninguém parecia notar que estavam em um hospício. Ou simplesmente não se importavam.

— Quero te mostrar um lugar. Eu achei lindo, você com certeza vai amar. – chamou Jason.

Eles tiveram de atravessar a grama, e passar por um corredor colorido. Perecia ser o lugar preferido deles para pintar. Finalmente, chegaram a uma porta branca no fim do corredor.

Jason abriu a porta e um cheiro inconfundível de cupcakes chegou até Luna.

Ela respirou fundo e olhou ao redor. O lugar tinha as paredes totalmente brancas. Umas dez pessoas tiravam bandejas de cupcakes do forno. Morangos, uvas, chocolates, chantili, baunilia, caldas de todos os tipos e qualquer coisa imaginável para decorar cupcake estava em cima do balcão.

Os cozinheiros a viram e a chamaram para mais perto. Seus olhos brilharam.

— Hora de cozinhar.

Notas finais
Só eu fico com uma vontade imensa de colocar esses emoticons no meio do texto? aopkspaoks
#chega u.u
Té mais, lindezas