Inverno Nuclear — Interativa
2 Capítulo 1 - O Dia em que Tudo Começou
Notas iniciais
Capítulo 1 — O Dia em que tudo começou.
Helena não imaginaria que, em um dia, ela cuidaria de mais pessoas do que em sua vida inteira. Helena, mais conhecida como Az, estava jogada em sua poltrona, esperando o telefone tocar para trabalhar — se houvesse trabalho. Ela era médica, cirurgiã, e geralmente trabalhava em áreas de guerra, como não havia muitas guerras atuais, ela estava entediada e isso era um problema, a ansiedade a fazia se mover, por isso desenhava alguma coisa no papel, enquanto vez ou outra via o noticiário. Az tinha cabelos loiros, olhos cor de âmbar, seios fartos, estatura média e uma cintura extremamente fina. Foi quando, de repente, um barulho atordoante a deixou surda momentaneamente. Ela caiu da cadeira e correu para a janela, vendo um enorme cogumelo aparecendo no céu, e uma nuvem negra aparecia, junto com um barulho de algo explodindo, e uma densa nuvem de fumaça subindo aos céus.
— Puta merda, eu acho que meu dia de folga acabou.
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— Seu nome, por favor? — Az questionou fria, enquanto encarava o rosto da jovem deitada na maca improvisada.
A jovem tinha longos cabelos loiros com um tom mel-escuro, batendo na cintura, com sardas nas bochechas, seus olhos cor de âmbar estavam em um tom triste, tinha uma pele alva, lábios desenhados e rosados.
— Ju-juliette.
— Então, Juliette, do que você se lembra? — Az perguntou, analisando a prancheta que segurava. — Aqui diz que você foi encontrada ferida em escombros de uma casa, o que houve?
— E-eu estava na e-escola quando ouvi a explosão, as pessoas c-correndo, e fui até em casa... meus pais estavam preparando-se para sair do país quando algo exp-plodiu e... acho que eu desmaiei... — Arregalou os olhos — Meus pais! Meus pais estão vivos?! — Questionou berrando, agarrando a doutora, esta que se deu um pulo de surpresa.
— Me solte, por favor? — A garota, Juliette, a soltou. — Obrigada, agora qual é seu sobrenome? Posso procurar e ver se seus pais estão vivos.
— M-Miller... — Disse Juliette, soluçando Az consultou a prancheta escrevendo o nome, mas parou e franziu o cenho.
— Miller? Com dois l’s?
— S-sim...
— Quais os nomes de seus pais?
— H-Henry e F-fleur.
Ela suspirou, como se algo tivesse saído de seu corpo.
— Tudo bem, é que esse nome não me é estranho... — Consultou a prancheta, virando as folhas — Sinto muito, mas você foi a única sobrevivente da explosão. Seus pais foram encontrados mortos.
Juliette paralizou-se, seus olhos enchendo-se de lágrimas e Az deu as devidas condolências, sussurrando um “Com licença” antes de sair de perto da agora órfã.
Ela suspirou e analisou a prancheta, passando rapidamente por nomes e mais nomes de feridos por causa de explosões — que pareciam ser de algum grupo terrorista —, inalação da fumaça das cinzas vulcânicas e alguns feridos por balas de armas.
— Srta. Brooks! Temos mais feridos aqui. — O médico-chefe gritou, enquanto consultava um tablet, talvez com nomes e documentos dos feridos.
— Tudo bem... — E foi até o próximo ferido.
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Crystal ignorou o comentário da garota. Estava parada e analisava a janela do lado de fora do orfanato, ainda remoendo-se e se perguntando onde seu pai, Luke, estava. Quando tinha 14 anos, seu pai havia misteriosamente desaparecido, sem deixar vestígios, e assim foi obrigada a ter que ir para o orfanato onde morava. Estava com seus cabelos loiros bem claros caindo em cascata sobre seus ombros com a pele pálida, com cor de neve, seus lábios de cor rosa-claro em um formato de sorriso tristonho, enquanto olhava para fora.
— Pare agora. — Disse, ríspida, para a garota que não parava de falar nem por um segundo.
— Por que eu pararia? — Respondeu no mesmo tom. Crystal a encarou fuzilando-a com seus olhos.
— Porque eu quero.
— Olha aqui sua vad...
Um barulho enturrescedor calou o xingamento, fazendo ambas olharem pela janela. Havia um enorme e brilhante cogumelo, como os de bombas atômicas, dominando o horizonte, com uma densa nuvem de fumaça subindo. As luzes do orfanato apagaram e gritos encheram o ar, fazendo ambas saírem de perto da janela e verem os órfãos correndo e gritando, com os adultos tentando contê-los, a cena quase invisível na escuridão do lugar.
Crystal correu para sua cama e agarrou uma mochila, ainda ouvindo os berros e gritos das crianças. Jogou o brinco de pérolas da mãe na mochila, o cordão de pérolas que fora um presente de seu pai, um caderno, o seu diário, o celular e um canivete-suíço que estava escondido embaixo da cama.
Levantou e, agarrada à bolsa, aproveitou os gritos e a movimentação para fugir pela janela.
— Vadia! Onde pensa que vai? — A tagarela que a havia irritado gritou agarrando-a.
— Fugindo desse internato. — Disse e a chutou, a fazendo cair no chão. Correu e pulou a janela caindo num arbusto, franzindo os lábios pela dor infligida pelos galhos afiados.
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— Estou bem pai, estou bem. — Melody reclamou ao telefone-celular, seu corpo caído por entre o sofá enquanto olhava a TV, que estava ligada em um canal qualquer.
Seus cabelos castanhos escuros estavam presos num rabo de cavalo alto, seus olhos castanhos escuros olhando vez ou outra para a TV, vez ou outra para as paredes da sala de estar. A pele branca e caucasiana do corpo pequeno e magro sendo destacada pela camisa negra que usava, e o nariz pequeno e arrebitado fungando, consequência do resfriado que havia pegado.
Seus lábios levemente grossos falavam ao telefone, onde seu pai, Camilo Hope Campovilla, falava dos EUA onde estava para uma missão especial. Ele era um atirador especial da SAT, e havia sido chamado de última hora para uma missão nos Estados Unidos, confidencial, segundo diziam os que o chamaram.
— Tem certeza filha? Eu sei que foi de última hora, mas não me deixaram leva-la e estou preocupado...
— Pai! Não tenho mais 15 anos, já sou uma adulta! Tenho 22, pelo amor de Deus!
Ouviu a risada de Camilo do outro lado da linha telefônica, a fazendo sorrir minimamente.
— Já estou pousando aqui em Washington, filha, tenho que desl-
As luzes, e o celular, desligaram-se ao mesmo tempo em que um som atordoante ecoou pela grande casa, a fazendo pular e olhar para a janela, onde um grande cogumelo aparecia no horizonte.
— Mas que diabos...? — Olhou para o celular e tentou liga-lo, mas ele não ligava de maneira alguma.
Correu para a janela e olhou para frente, ainda vendo o Cogumelo, agora que parcialmente desaparecia, com uma densa nuvem de fumaça dominando o céu azul. Enquanto olhava pela janela, não percebeu que as luzes ligaram-se, com um barulho de objetos elétricos ligando. Ela agarrou o celular e viu que havia ligado, ela pegou e digitou o número de seu pai.
“Esse celular está fora da área, por favor ligue novamente mais tarde, ou deixe uma mensagem após o bipe”.
— Pai! Aconteceu algo, não sei o que aconteceu, por favor ligue se puder... Ok?
E desligou o celular ainda analisando o céu escurecido pelas cinzas e ouvindo o noticiário da TV que havia sido ligada.
“E, segundo especialistas, dois vulcões entraram em erupção hoje, pela tarde, com poucos segundos de diferença, mas que não explica o enorme cogumelo que ainda está presente no céu”
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O detento olhou por entre os corredores, vendo os guardas andando em posição de sentido, alguns parados em frente às celas, outros conversando entre si. O detento tinha cabelos morenos e salpicados, batendo na nuca e olhos azuis escuros, estava com uma carranca séria, sua mão agarrada à pistola, escondida na roupa roubada do guarda que matara, alguns minutos atrás, roupa essa sendo usada como disfarce para si.
Ele mudou a expressão, usando os conhecimentos básicos de teatro, para parecer com os outros guardas em postura e aparência. Saiu do corredor, andando calmamente, sem chamar atenção para si. Os guardas olhavam-no, mas logo voltavam a seus deveres, sem desconfiar que aquele não era um guarda, mas um detento preso por tentativa e ato de homicídio, este último, doloso1.
Continuou a vagar pelos corredores da prisão, indo cada vez mais para frente, em direção à porta.
— Ei! Você! Parado! — Um guarda gritou, apontando a arma para o falso policial — Não se mexa! Peguem o desgraçado! Ele matou o Cris!
Os guardas erguerem as armas, enquanto o detento puxava a pistola e atirava no que o havia dedurado. Acertando em cheio na cabeça. Logo, o ar foi preenchido por barulhos de tiros e balas sendo atiradas para o detento, e este atirando nos guardas.
Foi então que, do nada, um barulho atordoante ecoou, enquanto as luzes da cadeia desligaram-se.
— Hei! O que houve?!
— Peguem-no!
— Onde ele está?!
Aproveitando-se da falta de energia, o detento disfarçado berrou:
— Saiam das celas! Elas são trancadas eletricamente! E a energia acabou!
Assim, as portas das celas foram brutalmente abertas e os prisioneiros lançaram-se em cima dos policiais, enquanto a luz elétrica voltava, mostrando o caos instalado na prisão, que abafava a fuga do prisioneiro disfarçado, que saia pela porta da frente, saindo da prisão.
— O que você guarda para mim, Inferno?
Continua...
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