Inverno Nuclear — Interativa
4 Capítulo 3 - Paz na Terra.
Notas iniciais
Capítulo 3 — Paz na Terra.
“Estamos aqui com Natan Winchester, um dos oficiais graduados da NASA, para falar sobre a ameaça do asteróide F-66, que parece estar se aproximando da Terra, além do Grande Cogumelo e da Erupção Dupla. ‘Obrigado, estou aqui como representante da NASA, a Agência Espacial Norte-Americana, da CIA, Agência Central de Inteligência, e do FBI, Agência Federal de Investigação, para informar para a população mundial sobre os acontecimentos recentes e futuros; como todos sabem, o planeta foi vítima de dois grandes acontecimentos recentes, a Erupção Dupla, como é conhecida, quando o Monte Fuji, no Japão, e o Monte Vesúvio, na Itália, entraram em erupção com pouco tempo de diferença entre eles, acompanhados de um estranho cogumelo, que se assemelha com o famoso cogumelo nuclear de Hiroshima e Nagasaki. Nossos especialistas estão identificando e procurando a fonte para esse fenômeno, sem sucesso ainda. Mas a NASA informa que o asteróide F-66 está se aproximando da Terra, ainda não há confirmação de impacto, contudo recomendamos qu-’”
A parede com a TV foi explodida. As pessoas gritaram, porém estavam presas na sala de lazer da fábrica. Do buraco, um grupo de pessoas todas com roupas pretas, armas de fogo e máscaras de gás entraram olhando em volta e erguendo as armas letais e pesadas.
— Todo mundo parado! — Gritou um deles, com a voz abafada pela máscara, carregando um fuzil. Ao contrário dos outros que tinham uma imagem de um globo terrestre com o símbolo do “Paz e Amor” por cima, este tinha o símbolo do Yin e Yang acima do planeta, parecendo ser o líder daqueles terroristas. — Quem se mexer leva bala!
Todos pararam e os outros Pacificadores adentraram na sala.
— Grupo um e dois plantem o C4! Grupo três fica aqui para tomar conta deles, o grupo quatro tome conta da região, não deixem ninguém chegar perto desse destruidor de atmosfera! — O líder berrou.
— Sim senhor! — Os pacificadores exclamaram, separando-se nos respectivos grupos, que saíram a força pela única porta, empurrando e derrubando no chão os empregados da fábrica.
— O q-que vo-ocês vão fazer? — Um dos empregados, com cabelos brancos e olhos castanhos, questionou apavorado, encarando o líder daquele grupo da Paz na Terra.
— Vamos ajudar a Terra a destruir os que fazem mal a ela. O planeta está com raiva, o Apocalipse chegou. Somos apenas um dos seus cavaleiros.
— Qual? O da burrice? — Questionou irônico. O líder avançou em sua direção, agarrando-o e o lançou contra a parede, fazendo todos os empregados pularem e se desviarem de ambos.
— O da Guerra; estamos guerreando contra os humanos maléficos. — falou — Somos o Cavalo da Guerra.
— Q-quem é o cavaleiro, então?
— As outras guerras. As guerras entre os humanos.
— E por que a nossa fábrica? — Ele perguntou.
— Porque ela é a maior poluidora da atmosfera da Terra. E nossa missão é ajudar o planeta na sua vingança. — Falou o líder.
— V-vingaça? Que vingança?
— Ora! Essa erupção dupla é o que então, além de uma vingança da Terra contra os que a fizeram mal? — Questionou.
— Um evento sísmico?
Ele bufou e jogou o senhor de meia idade no chão.
— Os C4 estão posicionados, senhor! — Um dos pacificadores dos grupos que haviam ido colocar as bombas na fábrica disse, entrando pela porta. O líder assentiu.
— Grupos um, dois e três: Recuar! — Berrou. Os dois grupos entraram pela porta e saíram pelo buraco aberto na parede. O grupo que estava com o líder seguiu-os.
— E nós? O que vão fazer conosco?! — O homem de meia idade gritou, perguntando.
— Se vocês conseguirem fugir... Nada. Se ficarem aqui... Nada. Apenas tem chance de serem mortos. Só isso. — Falou, pegando um pequeno controle de dentro do paletó que usava. — Vocês têm... — Apertou o botão, saindo correndo pelo buraco, gritando:
— 10 segundos!
E correu até o grupo, pulando atrás da barreira contra explosões montada pelos pacificadores.
Em dez segundos, toda a fábrica explodiu, com gritos dos empregados impregnando o ar. O líder sorriu, retirando a mascara de gás, mostrando um rosto com um sorriso malicioso, cabelos morenos e olhos verdes com um brilho maléfico nele.
— Veja Terra, veja o que Mark Peace faz por você! — E riu. Um riso maléfico e sarcástico. Enquanto via, com prazer, a fábrica sendo destruída e os gritos de dor, horror e morte enchendo o ar do lugar.
☯☯☯
Melody encarou a TV, vendo as imagens do atentado à Fábrica pelo grupo Paz na Terra. Estava sentada de pernas cruzadas no sofá, com o celular na mão e clicando no dígito 1 da discagem rápida, novamente, para tentar falar com seu pai.
“Esse celular está fora da área, por favor ligue novamente mais tarde, ou deixe uma mensagem após o bipe”.
— Pai, por favor, atenda o mais rápido possível. Tem um grupo terrorista e... — Suspirou, desligando o celular e lançando-o no outro lado do sofá, agarrando os cabelos, nervosa.
Ela levantou o olhar vendo a repórter falando com um militar.
“O grupo chamado de Paz na Terra estão se autoproclamando o Segundo Cavaleiro do Apocalipse, dizendo que estão aqui para auxiliar a vingança do planeta Terra e a Mãe-Natureza contra os humanos. A polícia militar e civil está arduamente trabalhando numa maneira de parar os ataques terroristas, mas, por enquanto, não há um padrão em específico nos atentados dos Pacificadores, como são denominados os membros desse grupo terrorista”.
Melody desligou a televisão de tela plana, se levantando do sofá, indo para o quarto. Abriu o computador que estava na escrivaninha, entrando nas redes sociais e sites de debates e chats, cheio de imagens e comentários sobre o Grande Cogumelo e a Erupção Dupla, a maior parte dizendo que estavam entrando no Apocalipse. Mas o que chamou a atenção da Cuiamá foi um comentário em específico, de um tal de “M”:
“O Inferno está chegando! Querem saber o que vai acontecer? É bem simples: Esse é só o Rumo para o Fim do Mundo, o rumo para o Inferno! Querem saber o que vai ocorrer? Segundo especialistas, o que vai acontecer é o Inverno Infernal, também chamado de Inverno Nuclear.”
Ela encarou a postagem, franzindo o cenho. Será? Ela clicou no link anexo à postagem. Era de um site, que falava sobre prováveis apocalipses, entre eles, mais embaixo e sem importância, estava a teoria do Inverno Nuclear, sobre um inverno infinito e congelante, assassino.
Ela arregalou os olhos, pensando como essa teoria do tal de M era a mais provável de ocorrer. Correndo para seu quarto, pegou a mochila e guardou alguns casacos, blusas de frio e outros acessórios e roupas para o frio, como cobertores. Pegou uma das fotos de sua família, quando ela tinha 8 anos. Ela correu até a cozinha, vendo que não tinha muita comida. Praguejou, xingando, e correu até a garagem pegando uma pequena pistola do pai e uma bolsa plástica. Saiu de casa e carregando uma bicicleta para poder pedalar em direção ao supermercado, para comprar comidas não-perecíveis.
Porém, ao passar pelo quarto, ela parou e olhou para o comentário de M, que parecia ter sido escrito enquanto preparava as coisas.
“Preparem-se para pularem da Primavera Paradisíaca para o Inverno Infernal. Preparem-se para o começo do fim, mas não se esqueçam: Isto é apenas o começo”.
☯☯☯
Vincent alisou a carta, como se temesse se ela rasgasse se não fosse alisada. Estava na saída do orfanato — mesmo não sabendo, o mesmo que Crystal saíra no começo do Apocalipse — e olhava para os lados, temeroso, não sabendo se algo aconteceria se fosse embora.
— Vincent! — A Diretora do orfanato exclamou, agarrando-o. Ele tentou se desvencilhar da senhora de cabelos brancos, mas ela era forte; mais do que parecia.
— Você vai voltar para dentro!
— Não vou! — Berrou, tentando fugir do aperto, mas foi puxado mais fortemente. Pararam na entrada do Prédio Principal.
— Olhe aqui moleque, se você não... — Ela parou.
Num momento, lá estava o prédio inteiro, no outro, tudo explodiu. A porta foi expelida para fora, e ambos caíram no chão, Vin numa moita, a Diretora abaixo das escadas que levava a porta, esta que estava destruída. Um grupo de pessoas, todas com roupas negras com um símbolo do Globo Terrestre e o sinal do “Paz e Amor” em cima, com máscaras de gás e armas pesadas e de fogo na mão saíram do buraco aberto pela explosão.
Um deles, com o sinal de Yin Yang ao invés do Paz e Amor, agarrou a Diretora levantando-a.
— Q-quem são v-vocês? — questionou a idosa, apavorada. De sua testa um filete de sangue saía, com suas roupas esfarrapadas.
— Somos Os Pacificadores! — Com a voz abafada, o do símbolo yin-yang respondeu.
— O que vocês fizeram! Vocês mataram as crianças! — Berrou, se debatendo.
— Não se preocupe, Sra. Manson, elas estão vivas. Apenas três não.
— Três?! Por que fizeram isso?! — Questionou, fraca, Sra. Manson; o líder riu.
— Eles são os trigêmeos Lawreance, filhos de Roger Lawreance, o maior poluidor da Mãe Natureza, vamos fazê-lo parar de uma vez.
— Não façam isso! Soltem-me! — Gritou a diretora.
— Sinto muito, mas não posso fazer isso. — Falou, lançando-a ao chão e atirando com o rifle em sua cabeça.
Vincent abafou o grito que quase saiu de sua garganta. Ele a matou! Viu quando os outros Pacificadores saíram de dentro do orfanato destruído, carregando os três gêmeos. Uma era uma garota, os outros dois eram garotos. Todos com cabelos morenos, um com olhos azuis, outro com olhos castanhos a garota com os olhos azuis.
— Vamos! — Berrou o que havia atirado na Diretora Manson, indo na frente, seguido pelos outros pacificadores, os três últimos cada um segurando um dos trigêmeos.
Vincent expirou o ar que não sabia que estava prendendo, esperando os membros do Paz na Terra saírem de vista. Vin levantou-se, com a respiração e o coração acelerados. Vin apoiou-se nos joelhos, tentando normalizar a respiração.
Olhou para a saída do terreno do orfanato, carregando a mochila e fechando os olhos, respirou fundo.
Saiu pelo portão, deixando para trás um lugar que já fora cheio de vida, e que agora era o palco de morte e destruição.
☯☯☯
O carro parou na casa de Carter.
Depois de passarem na casa de Karan e no trabalho do pai de Polyanna, onde não acharam ninguém em ambos, foram em direção ao apartamento de Carter. O carro parou e os três desceram, Carter saindo do banco de motorista. Carter foi à frente, logo depois veio Karan, Poly foi mais para trás. Carter estava sorridente, talvez por enfim encontrar os pais e o irmão mais novo. Ele abriu a porta, ainda sorridente, mas ao olhar seu sorriso desapareceu, fazendo-o ficar com uma cara de horror. Karan correu para perto do amigo, surpreso pela mudança repentina de humor, e ficou abismado com a cena — e atrocidade — que viu dentro da casa de Carter.
Os móveis revirados, o piso destruído, a mesa de vidro quebrado e destruído no chão, papéis jogados por toda a sala. Mas o mais atordoante era os dois corpos caídos e ensanguentados no chão. Os pais de Carter. Os olhos verdes de Carter ficaram marejados e correu até os pais, com os cabelos castanhos claros caíram na franja. Ele olhou para o pai, que tinha um buraco de bala na cabeça. Morto. Carter limpou as lágrimas, enquanto Poly entrava na porta. Ela arregalou seus olhos castanhos escuros e colocou a mão na boca, cobrindo-a de choque.
— C-ca-rr-ter... — Sussurrou uma voz feminina, fraca.
— Mãe! — Carter berrou, indo até a mãe, que tinha um buraco de bala na barriga. Arregalando os olhos, Karan correu e pressionou a mão contra o ferimento, tentando parar o sangramento. Poly correu para junto dos três, fazendo uma mecha de seus cabelos cacheados caírem sobre seus olhos.
— O que houve? — Disse Carter com a voz embriagada.
— Uns homens entraram a-aqui. Eles t-tinham uma fai-aixa de um plan-neta com o-o símb-mbolo dos hippies. — Ela tossiu.
— Paz e Amor? — Questionou Karan, ainda tentando parar o sangramento, molhando as mãos de sangue.
— S-sim. — Tossiu. — S-seu p-pai t-tentou para-los. Mas e-eles atiraram n-nele, e me ac-certaram.
— Mãe, por favor, mãe...
— J-james está n-no quarto da e-empregada. — Ela falou, num fio de voz — E-eu am-mo vocês, filho nun-nca se esqueça.
Ela fechou os olhos.
— MÃE! MÃE ACORDA! — Carter berrou agarrando o corpo da que o deu a luz.
Karan sentiu o pulso, retirando as mãos do ferimento. Não tinha. Ele olhou para Poly, que olhava para o amigo, ele disse, apenas movendo os lábios:
“Está morta”.
Poly assentiu, abraçando o corpo de Carter, que chorava descontroladamente, agarrado à mãe. Karan, sem saber o que fazer, foi até o corredor, entrando no quarto da empregada. James o irmão mais novo de Carter, com apenas 6 anos, estava no chão, assustado e olhando para Karan como se ele fosse um fantasma. Karan se ajoelhou, abraçando-o. James o agarrou, e Karan levantou-se com o garoto no colo. Saiu pela porta dos fundos, impedindo o garoto de ver a terrível cena na sala de estar.
Carter e Polyanna saíram pela porta da frente, ele com os olhos avermelhados, e se aproximaram dos dois, conversando entre sussurros.
— Queria enterra-los... — Carter falou.
— Não é uma boa idéia... Ia demorar, e se eles voltam?
— M-mas...
— Carter, nós temos de achar o Miguel e os nossos parentes.
— T-tudo bem.
Chegaram até Karan e James.
— Vamos? — Sussurrou Karan.
— Sim... — Disseram.
Eles entraram no carro, indo até a casa de Miguel.
Dessa vez, Karan dirigia.
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