Inverno Nuclear — Interativa

13 Capítulo 12 - A Nuvem Negra


Notas iniciais
Capítulo novo! Este capítulo está diferente dos outros, quero que dizem se vocês preferem assim ou da forma dos capítulos passados. Além disso, esse é meu presente de aniversário para meu caro leitor Fábio, apesar de ter sido ontem, só terminei hoje. Esse capítulo é para você, mas, claro, ele é canônico! Quero review, hein? Sem mais enrolação, aproveitem! Enjoy>>>

Capítulo 12 — A Nuvem Negra

Camilo

Camilo encarou a tela brilhante, onde a massa negra ocupava toda a dimensão do Radar Meteorológico. Camilo Hope Campovilla era um agente da SAT, que havia sido chamado para Washington D.C. para uma missão de extrema urgência, mas que não tinha mais tanta prioridade quanta à situação atual do mundo, o alerta global estava no nível máximo, uma espécie de Alerta Vermelho Internacional. Pela sua experiência no exército, além de sua inteligência e sua patente na SAT, Camilo fora um dos poucos que foram chamados para um dos prédios de proteção da capital dos Estados Unidos, onde estavam monitorando a situação do resto do mundo. Apesar de sua maior vontade era resgatar e proteger a sua filha, Melody, sua maior prioridade era ajudar a proteger seus homens.

Camilo sentiu seu estomago dobrar de nervosismo, ao pensar nisso. Ele não tinha uma patente muito alta, era geralmente o terceiro ou segundo em comando. Naquela missão, especificamente, ele era o segundo em comando. Seu comandante, General O'Connor, estava num avião separado dos outros membros da missão, porém durante a Erupção Dupla e o Grande Cogumelo, o avião sofrera uma interferência nos sistemas, acabando por cair no meio da América do Sul, deixando Camilo no comando de cerca de vinte homens e, naquele momento, o Campovilla não poderia deixar vinte pessoas ali, sem comandante, para cumprir uma vontade egoísta, por mais que amasse sua filha, sabia que ela era independente o bastante para sobreviver o bastante para Camilo poder organizar tudo e resgatá-la a tempo, antes que a situação piorasse ainda mais.

­­­—O que é essa mancha? — Camilo questionou para um dos cientistas que ali estavam, antes lendo informações numa outra tela, ao lado do “radar” que o membro da SAT analisava.

O laboratório estava repleto de computadores e CPUs gigantescas por todo o lugar, os sistemas ficavam apitando e sendo monitorados por alguns cientistas, todos analisando e estudando coisas como a situação atmosférica, e fazendo simulações sobre o que aconteceria com o planeta caso coisas específicas acontecessem ou deixassem de acontecer. Pela sua curiosidade e falta de informações existentes do lado de fora da Central de Monitoramento, o Campovilla adentrou no local, tomando o máximo de cuidado para não interromper o trabalho dos especialistas — sabia muito bem o que acontecia quando alguém interrompia o trabalho alheio, basicamente, uma raiva inexplicável e ele não queria começar uma Terceira Guerra Mundial entre ele e os cientistas.

Foi quando sentou numa estação de trabalho onde a compreensão dos circuitos era mais fácil e coerente para si, e fora ali que encontrara o estranho radar, onde a grande massa verde comaçava a pouco a pouco tomas toda a extensão do círculo, e um mau pressentimento passou por si ao analisar melhor aquilo — e por causa disso, chamara a atenção do cientista mais próximo, que tinha mais conhecimento que ele sobre isso.

O cientista deslizou sua cadeira para o lado, até ficar ao lado de Camilo e olhou para o radar. Seu rosto, rapidamente, passou de uma cara de despreocupado para uma do mais puro nervosismo. Ele logo empurrou o atirador para o lado, começando a teclar em algo nos computadores próximos ao radar. O Campovilla encarou o especialista enquanto o mesmo trabalhava em algo nos sistemas.

— O que houve? — Voltou a perguntar.

— Você acabou de localizar algo que não pensávamos que fosse possível de ocorrer, a Nuvem Negra está sendo formada... Não achávamos que isso realmente ocorreria, mas parece que não analisamos corretamente as consequências atmosféricas dos acontecimentos, parece que a explosão dos dois mega-vulcões, somado com a explosão e a formação do Cogumelo Nuclear originado do Pes-

— O que? — Camilo questionou, ao perceber a parada brusca da fala do cientista. — O que você iria falar? Era algo sobre o que originou o Grande Cogumelo...?

— Isto é confidencial, Sr. Campovilla. Ele não poderia ter falado nada, mas parece que sem querer acabou dizendo algo que não devia... — Uma voz soou atrás do membro da SAT, que virou para trás, encarando o homem que falara consigo.

O homem vestia um uniforme militar que estava repleto de medalhas no peito do uniforme. Tinha olhos castanhos escuros, assim como um cabelo moreno raspado curto, como o padrão militar. Ele estava com as mãos atrás das costas, e sua altura e postura dava a ele um ar de superioridade, como se fosse um verdadeiro líder.

— Quem é você, senhor? — Questionou o Hope.

— Eu sou o Marechal Maycon Jackson, Campovilla, sou o responsável por essa instalação e da Divisão Militar de Washington. Essas informações são confidenciais e apenas quem tem patentes realmente altas, ou para os que participaram do devido projeto sabem sobre isso, Campovilla, e um atirador da SAT não tem autoridade para isso. Então, senhor Hope, por favor, não faça mais perguntas sobre o Grande Cogumelo, tudo relacionado a ele, que não foi divulgado pela mídia, é confidencial.

Camilo encarou o Marechal, que apenas deu as costas para o Campovilla e parou ao lado da porta da sala, encarando o atirador especial da SAT. Estava sendo observado, por algum motivo, havia algo sobre o Grande Cogumelo que não cheirava bem...

O cientista que quase revelara as informações continuava concentrado em seu trabalho no computador, dessa vez evitando contato visual com Camilo, mas havia algo estranho no ar. Os cientistas todos restavam agora nos sistemas, concentrados em algo que parecia ser urgente, seja lá o que fosse que ele descobrira, era importante. Camilo olhou para o radar que antes analisava, vendo a grande massa se aproximando do centro do radar, cada vez mais perto. Seja lá o que fosse aquilo, não parecia ser algo bom, mesmo. Ele levantou-se, sentindo o olhar de Jackson em suas costas, não poderia fazer nada ali, não enquanto o Marechal continuasse parado na porta, encarando-o a todo o momento, analisando seus passos. Ele seria um adversário em sua busca por informações sobre aquilo que estava acontecendo na situação mundial.

Nada o impediria de conseguir as informações e, principalmente, proteger sua amada filha...

Melody

Naquele dia, o Sol não nascera. De um dia para o outro, o céu de onde estava dormindo ficara completamente coberto por uma espécie de gigantesca e enorme Nuvem da mais pura cor Negra, que tomava conta de todo o céu visível, até o horizonte, a mais pura escuridão. Consequentemente à escuridão, também havia o frio. Parecia que, em menos de dois dias, a temperatura média mundial caíra cerca de quinze graus. Ela estava abraçando a si mesma, conservando o calor, numa tentativa inútil para impedir o congelamento. Virou-se para um dos lados do quarto, tremendo de frio e começando a vasculhar uma das mochilas, jogadas numa das paredes do quarto onde estavam localizados, enquanto o ronco de Adam e a respiração calma de Antony e Demetria preenchiam o silencio. Suas mãos vasculharam a parte interna da bolsa, até encontrar o que procurava. Agarrada ao casaco, Melody saiu do quarto, indo até a varanda do quarto do hotel onde estavam hospedados. Depois do ocorrido após a Queda do F-66, Melody foi levada para um hospital, depois de dois dias, recuperara-se o bastante para poder ser movida de lugar, e os quatro foram guiados até um hotel nas proximidades do hospital, já que ela não estava num estado tão grave a ponto de necessitar ficar de repouso por uma semana, e aquele quarto seria o bastante para sua recuperação.

Agarrou a roupa de frio, puxando-a e retirando do compartimento central da bolsa. Suas mãos tocaram o tecido macio e quente, seus dedos vagando para o bolso da parte interna do casaco, puxando então o pequeno pedaço de papel de dentro. A foto, preciosa para a garota, mostrava a família feliz e completa que fora destruída pelo tempo. A pequena garotinha, que estava nos ombros do pai, era uma versão mais nova e feliz da atual Melody, esta menor e com os braços abertos e a boca — sem dentes, pela queda dos de leite — num sorriso enorme e puro de criança inocente. Ao lado de Camilo, o pai de Melody com a pequena nos ombros, estavam duas pessoas. Uma mulher, mais baixa que Camilo, mas com um grande e carinhoso sorriso, estava com as mãos nos ombros de um garoto um pouco mais velho que a Cuiamá, que também sorria.

Aquela foto representava tudo que fora destruído pelo maior inimigo de Melody: O tempo. O tempo parecia ser algo bom, mas na realidade era algo cruel. Não poderia ser reescrito ou mudado, não poderia retroceder-se ou ser utilizado como uma forma de alegria era algo que nunca mais seria mudado, uma vez iniciado, não poderia ser voltado ou ser reescrito, o que fora feito estava feito, e nada mudaria isso. O tempo destruíra sua família, o tempo fizera era ser daquele jeito. O tempo era a única coisa que Melody queria que voltasse, mas era impossível. O passado nunca voltaria...

Algo gelado tocou sua mão direita, que segurava a foto, a fazendo olhar para a mão. Então mais daquilo começou a descer e encostar em seu corpo, cada vez mais frequente até aquilo começar a descer feito gotas de chuva em uma tempestade. Apesar de molhado e gelado como gotas de chuva, não era água, não exatamente água, mas algo mais sólido... Seus olhos se arregalaram ao perceber o que era aquilo.

— Adam, Tony, Demetria acordem! Tem algo estranho acontecendo... — Gritou enquanto encarava o exterior do quarto, onde as luzes das casas eram ligadas e algumas cabeças saiam para investigar o grito de Melody, que corou um pouco com aquilo, mas logo deixou de se preocupar com aquilo quando os três companheiros dela aparecerem na porta da varanda olhando para a garota, que estava com os olhos arregalados e o corpo tremendo de frio.

— O que houve? — Antony questionou, olhando para Melody que apenas sussurrou:

— Está nevando, Tony, está nevando no verão.

Simon

A descida do avião fora mais turbulenta que o esperado. Simon e as garotas tiveram de voltar para a parte inferior do jato enquanto o piloto habilmente pousava o veículo aéreo na pista de pouso mais próxima, como solicitado por ele. Simon sabia que chegar até Nova York, onde era o objetivo inicial, seria impossível com o asteroide se despedaçando durante a queda e as interferências cada vez mais frequentes nos sistemas de pilotagem do avião. Assim, solicitou ao piloto para aterrissar na pista mais próxima de onde eles estavam, por garantia para que o jato não acabasse por cair e matar a todos ali dentro. Obviamente, preferia fazer isso a arriscar-se a morrer.

— E agora? — Juliette questionou, encarando Simon. O homem apenas fez um movimento com a mão, indicando para segui-lo, e atravessou a pista de pouso particular, até chegar à uma construção retangular e repleta de paredes de vidro, com luzes piscando e uma porta automática que abriu com a proximidade dos três.

— Simon? — Uma voz saiu de detrás de uma parede, enquanto um homem entrava na visão dos três. — O que faz aqui?

— Olá John. Como está? Espero que não fique bravo comigo por usar sua pista de pouso particular, mas era isso ou cair com o avião no meio de Boston.

— Está brincando comigo? — Disse, agarrando o homem e o abraçando, a diferença de tamanho ficando então visível, pelo fato de Simon parecer estar sendo esmagado pelo maior. — É sempre bom ver meu velho amigo!

John era mais alto que Simon, vestia uma roupa de trabalho, calças sociais e uma camisa polo suja de algo parecia graxa. Tinha cabelos castanhos bagunçados e sujos, além de olhos escuros que tinham um brilho travesso, como se a qualquer momento ele pudesse fazer uma pegadinha neles.

— E quem são essas moças, Simon? Não vai me apresentar a elas? — Disse num tom malicioso. Em resposta, Az apenas revirou os olhos, e Juliette prendou a risada ao ver a atitude de Simon de se soltar dos braços do amigo e arrumar a roupa, endireitando a postura.

— Essas são Helena, que prefere ser chamada de Az, e Juliette, ambas estão comigo. Fomos chamados até a sede da ONU, estamos investigando o Terceiro Cavaleiro.

— Ah, a Praga. Entendo, perdi uns bons funcionários vítimas dessa maldita doença. O que fariam na ONU? — John questionou, guiando-os pelo lugar. Apesar de temerosas, Simon percebeu, Az e Julie seguiram os dois homens.

— Estamos analisando as propriedades do vírus d’A Praga, Az é uma médica talentosa e está me ajudando nas nossas tentativas de encontrar uma cura ou vacina para a doença. A ONU tem mais recursos que as empresas e instituições da costa Oeste, como você bem sabe.

— Ah, entendo. Então estavam indo para Nova York quando o F-66 caiu? As propriedades do meteoro devem ter confundido os sistemas da nave. — O homem parou à frente de uma porta. Vasculhou os bolsos até puxar um cartão, inserindo-o num compartimento ao lado da porta e logo um barulho de destrancamento soou. A porta foi aberta e os quatro adentraram o lugar.

Eles entraram numa enorme sala, repleto de computadores e instrumentos que apitavam e piscavam, enquanto algumas poucas pessoas mexiam nos consoles, trabalhando em algo. John apontou para uma mesa no centro da sala, onde os cinco sentaram.

— Que lugar é esse? — Juliette questionou, fascinada. John deu uma risada, dando tapinhas no ombro da garota.

— É aonde tudo acontece, minha cara. Esta empresa passou por gerações da minha família há décadas. Trabalhamos em analises da atmosfera e nutrientes do solo. Somos o que vocês chamam de “fazedores de tudo”, enquanto os outros se preocupam com o passado e presente, eu me preocupo com o futuro. Somos os responsáveis pelas criações dos bunkers e outros lugares que são responsáveis para ajudarmos o futuro da Terra. Essas coisas.

— Como estamos após a queda do asteroide? — Az perguntou.

— Parece que o efeito borboleta está ocorrendo agora mesmo. A Nuvem Negra está no processo de engrossamento. Em pouco tempo, entraremos no Inverno Nuclear. — Disse John, agora sem o tom brincalhão na voz. Sua voz saiu num tom sério e preocupado, ao mesmo tempo. — A Erupção Dupla, o Cogumelo Nuclear, a Queda do Asteroide, tudo está guiando para o Inverno. Antes que vocês perguntem, a Nuvem Negra é um fenômeno que os cientistas estavam supondo ocorrer. Após uma Guerra Nuclear, ou a explosão de algum Mega Vulcão, lançaria tanta ferrugem e poeira para a atmosfera que eles acumular-se-iam até chegar a um ponto em que todo o céu seria coberto por essa camada de poeira, bloqueando a luz do Sol e iniciando um Inverno gigantesco e muito gelado. É o que chamamos de Inverno Nuclear.

— E essa Nuvem Negra... — Helena começou a falar, mas sendo interrompida.

— E essa Nuvem Negra está sendo formada agora mesmo, lá fora, no céu e em breve enfrentaremos o Fim do Mundo, Az, e não será como a extinção dos dinossauros ou como os filmes retratam, numa epidemia zumbi. Será de uma forma bem pior e mais torturante...

Simon olhou para fora, completando a fala de John.

— Será pelo Inverno Nuclear.

Miller

A escuridão era uma das poucas coisas que Miller gostava. Claro que não odiava o sol e o calor, mas era durante a noite que ele pensava melhor, e conseguia desviar de suas preocupações e receios. Então, quando viu no céu a nuvem escura que tomava conta de quase todo o céu, cobrindo o Sol e substituindo as nuvens brancas convencionais, Miller realmente sorriu ao perceber que, como sempre, ele estava certo no que terminaria aquilo tudo. Inverno Nuclear. Parece que mais pessoas não acreditaram em si... Suas mãos abriram a porta de madeira deteriorada pela ação do tempo, seu corpo saindo da casa velha e repleta de cupins. A arma de longo porte estava pendurada em seus ombros, por uma espécie de alça. Apesar de pesada, o moreno sentia-se muito melhor com a arma perto de suas mãos, pronta para ser sacada e utilizada. Era melhor guardá-la, ele sabia, mas era noite, e ele dominava a noite.

Naturalmente, agarrado à arma e a mochila de suprimentos, Miller começou a cidade, que estava na mais tenebrosa escuridão. Mais uma vez, ele supunha, a energia fora cortada para dar mais prioridade em outros locais como hospitais e delegacias, o que fazia a cidade parecer fantasmagórica e até mesmo assustadora, mas como sempre, Miller mal percebeu isso. Estava numa das áreas menos afetadas pelos acontecimentos, por causa disso, a cidade estava em pleno blecaute. Por algum motivo, segundo viu no noticiário, a reserva de energia simplesmente fora drenada de alguma forma. Com a eletricidade escassa, o governo resolveu apenas distribuí-las nas cidades em piores condições, até a situação melhorar. Miller lembrou-se de rir daquilo. As pessoas eram muito ingênuas, ignorantes, facilmente manipuladas. Ninguém entendera o porquê dele ter rido, mas o moreno não se importou com aquilo, era algo só dele: nunca acreditaria em outras pessoas. Querendo ou não, todos lutavam para sobreviver, não importando a vida que tinham, a parte animal continuava a ter a necessidade de viver a melhor vida possível, a fome insaciável, o objetivo de sobreviver, sem se importar com os outros... Continuava ali, firme e forme, mas escondida nos milênios em que os seres humanos fingiam ter evoluído, sendo que na realidade, a única coisa de diferente entre eles e os Neandertais era a estrutura óssea e a capacidade de fala. Os instintos animais continuavam lá, escondidos, mas existentes.

Atravessou mais uma das ruas residenciais, os ouvidos atentos a qualquer barulho, facilmente percebidos no silencio do bairro, as mãos agarradas à Preciosa, e seus olhos — já acostumados com a escuridão da noite — e seus pés andando o mais calmamente possível, quase não fazendo som. A respiração estava calma, seu corpo totalmente adequado à situação. Ele continuou andando, até um barulho conhecido por ele chegar aos seus ouvidos. As luzes vermelhas e azuis, alternadamente, iluminaram a rua, e a viatura policial apareceu no horizonte. Miller entrou num dos becos entre duas casas, camuflando-se na escuridão, com sorte seria apenas uma ronda noturna...

Miller percebeu que estava com azar quando, ao invés de passar reto, o carro estacionou a frente de uma das casas que formava o beco onde o ex-detento estava. A porta foi aberta e dois policiais saltaram um deles segurando uma lanterna, iluminando a rua, e o outro falando num walkie-talkie policial, reportando a situação.

— Central, estamos à frente da casa que o prisioneiro disse ser da Paz na Terra, aguardando confirmação do endereço, câmbio. — O policial disse, repetindo o endereço da rua, enquanto o colega iluminava a porta e se aproximava, com uma das mãos na pistola que carregava.

— Endereço confirmado, prossiga na abordagem, cautelosamente, reforços já estão a caminho, câmbio. — A voz robotizada saiu do aparelho, fazendo o policial assentir com a cabeça. O parceiro desligou e guardou a lanterna, puxando a pistola e apontando para a porta. O outro policial se aproximou da casa, enquanto Miller, que assistia a tudo escondido na escuridão, ajoelhava-se e mirava com a metralhadora para os policiais, por garantia. Seu dedo já estava encima do gatilho, pronto para qualquer coisa.

Algo gelado caiu na mão de Miller, o fazendo perder a concentração por um segundo, segundo este em que os policiais arrombaram a porta. Os gritos dos policiais preencheram o ar, enquanto a neve caía, e mais barulhos de sirenes soavam. No que me meti? Pensou, resmungando, alternando a mira na porta e no horizonte.

— Atirem! — Uma voz grossa saiu de dentro da casa, seguido por barulho de tiros. Da localização onde estava Miller não podia ver o que acontecia dentro do lugar, mas via as luzes amarelas iluminando, consequências dos tiros.

Alguns carros pararam a uma quadra dali, e os policiais pularam do carro, correndo armados por pistolas e mirando para frente. Da porta da casa, um grupo de homens vestidos com a roupa do Paz na Terra, mas sem as máscaras, saíram atirando nos policiais, que revidaram os tiros. O ar do lugar foi preenchido pelo som dos tiros, dos gritos dos civis do bairro que ouviram os tiros e gritos de dor que eram exalados quando algum tiro acertava o alvo. Miller continuou no mesmo lugar, armado com a metralhadora, mirando no tiroteio.

Ele estava acostumado com aquele barulho de troca de tiros, mas nenhum dos residentes dali estava acostumado numa guerra no quintal de casa. Assim, durante a troca de tiros, Miller ouvia o grito das pessoas cada vez mais alto, sobrepondo-se à da guerra entre os policiais e os pacificadores. Apesar disso, sua concentração estava completamente na progressão da batalha entre a polícia e os criminosos. Quando mais o tiroteio prosseguia, mais corpos surgiam, e mais perto os pacificadores estavam do lugar onde Miller escondia-se. Foi então que, tão rápido como começou, terminou. Os pacificadores abaixaram as armas, os sorrisos ocupando os rostos. Afinal, o crime vencera aquela batalha. Miller passou os olhos entre os sobreviventes, cinco ao todo de cerca de vinte deles. Era o bastante para ele.

Saiu do esconderijo, agarrado à sua Preciosa, e encarou os pacificadores restantes, que miraram nele. Miller, sem se abalar, apenas sorriu.

— Vocês não são tão bons assim, sabia? Eu acabaria com eles mais rápido que vocês vinte, e sem nenhuma morte. — Disse arrogante.

— Ah, é mesmo? — Um deles disse, rindo. As pessoas das casas olhavam pelas janelas, aterrorizadas. — Você se acha muito, sabia seu merdinha? Nós estamos em maior número, podemos exterminar você em dois segundos.

— Tente meu caro. — Ergueu a P-90. — Vamos ver no final quem ganha.

Seu dedo pressionou o gatilho. As balas saíram do cano da arma, rasgando o ar e encontrando com os corpos dos pacificadores, alguns deles conseguiram atirar, mas Miller facilmente desviou dos tiros, rolando e atirando ao mesmo tempo. Em menos de dez segundos, quatro estavam mortos, e o que falara com o moreno estava deitado no chão, desarmado e tossindo sangue. Miller sorriu e pisou no peito do homem, o fazendo ofegar.

— Aprenda algo, filho da puta. Ninguém se mete comigo, Miller, e fica vivo. — Mirou a arma e sorriu. — Te vejo no Purgatório. — E atirou.

Miller deixou a rua, banhada de sangue, com um sorriso maléfico no rosto, e sem olhar para trás.

Continua...

Notas finais
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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.