Inverno Nuclear — Interativa
11 Capítulo 10 - A Queda do Asteroide
Notas iniciais
Capítulo 10 — A Queda do Asteroide
Alguns dias atrás...
Amy não gostava muito de Crystal, mas não podia deixá-la sozinha.
Depois de Clark e Miller simplesmente sumirem sem deixar vestígios, Amy acabara por ficar com Crystal e um monte de civis apavorados ligando para a polícia e suas famílias, enquanto a mídia chegava ao Café. Amy agarrou o braço de Crystal, puxando-a e indo em direção a um beco nas proximidades. Escondeu-se e puxou-a junto consigo. Algumas viaturas de polícia passaram pela rua à frente do beco, catando pneu, e com as sirenes ligadas provocando um imenso barulho.
Amy soltou a respiração que não sabia estar prendendo, encarando Crystal, que a olhava atordoada. Amy franziu o cenho, sem saber o porquê dela estar com aquela cara. Crystal estava com a pele mais pálida que o comum — se é que isso fosse possível — além de estar com os lábios fortemente pressionados pelos dentes, fazendo um filete de sangue cair.
— Tudo bem? Você está com uma cara estranha.
Crystal deu um pequeno e tímido sorriso.
— Obrigada por me ajudar, mas é que eu ainda estou sem lugar para passar a noite. — Disse corando. — Você poderia emprestar sua casa? Se não fosse muito incômodo, sabe.
— Imagina, eu iria ador- — Ela continuaria falando, mas, de repente, parou abruptamente. Lembrou-se do primeiro dia naquela bagunça toda, e a verdade caiu sobre si: Também não tinha casa! — Droga. Desculpe Crystal, mas é que minha casa foi explodida.
— Explodida? — Crystal questionou, com os olhos arregalados, Amy corou e coçou a cabeça, envergonhada.
— É, sabe, pelos mesmos caras que nos atacaram na cafeteria.
— Então... Você também está sem lugar para dormir. — Crystal concluiu,
Amy assentiu, suspirando, e encarou entristecida para a garota pálida.
— Desculpa. — Ela fechou os olhos, mordendo os lábios com força, quase os fazendo sangrarem.
— Não tem problema. É só achar um banco de praça e pegar um jornal na rua. Melhor que uma cama macia. — Crystal disse, provocando uma risada em Amy.
— Você parece o Ian fal... — Ela parou, engolindo em seco, lembrando-se de Ian, Não podia falar de Ian! Suspirou, enquanto respirava fundo. Foi então que Crystal percebeu a tristeza repentina de Amy e franziu o cenho.
— Você está bem, Amy? — Crystal perguntou preocupada. Assustando-se quando Amy gritou de alegria. — Que foi?
— Já sei! — Ela sorriu, ignorando o estomago embrulhando. — Tem... Tem uma casa onde podemos ficar.
— Qual?
Amy sorriu, seu estomago tentando retirar tudo que havia em seu estomago. Aquilo era uma má idéia, na verdade era uma péssima idéia, com certeza. Ela sabia que se arrependeria mais tarde, quando pensasse mais sobre isso, mas era isso ou passar o resto das noites na praça da cidade.
— A casa de um amigo meu, chamado Ian.
Para Amy foi fácil entrar na casa de Ian, mas ao mesmo tempo, muito difícil.
Não demorou muito para ela e Crystal chegarem a casa de Ian,
Fácil porque Ian deixava uma chave reserva — literalmente — na porta de seu apartamento. Basicamente a chave ficava na fresta da porta, apoiada na dobradiça, num perfeito equilíbrio. Amy apenas necessitou puxar a chave e colocar na fechadura, porém, aquilo fora a parte fácil. A parte difícil, foi abrir a porta.
Não que abrir a porta, por si mesma, fosse difícil: Era só puxar a maçaneta. Porém, aquela era a casa de Ian. O garoto que cresceu com Amy, a pessoa mais importante para si, seu melhor — e único — amigo. Ele que morrera para salvá-la, e ao mesmo tempo, declarara-se. Ele estava morto e isso era o que a fazia ficar apreensiva para abrir a porta. Era como se estivesse desrespeitando-o: Aquele era seu lar, seu santuário. Como se ao abrir aquela porta ela iria o fazer ir para a parte mais funda e quente do Inferno. Fechou os olhos, respirando fundo e abrindo a porta.
☄☄☄
Helena não imaginava que Simon era tão influente assim.
Desde quando começou a trabalhar com ele para criar a cura do Terceiro Cavaleiro, Az não perguntara mais nada sobre Simon e sua vida, apenas conversavam sobre o progresso da cura — progresso que parecia nunca passar de zero por cento. Desde que começara a trabalhar com Simon, Helena sentia-se cada vez mais exausta, mais cansada e mais desanimada com a própria humanidade — o que ela já era, mas parecera aumentar ainda mais. Depois de uma semana trabalhando incansavelmente junto de Simon, Az achava que merecia mesmo um suposto descanso.
Simon levara-a para um aeroporto particular, junto com Juliette Miller, para um jato particular. Basicamente, o objetivo de Simon era levá-las para a central da ONU para auxiliar no desenvolvimento da cura e na compreensão do Terceiro Cavaleiro. Az suspirou, debruçando-se na janela do avião, olhando as nuvens subindo enquanto o avião decolava, deixando a terra firme para trás. Ela fechou os olhos, suspirando estava cansada de todo o trabalho feito durante a semana, estava completamente exausta e, para ela, esse pequeno descanso era seu paraíso particular e temporário.
— Tudo bem, Az? — Simon questionou para ela. — Você parece cansada.
— Ah, é que estou um pouco cansada depois de todo o trabalho para encontrar a cura do Terceiro Cavaleiro. É bom um pouco de descanso, principalmente depois de todo o trabalho que fizemos para encontrá-la. Mas, falando nisso, por que estamos indo para a ONU?
— Ah, a NASA e a ONU estão trabalhando para tentar detectar uma maneira de deter o avanço do asteroide F-66, além de eles necessitarem de ajuda para a descoberta da cura do Terceiro Cavaleiro e como eu sou membro importante da ONU, resolveram me chamar e resolvi trazer vocês.
Helena abriu a boca, prestes a dizer algo, mas uma forte turbulência no avião a interrompeu. O avião balançou fortemente, fazendo-os pularem no lugar. O jato balançou ainda mais, o vento assoviou forte e as asas balançaram bruscamente, quase se partindo. O jato deu uma virada repentina, mudando de direção. As luzes começaram a piscar e o avião entrou em mais uma turbulência, dessa vez, mais forte. Simon e Helena levantaram-se da cadeira, segurando-se nas poltronas a mais.
— O que está acontecendo? — Juliette questionou, levantando-se também da cadeira.
— Parece alguma forte turbulência que está nos desviando do caminho. — O avião novamente balançou, virando para um lado para o outro. — Droga! Vamos para a cabine do piloto.
Os três correram pelo corredor, enquanto o avião parecia dar uma forte virada, voando rápido, parecendo desviar de algo. Os três abriram a porta do piloto, invadindo a cabine; o piloto estava virando o avião para o lado, enquanto uma cortina de fumaça e espécies de pedras que batiam na janela principal.
— Mas que porra...? — Juliette falou, arregalando os olhos para a imagem dos destroços que batiam cada vez mais no avião, enquanto mais uma turbulência atingia o avião novamente. Todos balançaram e agarraram nas cadeiras do piloto e co-piloto.
— O que aconteceu? — Simon questionou, sentando na cadeira do co-piloto.
— Algo cruzou o céu e do nada o avião começou a entrar numa forte turbulência e... — O piloto disse, mas foi interrompido.
— Gente, o que é isso? — Helena questionou, apontando para uma grande esfera de fogo caindo na frente da aeronave, que fez o avião desviar, enquanto o piloto agarrava o Manche e virava o jato, desviando-o da queda do objeto.
— Droga! A NASA calculou errado. — Simon exclamou, olhando para a janela.
— Do que você está falando? — O piloto questionou.
— Do asteroide F-66, que iria cair na segunda. Parece que já está caindo e, novamente, não podemos fazer nada para impedir mais mortes.
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Miller se viu dentro do próprio Inferno, mais uma vez.
Ele vivia falando Inferno, como uma espécie de realidade, seja para dizer coisas irônicas como “Bem-vindo ao Inferno”, seja para falar como um xingamento, essa era uma das palavras que Miller mais falava, mas, mesmo sendo hipotético e sendo uma figura de linguagem, Miller sempre soube que a Terra realmente viraria o Inferno, mas não achava que seria tão rápido a chegada dele. Quando o F-66 caíra, Miller estava no meio da rua, carregado com uma pequena pistola e repleto de sacolas de suplementos.
Primeiro veio o barulho infernal de algo rasgando o ar, nesse caso, o asteroide, e logo depois vira a enorme bola de fogo queimando e criando uma grande e extensa cauda de fogo, que marcava sua trajetória. Miller soltou um palavrão e soltou uma das três sacolas que carregava no chão, antes de colocar a mão na cintura, já preparando a arma. O Asteroide F-66 caiu com tudo na linha do horizonte, provocando um grande tremor, que desestabilizou os edifícios ao seu lado, e um barulho incomodante de apito, que o fez ficar momentaneamente surdo. No horizonte, uma densa camada de terra era levantada e jogada para cima, efeito do impacto do grande astro na superfície.
Os gritos das pessoas começaram a se tornar mais audíveis com o passar da dissipação do som infernal do apito. Miller começou a correr no meio da rua, não dando a mínima para o desespero dos outros, enquanto se aproximava de sua “casa”, se é que poderia chamar uma velha casa antiga e aos pedaços que nem o pertencia de lar. Os berros e choros das pessoas passavam despercebidos para ele, como se não ouvisse ou simplesmente não dava a mínima para aquilo. Ele chegou ao velho casebre e invadiu o lugar pela janela lateral, deixando as sacolas repletas de comidas e outros recursos jogados no que podia se chamar de sala. Ele ajoelhou perto de uma tábua solta e levantou-a, partindo a madeira.
— Acho que agora é a hora exata para eu voltar a te utilizar, Preciosa. — Sussurrou, agarrando a enorme submetralhadora do buraco, quebrando ainda mais o piso de madeira da velha estrutura, arrombando-a.
A enorme, velha e carregada com um cartucho de cinquenta balas, FN P90, com um incrível calibre 5.7 por 28 mm, estava desgastada e parecia já ter sido usado muitas vezes. Miller agarrou-a e, utilizando de uma alça acoplada a ela, colocou-a em seu ombro, levantando-se e sorrindo maliciosamente.
Agora sim estava pronto para enfrentar o Inferno.
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Melody viu o rastro de fogo no céu primeiro que todos.
Ela estava conferindo as munições e armas presentes no Jipe Militar, apenas por preocupações, enquanto todos estavam dormindo na parte de trás do carro, Melody fora designada para fazer o turno de vigilância para certificar-se que nada se aproximasse do veículo, quando ouviu uma espécie de algo rasgando o ar e olhou para cima, arregalando os olhos e vendo a bola de fogo rasgando o céu. Logo, com o barulho infernal, Antony, Adam e Demetria acordaram olhando pela janela do veículo, enquanto o asteroide caia numa velocidade inimaginável, atravessando nuvens e caindo na linha do horizonte.
— O q-que é isso? — Adam questionou, atordoado, vendo a bola de fogo cair por entre os edifícios, no horizonte, e logo depois sentindo um forte tremor no chão, que sacudiu o veículo, ao mesmo tempo em que um barulho infernal da queda chegou até eles, fazendo-os apenas ouvirem um irritante apito.
As luzes da rua piscaram antes de desligarem-se. No horizonte, onde o asteroide caiu, uma enorme massa de terra levantou-se e uma quantidade gigante de fumaça surgiu. O tremor da queda do asteroide fez os edifícios tremerem fortemente, ao mesmo tempo em que um dos edifícios ao lado do jipe tremeu e derrubou-se em cima da estrada, bem em cima do jipe onde eles estavam.
Melody sentiu o jipe ser totalmente coberto pelo prédio, que fez Melody ser derrubada do jipe, caindo no chão batendo a cabeça no chão e sentindo uma dor surreal por todo seu corpo. Melody tampou o nariz, enquanto deixava de ouvir o apito e os berros por toda a parte invadiam seus ouvidos, ao mesmo tempo em que a fumaça ficava ainda mais densa, impedindo-a de ver nada.
— Melody! — Ouviu o grito de Demetria ao longe, por detrás dos destroços do prédio.
Tossindo, Melody tentou levantar-se, mas algo a impediu. Um grande pedaço de concreto que caíra do prédio estava pressionando sua perna. Ela sentiu a dor de uma só vez, fazendo-a gritar alto de dor. Caiu novamente no chão e olhou para baixo. Uma grande poça de sangue pintara o piso de concreto abaixo de si, mostrando que estava certamente com ferimentos sérios. Mais gritos de seus amigos chegaram até si, mas ela sentia-se fraca demais para ficar acordada.
Enquanto a massa de destroços acima de si tremia, como se fosse cair, Melody caiu na inconsciência.
Continua...
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