Inverno

1 A primavera havia chegado


Notas iniciais
História para o II Amigo Secreto da Liga dos Betas e dedicada a Last Rose of Summer - Giulia Correia. É suposto eu fazer-te uma dedicatória mas eu não sei o que escrever, então desculpa mas só te vou dizer "Feliz Natal!".
A história não foi escrita em Português do Brasil mas sim de Portugal.
Tive sorte em me ter saído Harry Potter pois é o único fandom que eu conheço e escolhi Dramione pois era o único casal que eu já tinha lido e conseguiria escrever alguma coisa pois prefiro yaoi.

Por fim, espero que gostes.

Os corredores de Hogwarts eram frios no inverno. Eram sempre frios no inverno. E no entanto, mesmo com frio e tendo os dentes a baterem uns nos outros, essas eram as noites por que Draco mais esperava.

Ela estava sempre lá. Conseguia sempre acabar a sua ronda antes dele e esperá-lo. Draco adorava a maneira de como os cachos emolduravam o seu rosto, dando-lhe o ar de infantilidade que os olhos não possuíam.

Eles nunca se cumprimentavam, apenas se olhavam e sorriam. Nesses momentos, Draco sentia vontade de ir embora. Eram os únicos momentos em que Draco se dava conta do que realmente estava a fazer, e que se alguém descobrisse ele estava em verdadeiros sarilhos.

Mas então ela postava uma mão em cada lado do seu rosto e encostava os lábios aos dele. Ela nunca aprofundava o beijo, tinha sempre medo que ele fosse fugir. Draco também não fazia isso. Passados exatos seis segundos eles separavam-se e encaravam-se nos olhos. Castanho contra cinza. Nenhum deles piscava por três segundos então Draco voltava a juntar os seus lábios com os dela.

Ficavam a meia hora até à meia-noite assim. Nenhum deles falava sobre a chatice que fora o dia, ou o cansaço que sentiram. Apenas se sentavam juntos no chão de pedra fria.

Ela gostava de mexer nos seus cabelos loiros. De passar os dedos por eles e de desfazer os nós que sempre encontravam. E Draco gostava de lhe puxar os caracóis. Esticá-los e quando os largava ver que eles ganhavam a mesma posição que anteriormente. Ele ficara viciado nisso.

Não sabia como aquilo começara. Só sabia que havia sido no primeiro dia de aulas depois do Natal. Lembrava-se apenas que nesse dia a chuva batia forte contra a vidraça que havia no sítio onde se encontravam.

Eles não falavam desses pequenos momentos quando por acaso se encontravam durante o dia. O ódio que nutriam um pelo outro estava sempre presente nesses vagos encontros, no entanto, ela sempre o esperava à noite, com o mesmo sorriso nos lábios rosa.

Eles contavam piadas. Draco adorava ouvir o riso dela. Fazia com que, por momentos, ele esquecesse que era Comensal da Morte e que àquela hora deveria estar a trabalhar na sua missão. Era diferente vê-la naqueles momentos. Tão relaxada. Naqueles momentos ela parecia a adolescente de desasseste1 anos que realmente era.

Numa das noites, Draco realmente olhou para ela. Os cabelos cacheados e castanhos já não estavam como no 1º ano. Agora estavam mais domados, menos volumosos e brilhavam com a luz do luar que entrava pela grande vidraça. A altura era perfeita, afinal era a mesma que a dele. Poucas espinhas cobriam a parte das bochechas junto aos olhos, bochechas que neste momento se encontravam rosadas. Ao contrário de Draco, que tinha a testa coberta de espinhas que ele sempre tapava com uma leve maquiagem. Havia também um pequeno conjunto de sardas na região do nariz e os lábios faziam uma curva engraçada quando sorriam. Apenas os olhos continuavam os mesmos, curiosos e espertos.

Draco adorava olhar nos olhos dela. Eram castanhos e estavam sempre a brilhar. Ela estava sempre a sorrir naqueles momentos, as bochechas coradas e um caracol sob o olho direito.

Então eles falavam banalidades, como o que haviam feito nas aulas, o tempo ou até o que comeram. Ele gostava da curiosidade dela. Todos os dias ela ficava a saber qualquer coisa nova sobre ele. Ela nunca lhe perguntava nada sobre a sua vida pessoal ou Voldemort, como ele no início que ela faria mas Draco gostava de contar alguns episódios da sua infância que sempre a faziam rir.

Draco agora sabia que ela não tinha irmãos. Que preferia peixe a carne e o frio ao calor. Que a sua cor preferida era branco e a sua matéria preferida feitiços. Que vivia num pequeno bairro e que nas férias todos os dias havia pão quente para comer de manhã. Eram este tipo de banalidades que Draco gostava de saber sobre ela.

Quando chegava a meia-noite ela beijava-lhe a mão, a cara e por fim a boca e dizia «Boa Noite!» antes de desaparecer na escuridão dos corredores de Hogwarts, a capa ondulando suavemente atrás de si.

Draco ficava lá sentado por poucos minutos antes de também se levantar e seguir o caminho oposto, em direção às masmorras.

E então, numa noite fria em que a chuva batia forte contra a vidraça ele chegou lá e não viu Hermione.

A primavera havia chegado.

Notas finais
1 - Hermione nasceu no dia 17/09/1979, um ano antes de Harry. Como nasceu depois de setembro faz com que ela entre mais tarde na escola para entrar com 11, no entanto faz logo 12. Se a história se passa no inverno de 1996 para 1997 (6º ano) ela já teria 17 anos.

A minha tal 3ª tentativa.
Espero que tenhas gostado tanto como eu gostei de escrever.
Minha 1ª one-shot, que orgulho.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!