Inverno.

2 Capítulo 2


– Tem certeza que quer fazer isso? Uma voz familiar ecoava em meus ouvidos. Não consigo identificar de quem é, só que ela é familiar.

— Sim Ian, seu irmão foi um tolo. Achou que a protegeria se tornando um guarda e não a transformando em o que ela merece. Disse o tom mais lindo que já ouvi, era másculo e suave. Como de Wagner, só que mais fina.

— E se ela não se controlar? Como vamos fazer ela parar sem Paul aqui?

— Filho, ela é indestrutível, assim como sua sede também. Ela tem os melhores criadores. Ela saberá se controlar.

— Faça o que você quiser.

Meu corpo estava inteiramente dolorido e diferente. Abri os olhos e percebi que eu estava deita com um homem mais belo que cantores de rock adolescente, mais lindo que atores de filmes ou novelas de sucesso do momento. Ele estava em pé ao meu lado me olhando com um sorriso no rosto. Até que me lembrei por seus poucos traços que era o mesmo homem que vi pela última vez. Toquei-me que eu estava enxergando perfeitamente sem meus óculos. Uma voz começou a falar, sua voz era de um timbre deslumbrante tão deslumbrante que se ele formasse uma banda de qualquer ritmo de música, mesmo que seja o pior de todos os ritmos ele seria o homem mais rico do mundo de tanto vender disco:

— Acorde meu bem mais precioso temos muito que viver. – Suspirei e relutei mentalmente em fazer o que quero fazer. Sentei-me e visualizei o enorme quarto branco com o chão de madeira e três prateleiras com vidrinhos cheios com líquidos transparentes e outros com líquido vermelho. Minha garganta estava seca e eu sentia o seu cheiro forte e doce; Percebi que tinha um conhecido, até que avistei Ian no canto de uma das paredes. Por que Ian estava no canta desse quarto? O que ele tem a ver com tudo isso?

— Quem é você? – Perguntei assustada. Mais sem me movimentar direito a cama em que estava parecia que ia quebrar. E virei para olhá-lo e minha garganta ficou um pouco mais seca.

— Hayden, Seu criador. – Sobressaltou

— Criador? – Perguntei com a sobrancelha arqueada e olhei a face de minhas mãos elas estavam um branco albino vi meus braços estão da mesma cor. – O que você fez comigo? — Olhei para Ian e para Hayden assustada. – Eu vou te denunciar seu doido. – Me levantei rapidamente e apontei meu dedo a ele. – Seu maluco eu vou botar você na cadeia por seqüestro. Como pode me seqüestrar? – Me virei pra Ian. – E Ian o que você faz aqui?

— Eu moro aqui. Desculpe-me não sabia que era você.

— Então você gosta de seqüestrar e drogar pessoas também? – Perguntei histérica. – Em pensar que o Wagner disse que eu teria uma vida normal sem ele. – Me sentei na cama, e suspirei.

— Que Wagner? – Hayden perguntou.

— O ex-namorado dela. – Ian respondeu fazendo uma cara ruim. Olhei em volta e me surpreendi em uma foto.

Ian usava calça jeans e um casaco preto e o homem ao seu lado usava um terno, gravata borboleta e calça social. Ele possuía o mesmo cabelo liso com as pontas onduladas, os olhos cor de mel, a pele parda, o corpo másculo e forte.

— Como você conhece o Wagner Ian? – Perguntei chocada olhando a foto, percebi Hayden também olha-lá e com sua expressão fria pegou a foto e me entregou.

— Não conheço nenhum Wagner Ananda. Eu dou minha palavra.

— Minha cara me permita que eu saiba de quem está falando?

— Meu namorado... – Disse olhando a foto e depois para o homem em minha frente -... Não. Esquece. Não estamos. Mais. Juntos. É só uma ilusão.

- Pode não ser uma ilusão. – Hayden disse. – Não se esqueça Ian, seu irmão se chama Paul Wagner Green. – Suspirei e encarei a foto. – Paul só viajou com Novalee para conhecer novos genéticos. Mais ele voltará em breve e ficará surpreso em saber que a tenho primeiro que ele.

Se não foi um sonho foi o que? Que dizer o Wagner era uma mentira? Que ele nunca me amou. Só quis iludir e depois jogou fora todos aqueles toques frios e os beijos românticos era apenas uma brincadeira, um divertimento que ele fazia nas horas vagas. Todo o amor que ele disse que sentia por mim só existia na minha imaginação. Foi à única coisa que consegui pensar já que minha vontade de viver tinha se jogado pela janela junto com as lagrimas que deveriam estar saindo de meus olhos.

Suspirei e fechei meus olhos segurando o choro evidente. Ele nunca me disse o motivo de ter viajado, nunca me disse o motivo de ir, nunca me disse seu nome verdadeiro ou que tem um irmão. Olhei para Hayden que esperava algo de mim e Ian que me encarava mais próximo.

— Quer dizer que Wagner é Paul? — Perguntei para Ian e ele assentiu com um leve aceno com a cabeça. — Está me dizendo que Wagner é seu irmão Ian? – Perguntei confusa. Ele assentiu e senti minha garganta arder e falei baixo. – Ai minha garganta.

- Estranho. – Hayden disse colocando a mão no queixo. – Nenhuma genética sentiria sede depois de minutos de transformação.

— Você é maluco. E que negocio de genética é essa? – Perguntei gritando desesperadamente. Foi a única coisa que consegui falar tenho que saber por que estou aqui. – Ian me responde como você tirou essa foto com Wag?

— Se me permita explicar para senhora? – Hayden perguntou frio e calmo. Assenti e ele continuou. –Ah mais de cem anos descobri algo que é preciso de pessoas como você. Descendentes de vampiros. Só que é difícil achar já que a maioria são mortas, então meu filho, Wagner como você o chama quis vir saber se você era uma genética de verdade. Ele fez todos os testes só que não quis me entregar, então ele fugiu e me mandou os testes para eu vir e poder transformá-la. – Suspirei. Queria manter essa mentira de que ele sempre me amou: Mais como manter algo que perfurou meu coração o despedaçando como se ele fosse um simples pedaço de papel usado.– Todos os vampiros e lobisomens a quer. Você agora é uma vampira indestrutível.

— Você é doido? Vampiros não existem. Principalmente lobisomens. – O olhei e minha única vontade que tive além de chorar foi rir. – Se vampiros e lobisomens existem. – Hayden assentiu e disse o olhando sério. – A fada do dente também existe.

Sua cara mudou imediatamente. De raiva para ódio, ódio para calma e calmo para frio e calculista.

— Nós existimos sim. E você terá que aceitar o fato de que agora é uma de nós. – Hayden me respondeu com uma cara de sacarmos, Me levantei e minha vontade foi de correr e fugir disso tudo, fugir de tudo que estou sentindo, queria fugir para onde posso achar alguém que sempre me amou, só que uma coisa me parou. Uma barreira. Fiquei paralisada contra minha vontade para onde eu quisesse ir algo me paralisava até que fui sentar na cama em que eu estava. – Levitação. Todos os vampiros e lobisomens a queriam você é uma genética, descendente de um vampiro. Sendo uma vampira completa seria um dos vampiros mais fortes. Dependente de qualquer dos três tipos de vampiros.

“Eu combinei o DNA de cada espécie de vampiro, todas as fraquezas de todos os DNA eu exclui combinando com a vantagem de outro. Você será imortal para sempre. Mas a uma desvantagem pequena você terá uma fraqueza com verbena.”

- Tudo bem. – Disse com minha cabeça confusa – Se sou descendente de um vampiro... Por que os lobisomens me querem?

— Querem te matar. – Ian respondeu com uma voz de choro. Senti algo, como se alguém tivesse enfiado algo em mim e não quisesse mais sair. É porque querem me matar ou pelo jeito que Ian falou?

— Sério? Pensei que fosse pra ter sexo com uma descendente de vampiro ou como vocês me chamam “genética” e procriar. – Tive que soltar uma piadinha pra Ian, ele sempre ri quando falo coisas indecentes. Mais quem riu foi Hayden.

— Ananda isso não é uma piada. – Ele disse sério olhando nos meus olhos. Seus olhos me transmitiram uma tristeza inexplicável.

— Desculpe. Você sabe que eu sempre falo coisas que não devo. Mais porque ainda não fui morta ou transformada em vampira ou sereia? – Perguntei confusa.

— Curiosa. Sarcástica. Gostei de você, não é a toa que é uma das melhores crias que tenho. – Hayden bradou. – Tudo bem. Agora temos que cuidar da sua alimentação. – Hayden disse e saiu do quarto. Vi seu vulto sair quase em câmera lenta.

— Por que posso ver o vulto de vocês andando rápido? – Ian abriu um sorriso disfarçado e disse alegre.

— Bem agora você poderá fazer e ver muitas coisas que terei que te ensinar a conviver.

— Terá que começar a me ensinar a dizer se existem criaturas mágicas como Duendes, Doxys, Nundus ou Veela?

— De onde você tirou tudo isso? – Perguntou confuso.

— Harry Potter. E vi Hayden na porta.

Hayden chegou perto de mim em menos de um segundo e com três bolsas de sangue iguais as que meu tio tinha em seu trabalho. Meu corpo tremeu internamente aquele cheiro era perfeito, nunca existira um aroma melhor que esse a única coisa que fiz foi tomar das mãos de Hayden sem me importar em ser delicada e beber como se fosse um suco de canudinho, senti como se meus dentes tivessem nascido e furei bebendo aquele liquido maravilhoso, melhor que qualquer coisa eu já havia experimentado não muito melhor tudo que eu já avia experimentando em toda minha vida.

— Já pegou o espírito da coisa. – Disse Hayden animado. – No momento estamos ainda arrumando o quarto que você irá ficar por enquanto você pode dormir no quarto que meu filho usava quando morava aqui.

— Pai nem arrumamos o quarto do Paul, sequer entramos lá. E ele trancou lá tenho certeza que não querer que ninguém entre. – Ian falou sério. Tinha acabado de beber a melhor bebida do planeta. Ananda fica no meu quarto e eu durmo na sala.

— É minha casa Ian. Eu mando nela, e decido quem dorme e onde dorme aqui.

- O que eu tenho de tão especial? – Perguntei lambendo os dedos com meus olhos arregalados. Precisava saber por que ele não arrumou uma mulher loira com corpo escultural que talvez esteja com ele em um Iate ou uma morena que poderia ser modelo e freqüentando de academia em sua casa antes. Porque ele me enrolou por quase três anos. — Sou só uma garota comum que ainda sofre com um pé na bunda. – Hayden se abaixou e olhou dentro dos meus e soltou de sua boca.

— Você agora é uma dos vampiros mais poderosos que existe na face da terra. – Ele disse sorrindo e beijando minha mão esquerda. – Tenho orgulho de você, de ser seu criador.

— Ananda se quiser pode ficar no meu quarto. – Ian disse cortando Hayden de seu momento galanteador, ele mudou seu estado de espírito rápido de mais

— Não Ian. – Hayden disse friamente. – O quarto de Paul ficará pra você. – Disse e apontou para mim. — Só vou mudar a decoração do novo quarto de Ananda e você irá induzir a família de Ananda. – Me senti feliz quando Hayden mencionou meu nome sem nenhum elogio. – Anda logo menino. – Hayden me ajudou a levantar saímos da sala e percebi que esse corredor do qual estamos andando não me é estranho até que ele parou em frente a uma porta e a abriu para mim. Meus olhos ficaram molhados quando vi o espelho naquele quarto, meu reflexo com meus olhos sujos de vermelho e com fotos coladas. Não simples fotos, minhas fotos com o Wagner.

— Tem certeza mesmo que ele é seu filho? – Perguntei sentada na cama King-Size.

— Eu o vi nascer a mais de cem anos. Ele veio atrás de você e se apaixonou. – Disse sentado na poltrona me encarando.

— Ele me deixou. Nunca se apaixonou por mim. – Suspirei.

Vi Hayden me olhar dormindo e Ian aplicar algo em minha veia. Mordeu seu pulso e seu sangue se misturou com o liquido cinza, o tampou e balançou.

Pegou a seringa com o liquido vermelho e injetou na minha veia que Ian indicava. Despejou todo o liquido, correu e pegou uma com um liquido cinza e sem agulha. Abriu a seringa e mordeu seu pulso e despejou um pouco de sangue dentro da seringa e a fechou, encaixou a agulha e a enfiou no meu peito.

Lembrei-me olhando o vazio e olhei surpresa pra ele que parecia ansioso.

— Porque seu sangue com aquele liquido cinza? Perguntei confusa.

— Você não é a única original. Preciso de alguém que saiba todos meus segredos, e acho você mais confiável que seu irmão.

— Porque sou mais confiável? – Se curvou para frente e falou devagar.

— Você é mais velha e mais forte.

— Ele te odeia. – Disse séria. Hayden fez uma cara de confuso e suspirei. – Seu filho. Ele me disse que te odeia. Que você arruinou boa parte da vida dele.

Apoiou suas costas na poltrona e indagou – Há algumas horas você saberá sobre metade da vida de seus criadores.

— Mais porque a sua primeira? – Ele riu a coçou a cabeça. – Um Hibrido é a grande chave para eu ser bem mais forte do que eu era pra ser?

— Era para saber tudo que sei.

Me levantei e comecei a tirar as fotos do espelho. — Ele só me escondeu para você não triunfar. – Conclui. Olhei as fotos de novo e as coloquei na prateleira abaixo do espelho.

— Ainda tenho a tese de ele ter se apaixonado. Mas sua conclusão é bem concreta.

— Se apaixonado? Você é completamente doido.

Suspirei e conclui tudo em minha cabeça. Agora eu sei quase toda vida de Hayden.

A mãe de Wagner era alta, cabelos negros e ondulados grossos, tinha exatamente o seu mel no olhar que combinava perfeitamente com sua pele parda e seus traços finos. Simplesmente linda. – Cuide bem dele Hayden. Foram suas últimas palavras antes de partir.

A de Ian era uma mulher espetacular. Corpo esguio e cabelos ondulados negros, era grande cantora de noites de galas e conquistava todos a sua volta, sua pele negra ficava linda a luz que reluzia das câmeras fotográficas. Hayden se apaixonou intensamente, mas infelizmente ela fugiu com medo quando soube de sua gravidez e morreu. Ian só veio para as mãos de Hayden por que a mãe de Elisa disse que não criaria um monstro que matou sua filha.

— Ele não sabe a verdade não é? – Disse o encarando e ele olhou para o chão e depois ergueu a cabeça e disse friamente.

— Nenhum deles sabe. E espero que você não conte.

— Não contarei. Mas não a quero perto de mim. Por mais que eu seja alguém que ela vai ter medo e tentar se aliar a mim, não posso suportar viver perto dela.

— A comunicarei. Mas não garanto que ela me ouvirá.

O olhei e suspirei. Ele se sentiu exatamente como eu duas vezes, Wagner nem Ian sabem mais eu sim. E agora entendo o porquê dele ser frio, ele amava Elisa, mais a mãe de Wagner foi a que mais o feriu. Ela o feriu mais que Wagner me feriu. Como diz o ditado: Filho de peixe, peixinho é.

— Eu sei como se sentiu, também ainda me sinto do mesmo modo. Acho que estou pior agora. – Disse enquanto caminho até o guarda-roupa.

— Tudo agora está intensificado. Se sentirá assim por um longo tempo. – Virei minha cabeça para olhá-lo e sorri. Encarei as portas do guarda-roupa de novo e o abri.

Suas camisas pólos brancas, azuis e vermelhas chamaram minha atenção. Peguei a branca com um enorme brasão irreconhecível e fechei meus olhos. Senti as lágrimas cairem quente e um pouco mais grossa. Abri meus olhos e vi a gota vermelha em sua camisa. – Eu ficarei aqui. Disse pegando suas outras camisas.

— Tem certeza?

— Sim. Não quero que ele fique feliz, quando voltar não terá mais o seu quarto. – Disse colocando as camisas em cima de seu colo e andei em uma velocidade enorme até o guarda roupa e a única coisa que pude falar foi: — Uau.

Peguei suas calças e coloquei em cima da cama junto com as camisas que Hayden colocava lá. – Obrigado. Disse o olhando e mordendo o lábio inferior.

— Me agradeça sendo sempre leal a mim. E se alguma coisa acontecer comigo, só você saberá como fazer os originais.

— De novo obrigado.

— É a última caixa. – Ian disse a colocando em cima cama e me olhou triste. – Meu irmão é um babaca que culpa Hayden por tudo. Não se importe muito com o que ele diz, se ele...

— Ele nunca disse nada Ian. – Disse o interrompendo. Passei meus dedos pela caixa marfim com corações rosa e suspirei. – Ele simplesmente não disse nada.

— Podíamos. Ir. A praia. Qualquer dia desses. – Disse um pouco nervoso.

— Se eu não brilhar ou queimar ao sol. – Disse séria e ele riu.

— Claro. – Olhou o chão e depois me encarou de novo. – Vou precisar levar algo de especial?

Ri e perguntei com os olhos esbugalhados. – Você nunca foi a uma praia? – Perguntei e ele assentiu me deixando de boca aberta. – Bom. Leve só o calção de banho e protetor solar já que eu e Diana iremos nos bronzear.

— Claro.

Ian assentiu e saiu do quarto. Abri a caixa e olhei nosso porta-retrato, vi o vidro começar a manchar de vermelho e corri até a prateleira pegando a caixinha de lenço e secando antes que manchasse a foto de sangue.

Corri até a caixa e o coloquei lá a fechando e guardando debaixo da cama rapidamente. Me sentei na cama e olhei o criado-mudo.

Suspirei e murmurei. – Ainda vou me arrepender muito disso. – Me abaixei, puxei a caixa e a coloquei em cima da cama. Abri a caixa que estava ao meu lado e tirei o porta-retrato e coloquei em cima do criado-mudo e me deitei encarando o teto.

— Não acredito que você dorme nesse quarto enorme sozinho. – Disse me jogando na cama enquanto ele ria e me dava um beijo.

— Bom. Eu posso arrumar uma companheira para dormir aqui. – Sussurrou no meu ouvido.

— Companheira? – Perguntei o olhando confusa.

— Sim. Já que sempre ficamos na sua casa, seria bom ficarmos por aqui um tempo. Sabe. Deixar Selma dormir um pouco.

Suspirei e engoli o choro.

Me levantei e sentei na poltrona de couro branco e olhei pela janela as árvores em que Hayden fazia de tudo para não tirá-las. Ele gostava delas ali, elas davam uma tranqüilidade, um ar de natureza.

Olhei as gotas transparentes da chuva fraca escorregarem pelo vidro da janela Bay Window.

Sorriu cortês e repetiu mais uma vez a frase com um sorriso maroto.

— Sobe logo. Você vai chegar atrasada. – Disse mais uma vez e suspirei me dando por vencida.

Subi em cima da moto e peguei o capacete que estava na sua mão e me segurei em seu peito quente e macio. Suspirei, me apertei mais nele e fechei os olhos sentindo o vento em meus cabelos. Parou com a moto e desci rapidamente tirando o capacete e o entregando que já tinha se livrado do seu.

Percebeu minha tensão e me puxou para um abraço e murmurei em seu ouvido. – Estou com tanto medo. – Me beijou e entrelaçou nossos dedos.

— Não precisa ter medo. Qualquer coisa é só me ligar que chego em 5 segundos.

Senti o liquido vermelho sair de meus olhos e vi a linha vermelha pelo vidro e limpei com minhas mãos e me virei para Hayden que entrava no quarto e me entregava um lenço. Peguei o lenço e me limpei.

— Acho que preciso aprender a chorar menos agora.

— Sim. Ou seria melhor comprar roupas pretas e vermelhas para não mancharem. – Disse me entregando um livro com capa grossa e vermelha.

Passei meus dedos pela capa do livro e suspirei.

— Te ajudará a passar o tempo por aqui. O olhei e me levantei e caminhei até a cama me sentando e o olhei de novo e suspirei forte.

— Tem certeza que não posso ir para casa?

— Não quer matar sua família. Ou quer? – Me olhou cético.

— Não. — Abri minha boca para relutar e ele balançou a cabeça me repreendendo.

Por mais que eu ame minha família, por mais que eu queira sair daqui, por mais que eu queira me livrar de Wagner. Melhor dizendo Paul Wagner Green. Sei que não posso; Hayden me fez o favor de me fazer ter sua memória e lembrar os vampiros que quando são transformados perdem completamente o controle por causa do sangue fresco. E também que ele não teve controle quando Hayden o transformou, não quero ser como ele.

— Porque não arruma uns jogos? Ian poderia me ensinar a jogar Xadrez.

— Eu posso te ensinar. – Disse sério olhando para a janela.

— Tudo bem, vamos jogar agora? – Perguntei com um sorriso falso estampado na cara.

— Vou para me escritório. Encontre-me lá, tenho que arrumar as peças e me alimentar um pouco.

Saiu do quarto e me deitei cuidadosamente para a cama não quebrar. Abri o livro em uma página qualquer e li o trecho destacado com marca texto azul.

As pessoas nunca entenderão o amor de Joffrey por Melissa.

É possessivo e dói cada vez em que ele a ver com seu noivo. Ele sabe que não pode sentir isso, ele não pode, ele não deve.

Mais quem manda nele é o coração neste momento. Ele só está fazendo o que sua mãe pediu antes de sua morte. Seguir seu coração.

E seu coração dizia para largar sua esposa, matar o leão de três cabeças e fugir com Melissa antes de seu casamento.”

Revirei os olhos. Hayden nunca leria isso.

Ele não amou ninguém além das mães de Wagner e Ian, isso aconteceu há quase 200 anos atrás. E o livro aparenta estar com menos de 20 anos de uso. Hayden não amou e não teve filhos com ninguém além das mães de Wagner e Ian. Ele nunca teve nada além de diversão com outras mulheres além das mães de seus filhos. Seus dois filhos.

Abri a porta do quarto e procurei o cheiro de Hayden. O achei na cozinha e tive que indagar rapidamente.

— Posso perguntar uma coisa?

— Pode. – Disse guardando algo na geladeira.

— Como posso achá-lo? – Perguntei rapidamente, agitada e ansiosa por sua resposta.

— Achar quem? – Perguntou confuso com a bolsa de sangue ainda em suas mãos.

— Wagner. – Disse de supetão.

— Bom eu posso falar com um dos seus criadores. – Me olhou confuso e perguntou com ênfase. – Mas por quê?

— Porque você não tem nenhuma filha. – Indaguei.

Olhou-me surpreso e confuso ao mesmo tempo.

— Você não tem nenhuma filha chamada Sophia.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.