Inverno
4 Capítulo 4
Notas iniciais
H_A: Quando você vai aprender que não é pra falar antes da hora Jack?
Jack: Ok,ok. Confiram o capítulo e vocês vão entender ¬¬
B-A: Só pra esclarecer. É um flash back, ok gente :P
4 – A Little Piece of Heaven
Nós éramos mais do que amigos,
Antes que a história acabasse...
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Brian se olhou no espelho mais uma vez. Usar um terno era quase tão estranho quanto pensar que não teria que se preocupar em voltar pro internato Mayfair no início da próxima semana como fazia há anos. Finalmente tinha completado dezoito anos e não estava tão alegre quanto imaginava, talvez até um pouco inseguro.
Mas então se lembrou de Jessica.
Na próxima semana começariam sua viajem em volta do mundo. Estavam planejando aquilo há tanto tempo e logo iria se realizar, o último passo era aquela noite, o baile de formatura.
— Você está bonito. — voltando à realidade, Brian pôde distinguir a imagem de seu pai refletida no espelho.
— Fala aí velho.
O Haner mais velho ergueu uma sobrancelha.
— Eu paguei um preço absurdo todo esse tempo pro seu vocabulário se reduzir a isso?
Ele riu.
— O que o senhor deseja?
— Gostaria de saber se vai demorar pra descer.
— Hã? — Brian perguntou confuso, finalmente se virando em direção ao pai.
— Já que não vai buscar seu par, eu vou com você na limusine.
— Pra quê?
— Quero dar uma coisa pra você e pra Jessye tam...bém. — o senhor Haner franziu o cenho massageando o braço esquerdo por cima do terno.
— Você está legal, pai? — perguntou preocupado se aproximando.
— Hm...acho que tanto trabalho está cobrando seu preço. — riu fraco.
— Não é a primeira vez que o senhor sente algo assim. Vive dizendo pra eu tomar cuidado e olha só!
— Você não me ouve mesmo. — tentou brincar, mas Brian continuou sério — Ok, amanhã eu vou a médico fazer um chek up.
— Promete?
— Sim, mas já está ficando tarde. — pôs a mão sobre o ombro do filho — Vamos?
— Ahn...ok. — ainda um pouco desconfiado, Brian seguiu o pai pela casa até o jardim onde o motorista lhes abriu a porta.
O vidro estava gelado sob seus dedos quando começou a traçar linhas aleatórias. As luzes da estrada se refletiam em intervalos sobre seu semblante pensativo. Como seria dali pra frente? Afinal, não queria administrar as joalherias de seu pai. Preferia tocar guitarra e se divertir enquanto deixava tudo por conta dos advogados. Talvez essa viagem o ajudasse a pôr a cabeça no lugar e tinha certeza que também ajudaria Jessica de alguma forma.
Desde que os pais dela haviam morrido num acidente de avião há alguns anos, seu pai, que tinha se tornado tão amigo da família devido a amizade dos dois que chegou a formar uma sociedade com mineradora Howard, tomou informalmente o lugar de tutor por carinho a garota. Mas ainda havia os negócios e Brian era testemunha do quanto os sócios a cercavam em busca de apoio ou do controle das ações que herdara e do quanto ela detestava aquilo.
Eles a sufocavam e ela sofria.
O carro parou diante da fachada de um prédio aparentemente antigo que agora estava decorado com pequenas luzes e uma faixa de boas vindas aos formandos. Brian aprovou a música alta que vinha do interior do salão quando abriu a porta pra sair e seu pai fez o mesmo logo em seguida.
— Papa Gates! — a voz familiar chamou-lhes a atenção.
— Meu filho inventa um apelido idiota e eu também tenho que carregar a cruz. — o mais velho soltou um suspiro conformado, mas acabou sorrindo antes de abraçar Jessica.
Brian não respondeu, ainda tentava processar a imagem a sua frente. De alguma forma, mesmo em meio às várias pessoas que chegavam para o baile, Jessica parecia radiante em seu vestido branco de cetim. Havia uma grande faixa preta de seda formando um laço largo abaixo do busto sem alças e os cabelos na altura dos ombros estavam meio presos, deixando as duas únicas jóias que usava amostra, um par de brincos pequenos de ouro e pérola.
Respirou fundo. Aquela era a mesma garota com quem conversava todos os dias desde que podia se lembrar?
— Que cara é essa? — ela perguntou com um ar confuso nos olhos que nunca pareceram tão azuis.
— Nada. — mentiu.
— Que bom que te encontramos tão rápido, tenho uma coisa pra vocês dois.
Jessica ergueu a sobrancelha numa pergunta muda ao amigo e recebeu um dar de ombros como resposta. O Haner mais velho foi até a frente do carro e pareceu falar algo com o motorista.
— Não foi buscar seu par? — ela perguntou.
— Pra ser sincero, não sei onde ela mora.
— O quê?!
— Não faz essa cara. Não é pra tanto.
— Ok, então me diz uma coisa... — ela se aproximou colocando a mão sobre seu ombro como se estivesse prestes a confidenciar algum segredo e seu perfume com aroma de rosas invadiu o ar — Qual é o nome dela?
— Ahn...
— Você não sabe?!
— Claro que sei! — mentiu.
— Então qual é?
— Err... — riu nervosamente — tem C.
— Tente K.
— Há! Isso é fácil, quero ver dizer o nome dela todo!
Jessica revirou os olhos e começou a rir.
— Mal dá pra acreditar em você, Synyster. — Brian torceu o nariz, não gostava que Jessica o chamasse pelo apelido — O nome é Kate Andrews e eu sei por que ela passou a semana inteira anunciando isso pra ala feminina da escola.
— Valeu. — ele riu — A gente não passou muito tempo conversando, se é que me entende.
— Não quero nem imaginar como aconteceu o convite pro baile.
— Ah, eu sei que você consegue, nem precisa se esforçar muito.
Jessica riu deu um tapa no ombro do amigo e ele segurou seu pulso trazendo-a pra perto. Uma das coisas que gostava nela, era que podia falar o que quisesse sem se preocupar em ofendê-la. A garota tinha sensibilidade pra saber quando alguém tentava humilhá-la e uma língua afiada para responder a altura.
— Ah, pára seu chato! — reclamou quando se viu presa pelas duas mãos num abraço por trás — Vai acabar estragando meu cabelo.
O Haner mais velho suspirou enquanto voltava carregando duas caixas de veludo pretas, uma maior que a outra.
— Vocês não mudam. — ele sorriu estendendo a caixa maior a garota agora livre — Isso é para você minha querida.
— Muito obrigada. — Jessica mal soube o que responder ao ver qual era seu presente. Um colar de platina com um pingente no formato de um crucifixo.
— Posso? — Brian pediu tirando o colar do forro de seda antes mesmo de receber uma resposta e Jessica não reclamou, afastando o cabelo para que ele pudesse colocar o colar. — Ficou muito bom.
Com os olhos cheios de água, Jessica se aproximou do senhor Haner e o abraçou apertado.
— Você merece Jessye. — disse afagando os cabelos da garota. — Até por que eu sei que é por sua causa que meu filho passou de ano.
— Hey!
A garota riu se afastando.
— E eu nem sei o que dizer. — ela pôs os dedos sobre o pingente em seu colo.
— Jessye! — um garoto chamou impaciente se aproximando do trio — Você sumiu, vamos entrar logo.
— Boa noite pra você também Jason. — Brian disse sarcástico.
— Olá Haner. — o garoto cravou os olhos verdes nos dele.
— Até parece que o mundo vai acabar se a gente entrar cinco segundos mais tarde. — Jessica disse puxando a mão pela qual o garoto tentava arrastá-la para dentro e se dirigiu aos outros dois ignorando a raiva de seu par — Muito obrigada Papa Gates e te espero lá dentro Brian.
Os dois seguiram para dentro sob os olhares atentos das duas gerações Haner.
— É o par dela?
— Pois é. — Brian resmungou arrumando o cabelo sobre os ombros — Um idiota do time de futebol da escola.
— Por que não a convidou?
— Pensei nisso. — murmurou frustrado — Mas o Jason chegou primeiro e a Kate estava por perto.
— Você devia prestar mais atenção nas coisas, filho. Por que como aconteceu com esse convite, uma hora pode ser tarde demais.
— Entendido. — ele imitou uma continência — Mas diz aí, só ela ganha presente?
— Acho que você vai gostar.
Brian pegou a caixa menor e soltou um assovio involuntário. Sob a seda do forro, havia um isqueiro zippo prateado, com o desenho de uma guitarra e seu apelido, Synyster Gates, escrito em baixo relevo.
— Que máximo! — ele pegou o isqueiro e o abriu para observar a chama — Eu sempre quis ter um desses.
— Fico feliz. — ele riu — Eu sei que você fuma há algum tempo, mas agora que tem dezoito anos é politicamente correto te dar um desses.
Ele olhou de canto para o pai. No fundo, sabia que fumar perto da janela e usar todas as pastilhas de menta do mundo não era o suficiente pra enganá-lo, mas ninguém poderia culpá-lo por tentar. Ele guardou o presente no bolso e deu um breve abraço no pai.
— Valeu.
— Divirta-se no baile filho.
O garoto enfiou as mãos nos bolsos observando seu pai entrar no carro e ir embora. Acendeu um cigarro que tinha escondido no terno com seu isqueiro novo e ainda estava na metade quando seu par chegou. Uma garota bonita de cabelos compridos negros, usando um vestido de cetim lilás com um decote bem generoso na parte da frente cujas alças se cruzavam em X nas costas onde havia outro decote profundo, o que deixava boa parte da pele bronzeada amostra.
Kate se agarrou a seu braço enquanto entravam no salão e tiraram a foto tradicional no cenário especialmente montado. O centro do ginásio tinha sido transformado na pista de dança com direito a bola com lantejoulas, várias mesas cobertas com tecidos azuis claros que se estendiam pelos cantos e a decoração prateada enchia os olhos.
A banda não era muito boa para se dançar, mas a garota insistiu e ele acabou aceitando, não demorou para que a dança ficasse mais sensual e para que suas mãos percorressem as curvas da morena sem que ouvisse nenhum protesto.
— Nossa. — ela ofegou quando sentiu mais um apertão — Você está com fome hoje.
— Com certeza quero comer algo. — respondeu e ela riu.
— Vamos ver se merece. Mas antes, busca alguma coisa pra eu beber? — perguntou num tom que mais lembrava um gemido.
— Ah, agora? — reclamou, se afastando com respiração pesada.
— Por favor. — pediu manhosa.
— Ok, me espera ali. — apontou para a mesa vazia mais próxima — Vou procurar alguma coisa que não seja o ponche, nunca dá pra saber o que colocam ali. — ela assentiu lhe dando um último beijo antes de obedecer.
Sentindo os hormônios a toda, Brian saiu à procura do maldito ponche. Kate sabia como acendê-lo e tentava manipulá-lo com isso, mas não, nem que ela fosse a deusa do sexo encarnada a pediria em namoro.
A procura ainda durou um pouco até que encontrasse a mesa onde se serviam as bebidas, ia pegar duas latinhas de refrigerante quando ouviu a voz de Jessica soando de um jeito estranho em algum lugar próximo, ao achá-la entendeu o que estava acontecendo.
— Está louco Jason?! — perguntou arrancando o copo das mãos da amiga. — Você deixou ela beber o ponche?
— O que tem? — o garoto deu os ombros — Ela parece bem mais feliz agora.
— Nem eu tenho coragem de beber isso!
— Hahaha! — Jessica riu alto — Isso foi engraçado Brian!!
— Ah, merda, cheguei tarde demais. Você já bebeu desse copo, não é?
— E outras coisinhas... haha.
— Pode deixar. — Jason envolveu Jessica num abraço — Eu cuido dela.
Por algum motivo, Synyster não gostou do tom do garoto a sua frente, talvez fosse por aquela sombra de sorriso malicioso se formando em seus lábios. A simples idéia de deixar Jessica tão vulnerável nas garras dele já era o suficiente pra fazer seu sangue ferver.
— Não, — ele puxou uma das mãos da amiga — deixa que eu cuido dela.
— Não seja idiota Haner. — Jason rosnou — E o seu par?
— Você não entendeu, Willians. — Brian se aproximou, e apesar dos dois terem quase o mesmo tamanho, de repente Jason pareceu muito menor que ele — Eu vou cuidar dela.
— Faça bom proveito então. — disse quase jogando a garota nos braços de Brian.
O garoto encarou a amiga que parecia lutar para manter os olhos abertos e a apoiou a mão direita em sua cintura para poder carregá-la pelo salão sob os olhares curiosos de alguns estudantes. Talvez ainda estivesse sensível por causa de Kate, mas aquela proximidade fez sua pele formigar.
— Syn! — Kate chamou fazendo-o parar.
— Err...Kate, desculpe, mas eu tenho que levar a Jessye pra fora daqui.
— Quer dizer que você prefere ficar com ela? — perguntou esganiçada.
Ele revirou os olhos.
— Não é uma questão de preferência, eu tenho que fazer isso.
— O Jason pode cuidar dela!
— Você acha mesmo que eu vou deixar ela nas mãos daquele tarado?
— Muito bem então. — a garota bufou empinando o nariz — Você é que sabe o que está perdendo.
Brian não insistiu em explicar a situação quando Kate se virou e foi embora se afastando, tinha coisas mais importantes que se preocupar.
Andando com dificuldade, atravessou o ginásio e alcançou o corredor mal iluminado. Entrou na primeira sala destrancada que encontrou e levou Jessica, arrastando os pés, até a mesa do professor onde a segurou pela cintura.
— Agora...Ahn...merda! É a primeira vez que eu não sou o bêbado numa situação dessas.
— Brian.
— O quê?
— Duendes verdes, olha só. — ela apontou para um ponto vazio do chão com um ar surpreso.
— Fodeu, devem ter colocado chá de maconha nesse ponche.
— U-hum. — ela afirmou balançando a cabeça.
— Então, eu vou... — ele obrigou seu cérebro a trabalhar rápido, apoiando o corpo de Jessica sobre a mesa —... Já sei, água! Vou pegar água, é isso. E enquanto eu vou a senhorita vai ficar aí, paradinha entendeu?
Jessica beijou a pontinha do dedo indicador que ele apontava para ela e afirmou.
— Pode deixar...
Ele não confiou muito, mas não tinha outra opção. Retirou lentamente as mãos da cintura da amiga e ao perceber que ela estava firme, se virou e deu alguns passos em direção a porta.
Logo ouviu um baque.
— Eu não te falei pra ficar parada? — reclamou indo ajudá-la a se levantar do chão.
— Mas eu fiquei. — defendeu-se com um ar infantil — O mundo é que está giraaaando, giraaaaando e giraaaaaaandooooooo.
— Eu imagino. — ele riu.
Jessica passou os braços por seu pescoço com um movimento mole e ele a colocou novamente sobre a mesa, quando tentou se afastar, ficou surpreso ao sentir que ela o segurava.
— Seus lábios. — murmurou, traçando o desenho da boca com as pontas dos dedos — Eu não tinha notado que eram tão bonitos.
— Jessye. — ele engoliu seco, mas não se afastou.
Suas mãos se apertaram na cintura da morena quando a sentiu roçar a ponta do nariz na curva de seu pescoço lentamente até chegar a orelha.
— Seu perfume é gostoso. — ela sussurrou provocando arrepios com a respiração quente contra pele.
Brian fechou os olhos e engoliu seco.
— Não... você é minha amiga, eu... — seu fraco protesto cessou no momento em que sentiu a hálito morno de Jessica tocar sua boca entreaberta.
Um selinho inocente que foi se tornando algo mais íntimo. Brian sentiu o gosto do álcool na língua quente que se entrelaçava na sua, com suavidade, sem pressa. Meio sem pensar, deslizou seu corpo sobre a mesa trazendo-a mais pra perto de si, sentindo os seios sob o tecido de suas roupas.
— Você...— Jessica começou com a respiração ainda irregular — ...ia dizer alguma coisa?
Ele a encarou tentando organizar seus pensamentos enquanto ainda sentia o beijo repercutir por todo seu corpo.
— Nada importante. — disse por fim.
Logo seu corpo se inclinava sobre o dela, fazendo com que se deitasse sobre a mesa e sua boca atacava o pescoço da morena mordendo e dando leve chupões na pele perfumada com rosas. Ela gemeu baixinho em seu ouvido, deslizando a mão até sua nuca por baixo do cabelo. A partir daí sua mente se desligou por completo.
Se por acaso fosse se arrepender de algo, pensaria nisso depois.
Uma de suas mãos segurava a cintura macia com força e a outra deslizava sobre a perna por cima do vestido quando os lábios se encontraram novamente. O gosto dela era diferente e ele aproveitou tudo que podia sentindo uma mão delicada acariciar seu peito por baixo do terno criando arrepios gostosos na pele.
Sua camisa já estava meio desabotoada quando o celular começou a tocar e Brian fechou os olhos xingando até sexta geração de mães do infeliz que tinha ligado naquela hora.
— O que é?
— Brian Haner? — uma voz desconhecida perguntou do outro lado da linha.
— Sou eu.
— Sou o Doutor Stanley do hospital geral. Gostaria de falar com o senhor pessoalmente. É importante.
O tom do médico o deixou preocupado e a notícia que recebeu ao chegar ao hospital não o tranquilizou em nada. Naquela mesma noite, alguns minutos depois de deixá-lo no baile de formatura, seu pai deu entrada na emergência com fortes dores no peito e apesar dos esforços dos médicos, havia falecido devido a um infarto.
Notas finais
B-A: Que exagero Jack u_u
H_A: Enfim, se vocês gostaram da louc...digo, do capítulo, deixem reviews pra fazer as autoras felizes =)
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