Invasão dos Portais - Ato 1
6 Capítulo 6 - Resultados
Notas iniciais
Ronaldo despertou. Ao abrir os olhos, se deparou com Jasmine fora da sala de testes. Ela, cuja face demonstrava perturbação, tinha um pequeno curativo de vacina.
— Ele me espetou – falou, incomodada, estendendo o braço, mostrando o local onde o cientista aplicou a imunização.
—Haha, isso é pro seu bem... Jasmine... – Falou o cientista, mostrando um relatório que tinha em mãos.
—Tudo isso são informações? – Falou Ronaldo, observando a grossura e a quantidade de páginas e números que o arquivo continha.
—Tudo que descobri – Falou o cientista, esfregando as mãos, mostrando satisfação por ter desvendado tudo aquilo do pequeno ser.
—Obrigado, levarei ela pra casa, ou deixarei ela dar uma volta na agência. Mega talvez queira falar comigo.
—Aconselho você ir pra casa, meu jovem – falou o cientista, que ajeitava os óculos e não continha o nervosismo nas mãos.
Ronaldo não gostou de tal ordem, mas obedeceu, empurrando Jasmine pelas costas, e a levou para fora da sala de testes. As portas de metais correram de encontro à outra fechando a passagem. Quando as portas se fecharem, de um jeito que o cientista não pudesse vê-los, Ronaldo percebeu que Jasmine olhava pro nada, mergulhando nos seus pensamentos.
—Estranho, ele entregou só um relatório...
—Sim Jasmine, geralmente fazem duas cópias... — Ronaldo começou a responder como se fosse apenas mais uma das perguntas habituais de Jasmine — ...uma para ser enviada pra sala de arquivos, e outra...
—Mas tinham três relatórios!
TRÊS??
Aquilo já foi o suficiente.
Pensamentos e conspirações surgiram na mente de Ronaldo. Ele viu que algo estava diferente. Algo estava errado. Era desnecessário três relatórios, afinal, um era colocado na sala de arquivos, para ser retirado por pessoas autorizadas, e outra, para ser estregue na mão dos agentes.
Não eram apenas especulações, alguma coisa REALMENTE estava errada. E a agência, em que tanto permanecera ao longo de sua infância, podia estar ocultando informações preciosas, sobre os próprios agentes, e sobre tudo que já aconteceu ali!
Mas será que seria exagero do pequeno agente? Será que estaria se preocupando demais com esse simples fato? Será que ter feito mais de uma cópia de algum relatório realmente signifique que estão escondendo alguma coisa de Ronaldo?
Mas aquele adolescente já estava na agência desde aos dez anos. Eram seis anos, ignorando situações estranhas, e escondendo todo seu descrédito que tinha sobre a agência nacional. Sua curiosidade falava mais alto.
—Jasmine, fique aqui. — Ordenou. Queria investigar, ir mais fundo naquilo tudo, queria realmente ver se eles estavam escondendo alguma coisa dele.
Antes que ela pudesse argumentar, Ronaldo se esquivou para um terceiro corredor que levava á parte de trás da sala de testes, e antes que pudesse virar a última esquina, ouviu o som de passos. Grudado na parede, tentou ver o que era que emitia tal barulho. Era o cientista, carregando o segundo e o terceiro relatório que provavelmente Jasmine estava falando. O relarório do cientista era diferente do que foi entregue à Ronaldo, na frente desse terceiro, algo estava escrito, algo em vermelho.
“Confidencial”
Obviamente.
Ronaldo observou o relatório que foi lhe entregue. Capa cor creme. Sem nenhuma inscrição em vermelho. Mas sim um pequeno aviso em sua parte inferior:
“Não colocar na via de arquivos”
A via de arquivos eram canos espalhados por toda a agência. Se quisessem arquivar algum relatório, este era mandado pra via de arquivos. Ronaldo teve certeza absoluta que era um relatório diferente do seu quando o cientista pegou o relatório que tinha em mãos para enviar em um dos tubos presentes no corredor.
Estava comprovado, era um arquivo diferente, com relatórios diferentes...
—Ronaldo?
Com um pulo de susto, o cientista virou o olhar pro corredor de onde o som foi emitido.
Igualmente com um pulo de susto, Ronaldo virou para aquilo que tinha emitido.
—Jasmi... Shh, por favor – falou o pequeno agente, colocando o dedo na frente da boca.
Jasmine entendeu, e afirmou com a cabeça. Com um gesto com as mãos, Ronaldo mandou Jasmine voltar. Mas ao perceber que o cientista percebeu a presença de alguém, e caminhava ao encontro do corredor em que se escondera, resolveu voltar pra recepção.
Correndo, Ronaldo puxou Jasmine, para ela se apressar. Correu pelo corredor da agência central, ignorando os olhos de funcionários que os viam com intriga, e andou apressadamente em direção á saída da agência. Logo após passar a recepção, se assegurou que estavam sozinhos. Nenhum sinal de cientista os seguindo. Ótimo, só faltava pegar o elevador. Apertou o botão. E esperou.
Enquanto esperava, pensamentos lhe atormentavam.
Se lembrou que tinha marcado uma conversa com Mega, mas resolveu deixar pra depois. Quando Ronaldo era perseguido por conspirações da agência, parecia que todos presentes nelas eram pessoas de pouca confiança, até mesmo o seu velho amigo. Então, voltar pra casa era a idéia mais sensata.
Se lembrou da sala de arquivo. E logo deduziu que era lá pra onde o relatório misterioso e confidencial seria mandado. Demorou tanto pra acordar de seus pensamentos que Jasmine teve que chamar sua atenção. O elevador tinha chegado ao andar.
—Ah... – falou Ronaldo, totalmente distraído
Jasmine estava tensa, desde o fato que o cientista tinha separado o relatório destinado a Ronaldo e aquele que iria pra sala de arquivos, até na pequena fuga no corredor. Tudo aquilo aconteceu tão rápido, que de cara, dava pra ver que algo estava errado. Ela queria perguntar o que estava acontecendo, mas como Ronaldo fez anteriormente, resolveu ficar calada, e deixar pra descobrir aos poucos. Mal conhecia a história da agência. Mal conhecia Ronaldo. Muita informação com certeza causaria-lhe uma certa dor de cabeça.
Mas Ronaldo, ao contrário, estava com dúvidas que o perturbava. Sua vontade era de desvendar os mistérios da agência. Afinal, ele fazia parte dela.
O elevador chegou ao rio que passava atrás da casa do pequeno agente. Empurrando a lama “falsa” que cobria o buraco pro elevador, Ronaldo verificou se não tinha ninguém, e prosseguiu. Sua expressão era séria, o que desconfortava Jasmine. Afinal, ela já estava passando dificuldades, e o fato de que a única pessoa em que poderia ajudá-la a encontrar o caminho de volta pra casa, está com problemas.
—Como foi a sensação de passar por um portal Jasmine?
A pergunta a pegou de surpresa. A preocupação que se alastrava foi sumindo levemente, de acordo com seu esforço pra se lembrar. Jasmine se lembra de quando tocou no portal.
O portal nada mais era do que uma Elipse azul, um vortex que abduz a matéria para uma dimensão correspondente. Olhando de primeira vista, é uma elipse azulado cujo único movimento é a rotação de seu próprio “corpo” para seu próprio interior, como um buraco negro. A sensação de tocar em um é apenas um flash, que cega o ser momentaneamente. A pessoa não sente nada frio, ou gelatinoso ao tocar no portal. É como encostar em... absolutamente nada. A única coisa que se sente ao tocar no portal é a dificuldade de enxergar, que dura segundos, e o medo de estar em um lugar desconhecido. E por mais que tudo isse ocorresse sem dor, era uma das piores sensações que Jasmine já tinha sofrido.
Jasmine mergulhou tanto em seus pensamentos, que ignorou a pergunta de Ronaldo. E rebateu com outra:
—O que é esse portal?
Ronaldo parou de andar. Seu olhar demonstrava não angústia de responder, mas sim incomodo. Talvez pelo fato de já ter explicado a mesma coisa tantas vezes para tantas pessoas diferentes. Não sabia direito.
—O portal, é uma porta ligada a uma outra dimensão. – Ronaldo parou como se tal informação já fosse o suficiente.
—Como que surgiu? – Jasmine interrogava, enquanto andavam para a tranqüila casa do agente.
—Mat... Matheus... — Ronaldo não sabia quais palavras iria usar para explicar.
—Hãã???
—É muita informação pra um dia só, vamos pra casa – falou determinadamente
O pequeno agente preferiu não continuar no assunto. Por motivos que Jasmine não conseguiu descobrir.
—Quem é Matheus? – Jasmine seguia os passos apressados de Ronaldo, querendo saber mais.
O rapaz sabia que ela não sossegaria até saber, então resolveu falar realmente quem era ele.
—Eu não conhecia bem ele. Mas estudava no mesmo colégio. Na época, era uma simples criança. Mas em certo dia, antes de eu entrar na agência, ele ficou possuído. De repente, aquela simples criança, continha uma inteligência absurda, e chei de más intenções. Foi expulso após ferir gravemente um colega de classe, que o agredira. Achei que aquela maldade toda fosse uma fase. Mas ele só foi piorando. Ao crescer, suas intenções ficaram maiores, e sua inteligência foi aumentando consideravelmente. E quando percebemos, seus objetivos eram os mais malucos possíveis. E ele fazia tudo para alcançá-los. — E após uma breve pausa, completou — Até mesmo matar os que ficam em seu caminho.
Jasmine ficou assustada. Achava que Ronaldo estava brincando, mas sua expressão era séria demais. Ela teve que perguntar, mesmo tendo quase certeza da resposta que ia receber.
—Quais são os objetivos dele?
—Provavelmente deve estar pensando que é dominar o mundo certo? Mas ele tem objetivos estranhos. Ele quer voltar no tempo. Apenas isso. Nada mais... Ninguém sabe o por quê...
—Voltar no tempo? Mas como? Isso é impossível...
Ronaldo não conseguiu disfarçar um sorriso debochado.
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