Invasão de Privacidade
31 Step two: we have a lot of love!
Notas iniciais
“We got together;
Better than birds of a feather, you and me;
We change the weather, yeah;
I'm feeling heat in December when you're ‘round me;
I've been dancing on top of cars;
And stumbling out of bars;
I follow you through the dark, can't get enough;
You're the medicine and the pain;
The tattoo inside my brain ;
And, baby, you now it's obvious…”
Sucker
Jonas Brothers
Área de lazer novo condomínio Glades (quarta, 24/4 – 11:45 a.m)
Narrador
— TOMMY!! – Oliver grita ao mesmo tempo em que agarra o braço do amigo, puxando-o para a calçada, evitando, por milésimos, o mesmo ser atropelado por um veículo que passava , o motorista “queimando” pneus ao frear bruscamente, dirigindo um olhar enfurecido ao grupo – Desculpe. Ele estava distraído – o loiro pede, acenando ao homem, que parte deixando uma torrente de xingamentos para trás – Presta atenção cara! Tá querendo deixar seus filhos órfãos e Cait viúva antes mesmo de casarem? – questiona-o, olhando feio para o moreno.
— Foi mal Ollie e obrigado – Tommy agradece, ainda relativamente distraído.
— Melhor mantê-lo sob sua guarda, ou é bem capaz de precisarmos resgata-lo de algum bueiro aberto! – Greg “mouse” sugere, Tommy franzindo o nariz em uma careta de desagrado sem, no entanto, rebater a provocação.
— Ok, o que está acontecendo?? – Oliver quer saber, olhando-o atentamente – Passou a manhã inteira distraído. Não prestou atenção metade do que Roger nos explicou, estou certo disso, e agora quase foi atropelado
— Sem mencionar no silêncio ensurdecedor! – Diggle exclama, fazendo aspas no ar – Estava quase sugerindo alguém desarrumar seu cabelo para ver se tinha perdido o dom da fala – acresce, fazendo com que Jay, Haley e Mouse apertassem os lábios, retendo o riso.
Ainda assim, Thomas não reage como esperado, uma ruga de preocupação formando-se entre os olhos de John.
— O que há Tommy? Brigou com a Cait? Algo errado com os bebês? – preocupa-se Oliver.
— Os bebês estão bem e não brigamos – responde, finalmente, deixando escapar um suspiro cansado – Ao menos não abertamente. Mas as coisas andam meio estranhas entre nós – admite, encarando o amigo – Saberia me dizer se ela comentou algo com Felicity? – quer saber, Mouse chamando atenção para si antes que o empresário pudesse responder.
— Daria pra ter essa conversa naquela lanchonete ali? To morrendo de fome! – questiona o nerd, esfregando o estômago.
— Me fala quando você não está com fome!! – Jay exclama, provocando risos.
— Neste caso, em especial, Greg não está sozinho. Também estou com fome. Não comi nada desde o café da manhã e como Layla cismou de fazer mais uma dieta, já podem imaginar o tamanho do meu sofrimento! – Diggle solidariza-se, fazendo uma careta dramática.
— São dois votos a favor, nenhum contra e mesmo que tivesse, o voto do boss tem peso dobrado, então simbora comer meu povo! – Mouse comemora, se adiantando aos demais em direção à lanchonete.
— Andar com crianças é fogo! – Diggle bufa.
— Amy não dá um terço do trabalho! – Oliver protesta, rindo divertido – Vamos antes que aquele ratinho dê um prejuízo homérico já que come o triplo do tamanho que tem! – acresce, o grupo seguindo o programador.
Após se acomodarem e ordenarem seus pedidos, Oliver retoma a conversa.
— Então, o que está acontecendo? Fez ou disse algo que a incomodou ou magoou a Cait, mesmo sem querer, e não, ela não comentou ou fez qualquer tipo de queixa à Felicity. Ao menos não que eu saiba – informa o loiro, coçando a barba rala.
— Honestamente Ollie, se fiz ou disse alguma coisa que a desagradou, não percebi ou já teria pensado em uma forma de pedir desculpas, tipo comprar flores ou preparar um jantar especial para ela – exemplifica o moreno, esticando as pernas displicentemente, brincando com o enfeite da mesa.
— Então o que há? Porque essa tristeza toda quando tem motivos de sobra para estar feliz? – Mouse questiona-o, comendo os petiscos oferecidos pelo lugar.
— Eu estou feliz, rato – Tommy é categórico ao dizer – É só que…bem…as coisas andam um pouco estranhas entre nós, conforme já disse, e não estou conseguindo entender o porquê — reafirma, entristecido.
— Podem ser os hormônios – Jay sugere, dando de ombros – Não dizem que mexem com mulheres grávidas? – indaga.
— Pois é. Todo mundo fala isso. Imagina o tanto de hormônios que deve estar em ação já que espera gêmeos! – Mouse opina em tom divertido.
— Os hormônios mexem conosco sim, patetas, não apenas durante a gravidez, é fato cientificamente comprovado, caso não saibam – Hailey diz, estapeando a nuca do nerd – Mas não são explicação para tudo – acresce, encarando Tommy – Já parou para pensar que ela pode estar insegura ou com medo? – sugere, calando-se, assim como os demais, enquanto o garçom entrega os pedidos.
— Upton pode estar certa – Diggle corrobora – Parte disso se resolveria, creio eu, se você já a tivesse pedido em casamento, não acha? – inquere, encarando-o.
— Aliás, por que Ainda não fez o pedido mesmo? – é a vez de Oliver questionar.
— Não por medo ou mesmo insegurança, posso garantir – assegura o moreno, na defensiva – Tenho certeza do que sinto por ela e também de querer formar uma família… – faz uma curta pausa, suspirando – mas já não sei dizer se ela quer o mesmo – afirma, prosseguindo antes que qualquer dos presentes diga algo – Sempre que tentei entrar no assunto para fazer o pedido, Cait desconversou ou achou uma desculpa para mudar o teor da conversa. Tem sido assim desde que voltamos de Seattle – revela – No começo, pensei que seria devido o cansaço ou pela tensão dos exames pré natais que precisou realizar tão logo chegamos. Depois, como tive que dar atenção ao projeto Glades, fui adiando, mas em nenhum momento pensei em desistir . Passei até andar com a aliança em meu bolso para o caso de a oportunidade surgir – confessa , retirando a caixinha aveludada do bolso frontal da jeans.
— Ah, então é isso que estava fazendo volume!?! – Mouse comenta, engolindo o sanduíche – Ufa! Já estava começando pensar que tinha mudado de time tenente! – brinca, recebendo sopapos de todos os lados – Uii! Isso doeu! – reclama sem parar de rir.
— Idiota! – Tommy xinga, atirando uma bola de papel contra ele, guardando a caixinha novamente – Perdi a conta quantas vezes tentei iniciar uma conversa que me levasse ao pedido, mas Cait evitou todas. Uma a uma. Nem bem começo falar e ela já desvia ou simplesmente me ignora, perguntando ou comentando algo completamente diferente. Só me resta admitir que talvez não seja isso que ela quer. Ou que deixou de me amar – concluiu, cabisbaixo.
— Pode ser que esteja apenas querendo esperar os bebês nascerem, Tommy. Mulher nenhuma gosta de pensar em casar grávida, digo, entrar na igreja, se é o que pretende, usando um vestido largo para esconder a barriga ou um modelo que não a deixe gorda – Oliver opina, limpando mãos e boca com guardanapo – Felicity fez nossas mães adiarem todos os preparativos ao perceber que estaria às vésperas de dar à luz justamente no dia marcado para a cerimônia. Isso sem mencionar o tanto de vezes que preciso repetir o quanto está linda mesmo com pés e mãos parecendo bolas de futebol, e não o digo apenas para agrada-la. Está, de fato, ainda mais linda! – conta com um sorriso bobo e um brilho no olhar.
— Ou pode estar querendo ganhar tempo enquanto procura uma forma educada de me mandar pastar! – resmunga o moreno.
— Ai, minha nossa senhora das criaturas parvas, dá-me paciência! – Hailey exclama, sacudindo a cabeça ao mesmo tempo em que fecha os olhos, apertando a ponte nasal com força, encarando Tommy ao abri-los outra vez – Para alguém que alcançou a patente de tenente, é bem tapado, sabia!?! – provoca-o.
— Hei, não escracha Upton! Não tá vendo o quanto ele já está pra baixo?! Até poleiro de pato tá mais alto no momento – Mouse provoca novamente, esquivando-se do soco desferido por Tommy.
— Não é escracho. É fato – sustenta a loira, não dando a nenhum deles chance contestar – Se bem que em se tratando de nós, mulheres, a maioria esmagadora de vocês também o são. Parvos, quero dizer – aponta-os um a um, firmando as mãos sobre a mesa, inclinando o corpo para frente ao voltar a falar – Acha mesmo que se Caitlin não te amasse ainda estaria com você, e nem pense responder ou quebro esse seu nariz de papagaio, rato!! – ameaça, fazendo o nerd se encolher, dando atenção a Tommy outra vez – Quem costuma ficar enrolando em uma relação quando não sente mais nada são vocês, homens. Geralmente pelo conforto do sexo diário garantido..
— Opa, nem todos! – Jay protesta.
— Mulheres, salvo algumas exceções, não fazem este tipo de coisa – prossegue a loira, ignorando-o – Além do mais, até um cego consegue perceber que ela te ama tanto quanto a ama, Tommy – afirma, calando o protesto iminente dele ao erguer a mão – Me deixa concluir o raciocínio – pede, ele cruzando os braços, se recostando à cadeira com cara de poucos amigos – Alguém aqui já assistiu Velocidade Máxima, o primeiro filme porque o segundo, nada a ver! – pergunta, fazendo quatro dos homens presentes enrugarem o cenho, o quinto erguendo efusivamente a mão direita.
— Em algum momento você vai fazer sentido né? – Jay a questiona, sendo novamente ignorado.
— Alguém, além do crazy mouse, viu o filme ? – ela insiste, recebendo um estirão de língua do nerd.
— Vi uma vez ou duas com a Thea mas… – Oliver assume, ela o cortando.
— Lembra da cena no aeroporto, depois que os personagens do Keanu Reeves e da Sandra Bullock terminam de deslizar pela pista após terem sido os últimos a deixar o ônibus antes da explosão? – nova pergunta, ele acenando afirmativamente – E lembra o que ela respondeu quando ele a convidou para sair? – inquere.
— Que relacionamentos nascidos em situações de estresse extremo tendem não não ser duradouros – elucida o loiro, sacudindo a cabeça positivamente – Acho que entendi aonde quer chegar Hailey – afirma.
— Pois eu não! – Tommy protesta, a olhando feio – Por acaso está querendo dizer que estamos confundindo os sentimentos por conta do que nos aconteceu ano passado, é isso? – interroga, não dando a ela chance responder – Já estávamos envolvidos bem antes de aquilo tudo suceder, fique sabendo! – acresce, bravo.
— Eu sei tenente, e não me leve a mal, por favor. Não estou minimizando ou menosprezando o que sentem até porque conheço somente parte da história de vocês – pede Hailey, erguendo as mãos na defensiva – Estou apenas tentado ver as coisas através do que suponho seja o ponto de vista da Caitlin – assegura – Veja bem tenente, como acabei de falar, não sei como o relacionamento entre vocês teve início, mas acabaram de passar por momentos de grande tensão e perigo. Até risco de morte correram. E nem tinham superado tudo quando ela descobriu a gravidez e junto toda essa situação envolvendo sua filha…
— Situação, aliás, que não podemos dar por resolvida mesmo os Diaz não tendo dado as caras ainda – Oliver frisa, a interrompendo momentaneamente.
— Pois é – corrobora a loira – Tem de reconhecer que é muita coisa para lidar ao mesmo tempo. É natural pintar uma certa dose de insegurança por mais que tenham declarado amor um ao outro. Sempre vai aparecer aquela pulguinha mordendo atrás da orelha, fazendo com que se perguntem se o que estão sentindo não seria, em parte, fruto disso tudo, questionando se ainda vão sentir o mesmo quando a rotina vier e com ela as tarefas banais do dia a dia, como ajudá-la com os bebês por exemplo – argumenta.
— E acha que já não me fiz todas essas perguntas meses atrás, quando estava comprando as alianças ? – Tommy revela, deixando-os surpresos – As coisas entre nós foram rápidas desde nosso primeiro encontro. Nada, nunca foi simples e fácil desde o começo – relembra, trocando um olhar cúmplice com Oliver, que acena afirmativamente – Isso sem mencionar minha dileta quase futura sogra, que me detesta! – exclama, os demais retendo o riso – Eu pesei cada momento, cada situação que enfrentamos até hoje e sei exatamente como me sinto e o que quero, e o que eu quero é dormir e acordar ao lado dela, seu sorriso doce ser a primeira e a última imagem de meu dia. Quero ser o motivo desse riso e quero estar ao lado dela cada vez que chorar, seja por tristeza ou alegria. Quero acompanhar nossos filhos cresceram em seu ventre e quero estar lá quando nascerem, segurando sua mão. Quero acordar de madrugada para acalenta-los quando chorarem e deixá-la dormir mais um pouco. Quero a sensação de estarmos tão cansados ao final do dia que ao deitar tudo que faremos será tão somente dormir até sermos acordados pelo choro dos bebês. Eu quero essa tão malfadada rotina para nós pois sei que se Cait estiver a meu lado, vamos superar qualquer desafio que ela nos impor! – declara, enfático.
— E tá esperando o que para dizer tudo isso para ela? – John pergunta, rindo divertido.
— Fale Tommy! Diga como se sente nem que precise gritar, que tenha de segui-la por cada cômodo da casa no caso de ela tentar fugir da conversa. Fale mesmo que ela pareça não escutar. Fale meu amigo! – Oliver incentiva, apertando forte o ombro dele.
— É isso mesmo o que vou fazer!! – decide, pondo-se de pé, socando a mesa – Vou até em casa dizer tudo o que passa em meu coração e vou fazer isso Ago….- o toque de seu celular interrompe o discurso inflamado, ele fazendo uma careta seguido do xingamento ao olhar o visor do aparelho – Ai, merda!.
— O que foi Tommy? Algo errado? É a Cait? – Oliver preocupa-se.
— Antes fosse – responde o moreno, mordendo o lábio inferior ante o toque insistente – Eu estava tão desesperado em tentar entender o que estava acontecendo… que fiz a burrice de ligar para a mãe dela! – confessa, levando o celular ao ouvido após aceitar a ligação, ouvindo sua futura sogra ao mesmo tempo em que seus amigos dizem em uníssono.
— VOCÊ FEZ O QUE?!?!?
— Até que enfim! Onde raios estava Thomas? Por que não atendeu imediatamente? – cobra a mulher.
— Ah, boa tarde senhora Snow e desculpe. Estava em reunião por isso demorei atender – mente, franzindo o nariz em uma careta.
— Se foi por este motivo, tudo bem — declara ela, amenizando o tom de voz, prosseguindo – Já terminou ou ainda vai demorar? - quer saber.
— Quer conversar sobre a Cait? – pressupõe o moreno.
— Não. Quero que nos busque, a mim e meu marido, no aeroporto! – informa o fazendo abrir os olhos em espanto.
— Desculpe, acho que não entendi direito. A senhora quer que eu…
— Que nos busque no aeroporto, meu caro quase genro e se ousar perguntar em qual estamos, vou rever meu recente revisto conceito a seu respeito por não ter tido vergonha em admitir sua incompetência em gerenciar a primeira crise de relacionamento entre vocês e me ligado em busca de conselhos – discursa a mulher, o interrompendo, completando antes que ele pudesse dizer algo – E por falar nela, onde está Caitlin? Estamos tentando falar com ela a horas sem sucesso. Não quero surpreende-la. Pode fazer mal aos bebês!
— Hã… eu… acho que deve ter posto o celular no silencioso para descansar um pouco. Fomos dormir muito tarde ontem por conta de um mal estar repentino que sentiu – conta o moreno, apoiando-se à uma perna e depois a outra alternadamente
— E você a deixou sozinha em casa? Francamente Thomas! Eu… – uma pequena discussão pode ser ouvida pelo rapaz do outro lado da linha, interrompendo a fala da mulher para logo em seguida a voz grave de Tom Snow fazer-se ouvir – Boa tarde Thomas. Desculpe não termos avisado, mas resolvemos vir de última hora, portanto, se não puder buscar-nos, pegamos um táxi – diz, tranquilo.
— Não, não, de forma alguma. A reunião na qual estava terminou e estou livre sim. Vou buscá-los e quanto a Cait, não está sozinha. Felicity, Amy e Donna estão com ela – Tommy apressa-se em dizer ante a sinalização de Oliver – Pode ligar para ela, caso tenha o número, e pedi para avisa-la – sugere o moreno.
— Farei isso – o outro responde – Ficamos te aguardando no saguão principal, perto da Starbuck. Estou maluco por um café fresco! Até já meu caro – despede-se.
— Até – Tommy retribui no automático, desligando tão logo o futuro sogro o faz, encarando os amigos, que o encaravam de volta – Eu…preciso ir buscá-los. Estão no aeroporto de Starling me esperando – balbucia com olhar perdido.
— Cara, no que raios estava pensando quando ligou justo para a mãe da Cait? – Oliver questiona-o, conseguindo sua atenção.
— Eu sei lá Ollie – responde, dando de ombros – Acho que só queria saber se ela tinha feito alguma queixa a ela sem que eu soubesse – confessa.
— E quando eu digo que é tapado…!!! – Hailey suspira, sacudindo a cabeça negativamente – Por que ela faria uma coisa dessas? A doutora me parece perfeitamente capaz de resolver as questões ligadas a vocês sozinha. No máximo faria uma queixa a Felicity – comenta a loira.
— Tenho de concordar – Oliver corrobora.
— Fiz merda, eu sei. Não precisam ficar tripudiando, ok? – reclama o moreno, abrindo a carteira, retirando uma nota de vinte dólares e pondo sob seu prato ainda intocado – Minha parte. Agora melhor ir andando antes que minha diletissima quase sogra ligue novamente me xingando – bufa – Passa em casa mais tarde Ollie? – pergunta.
— Além de ir buscar minhas pequenas, alguém precisa verificar in loco se ainda está vivo – o provoca, os demais disfarçando o riso.
— Há há há há, to morrendo de rir aqui! – Tommy ironiza, estapeando a nuca do amigo ao passar por ele em direção à saída do lugar, distraído, não percebendo haver atraído atenção do casal no fundo do salão interno do lugar, que o seguem com o olhar, voltando-se para os que permanecem tão logo sai do campo de visão destes, a mulher confidenciando algo com o loiro, este assentindo com um menear de cabeça antes de sacar o celular, efetuando uma ligação enquanto a jovem escreve em um guardanapo.
Alheios ao movimento alguns metros de onde estão, Oliver, Diggle, Jay, Hailey e Mouse continuam a lanchar e discutir a atitude impensada de Thomas.
— Ele conseguiu trazer mais aborrecimento para si , além dos que já tinha – Oliver comenta.
— Deem um desconto. Tommy tá apaixonado pela primeira vez na vida. Não sabe o que fazer, tadinho! – Jay brinca, ganhando um beliscão da loira a seu lado.
— Apaixonado uma ova! Ele Ama a doutora! – o corrige – E por isso ficou meio lerdo, infelizmente – acresce Hailey, ambos rindo.
— Brincadeiras à parte, uma coisa é certa: com ou sem a presença dos sogros, ele tem de sentar e por os pingos nos “Is” com a Caitlin – John declara, afastando-se levemente para dar espaço Mouse passar – Aonde vai? Estamos terminando aqui. E se não quiser perder a carona, melhor não inventar moda! – alerta.
— Só vou ao banheiro boss. É rapidinho – garante o nerd, correndo em direção aos sanitários do restaurante, esbarrando na jovem garçonete ao passar por ela – Desculpe – pede, ambos seguindo seus caminhos.
— Eu sempre soube que quando Tommy finalmente encontrasse alguém iria ficar meio bobo! – Oliver comenta, rindo divertido, voltando-se para a garçonete quando esta para a seu lado – Não queremos mais nada. Pode trazer a conta por favor – pede.
— Trarei senhor – a garota responde, estendendo o guardanapo a Jay, que arqueia a sobrancelha ao passo que Hailey a fuzila com o olhar – Não é meu não senhorita – defende-se ligeiro ao mesmo tempo em que o ruivo abre-o, correndo os olhos pela caligrafia precisa – A moça na mesa do canto quem mandou entre…
— Qual moça? – Jay a interrompe, levantando-se ligeiro – Qual moça!? – repete, retendo-a pelo braço quando faz menção afastar-se – Qual moça!!? – insiste, impaciente, alterando a voz a ponto de atrair atenção algumas pessoas próximas.
— Jay, calma aí. Está assustando a garota – Oliver ralha, tão confuso quanto os demais com a reação do rapaz.
— Aquela moça ali no… – a jovem se volta a fim de mostrar-lhe a autora do bilhete, surpreendendo-se ao ver a mesa vazia – Ela estava ali até a pouco – garante, o encarando confusa – Eu juro. Me chamou e pediu que entregasse o bilhete ao rapaz ruivo na mesa junto a sacada. Foi bem específica. Falou até à cor de sua camisa – conta, ele a soltando, indo a sacada e inclinando-se a fim de ver a entrada do local
— O que foi Jay? Que diz o bilhete? – Oliver interroga, seus sentidos ficando imediatamente em alerta.
— A garota é morena, alta e está com um cara loiro tão alto quanto? – pergunta sem encarar a garçonete.
— Isso! – confirma a jovem, aliviada.
— Mas o que…??? – Diggle questiona, ficando de pé em um salto ao vê-lo subir na mureta, precipitando-se para fora – JAY! – grita, a resposta do ruivo vindo em uníssono com a de Greg “Mouse”, que retornava à mesa,
— IANA DIAZ!
— O que? – Oliver questiona, sentindo o sangue em suas veias gelar.
— Iana Diaz estava aqui, nesse restaurante, com o guarda costas, segurança ou sei lá o que dela – ratifica o nerd, enrugando o cenho ao ver seus amigos preparando-se para saltar – Hei! Aonde vão?
— Seguir Jay – é Hailey quem responde antes de sumir, aterrizando na calçada segundos após Diggle e Oliver tê-lo feito, seguindo-os.
— ME ESPEREM – grita Mouse, passando a perna por sobre a mureta, detendo-se um segundo ante o chamado aflito da garçonete.
— Moço, a conta! – exclama.
— Se não voltarmos em vinte minutos, chama a polícia porque certeza que deu ruim pra gente! – ordena, saltando – DETETIVE THAWNE. DIZ PARA AVISAR O DETETIVE THAWNE! – berra, embrenhando carreira a fim de não perde os demais de vista.
Por cerca de um quarteirão e meio o grupo corre, Jay a frente, em busca do casal, olhando lojas e becos. Quando estavam para desistir, Jay avista-os, adiantando-se aos demais mais uma vez, deixando-os levemente para trás, alcançando o casal quando entravam em uma viela estreita.
— Parem! – ordena, sacando seu revolver, fixando-se na metade da viela quando eles obedecem — Virem-se – ordena e novamente obedecem – O que significa o bilhete? Quem corre perigo? E nada de gracinhas. Não vou hesitar em atirar se for preciso – avisa.
— Acha mesmo que Anthony é minha única proteção soldado?!? – Iana Diaz questiona, fazendo surgir mais três homens com um leve movimento de cabeça, Jay percebendo ter caído em uma armadilha – Parece que está em desvantagem soldado – diz, sorrindo discretamente ao escutar a voz forte de Oliver ecoando no espaço apertado.
— Acontece que ele também não está sozinho – avisa o loiro, o grupo formado por ele, Diggle, Hailey e um esbaforido Mouse tomando posição ao lado do ruivo – Que faz aqui Diaz? – interroga, encarando a mulher a sua frente.
— Negócios Queen – ela responde calmamente, prosseguindo antes que qualquer deles pudesse rebater – Mas aqui não é o local apropriado para falarmos sobre isto. Melhor que nos protejamos de olhares curiosos – declara, o loiro a seu lado indo até uma porta até então despercebida por Oliver e seus amigos, abrindo-a – Vamos!? – convida a morena, precipitando-se para o interior do prédio sem esperar resposta, o loiro aguardando-os, segurando a porta.
— Mais alguém tá sentindo cheiro de ratoeira aqui? – Mouse questiona-o.
— A menina e a mãe correm perigo – Jay diz de repente, voltando-se para Oliver – Era o que dizia no bilhete – específica, sério.
— Neste caso, não vejo escolha – Oliver declara, tomando a frente do grupo, que o segue sem pestanejar.
— Aí, instrui a garçonete a chamar a polícia caso não voltemos em vinte minutos! – alerta o nerd ao passar pelo loiro parado a porta.
— Não se preocupe senhor Gertwiz, não iremos demorar e se formos, meus homens foram instruídos a acompanharem o detetive Thawne até nós – declara, calmamente, ordenando dois de seus homens permanecerem do lado de fora.
— É isso que me preocupa! – Greg sussurra, seguindo pelo corredor mal iluminado.
Aeroporto de Starling – saguão de desembarque caseiro (12:00 p.m)
Tommy
Caminho apressado por entre as milhares de pessoas que vão e vem carregando suas malas pelo saguão, nem todas atentas, procurando e encontrando meus futuros sogros sentados em uma mesa da franquia de café, acenando e forçando-me sorrir tão logo me veem, lembrando a mim mesmo que estavam ali unicamente por minha culpa.
— Você que pediu por isso Tommy. Agora aguenta! – murmuro, me aproximando e repetindo esse mantra mentalmente – Senhor e senhora Snow, prazer em reve-los. Fizeram boa viagem? – pergunto polidamente tão logo paro de frente para eles.
— A recíproca é verdadeira meu rapaz e foi uma viagem relativamente tranquila – meu xará e futuro sogro, Thomas Snow, respondeu, estendendo-me a mão a qual aperto prontamente.
— Fico feliz em ouvir – digo, dando atenção minha futura sogra – Senhora Snow, obrigado pela atenção e desculpe se os assustei – peço, afinal foi meu telefonema que os trouxe até aqui.
— Não assustou. Surpreendeu. Confesso que não esperava algo assim vindo de você – ela diz e enrugo o cenho confuso – A primeira impressão sua quando nos conhecemos foi de alguém que jamais pediria ajuda ou admitiria estar errado – declara e abro a boca, espantado – Que bom ter-me enganado não é mesmo? Agora pegue as malas e vamos indo. Mal posso esperar para mostrar a Cait os presentes que comprei para meus netinhos e também para ela, evidente. Vamos, vamos! – dá dois tapinhas em meu ombro ao passar por mim.
— Em que momento exatamente admiti tudo isso? – questiono-me em alta voz, esquecendo a presença do pai de Cait a meu lado.
— Não disse meu rapaz – ouço-o dizer e me volto – Mas foi isto que ela entendeu – declara meu sogro, pondo a mão em meu ombro – O lado positivo é que minha esposa realmente reviu sua opinião sobre você. O ruim é que terá de nos aturar por um mês – avisa – Agora, melhor irmos andando antes que Carla se impaciente – sugere, empurrando o carrinho com duas das cinco malas que haviam trazido em direção a saída.
— Eu que lute! – sopro, empurrando o outro carrinho, seguindo-os.
Após colocar a bagagem no porta malas e meus sogros e eu nos acomodarmos, dou a partida, mantendo minha mente minimamente atenta a conversa entre eles e Cait (ela havia retornado uma das ligações) para o caso de ser, em algum momento, incluído ou questionado, o que não ocorre, me causando mais preocupação do que alívio.
Pelas pontas de conversa que escutava, Cait ficara feliz em saber que os pais estavam na cidade para ficar por um tempo, algo até então impensado para mim já que as duas haviam discutido na última vez em se falaram justamente por conta da gravidez. Agora, ao que parecia, isto tinha ficado no passado. Se iria ou não me ajudar, só o tempo dirá.
— Hum… as coisas mudaram rápido por aqui não é? – meu sogro inquere quando estamos entrando no condomínio.
— Sim, bastante – confirmo, manobrando em direção nossa casa – Depois que a polícia liberou, a construtora originalmente responsável pelos prédios propôs refazer o projeto, transformando em condomínio horizontal o antes vertical, oferecendo aos proprietários manter, vender ou trocar seus imóveis. A maioria preferiu permanecer, permutando os apartamentos pelas casas – explico, reduzindo ao passar defronte à futura casa de Oliver e Felicity – Ollie e Felicity irão morar aqui, com Amy Lee e o bebê. Ainda não mudaram porque estão fazendo algumas modificações por conta própria – Cait e eu já estamos instalados porque nenhum de nós quis permanecer no apartamento, apesar de também estarmos fazendo alguns acréscimos ao projeto. Tudo muito controlado e sem pressa para não atrapalhar nossa rotina – conto, acelerando novamente.
— Pensei que seriam vizinhos – minha sogra comenta.
— Somos, mas não de muro – confirmo – Nossa casa é aquela – indico a construção logo adiante – Cait quem escolheu por estar mais próxima ao mar. São apenas alguns metros até a enseada. Temos caminhado sempre que o tempo e os enjoos permitem – revelo, manobrando e estacionando na frente da garagem, desligando o motor antes de voltar a falar – Sei que posso ter passado a impressão contrária, mas no geral, Cait e eu estamos bem – acho importante assegurar – Eu apenas… eu… – titubeio, vendo pelo canto do olho a porta de casa sendo aberta – Eu estou tentando pedir Cait em casamento, mas ela tem evitado com veemência e isto me fez ficar inseguro – confesso segundos antes de Amy Lee surgir à porta do carro seguida de perto por Felicity, Cait e Donna.
— Papai! – minha pequenina faz festa, se atirando em meu pescoço – Tava com saudade! – diz, manhosa e ri.
— Eu também gatinha! – retribuo, puxando-a para dentro, colocando-a no colo – Cumprimente os pais da Cait meu anjo – peço.
— Oi – ela obedece, sorridente.
— Olá pequena. Como está? – meu sogro pergunta.
— Bem, obrigada – Amy responde, inclinando a cabeça para ver minha sogra – Olá – cumprimenta.
— Olá gracinha. Nossa, como você cresceu! – observa, sacando algo de sua bolsa – Olha só o que eu trouxe pra você – entrega uma sacola colorida a qual minha filha agarra rapidamente, abrindo-a antes de agradecer.
— Como é que se diz mocinha? – chamo sua atenção, retendo-a.
— Obrigada senhora — Amy fala polidamente.
— Por nada e ficarei muito feliz se me chamar apenas de Carla. Ou vovó Carla, se quiser – pede, me deixando de queixo caído.
— Carla, Tom, fizeram boa viagem? – ouço Donna perguntar.
— Excelente! – é a resposta entusiasmada que minha sogra dá, o estalido do trinco anunciando que saia do veículo, meu sogro e eu mesmo a seguindo logo em seguida – Cait, está tão linda! – elogia, abraçando-a apertado, se afastando o suficiente para olhar a barriguinha já visível (a qual não canso de admirar!) – E meus netinhos, como estão? Já sabem o sexo? Está indo para o quarto mês, correto? – dispara.
— Correto, mas não deu para ver o sexo na ultra que fiz semana passada e obrigada pelo elogio – Cait agradece com um de seus sorrisos doces que tanto amo – Vamos entrar?? – convida, pondo-se de lado e indicando a porta da frente, se aproximando mais de mim tão logo o grupo liderado por Donna e Felicity segue para dentro – Ligou para minha mãe em busca de conselhos sobre nós mesmo sabendo da implicância dela com você? – pergunta, direta, em um tom que somente eu escuto.
— Liguei – admito, completando antes que ela pudesse dizer algo – Eu não sabia mais como agir ou o que fazer em relação a nós. Ultimamente me sentia pisando em ovos com você e…
— Continuamos essa conversa depois – me corta repentinamente, voltando-se aos demais – Pai! Que bom ter podido vir – diz, o abraçando.
— E como negar um pedido a sua mãe? – ele responde em tom divertido – Mas desta vez confesso o ter feito com prazer. Estava com saudades da minha filhota! – a surpreende com um beijo no rosto – Deixe-me ajudá-lo meu rapaz – diz após um curto silêncio, vindo a meu encontro.
— Eu… vou entrando. O quarto de hóspedes está preparado Tommy. Levem as malas para lá, por favor – pede, nos dando as costas.
Será que fiz besteira?... reflito, seguindo-a com o olhar, me surpreendendo quando me dirige um olhar e um sorriso discreto…
Ou talvez tenha me precipitado na ânsia em resolver as coisas entre nós… penso, sentindo a leve pressão em meu ombro direito.
— Vocês ficarão bem, estou certo – ouço e me volto para meu sogro – Cait o ama e mesmo estando resistente, por alguma razão, aceitar seu pedido, acabará cedendo. Tenha paciência. Apenas, paciência – frisa, pegando duas malas, caminhando para a casa.
— Mas não quero que ela ceda. Quero que queira aceitar meu pedido! – sussurro, suspirando longamente antes de pegar o restante da bagagem, travar o carro e o seguir.
Lá dentro, sigo direto para o quarto de hóspedes, aonde Cait, a mãe, Felicity, Donna e Amy já se encontravam, abrindo as malas, organizando roupas e retirando presentes. Deixo as malas que trazia no canto, saindo de fininho, optando por não atrapalha-las, procurando pelo pai de Cait, que aparentemente sumira, o localizando no jardim, ao telefone.
Novamente opto por não atrapalhar, me servindo um drink antes de sentar no sofá, bebericando e pensando no que havia feito, em como iria mexer com nossas vidas, quais consequências teria, algo que me perguntei diversas vezes durante o resto daquela tarde, começo de noite, quando o convite de Moira para todos irmos jantar na mansão chegou.
Cait e eu não tivemos oportunidade de ficar a sós novamente até o momento em que fomos nos preparar para o jantar. No começo, nenhum dos dois disse nada, nos banhando separadamente.
— Ok, não aguento mais esse clima! – declaro, me sentindo sufocado – Eu sei que errei em ligar para seus pais, que não deveria ter envolvido eles em nossos problemas. Sei que deveria ter me empenhado em resolver tudo sozinho, mas entenda que estava começando a ficar meio que desesperado – confesso sem nenhuma vergonha.
— Desesperado? Por que? O que te levou a isto? – questiona, me encarando séria.
— Para começar, nós mal temos conversado e todas as vezes que tenho tentado, você evita ou muda de assunto ou ainda me ignora por completo! Como acha que me sinto quando faz isso? – desabafo – Desde que regressamos de Seattle, nossa relação não tem sido a mesma. Sei que anda estressada, preocupada com os bebês, e tem a mudança e tudo o mais…
— Aonde está querendo chegar Tommy? Qual o problema? – me interrompe, cruzando os braços.
— Estou querendo chegar na insegurança que tudo isto tem me causado – assumi, suspirando, decidindo fazer o que me for a sugerido mais cedo por meus amigos – Cait… – comecei, indo até minha parte do armário – Ando levando isto comigo para cima e para baixo esperando, aguardando a chance, uma oportunidade de te falar, de perguntar se você ainda quer dividir sua vida comigo, independente da gravidez – solto de vez, exibindo a caixinha de veludo, o silêncio prolongado dela me deixando ainda mais nervoso.
— Está me pedindo em casamento Thomas? – questiona.
— Estou – admiti , sustentando seu olhar – Muito provavelmente não foi o pedido mais romântico ou mesmo o que você esperava e merece não apenas por estar carregando meus filhos no ventre, mas pela mulher incrível, inteligente e maravilhosa que é… porém foi o que consegui fazer sem que me interrompesse – digo, tomando fôlego e coragem para prosseguir – Eu sei que as coisas tem andado estranhas entre nós ultimamente, a presença de seus pais aqui é prova disso, e também sei que talvez você queira um tempo para pensar, o qual estou mais do que disposto a lhe dar, mas quero deixar bem claro que não estou te pedindo em casamento apenas por estar grávida de mim. Eu te amo Cait – declaro, a forma como a vejo reter o ar causando uma dor forte em meu peito – Amo como jamais pensei amar alguém em toda minha vida. Amo com uma certeza e clareza que jamais julguei teria – faço uma pausa curta, atento as reações dela – Como bem sabe, nunca havia me apegado a ninguém antes de você entrar na minha vida. Apenas tive vislumbres do que de fato é amar antes de te conhecer. E até bem pouco tempo poderia jurar que sentia o mesmo por mim…
— Até bem pouco tempo? – me corta, parecendo surpresa – Então agora acha que não sinto? – quer saber.
— Eu… – titubeio, sentindo-me inseguro como jamais me sentira – Eu não sei Cait – admito, deixado os ombros caírem pesadamente – Os últimos dias têm sido estranhos, como falei. Mal temos trocado mais do que algumas palavras e todas as vezes em que tentei te pedir você evitou, quer mudando de assunto, quer me ignorando ou fingindo não entender. Cheguei a pensar que teria dito ou feito algo que te magoou sem perceber. Quebrei a cabeça imaginando aonde havia errado e como corrigir ou me desculpar…
— Não fez nada de errado Tommy – novamente me interrompe.
— Então por que se distanciou de mim? Por que parecia querer fugir sempre que me aproximava tentando fazer o pedido? Agora mesmo, quando confirmei , me deu a impressão de algo te incomodar a ponto de querer fugir – digo, a encarando – Se por alguma razão seus sentimentos mudaram, se já não tem mais certeza de me amar ou simplesmente não quer casar, pode dizer Cait. Prefiro mil vezes escutar isto de sua boca ao silêncio e a indiferença com que… – outra vez não consigo terminar a frase, desta por ela me surpreender com um beijo tão intenso que precisamos nos apoiar mutuamente ao final, permanecendo em silêncio durante alguns minutos, Cait o quebrando sem se afastar.
— Nada do que sinto mudou Tommy. Eu ainda te amo. Muito. Bem mais do que imaginei que seria possível em tão pouco tempo – afirma, cobrindo meus lábios com seus dedos, evitando o protesto iminente – Me deixa falar – pede, puxando o ar com força – Em momento algum duvidei do que sinto por você, Tommy – reafirma – Se tenho evitado, até agora, seu pedido, é porque, de fato, precisava refletir sobre o assunto. Talvez ainda precise – admite, acariciando meu rosto – Veja bem, nos amamos, é fato… mas casamento é um passo decisivo na vida de qualquer pessoa. Não pode ser decidido em um impulso por mais que haja amor. Conheço casais que se amavam e no entanto o casamento não durou mais do que alguns meses – conta, suspirando – Não estou querendo dizer que este seja nosso caso ou fazer discurso contrário ao matrimônio. Longe disso – garante – A questão aqui, entre nós em particular, é a rapidez com que as coisas têm acontecido – pontua – Oito meses, Thomas. A apenas oito meses atrás você caia, nu em pêlo, em minha varanda fugindo do flagra em uma de suas aventuras amorosas – relembra e tenho a impressão escutar um “Oh” abafado às minhas costas – Apenas oito meses separam aquele noite deste momento e veja quanta coisa nos aconteceu neste meio tempo! Nos envolvemos, viramos alvo de chantagem, descobri que foi casado e teve uma filha com minha prima, quase fomos mortos ao mesmo tempo em que se descobria toda a situação envolvendo o nascimento de sua filha e em meio a isto tudo também descobri estar grávida de você – enumera – É muita coisa para lidar em tão pouco tempo! Não quero somar a isto a tomada de uma decisão tão importante, entende? Ainda que nos amemos, mesmo que pareça ser o certo a fazer, e é justamente isso que não quero! – frisa – Não quero que daqui um ano ou dois, durante alguma discussão, um de nós diga que casou porque era o correto a se fazer ou porque era o caminho natural quando temos queimado seguidamente etapas tão necessárias a um relacionamento crescer e se fortalecer. Não quero que qualquer de nós olhe para trás um dia e se arrependa de não ter esperado um pouco mais, de ter agido por instinto ou impulso ou seja lá por qualquer motivo e cobre do outro qualquer coisa que julgarmos haver perdido, e acredite, vai acontecer. Eu já vi. O casal em nossa sala é uma prova disso – diz e enrugo o cenho, confuso – Meus pais foram noivos por dois anos antes de resolverem casar e ainda assim existiram cobranças por parte de ambos, o que degradou e quase destruiu o casamento deles – revela, me deixando surpreso – Não quero isto para nós e por isso quero fazer as coisas com calma e paciência ao menos no que se refere isto, entende?! – questiona-me.
— Entendo – digo, reconhecendo ela estar certa – Temos ido depressa demais, realmente, e talvez desacelerar seja o ideal – afirmo, tomando sua mão direita – Mas ainda assim, gostaria que aceitasse ficarmos noivos. Semente isso. Sem pressa ou previsão de uma data para a cerimônia. Vamos montar nossa casa, o quarto dos bebês e de Amy, curtir sua gravidez ao máximo, afinal, mesmo eu já tendo uma filha, sou tão marinheiro de primeira viagem quanto você – friso, ganhando um riso doce em recompensa – Mais do que uma proposta de casamento, te proponho continuarmos construir nossa relação mais lentamente doravante. O que me diz? – pergunto, aguardando ansioso pela resposta.
— Que mais poderia dizer além de um sim!! – responde e solto o ar que mal notara haver retido – Aceito por todas as razões já citadas antes e principalmente porque te amo e quero construir uma vida a seu lado mais do que qualquer coisa – declara, me dando um selinho.
— Então agora, se me permite, vou tornar tudo oficial – declaro, abrindo a caixinha de veludo, o pequeno brilhante reluzindo ao ser exposto à luz e desta feita a expressão de espanto escapa dos lábios da mulher à minha frente, meu amor – Caitlin Snow, acaba de me fazer o homem mais feliz do planeta – afirmo, colocando o solitário simples e delicado em seu dedo anelar, depositando um beijo no dorso para fechar.
— Nossa!!! É lindo Thomas – elogia admirando a jóia – Lindo! – repete, Me beijando novamente, desta vez demoradamente.
Desfruto do contato delicioso, aproveitando cada ínfimo segundo, encerrando-o apenas quando a voz de minha futura sogra chega até nós, cobrando pressa a fim de não nos atrasarmos para o jantar.
— Já estamos indo mãe – Cait responde, pegando sua bolsa enquanto eu pego carteira e chaves.
Damos as mãos e saímos do quarto em um silêncio cúmplice, bem diferente do que vinha ocorrendo. Agradeço intimamente termos finalmente nos entendido, a sensação de que tudo iria se encaixar de agora em diante tomando meu peito e sinto que se formos francos um com o outro, juntos acharemos a solução para todos os problemas.
“…I'm a sucker for you;
You say the word and I'll go anywhere blindly;
I'm a sucker for you, yeah;
Any road you take, you know that you'll find me;
I'm a sucker for all the subliminal things;
No one knows about you (about you);
About you (about you) ;
And you're making the tipycal me break my tipycal rules ;
It's true, I'm a sucker for;
I'm a sucker for!!”
Fale com o autor