Invasão Extra-terrestre
17 Marika e Clodo-Afro
- GENTEEE, agora que eu percebi! – Alice quebra o silêncio que estava dentro do Puteiro Móvel com um grito agudo.
- O que, Alice? – Bruna pergunta. Só nós três estávamos acordadas, Alice ajeitando os sacos de comida, eu ouvindo música com o pouco de bateria que havia no meu Ipod, o que já estava me deixando triste, e Bruna distraída em seus pensamentos enquanto dirigia.
- Hoje é véspera de Natal!
- Nossa Alice, to num animo pra celebrar o Natal.
- Eu adoro Natal. – Comento.
- Eu também! – Alice responde. – Só não gosto das crianças chatas da minha família, mas a esse ponto elas já devem tudo ter virado comida de E.T. – Ela começa a chorar depois de falar isso, fazendo com que eu e Bruna nos entreolhássemos e suspirássemos.
- Esquece disso, amiga. – Digo.
- É cara, já é muitos nós estarmos vivos! Nós somos nossa família agora. – Bruna complementa.
- Eu amo vocês! – Ela diz tentando abraçar a gente da parte de trás da vã.
Voltamos ao silêncio, até que Bruna é obrigada a frear quando uma criança passa correndo na frente da vã.
- PUTA QUE PARIL! – Ela xinga, a freada acordou a todos dentro da vã, que ficaram olhando sem entender nada, Bruna desce do banco do motorista e vai ver se machucou a criança.
Alice e eu descemos atrás dela, ela ainda estava verde por quase ter atropelado o garotinho, então, vemos uma garota mais ou menos da nossa idade vir correndo e agarrar o menino.
- Eu já não te disse para não se meter na frente de carros! – Ela briga com o garoto, que aparentava ter uns seis anos, suas roupas estavam rasgadas, ambos tinham feridas e uma aparência péssima. Ela levanta os olhos e encontra os meus. – Me desculpem pelo susto, — diz ela se levantando – meu irmão tem mania de se jogar na frente de tudo que se move, meu nome é Marianna Katrina, e ele é José Carlos Emanuel – piso no pé de Alice ao ver que esta estava se segurando para não rir.
- Marika! – Ouvimos um garoto berrar, Marianna Katrina olha para trás e o abraça.
- Calma, ele está bem. – A esse ponto o restante do grupo já estava todo com a cabeça enfiada nas janelas da vã, prestando atenção a conversa, um bando de fofoqueiro.
O garoto caminha em nossa direção, e meus deuses, que garoto, ele aparentava ter uns dezessete anos, era moreno e de olhos verdes.
- Olá. – Disse ele apertando nossas mãos.
- Oi. – Respondemos ao mesmo tempo.
- Meu nome é Clodoaldo Afonso. – Que nome, desencantando em três, dois, um... Mas isso não foi o pior, dessa vez Alice não se segurou, e soltou um “Afonso” nasalado que fez Marika ter um ataque de riso.
- Muito boa. – Ela comenta, depois de alguns minutos e de todos nos apresentarmos, isso inclui os antipáticos que não saíram da vã, ela nos leva para a casa onde estavam abrigados há dois dias, desde quando foram atacados pela ultima vez, ela nos contou que no início eram dez, mas que só haviam sobrado eles três e as duas irmãs de Clodo-Afro (como Rafa veio a chamá-lo, quando estávamos conversando sozinhos dentro da casa), e que para a infelicidade de Alice eles dois namoravam.
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