Invasores
1 Pilot
Notas iniciais
Alex
Eu nunca ouvi o barulho de água saindo pela torneira. Para lavar a louça, passamos areia nos talheres e pratos, depois panos descartáveis e guardamos no armário. Nossa comida é feita, melhor, chega pela entrega como barras concentradas, com tudo necessário para conseguirmos viver, só falta ter um gosto bom, pelos preços que pagamos acho justo.
Como sustentar uma casa tendo que pagar luz, purificação do ar, as barras concentradas, medicamentos, roupas e suas lavagens e os tratamentos da minha mãe. A ultima vez que vi água era a os meus 13 anos de idade, quando meu irmão estava vivo, nas cidades cobertas.
–Filho. — saí da cozinha pra ajudar minha mãe a andar ate a mesa.
Levei ela da porta do seu quarto, ate a cadeira totalmente cinza, como toda no nossa casa.
Fui ate a cozinha, tirei duas barras concentradas da geladeira. A geladeira era do tamanho de um micro-ondas que estava logo ao lado, e já as coloquei para esquentar.
O silêncio permanecia desdo pedido de ajuda da minha mãe. A "comida" esquentava e aproveitei e servi a mesa.
–Esta tudo bem mãe? Diminuiu as tosses?- falei um pouco constrangido apenas para puxar assunto.
–Estou bem melhor. — Ela falou com sua voz rouca.
–Mãe não minta. Só ha uma fina parede entre meu quarto e o seu. — Tentei falar suavemente.
–Então não pergunte!- Seu grito me chocou um pouco.
Quando eu tinha 17 anos meu irmão faleceu, por intoxicação alimentar. Minha mãe roubava, do seu emprego nas fazendas, vegetais e frutos para casa. Todos nos comíamos as frutas e os vegetais, mais Niall, meu irmão, era muito peque. Os vegetais e frutas produzidas ao ar livre ficaram venenosos, no século passado, mas só avisaram as pessoas quando era tarde de mais para muitas. Minha mãe, eu e Niall ficamos doentes. Já que Niall era o menor, bem... Minha mãe se culpa, dizendo que "Quem faz o mal recebe o mal".
Alguns meses depois da morte do Niall, minha mãe foi diagnosticada com câncer no pulmão, graças ao ar que ela respirava trabalhando, existe cura para os ricos. Vendemos tudo que tinha no quarto do Niall e do meu e conseguimos pagar metade do tratamento. Esta chegando na parte do tratamento que ainda não pagamos, e se não pagarmos tudo não vai ter valido de nada, todo o esforço.
O micro-ondas desperta, eu busco a "comida" e sirvo para minha mãe e para mim. Sento junto a ela na mesa.
–Hoje eu vou ver se consigo um bico — minha mãe me interrompe.
–Não, você ira montar seu futuro. Não quero você na rua respirando a mesma coisa que vai me mata.
–Mãe, você não vai morrer.- minha voz ficou tremula.
–Procure um trabalho nas cidades cobertas, eles pagam mal, mas ate as ruas tem ar respirável. Você pode ser um servente de uma casa rica e comer os restos das comidas deles, a melhor comida da sua vida, coisa que eu não consegui dar pra você e para seu...
O silêncio reina de novo. Já que terminamos a comida, levo minha mãe ate a cama, sem falar nada. Estava prestes a sair do quarto dela quando ela me chama.
–Filho eu te peço, não gaste o seu dinheiro com remédios para mim. Eu já estou velha — saí do quarto sem deixar ela terminar.
Me arrumei e, a o mais rápido possível, sai de casa, com uma camiseta tapando meu nariz e boca. Não podia deixar minha mãe morrer na minha frente sem fazer nada. O ar era rasgante ao ar livre, entrava no corpo como fogo, o céu era alaranjado e dava pra ver distante as cidade cobertas com sua redomas gigantes.
Fui batendo de casa em casa a onde as classes medias moravam. Eu limpava telha, desentupia canos, limpava casas, buscava areia, qualquer coisa que rendesse dinheiro. Uma vez um "turista" das cidades coberta me ofereceu dinheiro para me mostra para ele, não tive coragem. Fui em todos os locais que poderiam necessitar do meu "serviço" desta cidade . Consegui o suficiente pra 4 barras concentradas, pelo menos tenho comida pro dia seguinte.
Chegando em casa recolho a louça que deixei em cima da mesa. Estava indo deitar quando o correio eletrônico apita, fui a o lado da porta, onde ficava aquela tela gigante sensível ao toque, toquei no simbolo da mensagem e apareceu uma mulher loira de cabelo amarrado, falando:
"Dinheiro fácil e uma experiencia incrível. Seja nossa cobaia no nosso mais novo simulador de realidade, testes abertos na cidade de Future Lacus, todos os dias desta semana."
Esses anúncios sempre pegam os necessitados, bem... É o que eu pareço.
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