Invasão de Privacidade

13 Settle accounts with past – part. II


Notas iniciais
Olá flores. Sei que havia dito que iria att mais duas, mas não consegui terminar de revisar Madly, que por sinal ganhou um playlist no Spotify. Até quarta devo att pois quero me dedicar a finalizar Survivors e Links. Por aqui um acerto de contas para zerar as coisas. Grata por todas as rewiews passadas...More rewiews, please...Boa leitura...Bjinhos flores

“Seu coração, tem algo que nunca muda;

Mas que também não envelhece nunca;

Seu coração;

Vá e entre por aquela porta ali;

Não tem caminho fácil não;

É só dá um tempo que o amor;

Vem pra cada um…”

O Amor Vem Pra Cada Um

Zizi Possi

Apartamento Oliver e Felicity ( quarta,2/11 – 22:15 p.m)

Oliver

— Então senhor Queen, estou esperando – a voz imperativa de meu futuro sogro chega a meus ouvidos, despertando-me.

— Digo o mesmo – Donna corrobora, encarando-me com seus faiscantes olhos azuis.

— Certo – digo, respirando fundo, olhando primeiro Tommy em seguida Felicity, o gesto que ela faz trazendo-me a pequena Amy Lee a mente – Certo – repito, sacudindo a cabeça a fim de alinhar meus pensamentos – Porque não sentam – sugiro, apontando de Cait para minha noiva, aguardando-as o fazerem pra começar – Não quero ficar dando voltas por isto vou direto ao ponto como fiz a pouco – aviso, encarando o homem imediatamente a minha frente. Devo reconhecer: esse olhar gélido provocaria calafrios até no mais destemido mortal! – Como disse, Thomas é meu melhor amigo. Conhecemos-nos desde sempre, por assim dizer. Nossas famílias eram vizinhas, crescemos juntos, correndo e aprontando em ambos os jardins de nossas residências. Foi em minha casa que Tommy se refugiou quando a mãe foi baleada ficando em coma por meses, Malcolm o deixando praticamente sozinho para ficar ao lado da esposa – conto, esfregando as mãos lentamente – Quando Rebecca morreu e o pai sumiu por uns meses, foi em minha casa que ele morou até que Malcolm retornasse. Nossa adolescência não foi diferente. Vivíamos juntos para cima e para baixo ganhando a companhia de alguns amigos – faço uma pausa refletindo em quais palavras usar, uma careta formando-se instintivamente ao pensar em tudo que teria de contar – Bem, não posso dizer que éramos bons meninos – digo, fazendo aspas no ar- Quando Tommy completou dezoito anos, pedi ajuda a Raissa, governanta em minha casa, que nos vira crescer, para fazer-lhe uma festa surpresa visto que nossos pais estavam fora do país mais uma vez- faço outra pausa a fim de analisar a reação de meus futuros sogros, estranhando a calma aparente do juiz – Nós, Tommy, Eddie e eu, fizemos a besteira dupla de sairmos da festa em busca de drogas e tentamos comprá-las de um policial disfarçado. Acabamos presos, evidente, sendo levados diante de um juiz que queria nos fazer de exemplos aos demais jovens da cidade. Pretendia nos enviar a Ironhights mesmo eu não tendo dezoito completos e o teria feito não fosse a interferência do pai de Eddie, o então detetive Lance, pai de duas amigas nossas, e Joe West. Eles o convenceram a converter a pena em serviço militar por um ano. Durante este período tomamos conhecimento dos Rangers através de outro amigo, Raymond Palmer, e nos interessamos. Ao final, seguimos o protocolo e fomos aceitos e agora devem estar se perguntando o que isto tudo tem a ver com Tommy ter abandonado Felicity após casarem-se – presumo.

— Devo supor que seu amigo foi chamado em alguma missão inesperada – Damien Darhk conclui, olhando-me sério e mais uma vez estranho sua reação.

— Não qualquer missão – ouço Tommy dizer e o encaro – Fui chamado a resgatar meu melhor amigo que corria risco de morte em território Russo.

— E como foi parar lá sozinho, suponho, ou não fazem parte da mesma unidade? – interroga o juiz, cruzando os braços, tranquilo.

— Fazemos – me adianto – Tínhamos regressado de uma missão longa e complicada e cada um estaria liberado para fazer o que quisesse....

— Havia discutido com meu pai ante de viajar com o pessoal e quando retornamos optei por pegar o carro e vagar sem destino ao invés de vir para Starling – Tommy me interrompe – Fui ao Havaí e Los Angeles antes de parar em Vegas...

— Já eu voltei para casa e dois dias depois fui convidado a me unir a outro grupo a serviço de uma instituição ... paralela com a qual trabalhamos de vez em quando – prossigo, ainda mais desconfiado por não ter sido interrompido ao falar da A.R.G.U.S – A missão deu errado e acabei cativo com mais dois outros e um civil. Foi quando John Diggle, nosso superior e mentor foi avisado convocando a equipe para me resgatar. Ao todo, entre reunir e organizar o plano de resgate, embarque, desembarque, resgate em si e retorno aos Estados Unidos passaram-se quatro semanas e meia. Quando retornamos, primeiro tivemos que ir a sede prestar depoimento para somente então sermos liberados – informo.

— Esta foi segundo entendi, a razão pela qual o senhor Merlyn abandonou nossa filha de forma repentina – conclui o juiz, olhando firme para Tommy, meu amigo confirmando com um aceno breve – Entendo – afirma, massageando o queixo, pensativo e antes que qualquer um de nós pudesse dizer algo, dispara – Me responda uma coisa meu jovem: acredita mesmo que isto justifica sua atitude? Acha que agiu corretamente com nossa menina deixando-a sem nada dizer, sem uma explicação por mais ridícula e falsa que fosse? Parou para pensar quanto tempo perderia para escrever um misero bilhete com duas ou três linhas contendo uma esculpa mesmo que esfarrapada para ela? Ou menos ainda: os malditos números de seu celular!? – interroga, erguendo-se, caminhando em nossa direção, seu tom de voz aumentando na medida em que se aproxima, parando a centímetros de Tommy, encarando-o – Acredita? – reitera, travando o maxilar – RESPONDA SOLDADO! – berra, sobressaltando-nos e paralisando-nos ao mesmo tempo.

— Não senhor – Tommy responde, mais firme do que esperava, sustentando seu olhar – Cheguei a pensar que sim durante um tempo – reconhece meu amigo, engolindo em seco.

— Imaginei visto que somente procurou por ela quatro meses depois – relembra – Por que o fez soldado? – pergunta fazendo-me enrugar o cenho, confuso.

— Eu...achei que Felicity merecia uma explicação para...

— Ahh, pensou que ela merecia uma explicação – repete ironicamente, interrompendo meu amigo – Quatro meses depois – reforça, exibindo os dedos — Diga-me Thomas, que fez neste meio tempo? Que nova missão tão importante o fez esquecer que se casara com a jovem pela qual dizia-se apaixonado, para a qual fizera juras de amor e que largou após sua noite de núpcias sem o menor constrangimento?– ironiza mais uma vez fazendo aspas no ar, desabotoando os punhos da camisa social, o gesto pondo a mim e Tommy em alerta de imediato – Para qual país foi enviado que não havia sinal de celular para que a ligasse? Ahhh, esqueci: nunca se preocupou em pegar o número do telefone dela já não pretendia nada além de uma foda de final de semana! – exclama, começando a dobrar a manga da camisa de seu braço esquerdo – Foi leal ao seu amigo, a sua equipe não foi? Não hesitou em atender o chamado de seu superior ainda que de ressaca, motivo aliás, que usou para justificar ter-se esquecido do casamento com Felicity – lembra, dirigindo-me um olhar duro – Nunca quebrar o código não é isso soldados? – questiona, exibindo a parte interna do braço onde uma tatuagem dos Marines estava, agora, visível – Sei bem como é – acresce – Mas nenhum código justifica sua atitude e sabe disso. Sabia quatro anos atrás. O que o fez procurar minha filha, mesmo que tardiamente, foi sua consciência pesada não por achar que ela merecia uma explicação. Podia tê-lo feito quando retornou. Para tanto bastava ligar no Bellagio e perguntar por ela. Simples assim – declara, olhando-me novamente – Sabe por que não o fez senhor Queen? – questiona-me, não deixando-me responder – Porque não se importava com quem deixava pelo caminho – afirma – Da mesma forma que o senhor também não importava-se – diz após uma breve pausa, não me dando chance falar mais uma vez – Vocês dois são iguais. Farinha do mesmo saco! – exclama, tocando o peito de Tommy com o dedo – Não é à toa a fama que ainda hoje detém na cidade – diz, tirando-me da letargia.

— Nos investigou? – pergunto, ficando entre confuso e surpreso ante a confirmação.

— A ele uns dois, três dias depois que sumiu. A você assim que Donna contou-me que estava namorando Felicity – revela, sorrindo pela primeira vez desde que o vira – Acha mesmo que iria deixar nosso bebê se envolver com outro ilustre morador de Starling sem investigá-lo ainda mais sabendo que o senhor Merlyn aqui era natural da mesma cidade? – questiona.

— Espera....está dizendo que já sabiam sobre isto? – Felicity questiona apontando de mim para Tommy — Sabia que Tommy e Ollie eram amigos?

— Evidente que sim bebê. Por que acha que escolhemos Starling pra viver agora que Damien decidiu aposentar-se? – Donna confirma, sorridente.

— Quer dizer que me estressei à toa? Desde o começo sabia de tudo e não disse nada mãe? – indigna-se e sei, por sua postura, que está zangada.

— Nem tudo querida. Por exemplo, não sabíamos que a amizade entre eles era tão estreita assim– o juiz afirma – Ou que sua prima está envolvida com o senhor Merlyn atualmente– acrescenta – Não se zangue meu anjo, não investiguei seu noivo por ter alguma restrição contra ele, muito embora o tenha mesmo sabendo que não adianta – antecipa-se, continuando – Queria evitar que sofresse novo baque. Sei que não posso protegê-la cem por cento do tempo, mas sou pai, juiz e soldado. Evidente que não iria deixar passar em brancas nuvens o acontecido...o que me lembra – diz, e antes que possamos ter qualquer reação, acerta um soco forte no rosto de Tommy fazendo meu amigo perder o equilíbrio e cair – Baixe a guarda soldado, já fiz o que queria – avisa, erguendo as mãos quando ameaço revidar, Felicity segurando meu braço, assustada ao mesmo tempo em que o pai estende a mão para Tommy, que aceita após hesitar um segundo — Conheço o passado de ambos, seus erros e acertos senhores. Não posso dizer que o perdoamos, minha esposa e eu, pelo que fez a nossa filha...

— Eu sinto muito por tudo que fiz Felicity passar, e se pudesse voltar no tempo faria tudo para não magoá-la – Tommy o interrompe – Está coberto de razão em tudo que disse. Fui irresponsável e egoísta. Reconheço que poderia e deveria ter me esforçado mais em procurá-la e pedir-lhe desculpas imediatamente após ter regressado, mas não menti quando dizia estar apaixonado por ela. Estava – assume, trazendo um gosto amargo a minha boca – Era o que sentia na época. Paixão e nada mais. Não posso mudar o passado senhor Darhk . Nenhum de nós pode. Tudo que podemos é viver o presente e o nosso presente, meu e dela, são Oliver e Cait – declara, segurando e beijando a mão de Caitlin, que encontrava-se estática, surpresa demais para reagir – Falo por nós, sem medo de errar, quando digo que o que vivemos no passado não se compara ao que estamos vivendo hoje e espero, sinceramente, que Ollie e Cait possam nos per...me perdoar pelo que aconteceu – corrige-se.

— Acho que esta é a proposta deste jantar correto? – Damien questiona, me encarando.

— Sim – confirmo, limpando a garganta – Sim – reforço – Pretendo que Tommy seja meu padrinho de casamento, Caitlin estará ao lado de Felicity, elas são primas, iremos estar sempre juntos e não gostaria de ter que preocupar-me com possíveis mal estares entre nós. Já tivemos o suficiente disto em nossa família – relembro, desgostoso, sobressaltando-me ao escutar a voz de Thea.

— Se está se referindo a mim, vou ficar muito chateada irmãozinho – declara, surgindo da cozinha – Olá. Boa noite a todos. Thea Queen...ou Merlyn...Queen-Merlyn também tá valendo, mesmo contra minha vontade – apresenta-se, apertando a mão de um surpreso Damien Darhk.

— Thea, que diabos está fazendo aqui? – pergunto, não escondendo minha irritação.

— Antes que pense errado, eu não estava xeretando, embora o tenha passado a fazer quando escutei a conversa entre vocês – admite, enrugando o nariz numa careta engraçada – Vim apenas trazer a sobremesa que Raissa pediu-me já que a que fez aqui não prestou...UOU! Isso vai doer um bom tempo maninho número dois! – exclama, tentando tocar o rosto de Tommy, que se afasta instintivamente – Ainda bem que tem uma médica particular pra cuidar de você – provoca-o.

— Se já fez o que veio...

— Há muito tempo! – me interrompe, estalando os dedos – Mas, como disse, a curiosidade foi maior, ainda bem, ou não saberia da missa um terço!

— Thea ... – tento falar novamente, sem sucesso.

— Será que agora podemos comer? Tive um dia cheio hoje e acabei esquecendo-me de jantar e nem estou falando sobre te ajudar cunhadinha. Refiro-me a ter andado a manhã inteira com Roy e Sin, pelos Glades, a propósito, estavam certos. Mais que certos, diga-se, portanto estou com vocês – avisa, olhando de mim para Tommy – Quando começamos a por nosso plano em pratica? — Interroga, esfregando as mãos.

— Para quem se dizia contraria, se animou rapidinho não é mesmo? – Tommy retruca, erguendo o braço, evitando a tapa que desfere.

— Sei reconhecer quando estou errada sem que precise levar um muro na cara, irmãozinho lindo, fofo, do meu coração! – o provoca novamente, conseguindo apertar as bochechas de Tommy, a risada de Donna chamando nossa atenção.

— Eu amo essa menina! Desde a primeira vez que nos falamos a amei. Posso te adotar como sobrinha postiça já que não sou tão velha a ponto de ter uma neta na sua idade meu anjo? – questiona, nossa irmã enlaçando o braço ao seu sem a menor cerimônia.

— Mas é claro que pode. Também te amei desde o começo Donna– Thea declara, sorridente – Por falar em neta, verdade que quase virei titia? – pergunta.

— Thea! – Tommy e eu exclamamos juntos.

— Sim, verdade. Vamos indo para a mesa que te conto tudo. Estou varada de fome – minha sogra confirma, enlaçando o braço ao de nossa irmã, encaminhando-se para a mesa posta.

— Parece que Donna ganhou uma nova amiga – Damien comenta, arrumando as mangas da camisa – Quanto a seu pedido, perdão, em minha opinião, é algo que se conquista principalmente com gestos. No seu caso, vou considerá-lo perdoado se não repetir o erro, aliás, se qualquer um dos dois fizer minhas meninas sofrerem, se magoarem Felicity e Caitlin seja de que forma for, acabo com a raça de ambos, entendido? – ameaça, olhando de mim para Tommy alternadamente.

— Sim senhor – respondemos juntos.

— Excelente! – exclama o juiz, nos dando as costas, seguindo Donna e Thea.

— Tudo bem amor? – Cait pergunta, recuperando-se do susto, examinando o machucado na boca de Tommy.

— Estou – garante, olhando-nos – Não foi tão ruim quanto esperávamos – afirma, rindo sem vontade.

— Não, imagina. Só estou me sentindo o côco do cavalo do bandido depois do que ouvi, mas tudo bem – afirmo, Felicity abraçando-me, rindo pelo nariz.

— Se você é isto, eu sou o verme que habita o côco do cavalo do bandido! – Tommy exclama fazendo-nos rir – Falando sério, seu paidrasto foi bem cruel...mas reconheço a verdade em cada palavra. Fui um covarde, mesquinho e egoísta e entendo se me odiar Felicity – afirma, abraçado a Caitlin

— Como posso odiar o homem que salvou a vida do amor da minha vida!? – Felicity declara, me dando um selinho carinhoso e sorrio – O que não me impede de furar seus olhos se fizer Cait sofrer – ameaça, sorridente.

— Parece que todos na família Smoak querem arrancar ou espetar algum pedaço de mim – exagera – Acho que preciso de proteção além de cuidados médicos urgentemente amor – fala com voz manhosa e rio abertamente de seu drama.

— Vou pensar no seu caso – Cait declara, deixando-se abraçar e beijar – Melhor irmos para a mesa antes que Thea devore tudo — sugere e concordamos com acenos, seguindo abraçados.

Para minha surpresa (e alivio) depois do acerto de contas entre meu amigo e meu futuro sogro (e sua posterior ameaça a nós dois) o clima anuviou e consegui relaxar finalmente.

Admito: a presença de Thea acabou contribuindo para quebrar o restante da tensão e nem mesmo quando, após o jantar enquanto estávamos na varanda bebericando e jogando conversa fora (decidíramos deixar o assunto Glades para o dia seguinte), ela voltou ao assunto sobre a gravidez de Felicity houve mal estar. Ao menos não perceptível.

— Espera, então Fel não deu à luz um natimorto? – minha irmã questiona, surpresa.

— Não. A neném nasceu com vida – Donna confirma – Mas, pelo que nos disseram no hospital quando chegamos, houve alguma complicação e horas depois veio a falecer – relembra, suspirando – Já contei que uma das enfermeiras falou que era um dos bebês mais lindos que já vira? – questiona.

— Só umas quinhentas vezes mãe, mas quem está contando? – Felicity responde, sentando a meu lado após colocar a bandeja com xícaras de cafés sobre a mesinha de centro – Não sei se acredito nisso já que todo bebê tem cara de joelho.

— Nem todo Lissy. Tem uns bebês que nascem sem tantas rugas e são lindos de fato – Caitlin contesta, abraçada a Tommy.

— De qualquer forma não tenho como opinar já que só a vi por alguns instantes logo após o parto. Uma enfermeira mostrou-me antes de pô-la na incubadora e levá-la embora – conta, uma nota de tristeza na voz. A abraço mais forte transmitindo carinho e força – Deveria ter ido vê-la antes que a levassem para enterrar. É o único arrependimento que tenho – afirma, suspirando.

— Eu também – Donna endossa – Quando chegamos tinha acabado de se ir, de falecer, segundo a enfermeira de plantão. Sequer tinham avisado Felicity. Faltou-me coragem quando perguntaram se queria vê-la e preferi ir ter com minha filha.

— Sinto muito – Thea diz, segurando sua mão, solidaria.

— Não se arrependam. As duas. É muito doloroso. Já vi varias mães passando por isto e não desejo a ninguém – Cait diz, igualmente solidaria.

— Não parecia morta – Damien declara de repente fazendo-nos encará-lo – Fui vê-la depois que você foi ver Felicity. Aproveitei que precisava assinar alguns papeis para liberarem o corpinho. Confesso que fiquei impressionado pois não parecia morta. Demorei dias para conseguir tirar a imagem da mente – revela, pensativo.

— Desculpe-me perguntar, mas quem providenciou o enterro? Para onde a levaram, sabe por acaso? – Thea pergunta, explicando-se – Assim, sei que não é a mesma coisa, mas se de repente Felicity quiser, algum dia, visitar o tumulo para se despedir, onde iria? – teoriza minha irmã.

— Havia um agente de uma casa funerária por lá. Uma das enfermeiras, a que me levou, relutante diga-se, até a pequena apresentou-me a ele e cuidei de tudo – Damien afirma, franzindo o cenho – Acho que tenho o papel com os dados em alguma pasta – pondera.

— Do jeito que é organizado deve ter mesmo – Donna diz, cutucando o marido e rio de seu jeito despachado.

— Alguém tem que ser não é mesmo? – devolve ele, beijando-a carinhosamente – Se algum dia quiser Fleicity, me avise que procurarei.

— Nahnmm. Lá não tem mais nada além de pó...e não quero sofrer pensando em como ela estaria se tivesse viva, qual aparência teria, se seria alegre ou retraída, inteligente, sociável ...

— Se puxasse ao pai seria uma peste! – Thea brinca, nos fazendo rir.

— Tenho que concordar – Tommy admite, rindo torto – Nunca fui santo.

— Sério? Já estava divisando as aureolas sobe sua cabeça – Donna o provoca e rimos mais.

— Qual nome pôs na certidão pai? – Felicity questiona de repente.

— Bem, não tive coragem de dar-lhe o nome que você havia escolhido, sinto muito minha linda. Quando as enfermeiras disseram que não havia tido chance de nominar sua filhinha, não quis fazê-lo – conta – Mas não a deixei ser enterrada como desconhecida. Dei o nome de uma avó de meu pai já falecida, Lianne – revela.

— Obrigada – minha noiva agradece, emocionada, um silencio tranquilo nos envolvendo por um tempo indeterminado, cada um perdido em seu próprio mundo e lembranças, com certeza.

O clima calma permanece no restante da noite, a conversa fluindo com facilidade, girando quase sempre em torno da mudança de meus sogros para Starling.

Lá para as tantas, Damein e Donna nos comunicam que iriam entrar em contato com a imobiliária e comprar um dos apartamentos da torre três, fazendo com que Tommy, Cait, Felicity e eu trocássemos olhares tensos. Mas este foi outro assunto que decidimos, em mutuo e silencioso acordo, para outra oportunidade.

Passava da uma da manhã quando Thomas e Caitlin se despediram, indo embora, Thea fazendo menção de ir embora também, mas, devido ao adiantado da hora, peço que durma em nosso apartamento pois não a queria dirigindo por ai de madrugada estendendo o convite aos meus futuros sogros.

Após instalarmos a todos, seguimos para nosso quarto onde tomamos banho juntos fazendo amor no chuveiro.

— Felicity, só por curiosidade: qual o nome havia escolhido para sua filha? – pergunto enquanto faço a barba, ela sentada na borda da banheira vestindo apenas o roupão bege, massageando as pernas torneadas com o creme de aveia que tanto amo – Se não se importar em dizer, evidente, sweet.

— Amy Lee – revela e não sei bem porque, paraliso.

“....Fique feliz, na boa e tudo vem;

Mas nunca chove sem molhar;

É só dá um tempo que o amor;

Chega até você..”

Notas finais
Só para lembrar: aqui Damien não é vilão. Até breve. Bjinhos flores