Invasão de Privacidade
10 It’s not as bad as it sounds...Or is it?
Notas iniciais
“...We’ve all got our funny moods;
I’ve got me mine, woman you’re got yours too;
Just trust in me like I trust in you;
As long as we've been together;
It should be so easy todo..."
If You Don't Know Me By Now
Simple Red
Apartamento Caitlin (sábado, 28/10 – 09: 20 a.m)
Tommy
— Quem é Donna Smoak? Mãe da Felicity? – Ray pergunta, desculpando-se em seguida – Opa, foi mal. Não quis ser invasivo – diz, sem graça.
— Sem problemas – Oliver responde.
—Então conheceu sua futura sogra!? Ela é legal? – questiona, sorrindo com seu jeito franco – O que? Ter a sogra por perto não é tão ruim quanto parece...ou é? – indaga ante a careta que fazemos.
— Vai depender de como minha futura sogra reagirá ao saber que o ex genro pelo qual nutre um, digamos, leve rancor é meu melhor amigo – Ollie pondera, ele nos dirigindo um olhar confuso – Em breve saberá de qualquer jeito, então melhor que seja através de nós: Tommy e Felicity tiveram um relacionamento no passado, quando ela morava em Vegas, casaram-se, quase se tornaram pais, Donna, a mãe dela, odeia a ele por julgar que abandonou a filha grávida sendo que ela não faz a menor idéia de que somente o fez para ir em meu socorro, e a propósito Tommy, o marido dela, o ex juiz Darhk, deve chegar nos próximos dias – conta, de um fôlego só, me fazendo sentar no sofá.
— Darhk vai morar em Starling, foi isso mesmo que entendi? – questiono, sentindo cada músculo do meu corpo se retesar ante a possibilidade de um novo encontro com o padrasto de Felicity.
— Virá. Ele e Donna ainda estão casados e por sua reação presumo que já o conheça – meu amigo conclui, apoiando as mãos sobre os joelhos, me encarando.
— Infelizmente – respondo, deixando os braços cair pesadamente, fechando os olhos e respirando fundo.
— Quando e como? – pergunta direto.
— Quando voltei à Vegas quatro meses depois para tentar me explicar com ela, tive o desprazer em conhecê-lo – digo – Consegui convencer uma amiga de Felicity que ainda trabalhava no hotel a me dar o endereço da casa na qual passamos nossa lua de mel já que não lembrava onde ficava–lembro, fazendo aspas no ar — Procurei na internet e fui até a lá certo de que a encontraria. Como já sabe, quebrei a cara literalmente falando – revelo, meu amigo arqueando a sobrancelha – Resumindo, Donna me reconheceu, berrou comigo, depois de me acertar uma senhora bofetada, o digníssimo juiz estava em casa, escutou, veio ver do que se tratava e também deixou sua marca no meu rosto antes de ameaçar me atirar numa cela sem janela cuja chave seria atirada em alto mar – concluo.
— Já começo a achar que a escolha de Starling não teve a ver apenas com o fato de Felicity morar aqui – teoriza, tenso.
— Atrás de mim é que não vieram! –exclamo, rindo com o canto da boca – Fala sério Ollie! Não está achando isso, esta? – questiono ante sua expressão carrancuda – Qual é? Fazem mais de três anos. Ninguém mudaria a vida por algo ocorrido há tanto tempo cujos envolvidos, ela e eu no caso, já seguiram em frente – suponho.
— De alguém chamado Darhk Eu esperaria! – Ray opina, saindo do transe no qual entrara – Então Felicity era a tal garota com quem estava quando Diggle nos convocou! – exclama surpreso – Mundo pequeno não? – conjectura, rindo sem graça.
— Demais para meu gosto – afirmo,mal-humorado, levantando, indo até o quarto, os dois me seguindo – Que diabos está fazendo, Mouse? – questiono ao vê-lo tentando enfiar-se na minúscula janela.
— Tentando provar uma teoria – Jay responde, braços cruzados, um meio sorriso no rosto – Ele acha que o invasor era uma mulher – informa.
— Mulher?!? – espanto-me, olhando-o de sobrancelha arqueada.
—Ou um cara muito baixinho e magro – Mouse rebate, descendo, voltando-se para nós – Um cara normal não passaria por aqui – aponta o buraco na parede.
— Diga algo que eu já não saiba! – bufo, passando pelos dois, abrindo o armário sob a pia em busca do colírio que vira lá outro dia.
— Tá, que o cara é franzino já suspeitávamos ou teria enfrentado Tommy – Ray afirma e anuo com um gesto de cabeça – Mas por que pensou ser uma mulher??
— Estava imaginando a mesma coisa – Oliver admite.
— O pé – diz como se explicasse tudo – Por mais franzino que seja, um homem calçar tão baixo assim é muito raro – completa.
—Isso pode ser útil para nós – Oliver pondera – Calçados pequenos ou grandes demais precisam ser encomendados. Geralmente – raciocina.
—Ou comprados em sessão infanto-juvenil, o que também será útil já que um adulto comprando sapato para si próprio chama um pouco de atenção não é não? – Ray comenta – Mas porque uma mulher faria uma coisa dessas?
—Invadir um apartamento? – pergunto.
—Não, as câmeras – responde, girando o indicador – A invasão poderia ser obra de alguma ex sua enciumada, mas as câmeras em todo o condomínio é um pouquinho demais!
—Um pouquinho? – indago, enxugando o rosto, olhando a volta, a sensação de algo estar faltando surgindo de repente.
—Então pode ser que essa invasão não tenha nada a ver com as câmeras ocultas – Oliver pondera, suspirando – Roubo? Notou a falta de algo Tommy? – pergunta.
—Não...- digo, vacilante – Quer dizer.. – começo, me calando ao sentir o roçar em minhas pernas e olho para baixo – Sherlock!!
—Oi? – um coro questiona, me olhando esquisito.
—Cait tem um casal de pugs e dois gatos. Um está aqui, Watson- aponto a gata – Onde está o outro, Sherlock?? – questiono, olhando-os.
—Só vi os pugs – Ray avisa, erguendo as mãos.
—Pugs e um gato desde que entramos – Jay garante.
—Também só vi os três desde que chegamos – Oliver avisa, olhando a volta – Ele é maior ou menor do que este? – pergunta apontando a gatinha, que se deitara preguiçosamente a seus pés.
—Maior. E todo cinza – digo, olhada a volta mais uma vez.
—Quando o viu pela última vez? – Ray pergunta, inclinando-se sobre a cama, erguendo travesseiros e lençóis.
—Tá ligado que estamos procurando um animal daquele tamanho ali e não uma barata não tá sarge??? –Mouse questiona e apesar da preocupação não consigo evitar rir.
—Sim, mas gatos adoram brincar de esconde-esconde. Vai que tinha se enfiado sob os lençóis enquanto arrumavam a cama e não viram – teoriza.
—Os viu, os quatro, após a saída de Cait, antes de enfrentar o invasor? – Oliver questiona e me esforço para lembrar.
—Eu realmente não lembro – admito, massageando a nuca – Cacete! Se acontecer alguma coisa com um desses bichos Cait me mata – afirmo e agora são eles que riem – Falo sério. Ela os ama mais do que a mim se brincar – dramatizo indo até o banheiro – Ajudem a procurar – peço.
—Vou dar uma olhada na sala e cozinha – Oliver avisa, saindo.
—Vou com você – Jay diz, seguindo-o.
—Vou ver os armários. Se o invasor abriu alguma porta ele pode ter-se enfiado dentro – escuto Ray dizer enquanto observo Jay sumir no corredor, os pugs o seguindo– Porra! – o impropério seguido pela gargalhada de Mouse fazem com que me volte vendo um caindo sob uma pilha de roupas enquanto o outro se contorce de tanto rir.
— O que fez Ray? – pergunto, aproximando-me, ajudando-o a livrar-se das peças.
—Nada. Só abri as portas e tudo desabou. Com todo respeito, Cait precisa ser mais organizada! – reclama, conseguindo erguer-se.
—Ela é – garanto juntando as peças, pondo-as sobre o colchão após acertar Mouse, que continuava a rir sem parar, com uma ombreira vazia – Estava apressada – justifico, arrumando as roupas da melhor maneira possível – E a menos que Jay ou esse maluco tenham aberto alguma porta, não há chance de ele ter entrado ai – asseguro, fechando o móvel.
—Alguma chance do invasor o ter lavado consigo? – Mouse interroga, parando de ri (finalmente).
— Nops! A não ser que saiba hipnotizar animais. Sherlock é muito arredio – garanto, o encarando – Ele não está aqui ou já teria aparecido com certeza – afirmo, começando a me estressar novamente – Vamos ver se Oliver e Jay tiveram mais sorte – chamo, me dirigindo a sala com os dois em meu encalço, parando no banheiro do corredor a fim de ver se estava ali, abrindo a porta do outro quarto no apartamento apenas por desencargo de consciência visto que estava fechada todo o tempo.
A primeira coisa que noto ao entrarmos no aposento é o silencio, o que é estranho visto que os pugs haviam seguido meus amigos até lá. A segunda coisa é justamente os dois sentados perto da porta da varanda olhando para cima.
—Hey, a cozinha e a área de serviço estão limpas, digo, o gato não está por lá – Jay avisa, adentrando, sozinho.
—Oliver, onde está? – pergunto.
—Corredor. Foi verificar se por ventura o bicho escapou quando entramos – explica, franzindo a testa – O que eles estão olhando? – pergunta, indicando o casal de pugs.
—É o que pretendo descobrir – respondo, me encaminhando para a varanda, um temor cruzando minha mente.
Cait dissera-me que o motivo de ter instalado a rede de proteção fora abasicamente Sherlock. O gato além de arredio com estranhos (eu que o diga!) também gostava de se aventurar nas alturas. Isso desde que o resgatara ainda em Nova York, o que a deixava preocupada cada vez que saia de casa.
—Sem chance de ele ter saído! Não tem nenhuma brecha, buraco ou similar aonde possa ter-se escondido, a porta da escada de incêndio está travada, a da escada comum também e honestamente não acho que qualquer morador tenha feito uso dela nas ultimas horas – Ollie explana ao retornar – A menos que esse bicho saiba usar elevador ou se tele transportar deve estar aqui dentro.
— Nunca duvide da capacidade dos gatos em se meterem em encrenca...muito embora acho que já descobri aonde ele se enfiou – digo, entrando na varanda seguido de perto por Jay, erguendo o rosto na direção em que os cães olhavam, meu estomago gelando ao ver o gato de Cait pendurado (ou seria melhor dizer agarrado?) a tela de proteção...pelo lado de fora..
—Puta que pariu!!! – Jay e eu dizemos ao mesmo, nos aproximando da rede – Como esse bicho foi parar ai??? – questiona ele levando uma mão ao queixo.
—Putz!! – Ray exclama, encostando a cabeça na proteção – Eu sei que gatos têm sete vidas, que normalmente caem de pé e tal....Mas é uma queda considerável. Sem contar que não dá pra controlar a trajetória. Um ser humano não consegue imagina um animal! Pode se chocar com alguma mureta, quebrar a coluna, ter hemorragia e....
—Ray! – exclamamos em coro – Entendemos sua preocupação sarge, mas daria pra não falar sobre elas agora! – Mouse pede no instante em que escuto o miado mais forte e ergo o rosto vendo-o “escorregar”.
Pulo sobre a mureta, subindo no espaço mínimo que dispunha, encaixando meus pés nas frestas entre o encaixe da rede e a própria, passando as mãos por entre o entrançado tentando manter o equilíbrio, Jay e Oliver me auxiliando, pondo as mãos em minhas costas, agarrando-o a tempo de impedir sua queda.
Assustado, Sherlock finca as garras em meus braços.
—Ai! Merda! – xingo, fechando os olhos com a dor.
—Segura ele! – ouço alguém dizer e abro-os olhando em direção a voz – Não deixe o bichinho cair, por favor — a moradora do quinto andar pede, observando tudo de sua varanda.
—É o que pretendo minha senhora, caso não tenha notado – bufo, fazendo nova careta quando o gato se move tentando libertar-se – Sherlock, facilita nossa vida, fica quietinho amigão – peço vendo pelo canto do olho Mouse e Ray agachando-se, tentando soltar os ganchos que prendiam a rede ao parapeito – Melhor tentarem na junção, parece ser mais fácil – opino, voltando minha atenção ao gato novamente, este se aquietando – Valeu amigão – agradeço.
—Não seria melhor cotarmos? – Oliver sugere, puxando uma cadeira próxima com o pé, subindo nela, examinando a trama da rede – Acho que depois dá para concertar e Cait nem vai perceber o que acha?- questiona, me encarando.
—Ray, Mouse, algum avanço ai? – pergunto sem olhá-los.
—Depende o que considera como avanço – Ray responde – Abrimos espaço suficiente para o Mouse passar, mas teria meio que escalar por fora até alcançar o gatinho – explica me deixando desanimado.
— De jeito nenhum. É muito perigoso. Podem cair os dois – Oliver alerta
—Vamos fazer o seguinte: pego meu cinto, o prendo a calça do tenente e sirvo de ancora enquanto vocês cortam a rede o suficiente para que possa puxar o gatinho para dentro – Jay sugere, começando a retirar o cinto sem esperar resposta.
—Não vejo outro jeito Tommy – Oliver quando demoro responder.
—Ok, mas sejam rápidos, estou começando a sentir câimbras — aviso
Rapidamente, Jay prende seu cinto ao meu, fixando-se as minhas costas servindo de ancora, Mouse assumindo o lugar de Oliver enquanto ele corre a cozinha em busca de algo para cortar a tela a minha frente, retornando minutos depois com duas facas.
Com cuidado, começam a cortar as fibras em uma linha reta partindo de um ponto abaixo de meus braços descendo até abrir uma fenda que me permitisse sair com Sherlock...Só esquecemos um pequeno detalhe: prender de novo o ponto que Mouse e Ray haviam soltado. Como meu corpo estava totalmente apoiado a rede, quando está cedeu fomos, Sherlock e eu, junto. Não caímos justamente por Jay estar servindo de ancora, Oliver sustentando parte da rede evitando que se parta mais.
—Oooopa.. Segura aí tenente! – ouço-o dizer enquanto tento manter o equilíbrio.
—É exatamente isso que estou fazendo – digo o mais ironicamente que a situação permite, franzindo o cenho ao escutar o toque de um celular.
—O meu não é – Jay avisa.
—Nem o meu – Mouse se pronuncia.
—É o meu — Ollie avisa – Pode pegar pra mim Ray? Está no bolso de trás de minha calça – pede, mantendo sua posição.
—Felicity...atendo? – pergunta.
—Sim e ponha na viva voz – Ollie faz a besteira de pedir – Oi amor, está na viva voz – é a primeira coisa que diz.
< Sem problema. O que vou dizer pode ser ouvido por todo > afirma a loira fazendo uma pausa onde parece fechar uma porta < Oliver, meu amor, entendeu o recado implícito em meu pedido quando avisou que iria encontrar Tommy? > pergunta com a voz estranhamente mansa.
—Evidente que sim – Ollie garante, puxando a rede com a ajuda de Mouse – Pediu que avisasse da chegada de sua mãe e que deveria evitá-la por um tempo – lembra, fazendo uma pausa para respirar.
< Então me responde uma coisa amor: QUE PORRA THOMAS ESTÁ FAZENDO PENDURADO NA VARANDA DO APARTAMENTO DE MINHA PRIMA? >Felicity berra tão alto que até os três bichinhos que se encontravam sentados perto da porta se assustam.
—Aii!!! – exclamamos juntos.
< Tem noção do malabarismo que tive de fazer para que mãe não visse esse estúpido? > questiona, parecendo mais controlada < Não fosse a ajuda de Sara ela certamente os veria....Aliás, quem são estes com vocês? Por que estão no apartamento de Cait? E por tudo que é mais sagrado, como o Sherlock foi parar pendurado na parte externa da rede de proteção? Ele está bem? > pergunta.
—Eu estou bem Felicity. Não precisa se desesperar nem chorar. Afora alguns arranhões, estou bem. Obrigado por perguntar -ironizo, saindo do parapeito com a ajuda dos rapazes, rindo ao escutá-la praguejar e me mandar para aquele canto.
—Amor, fique calma. Está tudo bem agora. Não sabemos como o gato foi parar do lado de fora da rede e quanto ao pessoal, são nossos amigos. Estão aqui para nos ajudar em uma investigação – Ollie explica.
< Investigação? O que estão investigando? > questiona, não dando chance a ele responder < Esqueça, não quero saber. Tudo que quero neste momento é que volta para a droga do apartamento antes que minha mãe comece a desconfiar pela demora em ajudar seu amigo misterioso > pede, suspirando profundamente.
—Estou indo sweet – Oliver afirma, fazendo uma careta – E Felicity, infelizmente vai querer saber sobre a investigação sim. Você e Sara – avisa.
< Por que? >pergunta, irritada.
— Quando chegar aí te explico. Vou só ajudar os rapazes a darem um jeito na rede antes de ir embora – comunica.
< Certo, mas, por favor, faça com que Thomas, não apareça nessa bendita varanda outra vez ou eu mesma vou até ai esgana-lo! > ameaça.
— Pode deixar, ele não vai aparecer – Ollie responde por mim evitando a resposta malcriada que tinha na ponta da língua – Até já sweet – despede-se, desligando.
— Vai contar a ela sobre as câmeras? – pergunto, deixando Sherlock ir para o chão, ficando de olho para ver se o gato estava mancando ou sangrava.
— Vou e você deveria ir comigo Ray, aproveitar que Sara está com ela – aconselha – Contamos juntos e quando Caitlin chegar nos reunimos aqui ou no seu apartamento Tommy, como preferir.
— Aqui – digo, levantando – Não vou deixar os bichos sozinhos e correr o risco desse maluco se meter em confusão de novo – afirmo apontando o gato, que se lambia deitado no sofá como se nada tivesse acontecido – Vão reparar a tela ou só estava ganhando tempo pra loirinha esfriar a cabeça? – pergunto fazendo meu amigo rir.
— Vamos sim. Não dá pra deixar dessa maneira. Ao menos um remendo faremos até trocarem. Vou me responsabilizar pelo prejuízo – se oferece, passando a mão no queixo enquanto examina a rede.
— Não esquenta, cuido disso – tranqüilizo-o – Já que concertarão as coisas aqui, vou tapar a janela que quebrei no banheiro e retirar aquela sujeira toda de lá. Ainda quero dar um pulo em meu apartamento para pegar umas roupas antes de Cait chegar – informo, me encaminhando para o quarto.
— Vou ajudá-lo tenente – Jay se oferece.
— Fico aqui com a rede – Mouse avisa, aproximando-se da varanda.
— A rede,...Sei – digo, olhando-o desconfiado – Cuidado pra não cair quando estiver concertando a rede – provoco-o, saindo juntamente com Jay, os pugs e os gatos nos seguindo.
No banheiro, procuro um anticéptico, lavo os braços, aplico-o para só então ajudar Jay, que começara a limpar tudo enquanto cuidava de meus ferimentos. Improvisamos um tapume com tecidos, prendemos com a fita adesiva que ele trouxera e partimos para o quarto.
Arrumo as roupas de Cait novamente aproveitando para verificar se algo sumira. Não tinha conhecimento de tudo que guardava ali, mas pelo que notara nada havia sido roubado, o que só aumenta minha curiosidade acerca do que o invasor viera fazer ali e principalmente há quanto tempo estava dentro do local quando o escutei.
—Meu palpite é que estava a postos, observando pelas câmeras. Quando a doutora saiu viu que permanecia na sala e aproveitou para entrar. Acho que não fez o que pretendia porque não deu tempo. Deve ter esbarrado no vidro, assustou-se e estava tentando voltar quando o descobriu – Jay teoriza – Uma coisa é certa: essa pessoa, homem ou mulher, tem habilidades semelhantes a um ginasta. Estive analisando a planta dos edifícios e o espaço externo entre andares é mínimo – comenta, me acompanhando de volta a sala.
— Supondo que esteja certo, basta procurarmos por alguém que possua tais habilidades e teremos uma pista – concluo, assobiando, fazendo as mascotes nos seguirem.
— Pode ser – anui, pensativo.
— Vai ser. Chega de ser monitorado por esse calhorda pervertido – bufo, entrando na sala.
— O que é isto Tommy? – Oliver pergunta, segurando a folha que Roy deixara para mim.
— Pedi a Harper que sondasse para saber se alguém havia procurado moradores dos Glades propondo comprar suas casas ou fazendo algum tipo de ameaça explicita ou implícita – explico, sentando pesadamente no sofá – Com toda essa confusão esqueci-me de ver.
— Então não leu ainda? – quer saber.
— Não. Por quê? O que tem aí? – questiono, tenso.
— Se esses números forem confiáveis, metade dos Glades está apalavrada – afirma, entregando-me a folha.
— Isso significa que..? – Ray pergunta, olhando de mim para Ollie.
— Significa que metade dos moradores do bairro tem um pré-contrato de venda com a Global e a QC – digo, deixando a folha cair sobre o centro – Resta saber se os preços são justos e se terão tempo para mudarem quando fecharem negócio em definitivo.
— Precisamos saber sob que condições esses pré-contratos foram assinados, que promessas, se houve algum tipo de coação para que assinassem -Oliver pondera, passando as mãos pelo cabelo – Pelo que pude sondar na QC o mapeamento geológico está bem adiantado. Praticamente toda a região já foi estudada e as condições dos terrenos são conhecidas da equipe de engenharia da Global – revela.
— E meu pai disse que o projeto estava parado! – exclamo, massageando minhas têmporas.
— Sei que pode parecer egoísta, mas será que podemos focar no problema das câmeras neste momento? Ray pergunta — Felicity e Sara devem estar ficando impacientes e ainda tem a Caitlin que deve chegar ao final da tarde, não é? – quer saber e confirmo com um aceno – Então, sugiro focarmos uma coisa por vez. Depois que falarmos com as garotas, os rapazes e eu, com a ajuda de Felicity, se ela quiser evidente, nos encarregamos da investigação sobre o stalker, voyer, o que for, enquanto vocês podem ver essa história dos Glades com mais calma – sugere.
— O sargento está certo. Melhor focar no caso do monitoramento agora e nesse outro problema depois – Jay anui.
— Faremos isso – Oliver concorda – Vamos indo então, Ray. Ainda tenho que pensar numa boa desculpa para afastar minha quase sogra tempo suficiente pra que Felicity possa surtar tranquilamente – diz, caminhando em direção a porta.
— Boa sorte com isso! – desejo, respirando fundo, me deitando no sofá, a cabeça girando.
— Tudo bem? – Ollie pergunta da porta.
— Só um pouco de dor de cabeça – minimizo – Quando falarem com as garotas manda uma mensagem avisando de que horas nos reuniremos novamente– peço, pegando uma almofada, pondo-a sobre o rosto – Se não se importam vou tirar um cochilo antes de ir a meu apartamento – aviso.
— Certo. Te aviso quando tudo estiver bem com Felicity e Sara – ouço Ollie dizer – Até mais Tommy – despede-se e ergo um braço, acenando.
— Vamos dar uma investigada pelo andar. Estaremos por perto caso precise – Jay avisa.
— Ok – digo, erguendo o polegar – Tenham cuidado – peço.
— E sempre não temos?! – Mouse brinca.
— Não vou nem me dar ao trabalho de responder – afirmo, escutando-os rir.
— Até mais tarde tenente – despedem-se, saindo sem esperar resposta.
Ergo a cabeça retirando a almofada do rosto quando ouço a porta bater, olhando a volta, respirando aliviado ao ver os pets deitados pela sala.
Por segurança, vou até a varanda, fecho a porta, retorno ao sofá onde me deito novamente, entrando num estado de relaxamento-alerta bastante familiar.
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Caitlin (17:35 p.m)
Respiro lentamente fixando meu olhar num ponto no céu lá fora, vendo as nuvens movendo-se devagar, guiadas pelo vento.
Ao contrário da calma aparente, minha mente fervilhava tentando processar tudo que havia escutado na última meia hora.
Conseguira sair do plantão meia hora mais cedo e vim direto para casa. Estava exausta e tudo que desejava era um bom banho relaxante. Cheguei a cogitar sugerir a Thomas irmos a seu apartamento desfrutar de alguns minutos em sua hidro, mas tudo mudara assim que pus os pés no apartamento.
Primeiro estranhei o fato de encontrá-lo dormindo no sofá acompanhado por Sherlock e Watson. Normalmente àquela hora tanto ele quanto os gatos estavam mais ativos (coincidência não?!).
Ao me aproximar, com cuidado para não despertá-lo, noto a área em volta de seus olhos inchada e avermelhada. Um novo olhar e percebo os ferimentos em seus braços e quando começava a me questionar o que teria ocorrido ele desperta.
A partir daí tudo virou uma imensa confusão. Thomas me conta sobre a pessoa que invadiu meu apartamento, sobre o problema com Sherlock e por fim sobre um vídeo que havia recebido no mesmo dia em que me contou sobre seu envolvimento com Felicity no passado, o que me leva a entender o motivo pelo qual estava tão estranho ao regressar aquela tarde. Não era apenas tensão pelo jantar, mas o tal vídeo (o qual hesitara em mostrar-me, com razão, reconheço).
E quando pensei que não podia piorar, avisa que minha, Oliver, Sara, Ray e dois colegas de farda estavam a caminho pois precisávamos conversar.
E fora justamente o teor dessa conversa que me deixara no estado no qual me encontrava agora, confusa, irritada, intrigada, mas acima de tudo revoltada.
— Cait? – ouço-o chamar ao mesmo tempo em que sinto o toque em minhas mãos – Sei que não deve estar sendo fácil, mas...
— Por que não me contou antes? – o interrompo, olhando em seus olhos – Deixou esse....cretino me observando todo este tempo? – questiono vendo a tensão em seu rosto aumentar.
— Pelo mesmo motivo que não falei para Felicity, Caitlin: não sabíamos que havia câmeras em seu apartamento – Oliver se adianta – Apenas quando Ray nos contou que também havia recebido um vídeo soubemos que não estava restrito ao apartamento de Tommy e mesmo assim não tínhamos certeza de nada. Chegamos a pensar que era algum tipo de perseguição ou vingança já que os dois são Rangers – explica.
— Por isso nos chamaram – um rapaz ruivo, Jay alguma coisa, afirma – Quando começamos a investigar descobrimos que não estava restrito apenas ao apartamento do tenente e do sargento.
— Como descobriram isso? Foram de apartamento em apartamento? – questiono, encarando-o.
— Não senhora – o outro homem presente, Mouse, fala, abrindo seu note com a tela voltada para mim, aproximando-se até que pudesse visualizar a tela com precisão – Vê essas linhas no gráfico? – pergunta e anuo com a cabeça – As verdes representam o sinal do sistema de segurança do condomínio pela qual os condôminos pagam – explica, indicando a linha na tela com uma caneta –A laranja corresponde ao sinal da televisão ...e a vermelha a espiã – informa – Como pode notar, é tão forte quanto os demais, o que indica que está presente em todo o condomínio – conclui.
— O sinal é forte e comum em todos os apartamentos que visitamos nos três prédios, por isso acreditamos que as câmeras foram instaladas em algum momento quando estavam sendo construídos – Jay revela, me surpreendendo.
— E ninguém sabe, ninguém relatou nada? – questiono, ainda mais revoltada.
— Não que saibamos – informa ele.
— E quanto a firma responsável pela construção, tentaram falar com eles? Sabem qual foi a construtora responsável? – Sara pergunta, andando de um lado para o outro, estancando – Estamos sendo observados agora, neste momento? – pergunta me deixando tensa.
— Não temos como saber – diz o ruivo – Se a pessoa que instalou, ou pediu para instalar as câmeras as monitora com frequência ou apenas grava tudo e assiste depois não há como saber até que descubramos a origem....
— O que não fizemos ainda porque o firewall dele é muito potente – Mouse afirma.
— Potente o quanto? – Lissy pergunta, encarando-a com olhos brilhantes e sorrio mesmo com toda tensão. Sabia o que aquele olhar significava.
— Potente do tipo que redireciona o sinal a cada meia hora para diversos locais da terra – Mouse explica, levantando-se – É tecnologia de ponta! Nunca tinha visto nada igual a isso. É rápida, precisa e protege a fonte com perfeição – elogia, irritando Thomas.
— Vai fundar o fã clube do cara também Greg? – questiona, chamando-o pelo nome, o rapaz ficando pálido de imediato.
— Desculpe tenente, mas é que....
— Não estresse Mouse, Tommy está irritado, com razão –Oliver apressa-se dizer ante o olhar fulminante que Lissy lhe dirige – A verdade é que, por hora, não temos como saber quem é o responsável e de onde vem o sinal. Mouse está trabalhando nisso e para ficar mais próximo os dois irão alugar um apartamento aqui, assim transitarão sem levantar suspeitas.
— Espera, isso quer dizer que não nos ouve? – Sara pergunta, respirando aliviada quando Ray confirma.
— Não amor. São apenas imagens sem som, caso contrário já teria descoberto que estamos investigando – lembra, trazendo uma dúvida a minha mente.
— Se invadiu meu apartamento significa que é perigoso, não é? – quero saber.
— Não necessariamente – Thomas começa dizer, respirando fundo antes de continuar – Ele teve chance de nos atacar fisicamente e não o fez. A questão é saber porque veio até aqui – diz.
— Alguma chance de suspeitar ao ver essa reunião? – questiono, olhando-os um a um.
— Até agora não – afirma – É a terceira vez que nos reunimos – aponta de si para Oliver, Ray e os outros dois – E nada aconteceu. Nenhuma ameaça ou dica de que esteja suspeitando de algo.
— Nem mesmo essa invasão Thomas? Será que não foi um aviso? – questiono, apertando as mãos, preocupada.
— Honestamente não acho que tenha sido Cait – sustenta.
— Se estivesse desconfiado mandaria um recado mais direto, como fez com os vídeos – Oliver pondera.
— Recebeu algum? – Felicity pergunta, voltando-se rápido para ele.
— Pra ser sincero, não abria e-mails e mensagens a um bom tempo quando conversamos sobre os vídeos....E continuo sem fazê-lo, agora por receio – Oliver admite -Não sei o que serei capaz de fazer caso...- se cala, cerrando os punhos – Mas terei que verificar em algum momento, então ...- declara, pegando seu celular.
Durante alguns minutos ninguém diz nada, todos aguardando que ele terminasse de verificar suas mensagens, Lissy ao seu lado, sua expressão mudando rapidamente pouco antes de Thomas quebrar o silencio.
— Então, alguma coisa? – pergunta ansioso.
— Dois vídeos, um deles com menos de um mês – é Lissy quem responde sentando pesadamente em meu sofá com os olhos fechados – Isso só pode ser um pesadelo! – exclama, respirando profundamente – Primeiro minha mãe e padrasto que decidem mudar para cá assim, do nada – estala os dedos – E agora isso. Não sei se aguento tanta pressão – afirma, suspirando.
— Estou aqui com você, sweet e vamos passar por tudo isto juntos – Oliver declara, sentando a seu lado, segurando suas mãos entre as suas, beijando-as.
— Quer dizer que por hora tudo que podemos fazer é esperar? – pergunto, encarando Thomas, desanimada, o cansaço do dia corrido no hospital me atingindo e sinto as lágrimas perigosamente próximas a caírem.
— Infelizmente doutora – Jay responde, completando rapidamente – Mas estamos empenhados em descobrir o responsável por essa invasão e o faremos, tenha certeza.
— Nesse dia, Deus tenha piedade dessa criatura – Mouse diz, benzendo-se e rio sem graça sentindo uma lágrima teimosa escorrer discretamente pelo canto do olho. Nem tão discreta assim.
— Ok pessoal, agora que esclarecemos tudo, vamos deixar as garotas descansarem e se recuperarem ...E nós também– Tommy comanda, fazendo todos se mexerem rapidamente.
— Concordo Tommy. Precisamos de uma folga – Oliver anui, abraçando Lissy.
— E para que tenham ao menos alguns minutos de privacidade – Mouse começa a dizer, retirando três controles de dentro de uma bolsa – Isso aqui é um bloqueador de sinal. Só consegui terminar de configurar alguns minutos antes de virmos para cá. Não dura muito tempo, apenas meia hora, mas já é alguma coisa – avisa, entregando os controles a Tommy, Ray e Oliver.
— Legal! – Ray exclama, sorrindo feito uma criança que acabara de ganhar um brinquedo desejado, o riso morrendo de repente – Ele não vai notar quando acionarmos? O stalker, quero dizer – questiona.
— Não. Vai parecer que o sistema caiu porque vai bloquear não apenas o apartamento de vocês, mas os de dois andares acima e abaixo – informa me trazendo um pouco de alivio — Depois de meia hora tudo volta, para ele, ao normal. Até descobrirmos o desgraçado isso vai dar uma trégua a vocês.
— Mas usem com parcimônia. Se derem bandeira, por assim dizer, irá desconfiar – Jay aconselha – Amanhã à tarde entramos em contato sobre o apartamento – avisa, encaminhando-se para a porta, Mouse o seguindo – Boa noite tenente, doutora Snow, cap, senhorita Smoak, sarge, senhorita Lance – deseja, tocando a testa com dois dedos.
— Boa noite Jay, Mouse, e obrigado por tudo –Thomas agradece enquanto Lissy senta a meu lado.
— Pelo menos poderemos tomar banho sossegadas – tenta fazer piada.
— Gente, isso parece um pesadelo ou uma historia de terror daquelas bem trash! – Sara resmunga, sentando na poltrona, afagando Watson e Sherlock.
— A pergunta é: por que alguém gastou tempo e dinheiro, porque pelo que o amigo de vocês falou esse sistema não é nada barato, logo por que fazer isto? Por que espionar pessoas em sua intimidade? A troco de que se não está chantageando ninguém?
— Isso não sabemos, amor – Ray frisa, parando ao lado da poltrona – Não nos chantageou, mas o que impede de estar chantageando alguém e não sabermos? – indaga.
— Ou de vir a nos chantagear num futuro próximo? – Oliver questiona – Se não for para lucrar, também não entendo o sentido dessa invasão da privacidade alheia – diz.
— Só teremos resposta para isso tudo quando pegarmos esse filho da mãe! – Lissy bufa, irritada, Thomas intervindo.
— Ok, por hoje chega desse assunto gente. Vamos nos dar um tempo – reforça, girando o pescoço.
Conheço-o há pouco tempo, é verdade, mas estou aprendendo a ler os sinais que seu corpo emite e neste momento ele está “gritando” por descanso, assim como o meu.
— Isso – anuo, levantando, resolvendo assumir o controle da situação – Não me levem a mal, mas gostaria de tomar um banho demorado, relaxar um pouco, jantar e dormir. O dia no hospital foi extremamente cansativo – conto.
— Claro minha linda. Desculpa a nossa falta de tato – Lissy pede, me abraçando.
— De jeito nenhum. Desculpa eu por quase expulsar vocês – peço, rindo sem graça.
— Sem problemas Caitlin – Oliver assegura, segurando a mãe de minha prima, conduzindo-a a porta, Ray e Sara os acompanhando – Ficarão bem? – pergunta olhando diretamente para Thomas.
— Sim – garante ele, apertando a mão que ele lhe estendia – Vai lá ciceronear sua futura sogra – provoca fazendo Lissy rolar os olhos.
— Sei não, to pensando em te passar essa tarefa – Oliver devolve já no corredor nos fazendo rir divertidos, aliviando o clima tenso – Brincadeiras à parte, se precisar é só chamar e viremos correndo – prontifica-se, Ray anuindo.
— Pode deixar. Se precisar grito – Thomas garante, envolvendo minha cintura com um braço me trazendo protetoramente para junto de seu corpo, o gesto me fazendo sentir segura.
— Boa noite Tommy, Cait – Sara deseja, me dando um beijo na bochecha.
— Boa noite – Ray despede-se, saindo de mãos dadas com Sara.
— Tente relaxar prima – Lissy aconselha e sorrio mais uma vez, retribuindo o abraço – Cuide bem dela chato – ordena, dando uma tapa em Thomas.
Observamos os dois entrarem o elevador com Ray e Sara, acenando antes que as portas fechassem.
— O que acha de irmos....
— Para seu apartamento tomar um banho relaxante na hidro! – termino sua frase, lhe dando um selinho – Adoraria...mas não posso deixar meus bebês sozinhos – digo, triste.
— E quem disse que vai deixar? – interroga, entrando, retornando pouco depois com as vasilhas de água e comida de meus pets, os pacotes de ração e as caminhas, Homer e Marge pulando a sua volta, ansiosos – Esses dois me seguiriam a qualquer lugar...Já o casalzinho ali deixo por sua conta – diz, indicando meus gatos com um gesto de cabeça – E, prometo um jantar especial também – acrescenta, encaminhando-se para o elevador com os cães em seu encalço – A oferta é valida por tempo limitado doutora – brinca, sem parar de andar – Dou-lhe uma...dou-lhe duas...
— Pode parar de contar. Já aceitei. Deixe-me só pegá-los, também uma muda de roupa e te acompanho – peço, corando com seu comentário seguinte.
— Pra que? Não vai precisar – afirma, retendo o elevador.
— Ok... – digo, devagar, girando nos calcanhares, entrando, indo ao sofá pegar Sherlock e Watson, trancando a porta após sair com os dois nos braços, caminhando ao encontro de Thomas – Só para constar: ambos precisamos relaxar ...e me prometeu um jantar senhor Merlyn – cobro, entrando no elevador.
— Não se preocupe doutora, sempre cumpro o que prometo – afirma, voltando-se, olhando-me de uma maneira que faz meu corpo inteiro estremecer em antecipação – Quanto a relaxar, também faremos isso – afirma, estalando a língua – Em algum momento...
Continua...
“....If you don’t know me by now;
You will never, never know me..."
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