Notas iniciais
Fala gente, voltei!!! Boa leitura...

Depois de finalmente ter tido por algum tempo a esperança de que teria paz e nada tentaria me impedir de ser feliz com Bruna, saí da escola feliz. Chegando no portão, ainda naquele dia, Bruna estava ao meu lado quando seu celular toca:

–Alô? Oi mãe. Como assim? Jura? Não, tudo bem, eu falo com eles pode deixar. Tá bem mãe, tchau.- ela disse, fiquei preocupado, o que será que ela tem que falar com a gente? Teria acontecido alguma coisa?

–O que houve?- perguntou Emily.

–Minha mãe... ela não vai poder almoçar com a gente lá em casa porque está presa no trânsito e não chegou nem na metade do caminho.

–Ah, tudo bem. A gente espera ela lá em casa.- eu disse.

–Temos que ir ao mercado antes, esqueceu?- disse Emily.

–Ih, é mesmo.

–Eu ouvi dizer que aqui tem um restaurante aqui perto que serve uma comida muito gostosa. — disse Joca, surgindo atrás de mim.

–Sério? Onde?- perguntou Bruna.

–Venham comigo.

O tal restaurante ficava próximo da escola, o que nos deu certa tranquilidade por ser um lugar muito movimentado, dificilmente você via a rua deserta, só de noite. Mas enfim, a comida daquele restaurante era realmente muito gostosa. Quando eu dei uma olhada no cardápio, decidi que realmente seria uma boa comer ali, mas como a gente ia pagar? Eu gastei meu dinheiro com o lanche.

–Gente, olha só isso aqui. Dá pra nós quatro.- disse Joca, abrindo a carteira sorrateiramente e nos mostrando muito dinheiro.

–Onde conseguiu isso?- perguntei, ainda impressionado.

–Já ouviu falar em mesada?- ele sorriu e eu assenti com a cabeça.

Então, assim foi resolvido. Nós quatro comemos ali mesmo, Bruna estava no meu lado e Emily estava ao lado de Joca. A comida era boa sim, mas não chegava aos pés da comida de Valentina.

Em certo momento, Joca perguntou:

–E aí? O que vocês vão fazer nesse fim de semana?

–Por enquanto nada ainda.- disse Bruna.

–Por quê?- perguntou Emily com cara de desconfiada.

–Ah, eu também fiquei sem nada pra fazer nesse fim de semana, mas eu odeio passar esses dias em casa, sem fazer nada, então procurei em vários lugares até que achei um lugar onde dava pra acampar e não é muito longe daqui. É só uns dois quarteirões da praia.

–E você pensou em chamar a gente?- perguntei.

–Isso mesmo, mas se não quiserem ou não puderem, eu vou entender.- ele disse e eu comecei a desconfiar que isso era um plano dele pra conquistar Emily.

–Até quinta feira a gente te dá a resposta, tá bom?- perguntou Bruna.

–Tá bom.

Depois disso não falamos mais no assunto. Começamos a falar sobre o colégio até a hora de sair.

–Eu vou falar com meus pais pra saber se eles deixam eu ir, se deixarem a gente vai. Tá bom?- disse Bruna assim que chegamos na porta da casa dela.

–Tá bom, mas seja qual for a resposta dos seus pais, me liga tá?- eu disse.

–Pode deixar, tchau.- ela disse e entrou em casa.

Quando entrei em casa, puder ver Emily deixar a mochila ao lado da cama e se jogar nela, devia estar morta de cansaço por ter andado tanto. Quer dizer, nem tanto, mas um pouco mais do que está acostumada.

O tempo passou e tudo foi como antes, tomar café, encontrar Bruna no portão pra irmos juntos à escola e tudo mais. Quando foi quinta-feira, como prometido, Bruna foi lá falar com o Joca.

–E aí? Seus pais deixaram?- eu perguntei enquanto entrávamos na escola.

–Deixaram sim, vocês vão?

–Vamos sim, mas primeiro precisamos comprar umas coisas de acampamento.- eu disse e ela concordou.

No recreio, encontramos Joca sentado em um banco sozinho comendo uma maçã. Sentei com ele enquanto as meninas foram atrás.

–E aí Joca?- eu disse.

–E aí mano.- ele retribuiu.- Oi meninas.

–Oi.- disse Bruna.

–Oi.- disse Emily

–E aí? Já resolveram?

–Nossa, que apressado hein?- zombou Emily fazendo Bruna e eu rirmos.

–Tudo bem Emily. Olha, nós vamos sim, falei com meus pais e eles deixaram.- disse Bruna.

–Beleza.- ele sorriu.

–Bom, mas primeiro nós precisamos comprar umas coisas antes de irmos e vamos hoje à tarde.- disse Emily.

–Tipo o quê?- ele perguntou.

–Tipo... barraca, lanterna, bússola...- Bruna começou dizendo, mas ele interrompeu.

–Eu tenho tudo em dobro na minha casa, duas barracas, bússolas e lanternas. Porque quando eu era pequeno fui escoteiro. Então, pedi que meus pais me levassem pra acampar nos fins de semana e desde então eu venho acampando toda vez que posso. Parei por um tempo, mas quero voltar, matar a saudade dos velhos tempos.- ele disse.

–Então, você vai levar tudo pra nós?- perguntou Emily.

–Levar, mas vocês vão me ajudar!- ele disse e eu ri.

–Tudo bem, a gente te ajuda sim, ainda bem que você tem tudo que precisamos.- eu disse.

–Então, quando vai ser esse acampamento mesmo?- perguntou Emily.

–Esse sábado agora. A gente parte sábado de tarde e voltamos domingo à tarde. Tipo um pouco depois do almoço.

–Ok.- eu disse.

Chegando em casa já comecei a arrumar tudo o que eu precisaria, seria um dia e meio, ou dois dias e meio, então, roupa eu poderia levar três: a que eu ia usar pra ir, a que eu usaria pra dormir e por último a que eu usaria pra voltar no dia seguinte. Levei uma toalha porque o Joca disse que lá tinha um lago e que provavelmente ele entraria, então teríamos que entrar também, levei uma pasta de dentes caso ele não tivesse e minha escova. Emily fez o mesmo que eu.

Sábado, duas da tarde, olhei meu celular pra ver se tinha alguma coisa, não tinha. Se Joca tivesse um imprevisto que obrigasse a gente a cancelar tudo, ele me avisaria, então tá tudo certo. Quando deu três da tarde, ouvi uma buzina vindo do lado de fora, olhei pela janela do quarto e Joca estava com Bruna, me esperando lá embaixo, peguei a mochila e encontrei minha irmã no sofá.

–Eles chegaram, vamos!- eu disse e ela praticamente pulou no sofá pegando a mochila.

Tranquei a porta, cheguei até Bruna e Joca.

–Oi amor.- ela disse, sorrindo e me dando um beijo.

–Oi amor.- repeti o que ela disse e fui até Joca.

–E aí? Animado?- ele perguntou.

–Muito.- eu sorri e ele abriu a porta do carro pra eu entrar e eu entrei. Bruna, Emily e eu fomos atrás enquanto ele foi na frente. No caminho, ele foi contando algumas coisas sobre o lugar, não era bem um campo ou algo do tipo, era apenas um sítio que o tio do Joca tinha que dava pra acampar porque ele morreu antes de construírem a casa e os pais dele nunca quiseram construir e nem vender o lugar.

–Mas nos últimos anos algumas pessoas vão lá. Elas pagam um preço pra acamparem lá, cobramos bem, mas como vocês são amigos do meu filho, não vamos cobrar nada, ok? Olha só, chegamos.- disse Seu Antônio, o pai de Joca.

–O senhor não vem com a gente seu Antônio?- perguntei quando ele parou o carro em frente à entrada do sítio.

–Não, eu tenho uma viagem de negócios esse fim de semana, tenho que resolver umas outras coisas lá.- ele disse, Seu Antônio era Engenheiro.

–Ah tá.- eu disse, já saindo do carro.

Chegamos lá, fiquei impressionado com o tamanho do sítio. Era bem espaçoso, dava pra construir um parque maior que o da Disney.

Escolhemos um lugar que ficava em frente à uma cachoeira, montamos as barracas e depois começamos a descansar um pouco colocando uma coisa aqui, outra ali, até que depois de meia hora, entramos na água, fiz bem em levar roupa de banho.

–Cara, vou te contar hein. Que água gelada!- eu disse à Joca, tremendo de frio.

–Eu sei cara. Águas de cachoeira são geladas assim mesmo.- ele disse, rindo.

Depois de um tempo, meu corpo se acostumou com a água gelada e eu parei de sentir frio. Nós quatro apostamos corrida de quem chegava primeiro ao outro lado da cachoeira três vezes, mas cada um ganhou uma, eu ganhei a primeira, Joca ganhou a segunda e Bruna, a terceira.

–Empatou, quem ganhar essa agora ganha.- disse Joca. Mas acho que Bruna e ele já haviam se cansado e por isso ficaram pra trás, acabou que eu e Emily disparamos na frente e eu deixei ela vencer de propósito só de brincadeira.

Por causa do cansaço, Joca não quis desempatar e voltou à sua barraca, onde nos secamos e esperamos o anoitecer pra acendermos uma fogueira e esquentar a garrafa de café que Joca trouxe de casa, mas antes, ele nos disse:

–Thomas, Bruna...Vamos fazer o seguinte: vocês acendem a fogueira enquanto eu mostro à Emily o resto do sítio, pode ser?

–Claro que pode.- disse Bruna, sorrindo e os dois foram separadamente andando pelo sítio.

Ajudei Bruna a acender a fogueira e nós tomamos o café nas xícaras que ela tinha trago de casa. Depois de muito tempo, não sei se foram horas ou alguns minutos, Joca e Emily voltaram.

–Já estava na hora, o fogo já está quase apagando.- disse Bruna e eu ri.

–Foi mal.- disse Joca, levantando as mãos em forma de rendição e se sentando ao nosso lado. Então ele começou a beber a xícara dele também e depois ficamos conversando sobre o campo até a hora de dormir, então esquentamos na fogueira as quentinhas que Joca havia comprado no caminho e depois tomamos banho na cachoeira pra trocarmos de roupa e irmos dormir. Esse acampamento caiu muito bem pra mim.

Notas finais
Até o próximo!