Inuyasha - Adaptação
1 Perdida em outra era
Notas iniciais
Kagome estava sentada no chão de sua casa, brincando com seu gato chamado Buyo, enquanto esperava o tempo passar para ir à sua escola. Ela se perguntava se seu avô se esquecera de que amanhã seria o aniversário dela, enquanto ele contava a mesma história chata de uma jóia. Kagome já estava cansada de ouvi-la, e interrompeu seu avô:
- Vovô, o senhor lembra que dia é amanhã? – Perguntou com uma expressão bem curiosa.
Seu avô fez uma cara de indignação. Não gostava de ser interrompido. Para ele, suas histórias eram reais e importantes para a cultura de sua neta. Então continuou falando sobre a jóia de quatro almas. Kagome não ligou. Ele estava velho, não era sua culpa se não se lembrava.
Porém ao vê-la totalmente distraída, com a atenção voltada para o gato, ele suspirou e respondeu sua pergunta:
- É claro que me lembro do aniversário da minha netinha. – Disse o velho homem, tirando uma caixa de presente do meio de alguns engradados empilhados ao seu lado. – Irei me antecipar.
Os olhos de Kagome brilharam ao receber a pequena caixa enfeitada. Há dias ela pedia um novo celular e achou que podia muito bem caber ali. Desamarrou os laços com uma euforia que logo se transformou em decepção. Ficou perplexa ao encontrar a mão de alguma criatura cujos dedos eram unidos por uma membrana natatória.
- É uma mão mumificada de Kappa, dizem que atrai a felicidade. – Explicou ele.
Kagome não entendia como a mão de um monstro marinho atrairia felicidade. Ela devia saber que não receberia algo menos estranho que isso. Ela levantou o membro mumificado, observando detalhadamente. Provavelmente seu gato gostaria. Buyo começou a mastigá-lo, após Kagome jogar para ele.
- VOCÊ SABE QUANTO ISTO CUSTA?! – gritou furioso o velho homem.
- Quanto? Posso vendê-lo e comprar um celular novo. – Disse Kagome, com raiva do seu avô.
Não era a primeira vez que ele agia assim. Na verdade, era muito comum. Seu avô era um como um sacerdote e era aficionado por monstros e demônios do folclore japonês. Ele acreditava seriamente que eles existiam, e protegia o santuário em que moravam com vários lacres, que segundo ele, tinham benção de Buda. Porém Kagome esperava que fosse diferente em seu aniversário.
- Ah, eu ajudei a sua mãe a comprar o dela... – Desculpou-se ele. Com certeza a mãe de Kagome a presentearia com algo mais agradável.
- Tudo bem vovô, até mais, não quero me atrasar para a escola. – Disse ela, se dirigindo para a saída.
Kagome vive em um santuário muito antigo, com seu avô, sua mãe e seu irmão mais novo. Quando seu pai morreu em um acidente de carro, sua mãe estava grávida de seu irmão Sota. Pouco tempo depois sua avó também falecera, deixando seu avô sozinho. Então a família Higurashi decidiu viver juntos no santuário para compensar a falta de seus outros entes queridos.
Kagome já saíra de sua casa e estava passando pela enorme árvore sagrada, de 500 anos de idade, que ocupa a frente de sua casa. Foi em baixo das folhas daquela árvore, que seu pai pedira a mão de sua mãe.
Ela escutou seu irmão chamando seu nome. Ele estava na frente de uma simples construção de madeira perto do santuário, que abrigava um poço antigo e misterioso.
- Sota, sabe que não deve brincar no Poço Come-Ossos! – Gritou ela de longe, advertindo o irmão.
- Mas o Buyo está lá dentro. – Explicou ele.
Kagome se dirigiu com pressa para o poço. Primeiro, por que estava atrasada para a escola, e segundo, por que seu gato poderia cair no poço e se machucar.
Os dois ficaram na porta chamando o gato pelo seu nome, porém sem resposta.
- Ele deve estar lá no fundo. – Disse Sota.
- Então vá pegá-lo! – Disse Kagome, sem paciência. Provavelmente chegaria atrasada à escola.
Um barulho veio do fundo do poço, cujo alçapão estava trancado e lacrado com um adesivo do avô de Kagome que, segundo ele, espantaria seres malignos.
- Tem uma coisa lá dentro. – Disse Sota, assustado.
- Um gato, é claro. Deixa que vou pegá-lo, seu medroso.
Kagome se dirigiu ao alçapão, se perguntando como o Buyo conseguira entrar lá dentro, talvez houvesse alguma rachadura. Ela removeu o lacre, que cobria a alça, porém antes de puxá-la, um baque forte empurrou o alçapão e Kagome se jogou para trás assustada. Para sua surpresa, o gato passou pela suas pernas no exato momento da queda.
- Aqui está ele. Vamos Buyo. – Disse ela, confusa.
Porém antes de se levantar, o baque se repetiu causando rachaduras no alçapão. Algo queria se libertar dali. Kagome gritou, e correu para fora da casa de madeira.
Mas já era tarde de mais. Uma figura horripilante passou pela abertura do poço, com a aparência de uma mulher em decomposição e com vários braços pendendo de seu corpo, lembrando uma centopéia. Logo Kagome foi pega pelos seis membros da criatura e arrastada para dentro do poço.
Ela pôde escutar seu irmão gritando pelo seu nome. Mas não o restava nada a fazer, sua irmã já desaparecera no poço.
Kagome caiu no fundo do poço. Estava bastante assustada, mas não em pânico, ela tinha essa qualidade de manter a calma em momentos árduos. Aconteceu tudo tão rápido que ela não tinha certeza se foi real. Apenas se lembra do monstro mencionando a Jóia de Quatro Almas no caminho da queda, e ela não se lembrava de nada que seu avô dizia sobre a jóia.
O susto se converteu em incerteza. Ela olhou a sua volta, mas não havia nada, apenas algumas flores murchas, iluminadas pela luz do dia. Então arregalou o olhar para cima, com surpresa, observando o céu azul. Não tinha como a luz chegar ali, pelo fato do poço se encontrar dentro do cômodo de madeira.
Ela gritou o nome de seu irmão, sem resposta. E decidiu sair o mais rápido possível dali. Subiu com dificuldade, escalando com a ajuda das trepadeiras que se apoiavam nas paredes.
Quando seus braços encontraram o topo, ela ergueu seu rosto deparando-se com uma paisagem nunca vista antes. Ela estava em uma densa floresta com cores vivas e flores para todas as direções. Gritou em vão o nome de todos de sua família, durante alguns minutos, enquanto andava perdida.
Após se distanciar alguns metros do poço. Ela se deparou com algo familiar. Reconheceu a árvore sagrada, com uma aparência muito jovem. E algo a assustou: um garoto estava pendurado por uma flecha no tronco. Laços de flores e trepadeiras o contornavam, o que fazia parecer que ele jazia ali durante muito tempo.
Kagome não achou que fosse possível ele estar morto, ou pelo menos, não por muito tempo. Sua aparência era saudável. Como se estivesse apenas dormindo a poucas horas
Ela se aproximou do garoto estranho. Ele tinha cabelos prateados mais longos que o dela, que balançavam com a brisa local. Kagome logo notou algo estranho nele: duas orelhas semelhantes à de um cachorro saiam de cima de sua franja. Ela se aproximou mais:
- Oi? Você está me ouvindo? – Ela tentou acordá-lo, sentindo repentinamente uma intensa vontade de tocar as orelhas dele. – Um... Essas suas orelhas são reais? – perguntou ela, balançando as pontudas orelhas cobertas de pêlo prateado.
Sem resposta, ela continuou a se divertir dobrando as orelhas do garoto, que continuava sem reação, como se estivesse desmaiado. De repente, flechas passaram zumbindo a poucos centímetros dela e cravando na árvore. Logo em seguida ela escutou uma voz:
- O que faz na floresta do Inuyasha? Não sabe que esta área é proibida? – Vociferou a pessoa.
- Deve ser estrangeira. – Escutou-se outra voz.
Kagome virou-se, e quando ela observou todas aquelas pessoas usando quimonos e rabo de cavalo, com arcos e flechas apontados em sua direção, ela percebeu que sua casa estava muito distante deste lugar.
Uma mulher velha, usando tapa-olho, vinha em sua direção.
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