Inuyasha - Adaptação

3 O roubo da Joia de Quatro Almas


– Não estamos em Tóquio? — Perguntou Kagome.

A sacerdotisa Kaede tinha uma casa muito simples, com apenas dois cômodos, totalmente de madeira. Vários buracos foram emendados com outras taboas no teto, como se a casa tivesse sofrido vários ataques.

– Nunca ouvi falar. Estamos apenas em um vilarejo pobre, que mal se sustenta. Eu sou a sacerdotisa encarregada de manter youkais afastados daqui. – Explicou Kaede.

– Como aquele monstro? – Perguntou Kagome, intrigada sobre os youkais.

– Sim, mas normalmente não combatemos youkais poderosos como aquele. Mas de agora em diante, com a volta da Jóia de Quatro Almas, enfrentaremos os youkais mais poderosos possíveis. – Disse ela com temor na voz.

Kagome também temia esses monstros. Aquela centopeia quase a matou, então outros mais poderosos poderiam fazê-lo facilmente.

– Mas temos o Inuyasha, ele é bastante forte – disse ela com esperanças – e pode nos ajudar.

– Inuyasha é apenas mais um atrás da joia, a diferença é que ele é um hanyou: metade youkai, metade humano.

Ouviu-se uma pancada forte, e o piso de madeira se rachou com o soco do Inuyasha, que estava no canto da sala, aborrecido com o colar mental preso em seu pescoço e observando as duas mulheres conversarem.

– Você já me irritou de mais, velhota. Pensa que me conhece? – Disse ele com fúria. Inuyasha odiava mortalmente o fato de ser um hanyou.

Mas Kaede o conhecia muito bem.

– Você não me reconhece? Sou a irmã mais nova da mulher que te selou naquela árvore, há 50 anos.

–Então você era aquela pirralha? A Kikyou também está velha assim como você? – Perguntou Inuyasha.

– Minha irmã morreu no mesmo dia em que te lacrou. – Respondeu Kaede, sem emoção no rosto.

Kagome observava os dois conversarem. Parece que Inuyasha conhecia Kikyou bem, pela forma que seus olhos cintilaram com tristeza ao ouvir a notícia. Porém, seus sentimentos por ela pareceram transformar-se de repente.

– Heh! Ela teve o que mereceu. – Disse ele, com um sorriso sarcástico e maldoso no rosto.

– Não fique feliz com a notícia Inuyasha. Receio que Kagome é a reencarnação da minha irmã Kikyou. Não só pela sua aparência, mas sim por carregar a Joia de Quatro Almas em seu corpo. – Disse Kaede.

– O quê? Mas eu nem sei quem é essa Kikyou!! – Protestou ela.

– Kikyou era uma sacerdotisa poderosa, encarregada de proteger a Joia de Quatro Almas, ela foi queimada logo após sua morte, levando a joia consigo para o outro mundo. Mas agora essa missão é sua Kagome.

– Proteger essa bolinha de vidro? – Ela ainda não entendia como uma simples joia tinha uma história tão estranha assim.

Inuyasha ainda estava perto do vilarejo, sentado no alto de um galho de uma grande árvore. Observando ao redor. Ele temia que outro youkai roubasse a tão desejada jóia. “Então aquela idiota... É a Kikyou?”, ele disse para si mesmo, emburrado, não gostando nada disso.

Enquanto pensava com si mesmo, Kagome se aproximava com várias frutas que ganhara dos aldeões. Eles, ao saberem que ela era a reencarnação da poderosa Kikyou, que protegera o vilarejo com sua vida, simpatizaram totalmente com a jovem garota. Cumprimentavam e reverenciavam.

Ela jogou uma maçã para o Inuyasha, que a agarrou com extrema facilidade, e sentou-se em baixo da árvore, observando a bela paisagem. Um lago azul da cor do céu dividia o vilarejo da floresta, campos de plantações de arroz embelezavam o local com uma aparência cem por cento rural.

– Desça daí Inuyasha, coma comigo – disse ela, imaginando que ele estaria com fome, após 50 anos selado em uma árvore.

Ele pulou do alto, e aterrissou sem dificuldade.

– O que você está tramando? – Ele não confiava em ninguém. A única pessoa em que um dia confiou, o lacrou eternamente em uma árvore.

– Você me odeia, não é? – Disse Kagome, querendo saber por que ele a tratava tão mal. – Poderia ser mais gentil.

– Não me importo com você. Só quero a Joia de Quatro Almas, e para isso não terei piedade. – Disse ele com uma voz temível.

– Você sabe que se tentar isso, terei que dizer “senta”.

Ela não sabia que iria funcionar neste momento. Inuyasha foi com a cara de encontro com a terra. Levantando o rosto sujo e enfurecido. Em seguida subiu novamente para seu galho, não aceitando as desculpas de Kagome, enquanto ela comia suas frutas. E lá ficou até anoitecer.

Kagome dormia na casa da sacerdotisa Kaede, frestas de luz saindo da janela em sua frente iluminavam seu rosto. Ela dormiu pensando se seu avô, sua mãe e seu irmão estavam preocupados. Na tarde que ficara ali, já estava ciente de que não estava em sua época, mas sim em uma era feudal.

Uma sombra se formou em seu rosto. Um pássaro preto pousara em sua janela, observando-a. Porém logo foi atingido por uma pedra, que por pouco não o atinge. Inuyasha, ciente de que aquele era um youkai pássaro, logo tratou de expulsá-lo. Esses demônios assumiam diversas formas.

– Esse maldito deve ter sentido a presença da jóia. – Disse para si mesmo.

Ao amanhecer, Kagome saiu cedo, despercebida, para a floresta do Inuyasha. O poço Come-Ossos encontrava-se lá e ela queria testar a possibilidade de poder voltar para sua casa.

Atravessando as arvores, tomando cuidada para não ser arranhada pelos arbustos, Kagome não se deu conta de que estava sendo seguida e observada desde a noite anterior. Já era tarde mais quando escutou os passos atrás de si, quando sua boca já havia sido tampada com uma mão enorme. Estava sendo capturada.

Não podia fazer nada contra aqueles homens fortes, enquanto a levavam para uma simples construção de madeira, como todas as outras desta era antiga.

Ela foi jogada no chão, na frente de um homem muito grande e musculoso, sua pele cinza e seu rosto sem vida olhavam sem foco com uma expressão tonta.

– Trouxemos a garota que você queria chefe. Ela realmente usa roupas estranhas. – Disse um dos homens, estranhando o uniforme escolar de Kagome.

– Me entregue a Joia de Quatro Almas – ele falou lentamente, como se tivesse dificuldade para isso. – Segurem-na. – Ordenou aos seus homens.

Kagome jogou a joia o mais longe possível, enquanto os homens lutavam para segurá-la. O chefe deles sacou de sua bainha uma katana, e aparentemente tonto, ele golpeou em direção à Kagome, errando. O golpe atingiu o homem ao lado dela, que caiu morto em seguida.

Os homens se assustaram, quando o seu chefe se preparou para o próximo golpe. Ele aparentava estar muito tonto. Seus olhos não fixavam em nada. Porém, desta vez, sua espada estava em direção certa à Kagome. Ela estaria partida ao meio, se não fosse o Inuyasha, que o golpeou com suas garras, o jogando longe com o peito rasgado.

– O odor de carne pútrida deste cara é insuportável – reclamou Inuyasha.

A jaqueta de couro do homem grande se partiu, exibindo um buraco em seu peito. Um pássaro preto com três olhos grandes se escondia lá dentro.

– Então ele se escondeu ai dentro ontem à noite – disse Inuyasha – deve ter comido o coração dele e o controlado – explicou.

Kagome ficou olhando com nojo para a cova no peito do homem, enquanto Inuyasha expulsava o pássaro preto, que fugiu com tamanha velocidade, sumindo de vista rapidamente. Inuyasha preferiu não perder tempo com ele.

– Obrigado por vim me...

– Onde está a Jóia de Quatro Almas? – Inuyasha a interrompeu.

Ela fez uma cara de raiva, até se lembrar de ter jogado a joia para fora da casa. Ela disse para o Inuyasha, e ambos saíram correndo. Mas já era tarde de mais. De longe, avistaram o pássaro com a pequena esfera rosa em seu bico, se distanciando.

Inuyasha não perdeu tempo, mas antes de ir atrás do youkai, ele avistou um arco e flecha encostado na casa.

– Pegue aquele arco e suba em minhas costas. Se você é a reencarnação da Kikyou... Ela atirava muito bem.

Ela subiu, com a o arco em suas mãos. E Inuyasha disparou, se movendo em uma velocidade incrível.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.