Intrusos no meu sapato.
7 Capítulo 7 - Game of Trangerbark.
Notas iniciais
– Eu quero dominar o elemento fogo, Steven. – Disse Chris com convicção. Não pude negar o seu pedido.
– Fico com a água. – Prosseguiu Anna.
– Eu fico com o vento. – Confirmei. – Bom, Marina, você fica com a terra? – Questionei a caramelizada e ela assentiu com a cabeça.
– E eu? – Indagou Alex incrédula, provavelmente ela pensou que eu tivesse a esquecido.
– Você vai ser o narrador. Quer dizer, narradora.
– Por que eu?
– Porque você é a mais inteligente entre nós. – Retruquei.- E tem a imaginação mais fértil. Alex, você lê vários livros, já deve ter ideias fresquinhas em sua cabeça.
Dentro da sala de aula, eu normalmente fico impressionado com a criatividade de Alex, principalmente nas recriações de teatro nas aulas de artes. Ela é incrível, e merece ser a narradora. E eu sinto bem lá no fundinho que quero protege-la de alguma maneira, sem demonstrar que gosto dela. Talvez essa seja a minha chance. Ela tentou conter seu sorriso, orgulhosa de si mesmo pela boa impressão que passa. Sorri de volta, e tentei manter quaisquer pensamentos sobre meus sentimentos longe de minha cabeça.
– Tudo bem, vamos começar. – Entreguei as pecinhas dos símbolos com os devidos elementos desenhados para cada jogador. Anna me olhou confusa.
– Cadê o dado? – Perguntou.
– Anna, isso não é um tipo de jogo de Monopólio. – Respondi.
– E que tipo de jogo é? – Insistiu Marina.
– É o que vamos descobrir. – Alex sorriu em resposta.
– Preciso que façam o mesmo que eu. – Coloquei minha peça sobre o símbolo do vento, no caminho branco e com pássaros, e logo em seguida pressionei meu dedo indicador sobre ele. – Cada um em sua casa.
Chris, Anna, Alex e Marina pressionaram seus dedos indicadores sobre a peça em cima de suas casas. Aguardamos alguns segundos e nada aconteceu. Até que me lembrei do texto com símbolos esquisitos e....
– Droga. Temos um problema. – Praguejei.
– O quê? Qual? – Perguntou Chris.
– O narrador, no caso Alex, teria que ler esse texto. – Procurei embaixo e dos lados do mapa até encontrar a folha com as instruções, entreguei para a morena. – Não tem como entender o que está escrito aí.
– Steven, em que século você está? – Ela procurou algo dentro de sua bolsa, e tirou seu Iphone de lá. – Google Tradutor. – Como eu esqueci dessa merda?
– Certo, hm. Deixe-me ver. – Ela tirou uma fotografia dos símbolos no papel, teclou freneticamente em seu celular, e me olhou rindo. – Uou, isso é bem intenso.
– O que diz? –Indaguei.
– O.k. Vamos tentar. – Prosseguiu Alex.- Em seu sangue, ele jogou uma pedra. A filha do segundo filho de Heitor. O jogo será uma maneira de salvá-la.
Quando Alex terminou de ler, senti um arrepio subindo de minhas costas até minha nuca. Eu não conseguia me mexer, e era como se eu estivesse em um transe hipnótico. Eu conseguia enxergar meus colegas, mas todos também pareciam petrificados. Foi como se um núcleo colorido tomasse conta de minha visão e logo causasse um blackout dentro de mim. Eu estava muito preocupado com o que tivesse acontecido com os outros jogadores, tentei gritar e me mexer diversas vezes dentro daquela escuridão. Droga, eu matei quatro pessoas!
“ Steven “. – Depois de alguns segundos era esse o nome que eu ouvia gritar naquela escuridão. A voz de quem me chamava parecia ter sido alterada por um programa de computador, tornando-a grossa.
– Steven! – Gritou Anna, e acabei despertando.
– O quê acontec...
Não pude concluir minha frase. Meus olhos rolaram pelo local onde eu estava, e eu não conseguia identificar o que era tudo aquilo. Nunca tinha visto nada igual em toda a minha vida. O céu variava de um tom alaranjado para azulado, aparentava que nós estávamos na ponta de um penhasco, todos juntos. E não havia lugar para sair. Até onde eu consegui enxergar, no chão havia várias árvores coloridas, cada uma diferente. E por todo esse caminho tinha várias casinhas; uma rosada, outra azulada, avermelhada e até mesmo um minicastelo todo colorido em uma ponta mais distante. Era incrível, mas eu ainda não estava entendendo nada. Sério que minha bisa teve cabeça para desenvolver esse “ jogo “, e ainda o enfeitar dessa maneira?! Para frente desse castelo, tudo mudava. Tinha uma estradinha de terra minúscula. Me perguntei se era por ali o segundo caminho que eu não tinha escolhido. Daí para frente eu não enxergava mais nada. E de novo Anna gritava em meu ouvido.
– Eu estou bem. Calma, poxa. Onde estão todos? – Indaguei, antes disso eu não tinha notado que eles estavam em minha volta e com semblantes totalmente revoltados e confusos.
– Steven Gasterberg Ortriz! – Começou Anna, com sua gritaria novamente.- Em que parte de “ vamos jogar um jogo “, você citou que estaríamos presenciando mais um novo desenvolvimento tecnológico?! Isso é incrível, mas totalmente bizarro!
– Parece muito com um anime que eu assistia. – Comentou Christopher.
– Sword Art Online! – Retrucou Marina, entusiasmada. – Vamos ver nossos mecanismos! – Gritou ela, clicando no ar como se tivesse algum tipo de barreira, nada aconteceu e ela parecia decepcionada. – Ah, que pena.
– Pessoal, calma.
– Calma você, Steven. Estamos presos aqui, e não tem como sair. – Lamentou Anna.
– Nas regras ele disse que se matássemos o narrador, o jogo acabava. – Disse Christopher em um tom ameaçador, eles rolaram seus olhos em direção à Alex; em um salto puis-me rapidamente a sua frente.
– Espera! Espera! Ninguém vai matar ninguém aqui! Precisamos fazer isso.
– Já estamos aqui, parem de ser criancinhas! – Acompanhou-me Marina.
– Obrigado, Mari. – Depois dessa ironia sobre criancice.
– O.k. O.k. Agora me respondam, se não notaram, estamos presos em um penhasco! Como vamos... – Anna agitou a mão freneticamente para a frente, apontando para o final do penhasco em que estávamos, sua ação foi acompanhada pelo um ritmo forte de um jato de água, que saiu de seu dedo indicador, até o precipício. – Sair daqui... – Os símbolos!
– Como eu fiz isso? – Indagou Anna, incrédula.
Eu achei um tanto que bobeira sermos divididos nesses elementos, quer dizer, eu não pensava que poderíamos realmente controlados. Até a ação de Anna. Bisa, seja onde você estiver, você deixou isso tudo melhor.
– Da mesma maneira que posso fazer... – Não, eu não sabia como eu poderia fazer, apenas agitei minhas mãos para cima, em formato de redemoinho. Alguns milésimos depois, uma corrente de ar se formou na atmosfera que estávamos, e várias folhas giravam em torno da ventania do meu mini redemoinho. – Incrível!
– Impossível! – Protestou Christopher, que em um avanço, lançou três labaredas de fogo em direção de Marina, que um impulso curvou seu corpo para a frente, e rebateu o fogo com três pedras protegendo-a.
– Não! – Gritou a caramelizada, que depois ficou incrédula com sua defesa.
Todos se entreolharam confusos e amedrontados com a capacidade de poder que eles tinham. Oscilaram seus olhares entre suas mãos e o penhasco, e olharam fixamente para mim.
– Precisamos ter cuidado. – Alertei.
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