Intrusos no meu sapato.
2 Capítulo 2. - Bibliotecária, Alex e moda dos anos cinquenta.
Isso é totalmente estranho. Calma, Steven. Talvez na hora que Cate chegou, ela foi ver como o porão estava, achou a bússola e por algum motivo, colocou-a dentro do seu tênis. Isso é normal, tem zero vírgula zero por cento de chances de um fantasma ter arrastado o artefato até seu tênis, isso é impossível.
Em uma tentativa, convenci-me de que aquilo era obra de Caterina, e que eu não devia ouvir meus outros pensamentos. Vesti meu uniforme e calcei meu tênis, escovei meus dentes e desci para o porão com a bússola na mão. A caixa estava exatamente onde eu deixei, resolvi pegar as páginas soltas do possível livro e leva-las até a bibliotecária da escola, para ver se ela tinha alguma ideia de que livro pertencia. Tomei meu café da manhã sem a presença de meus pais, e nem de minha irmã. Caminhei quatro quarteirões até chegar em minha escola, e fui diretamente para a biblioteca.
Poucos alunos frequentam a biblioteca de nossa escola, só reconheci uma aluna, Alex. Uma nerd extremamente bonita que sempre que vejo, está agarrada à algum livro. Dessa vez ela estava lendo Crepúsculo, péssima escolha, Alex. Não fiz questão de cumprimenta-la, segui diretamente em direção a Sra. Hathaway que fazia algumas anotações em sua caderneta.
– Senhora Hathaway.
– Bom dia, Steven. Como vai? – Assustado, com medo, trêmulo. Quer mais alguma descrição?
– Ah... Normal. A senhora sabe por acaso de que livro essas páginas...– Deslizei o zíper da minha mochila para o lado, entregando-a as folhas.– Pertencem?
Ela passou os olhos sobre as páginas, e riu ironicamente na minha cara.
– Pretende ser feiticeiro ou algo do tipo, Steven? Ah, querido, gostaria muito de poder ajuda-lo, mas não faço a mínima. Pergunte a senhorita Kanvagash.– Alex. – Ela tem lido diversos livros ultimamente.
– Ah. Tudo bem, obrigado senhora Hathaway.
Droga. Eu nunca falei com Alex, nem sei como ela deve ser. E se ela for do tipo de garota que ignora totalmente a presença de um garoto? Oh, Deus, o que estou fazendo da minha vida.
– É... É... Ale...– Não trava agora, Steven!
– Bom dia, Steven.
Eu juro que congelei, bem onde eu estava. Primeiro, como ela sabe meu nome? Segundo, como ela consegue agir naturalmente com uma pessoa que nem conhece direito?! Merda.
– É. Quer dizer, bom dia, Alex. Desculpe, a senhora Hathaway disse para eu lhe perguntar se você por acaso... – Entreguei as folhas para Alex. – Sabe de que livro, isso aí pertence? – Eu sorri, mas que droga, por que eu sorri?
Ela ficou alguns segundos lendo detalhe por detalhe as poucas informações que estavam no livro, ela arqueou as sobrancelhas algumas vezes, e me infestou com um sorriso de orelha a orelha.
– Você gosta de livros de rituais também, Steven?! – O quê?!
– É... Não. Sim, quer dizer, não sei. Eu encontrei isso no porão de minha casa, aí eu fiquei... Espera, livros de rituais?
– Sim. Bom, é o que dar para perceber aqui. É um jogo, ritual, sabe?
– Não, não sei.
– Você deveria tentar fazê-lo, quem sabe descobre o que é. Te vejo no sábado.
Ela se levantou entusiasmada, ajeitou sua boina em sua cabeça e saiu da biblioteca. Não entendi a parte de livros de rituais, isso aqui faz parte de um ritual? E o que fazia em minha casa? Deus, o que estou fazendo da minha vida, de novo! Ela disse que íamos nos encontrar no sábado, provavelmente a família dela foi convidada para a festas dos meus pais, quem sabe lá eu extraio-o mais informações dela. Faltava alguns minutos para a aula começar, sentei ao lado de algumas prateleiras da biblioteca, joguei minha mochila para o lado, e peguei em um dos bolsos, a bússola.
Escorri meu dedo pelo limbo giratório da bússola em sentido horário. O que você tem de tão importante assim, hein? Dedilhei-a novamente no limbo e quando eu estava preste para desistir para ver se tinha algo de “ mágico “ nela, seu limbo começou a girar rapidamente e sozinha. Um feixe de luz emergiu sobre a seta, que apontava para a parede. Tomei um susto quando olhei na direção e vi que estava escrito “ Abre e feche “. Soquei a bússola para dentro de minha mochila, fechando o zíper. O que foi isso?! Isso é bizarro! Como é possível? Será que tem alguma aparelhagem que reproduz a luz e a mensagem para onde a seta estiver apontando? Eu não sei, mas juro que isso não foi normal. Segui para minha aula e as únicas coisas que passavam na minha cabeça era sobre a bússola e sua mensagem, e porque a segunda guerra mundial era tão complicada.
A aula acabou as duas horas da tarde. Estava fazendo sol, então passei na sorveteria a caminho de minha casa para comprar um sorvete de baunilha na casquinha. Assim que cheguei em casa, subi as escadarias em direção ao meu quarto. Como sempre, não tinha ninguém em casa. Catarina deve estar ainda na escola, nas aulas de recuperação, e papai e mamãe devem estar no trabalho, ainda bem que logo, logo, vovó chega. Abri a porta do meu quarto, e meu sorvete passou de minha boca, para o chão. De tudo que aconteceu hoje, isso foi a coisa mais bizarra que já me aconteceu. Catarina estava frente a minha janela, com um vestido da década de cinquenta, e com seus cabelos que antes eram estilizados e com mechas rosadas, agora totalmente encaracolados e com um chapéu bege sobre a cabeça. Quem é você e o que fez com minha irmã mais velha?
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