Introspectana

15 Saga 2 Capítulo 5 - Grande Invasão...


Introspectana

Saga 2 capítulo 5: Grande Invasão...

Parte 1

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-EU AINDA QUERO SABER QUEM FOI O FILHO DA PUTA QUE DEU DE X9! -.

-Nada disso faz sentido... Quem será que denunciou a gente? – Disse a potra branca.

-EU SEI LÁ! SÓ SEI QUE O CARA TÁ FUDIDO COMIGO! -.

-Calma Playhoof porra! Assim a gente não consegue pensar! -.

-FODA-SE, SAPATA! PORQUE É ASSIM: ENCONTRAR O FUDIDO E MANDAR PRA PORRADA! -.

-Não sei... Tem alguma coisa que não está certo nisso tudo... -.

Introspectana, após a última palavra, andava em círculos pela sala principal da casa de madeira, enquanto Playhoof estava sentado na mesma, com os cascos sobre o rosto e jorrando um semblante indignado. Blitzfire estava sentada na poltrona pensando enquanto que a azulada Keyhole se olhava no espelho, corrigindo e ajeitando a sua crina amarelada.

-Isso simplesmente não faz sentido! – Disse a pegasus, colocando os cascos em posição de dúvida — Quem que poderia ter feito isso com a gente? -.

-SÓ PODE SER AQUELES RACISTAS MOTOBOYS! ELES É QUEM TÃO CUM O TERRITÓRIO AGORA! – Gritou o burro.

-Não sei, Playhoof... Eles também correram no momento em que fugimos... Não podem ter sido eles... – Afirmou a potra branca.

-EU NUM QUERO SABER! ELES TEM DE SE FUDER PRA... -.

-Por favor, queridos! Será que não dá pra gente esquecer e sairmos pra curtir um pouco? Esse auê tá tão... -.

-TU CALA A BOCA, VADIA! NUM SE METE NOS NEGÓCIOS AGORA QUE... – Gritava o burro, interrompendo a Keyhole.

-OPALÁ, Casco furado! Quero apenas que a gente vá curtir um pouco em vez de ficarmos remoendo dores agora! Querido, se acalma! -.

-Agora não é hora de surubas da porra, arrombada! Agora é hora da gente pegar essa suruba e mandar pro cu daqueles motoboys! – Disse o burro, jogando um de seus cascos sobre o outro – Porque aí eles ficarão tão arrombados que vaum ficar é cuma cratera e não um buraco! Pra aprenderem que... -.

-Aí! Limpa um pouco a sua boca, querido! Isso é tão rude... -.

-Eu já limpei sim e foi com o seu leite, vadia! -.

-Ei! – Disse rapidamente, indignada – Isso é pra ficar apenas entre nós! -.

-CALEM A BOCA, VOCÊS DOIS! – Gritou a Blitzfire – Num é hora de discutir relacionamento não, meu! Deixem pra falar disso depois... -.

-Hunf! – Exclamaram os dois ao mesmo tempo, virando as suas cabeças pro lado e rejeitando trocar olhar pro outro.

E ambos saíram da sala e foram aos seus quartos, deixando apenas Blitz e Introspectana sozinhas para descobrirem o motivo do que aconteceu.

-De todo caso... – Se dirigiu a pegasus para a Introspectana – Eu também acho que não são os motoqueiros a questão... O que você acha, Intro? -.

-O que eu acho? Bem... – Retirou-se de perto da pegasus, indo para a janela olhar o céu escuro – Há muitas coisas engraçadas que podem significar muito além do significado que significou pra gente... -.

-Hã?! –Indagou a potra amarela.

-Mas mais do que esse significado, talvez tenhamos de buscar outros significados pra mesma questão, pois significados são coisas relativas que podem vir a tornarem-se coisas muito além do óbvio entendido... -.

-Certo... E o que você quis dizer, espertalhona? -.

Introspectana calmamente saía do seu olhar da janela e fitava exclamando aos olhos da alada justiceira. Caminhava lentamente e misteriosamente até a pegasus, deixando a mesma um tanto aflita e estranhando o que poderia vir a acontecer. Aqueles olhos... Não eram olhos de um mistério qualquer. Parecia que estava querendo algo mais...

E chegou pra bem perto da pegasus, ambas agora com os olhos esbugalhados, mas com diferenças sentimentais por trás. O medo amarelo se contrastava com a malícia branca.

-Isso significa... – Falou, em voz penetrante e profunda.

E a potra branca se aproximava ainda mais, fazendo a potra da crina flamejante se encostar na parede e morrendo de medo. Em poucos centímetros, finalmente abria a boca e colocava um sorriso de sinistro para denotar.

-Que devo ir pra mansão dos Apple! – Disse, saindo de perto da pegasus e sorrindo inocentemente.

-O-o... Que? Q-Que o que que.... -.

-Tenho de investigar eles! Eles ainda não me soam muito confiáveis, sabe... – Falou, agora sorrindo natural.

-Sabe Intro... Às vezes você me assusta... – Falou a pegasus, aliviada.

-Que nada... – Voltou o seu olhar para a potra amarela, ainda sorrindo, mas com inocência – Você é quem precisa dar uma extravasada dessas coisas! -.

-Extravasada... Hunf! Assim daqui a pouco eu vou acabar ficando é INtravasada com toda essa doidera sua... -.

-Humm... Intravasada... Sei... – Sorria maliciosamente.

-AH NÃO! NÃO COMEÇA COM ISSO DE NOVO... -.

-Se quiser depois eu te mostro a minha INtravasada pra você... – Olhava para a Pegasus, piscando repentinamente.

-Prefiro não saber isso nem depois e nem agora... -.

E ria a Introspectana ao mesmo tempo em que a Blitz saía da sala, ruborizada e brava.

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Touch ficava sentada e pensativa enquanto Plume tomava uma garrafa de cidra, estando ao lado dela e olhava ao teto. Ambos sentados no grande sofá do salão principal do clube, sozinhos naquela noite que praticamente alastrou um clima de abandono até mesmo no próprio clube, seja nas garrafas quebradas e vazias do bar ou então na sujeira e alguns vômitos espalhados por uns cantos do lugar.

Ele continuava a olhar para cima, distante. Os seus olhos estavam levemente entreabertos, nos sonos climáticos da canseira de um dia agitado. Já a Touch continuava a pensar, pensar... Refletia acerca do que aconteceu e do que encontrou. Especialmente do que encontrou...

-Então, Touch... Você nunca me contou sobre o que você fez antes ou deixava de fazer... – Falava ele, um pouco embriagado.

E nada ela respondia, fitando para baixo e até soltando gemidos de terror pela boca.

-Você não vai falar nada da Intro? Como a conheceu e talz? Ou sobre o que fazia ou a sua infância? -.

E nada respondia.

-Olha... – Colocou a garrafa na mesa – Eu sei que não deveria estar lhe incomodando numa hora tão delicada e difícil como essa, mas eu realmente quero te ajudar... De alguma forma... -.

E ele calmamente se aproximou da potra terrestre, abrindo também as suas asas. Os seus cascos e suas asas serenamente cobriam a Touch, abraçando-se a ela e tentando, mesmo que custasse uma inutilidade irreverente, abriga-la no seu peito e no seu coração. Surpreendentemente, e para a surpresa dele, ela não rejeitou, aceitando o aconchego. Ele fitou um olhar distraído para ela, vendo agora uma égua que descansava em seu colo.

-Eu... E-eu... – Hesitava o toque de luz, com os olhos fechados – ... Eu nasci em Ponyville. Lá... Eu... Eu morava com a minha mãe... Minha mãezinha... -.

-Certo... – Sussurrava.

-Nós éramos... Apenas nós e a gente se sustentando... Só nós duas numa pequenina casa... – Recostava a sua cabeça no peito dele – A gente tinha dificuldades, mas tentávamos ser felizes... E minha mãe trabalhava muito naqueles tempinhos... Adorava atender de porta em porta pra vender docinhos e coisinhas pra uma lojinha... Mas... -.

-O que? -.

-Ela perdeu o emprego dela... E começou os nossos problemas. Problemas que nos cansaram rapidinho... Muito rapidinho... -.

-O que aconteceu em seguida? – Perguntava, olhando um pouco mais atento para ela.

-Ela... Uh... – Hesitava, agora o seu rosto refletindo a sua ânsia — ... Ela começou uns trabalhinhos... E nesses trabalhinhos ela... Atendia uns potros e potras na cama... E era toda noite e todo tempo... E foi nisso que ela conseguiu a sua marquinha especial... Era um coração e dentro um coração menor... Até hoje nunca sei o que aquilo significava... -.

-Você sofreu muito nesse tempo? -.

-Sofri... Mas a minha mãe sempre... Sempre tentou me deixar mais feliz e contente... – Começava a soltar algumas lágrimas de seus olhos fechados — ...Na verdade, ela ficou mais carinhosa comigo nesse momento... Me dava muita alegria que ela fizesse tudo isso por mim... Foi nesse tempo que ganhei minha marquinha fazendo trabalhinhos e cuidando de alguns potrinhos... Estava muito feliz mesmo... Só que... -.

-Hã? -.

-Uma noite... – Se agarrou um pouco mais forte na cintura do garanhão – Ela tava cum potro estranho... Esquisito e assustador... Ele... Ele tinha uma faca... Não queria pagar a minha mãe. Então... E-então... Ahn... – Se agarrou forte nele, começando a chorar.

-Calma, calma... Shhh... Tudo bem... O que passou, passou... – Abraçava-se a ela, soltando também um pouco de lágrima.

-M-mas o engraça-çado... – Soluçava – Hic! ... É que ele me deixou algo muito estranho... Me... Hic! Deixou um pequeno frasco tendo algo dentro e não sabia o que era. Nunca... Hic! Uh... Tomei e até hoje deixei escondidinho num local que só eu sei... -.

A essa altura, ela ainda chorava, mas ele estava muito mais do que isso: Ele refletia algo das famílias, daquelas relações ainda mantidas. Neutro, mas ainda mantinha essa coisa de relação. Talvez muito mais do que relação, era um sentimento de ligações celulares e iônicas de um potro estranhamente interrompido de sua própria iniciação.

Mais do que interrupção, ele jogava aflitamente os seus atos contra um vento de boomerang, tangenciando nele várias vezes esse vento interior, na maioria fazendo absolutamente nada, mas querendo que tivessem feito. Enquanto olhava ela chorando, ele atacava no seu ser um movimento abrupto de meleca da alma, numa tentativa fatalmente falha de continuar a mudar de posição a estagnada verdade atiçada e empregada no chão.

Aquele conveniente... Era um ser intergaláctico impedindo-o de acontecer. Mas não era um ser de outro mundo: Era o ser dele mesmo, só que de outro universo, do atemporal acontecido de tantas mentes vazias. Aquele vazio que o mantinha preso no acontecer e nunca aconteceu, pois ele mesmo tinha ido para uma viagem inesgotável pelo universo.

E por que no Universo? Muito provavelmente porque seria no universo que ele aconteceria para o mundo. E seria assim, custe o que custasse, a sua estadia na própria falada intermitente.

Ficaram por muitos instantes naquele abraço ininterrupto. Cada desidratação da luz se sobressaia no casaco de couro do garanhão azul, se espelhando em seus olhos uma amistosa batida maior de seu interior. Mas não havia paixão... Não havia malícia... Havia um muito mais que batia em seu peito a ponto de desabar muros de dominós levantados.

Ambos não conseguiam mais trocar algumas palavras. Naquele tempo posterior, Touch já chorava um pouco menos, embora não menos na sua alma. O pegasus se deitava no sofá, levando junto à potra cinza para perto de si. Mas não havia paixão... Não havia malícia...

Ele abraçava-a forte ao seu peito, enquanto ela parecia aos poucos se deixando levar por um conforto mais aberto, como uma pluma ou várias plumas de uma cama de conforto sublime. Ela retribuía o abraço com um abraço tão forte quanto, se grudando toda em seu peito. E não havia paixão... Não havia malícia...

Ela aos poucos, com os olhos desde sempre fechados, em sua debilitada mente começava a sua pausa para a vida. Plume acariciava fofamente os seus cascos, alisando a crina branca e espetada. O outro casco estava na espinha do toque de luz, reforçando uma segurança para evitar mais quedas das quais já se passou. E não havia paixão... Não havia malícia.

Nesse momento, com um pouco de face melancólica e entristecida, o potro tentava pensar no que poderia fazer. Não conseguia lhe vir possibilidade alguma que não fosse apenas tentar esperar e deixar o tempo passar para depois reencontrar a sua antiga mentora espiritual. Mas também pensava se não havia outras possibilidades que não fossem apenas essa.

Com o seu toque de luz pausado e em coma, Plume virou a sua cabeça em direção para cima, percebendo algo estranho que o assustou um pouco, dando-lhe uma reação súbita de susto.

-Clayton... Que susto... – Disse, olhando diretamente pro potro que se segurava no encosto do sofá — O que foi que... -.

-Nada não. Desculpe interromper vocês dois... – Virou de costas, deixando os dois a sós — Não sabia que você ainda era de... -.

-Não! Opa lá! – Se levantou, deixando a Touch dormindo no sofá, calmamente pousando a cabeça dela no assento e cavalgando até o terrestre roxo dos olhos verdes-claros – ... Calma aí hein! Eu não sou como você pensa que ainda seja, tá? Eu já saí dessa época... -.

-Bom... Dane-se e nem é da minha conta o que você e a servinte fazem. Agora é... -.

-Escute... – Empurrou o potro roxo até a parede, com voz imperativa baixa — ... Eu já disse para você respeitar a Touch. Ela é como uma de nós e se você não a respeitar, eu farei todo mundo realmente saber porque você é tão chamado de viado de tanto que vou foder com o seu flanco... -.

-Tá, tá! Calma meu... Tudo bem... – Respondeu, com grosseria e estranhando – Do jeito que tu fala meu, até parece que você está namorando ela... – Disse, se retirando e bem indiferente.

-Se estivéssemos eu me sentiria o potro mais nojento e repugnante do mundo... – Olhou para baixo, triste.

-Como?! – Virou o olhar de novo para ele.

-Uh... Nada não... Resposta aleatória, sabe... -.

E o terrestre se retirou, deixando Plume a retornar ao sofá e acolher novamente a luz dormente.

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-Então... Essa é a Mansão dos Apple... Aspecto perdido, tal como a família... Ironicamente destituídos de essência, heheh... -.

E ali se localizava Introspectana na calçada da rua, falando e rindo baixo, sem graça e irônica, olhando longinquamente o casarão de concreto cinza e dotado de mecanismos metálicos por toda parte, desde um portão de ferro quase enferrujando até um pedação do telhado transformado em um heliporto. O casarão de concreto, pintado levemente com um vermelho rústico de fazenda, persistentemente enfaixando algo que já não mais eram, e totalmente aparente quando visto os diversos ares-condicionados em cada janela daquela casa. Estavam refrescados de toda a herança calorosa.

Uma parte do casarão tinha uma janela enorme de vidro, vendo-se nele um potro vermelho como maçã, dos olhos castanhos e da crina amarelada. Sua marca registrada era uma maçã com cobertura de chocolate, cobrindo o que já fora acobertado de outras formas e de outros chocolates. Não era chocolate branco, amargo ou doce: Era um chocolate artificializado “de fábrica”. O seu terno achocolatado na cor também contribuía para que o chocolate se desviasse de seu cacau.

Introspectana fitou atentamente o seu olhar naquele garanhão, percebendo em seus cascos amarelos o logotipo brutalista da Apple Company S.A e o nome dele na frente: Cocogain.

“Hue hue hue! Que nome horrível que ele tem! E eu pensando que ser chamado de merda era um nome ruim...” Pensou, rindo pra si mesma.

Ela cavalgou furtivamente até o portão de ferro, se espreitando por ele e passando por toda possível viga de ferro, para que sua presença não passasse pelos vãos das vigas e fossem vistos pelos pôneis da mansão. Havia um unicórnio de guarda, distraído e do outro lado do muro.

Espreitando devagar e olhando pelo vão, vigiou o guarda e, quando ele virou de costas, ela deu um salto e se pendurou na ponta do portão, seguido de um impulso com as patas traseiras sobre o ferro e finalmente um salto maior, caindo diretamente sobre o guarda. Quando este estava prestes a gritar, ela tampa a boca dele com os seus cascos e, com o chifre, golpeia lateralmente a cabeça dele, desmaiando.

Se levantando de cima dele, levitou o guarda com a sua magia branca e o jogou na jardinagem de folhas secas e escuras que estavam plantadas perto de uma janela, escondendo-o entre as folhas.

Retornou até a espreita, dessa vez na parede da casa. Referencialmente, ela estava à esquerda do portão principal da mansão e cavalgava lentamente até o final da parede, à esquerda. Espionando discretamente à sua esquerda, notou que havia mais dois guardas, dessa vez vigiando uma pequena porta de fundo.

“Estranho... Nunca ouvi falar de mansões onde se vigia a parte dos empregados... “ Pensava.

Esperando mais alguns segundos, ela se depara com um potro quase escravo levando um caixote maior que o mesmo, estando estampado na madeira o símbolo dos Apple, no caso um “A” dentro de um círculo com o traço horizontal invadindo pra fora da bola. Os guardas acompanhavam o empregado até o final do muro, quando e repente o empregado para e o muro começava a se mexer: Um grande pedaço do muro se movimentou para o sentido do empregado e, em seguida, para o lado direto do mesmo. Ambos os guardas e o potro com o caixote passaram pelo muro, automaticamente em seguido o pedaço retornando ao seu lugar original.

-Parece que já tenho uma pequena pista... E uma pequena suspeita também... – Disse, bem neutra a desconfiada.

Já se sentindo segurança, ela virou e começou a bisbilhotar a área à esquerda da casa, observando a parede e as janelas. Na parede, notara uma saída discreta na tubulação de aço que percorria toda a estrutura da residência, com a saída levemente acima dela. Sem hesitar, já desparafusava freneticamente a tampa daquele buraco com a sua aura mágica, ao mesmo tempo em que vigiava pros lados se não havia mais algum pônei por ali. Já desparafusados, ela tratou de levitar e entrar no buraco, tendo sucesso no ocorrido. Para não deixar suspeitas, ela levitou a tampa e colocou na posição original.

Dentro da tubulação, ela andava agachada, por causa do espaço limitado dentro dos limites de ferro. Media cada passo para evitar que o choque entre os seus cascos e o ferro ecoasse um grande barulho. Andando um pouco, deu de cara com duas saídas para cada lado, escolhendo seguir a esquerda e prosseguindo.

Seguindo pelo caminho, de repente viu à sua frente uma estranha sombra vindo na sua velocidade.

“O que será isso?! Droga... Hora de preparar uma magia...” Pensou.

E então, ela começava a brilhar uma magia leve de ataque, ao passo de no mesmo instante a faísca sair de seu chifre numa grande velocidade, acertando a sombra que consequentemente foi empurrada e ecoando um barulho de arranhão e queda dentro da tubulação.

-OUCH! – Gritou a sombra, numa voz masculina.

“Isso! Acertei! Agora posso me aproximar de forma segura...”.

Nos mesmos passos, ela foi se aproximando, assim como gradativamente acionava a sua magia de luz. A mesma sombra, com um dos cascos, alisava a sua cabeça ferida enquanto estava derrubada no local e deitada no chão de bruços. Quando já estava bem próxima, eis que se depara e vê uma face familiar...

-Plume?! -.

-Intro?! – Disseram, ao mesmo tempo.

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Introspectana

Saga 2 Capítulo 5: Grande Invasão

Parte 2.

By Bolchen (Cláudio Y. H.).

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-Intro?! Digo... – Hesitou o garanhão, pigarrando e baixando um pouco a guarda após a ferida – Mestre... O que a senhora faz aqui... É... Claro... Se não for um incomodo que possa responder... – Se envergonhava.

-Tá... Calma, Plume... – Disse, diminuindo o seu tom de voz – Estou aqui atrás de informações da Família Apple e... O que você está fazendo aqui, meu velho pupilo? -.

-Bem, senhora... – Falava, em voz baixa e com bastante nervosismo – É que você sabe... Depois que veio toda a polícia atrás da gente... Resolvi que precisava né? Ver o que aconteceu isso e a primeira coisa que pensei foi na Família Apple que... -.

-Então você também está tentando ver o que a família apple anda fazendo também, não? – Perguntou, olhando mais sério e com o rosto bem próximo do potro.

-É... Sim... – Desviava o seu olhar dela, continuando o seu rubor e hesitação.

-É... Pelo menos podemos ir juntos até lá, né? -.

-Sim... -.

-E... Nossa! Eu te machuquei sem querer e... Porra! Por que eu não olhei antes de fazer isso, né? Deixa eu te ajudar... – Disse.

E aos poucos Introspectana aproximava o seu chifre, da testa de Plume, fazendo este cada vez mais se envergonhar da aproximação da potra. Estavam bastante próximo, faltando bem pouco para que o focinho de um tocasse no outro. Imediatamente a égua iniciava uma magia de cura, que brilhava relativamente mais do que uma magia padrão dela, que geralmente se compunha de pouco brilho e bastante obscurecimento em relação aos outros pôneis.

-Você está se sentindo melhor, Plume? -.

-E-eu... Estou sim... Senhora... – Olhava ela, com o rosto aos poucos se avermelhando mais.

-Sei não... – Retornava o olhar pra ele – Você me parece tão... Inseguro. Seu rosto está tão vermelho que... -.

Nesse momento, ela deu um beijo veloz e fugaz na boca do potro, imediatamente o fazendo reagir de forma abrupta, se afastando dela e olhando espantado. Já o seu rubor estava num nível acima de qualquer termômetro corporal.

-Se... Se-se... SENHORA?! Meu... Minha Celestia... – Colocava um dos cascos em sua boca e o outro na testa, evitando de olhar para a Intro.

-HAHAH... Ai meu velho pupilo... Pode ter ficado mais frio e mais malandro, mas ainda continua com a sua natureza envergonhada e gentil... Um toque tão delicado como uma pluma, o caminho da gentileza esbaldando o céu. Uma pluma alérgica de sensações múltiplas aos sentires de outros pôneis... – Refletia, rindo.

-Senhora... E... Bem... Você também não mudou desde aquela época. Continua a mesma pônei que adora “brincar” com os outros... – Dizia, bem inseguro.

-Mas... Olha pelo lado bom! Não só continua mais gentil, como percebi que agora você não mais... -.

-NÃO! – Gritou, se hesitando na mesma hora – Digo... É... Por favor, senhora... Não me lembre das antigas obrigações que o conselho-mestre me exigia fazer... -.

-Ah... Tá... Tudo bem... Eu entendo... – Disse, mais compreensiva.

Agachados, então Introspectana tomou a frente e recomeçava os seus passos dentro da tubulação. Enquanto ela ia à frente, o potro seguia-a por trás e pensativo, lembrando-se de algo que não queria lembrar. Ou não era suposto a lembrar, pois se via num beco mais claustrofóbico do que um ambiente de ventilação de ar-condicionado. Mas também não conseguia tirar da cabeça a própria temperatura amena: Não pesava os grandes sentires quentes e nem também os pesares frios. Apenas lhe batia um arrependimento descomedido.

Ele teimava, dentro de si mesmo, a retocar no que dito foi. Mas o que era o dito e porque diria? Porque talvez pra ele fosse como as falas interiores: Afetam tudo de forma imperceptível, mas afetam. Ele sabia que a sua fala, tal como todas, possuem poder: Uma palavra dita, uma ação imposta. Ele não queria que sua ação tivesse sido a sua fala...

Percebendo tudo isso, já que o narrador estava distraído Introspectivamente, Introspectana tratou de, no momento em que o garanhão olhava para frente e pra baixo, tentar reanimar-lo:

-E então, meu pupilo? Saudades dessa bela visão que está tendo do meu enredo? – Disse, com o sorriso de sempre.

-O que?! N-não! D-Desculpa senhora! Sinto muito... – Respondeu virando a cabeça pro lado e envergonhado.

-Hahah! Não tem problema não! – Olhava pra frente, alegre – Você pode ver o quanto quiser... – E sorria maliciosamente, de novo.

Em um dado momento, não olhando direito pra frente, Intro bateu com a cabeça numa das entradas de ar-condicionado, machucando um pouco o seu chifre. Ao mesmo tempo, Plume batia de cabeça contra o enredo Introspectano, fazendo-a novamente bater o chifre na entrada de ar.

-Ui, Plume! Tudo bem que falei que pode olhar o quanto quiser, mas não tão perto... – Disse, coçando os cascos em seu chifre.

-Aí... Só faço besteira... – Colocou um dos seus cascos na testa, arrependido – Desculpa... Senhora... – Retornou o seu olhar para os lados.

Intro, recuperada, rapidamente tratou de conjurar sua magia em todas as porcas da entrada, rapidamente retirando a entrada de ar e a colocando num vão entre o teto e a tubulação de aço. Colocando uma das cabeças para fora, notou que a sala estava vazia, porém bastante clara e aberta em contraste com a escuridão e aperto de onde estava. Sem enrolos, ambos desceram rapidamente na sala, com a potra branca conjurando em si mesma magia de levitação para pousar levemente sobre o chão e o Plume, em seguida, batendo levemente as suas asas.

Na sala, havia um grande quadro com a imagem do mesmo potro vermelho que a unicórnio viu anteriormente, emoldurado com joias, demonstrando bastante riqueza. Naquela mesma sala havia uma mesa de madeira nobre acompanhado de um assento de material cristalino, três estantes de livros velhos e uma janela que iluminava suficientemente todo o ambiente. Todos reluziam o luxo que jamais aqueles potros ali teriam um dia ou em sonhos.

-Nossa... Eu acho que um dia vou abrir uma fábrica de motos... Se isso der tanta grana assim... – Disse o pegasus, olhando incrédulo todo requinte da sala.

-Não temos tempo para isso, meu pupilo. Temos de achar informações sobre a família Apple e já! -.

-Ah... Desculpe, senhora... – Respondeu, tratando de já começar a procurar nas gavetas da mesa.

-Ah... Plume... -.

-Sim, senhora? -.

-Me chame de Intro, tá? Nós agora somos adultos e você não precisa mais me chamar assim... – Disse a unicórnio, com um sorriso confiante.

-Tudo bem... Uh... Intro... -.

E assim começaram a procura através de diversas papeladas de cada canto daquela sala, mas ambos sempre tomando cuidado com cada papel, para evitar deixar qualquer resquício de invasão. O pegasus azul chegou até a procurar embaixo do tapete.

Alguns papéis chegaram a voar, com a prosseguida correção de cada um deles em retornar o papel de volta ao seu respectivo lugar. Sentada ao lado da mesa de cristal, Intro deu o seu grito de vitória, com um sorriso:

-Achei! -.

-Nossa... – Respondeu o pegasus, indo até a unicórnio – O que é que está escrito aí? -.

Prontamente, a potra branca começou a recitar exatamente o que estava escrito no papel:

-Novo projeto Imagens Montadas da Companhia Apple: Por um amanhã mais progressista e duradouro... -.

-Espera... O que é que quer dizer isso? -.

-Eu também não sei, mas o verso dessa folha é esquisito: Tem uma cor vermelha seguida de um risquinho amarelo ou coisa assim que... -.

-Mas calma calma, Intro! Digo... Eu também encontrei outras folhas com um verso de cores variadas...

-E as folhas dessa gaveta também possuem cores no verso... – Olhava pras folhas e pensou por um momento — ... Pegue todas as folhas com verso colorido! AGORA! -.

-Sim... Uh... Intro! – Disse, obedecendo.

E ambos correram para pegarem todas as folhas que tinham verso colorido, deixando de lado todo o cuidado anterior que tinham em não deixarem pistas. Plume explorou até os confins das estantes na esperança de encontrar mais folhas coloridas entre livros, embora tenha sido inútil.

Intro, já tendo pego todas as folhas possíveis da gaveta de cristal, juntou-as em cima da mesa assim como o pegasus também.

-Ótimo... Agora me ajude a monta-las no chão... -.

-Ah... Agora entendi o que a senhora quer fazer e... -.

-Epa... O que eu disse antes? – Sorriu com seriedade pra ele.

-Uh... Digo... Intro! – Respondeu.

E ambos começaram a montar cuidadosamente as folhas no chão, juntando uma com a outra. Passava o tempo de forma depressa, passando aproximadamente trinta minutos desde que começaram a montar, até que Plume colocara a última das quarenta folhas que tinham montadas no chão. Ambos se surpreenderam pela imagem formada.

-Não acredito Intro... Não pode ser verdade... -.

-Pois é, meu querido Plume. Parece que vamos ter um baita dum problema agora... -.

-Isso explica porque nós fomos surpreendidos pela polícia na fábrica de arco-Íris... – Dizia, com um semblante de perplexidade.

-...E também porque é que a família Apple está tão interessada na fábrica... -.

Aos poucos, distanciando-se da imagem deles, a imagem das imagens montadas, como o império em ascensão pro sucesso ou pro fracasso. Sem dúvidas, cada canto refletia a parte de algo que parecia redondo, mas acabava sendo meio achatado e retangular. Colorido, reluzia a ganância sobre a forma de um objeto teoricamente prático, especialmente prático: Era a praticidade de se ganhar em cima de uma maçã Zap Apple, em sua imagem e semelhança exposta ali, em toda aquelas folhas montadas como quebra-cabeças.

Ambos, Plume e Intro, colocavam os seus cascos sobre a cabeça, sobre o queixo ou sob a boca, não acreditando que tudo não passava de tudo. Ou nada passava de nada. Agora eles se atracavam um no outro para uma situação renovada, donde vinha à questão indevida, a questão nada plausível: Era a dúvida se formando dúvida... De novo. E com respostas ironicamente sendo postas para catalisar essa formação.

Não podia Plume acreditar que tudo vinha como aquela imagem, a imagem de ser montado. Não estava mais sendo montado ou alguém montar ele: Era simplesmente ele ser e sempre ter sido montado. Montado de tudo que poderia não ter pensado que era um monte de matado.

Já a Intro pensava friamente, como sempre, mas ao mesmo tempo também compartilhava dos mesmos sentires de Plume, mas nunca nutrindo tanta montagem quanto ele: Para ela, tudo agora era questão de reversibilidade. Ou pelo menos parecia até aquele momento em que...

-Espera... – Sussurrou bem baixo pro Plume — ...Tem alguém chegando aí! -.

-Puta puta puta puta... – Respira — ..Puta puta puta puta! – Dizia Plume, começando a andar rápido pela sala.

E ambos cavalgaram loucamente para recolher todos os papéis. Intro se jogava pros lados de tão rápida que tentava recolher aquele monte de folha colorida, mas só lembrando depois que ela tinha um chifre, pegando todos os papéis de uma vez e organizando-os rapidamente. Com a sua aura, guardou todos em seus devidos lugares.

E então começaram a correr por todos os lados para se esconderem. Plume tentou até se esconder dentro de uma gaveta, mas não cabia nem a sua cabeça para tal. Intro até queria rir, mas estava ocupada em achar desesperadamente um esconderijo.

E os cascos no chão aumentavam de vez-vez a cada segundo passado.

No auge do desespero, finalmente notaram que havia um armário ao lado da porta. Como numa disputa pelas batatas, ambos correram para se esconder nele, com Plume chegando antes da Intro, entrando no armário e fechando a porta do mesmo, fazendo a Intro bater a testa na porta, pela velocidade que corria.

-Arranje outro lugar, Intro! Aqui não cabe mais... -.

-Só podia ser mesmo esse pupilo viado que não gosta de uma égua perto dele... – Disse em voz baixa, brava. Trotou com raiva um dos cascos no armário e foi encontrar outro lugar.

-Eu escutei... – Sussurrou.

E com o seu desespero continuando, não encontrou outra alternativa senão se esconder embaixo da mesa de cristal, visto que a mesma estava virado no sentido oposto à porta, não dando para ver nenhum pônei ali embaixo.

Já tendo se escondido, Intro contou dois segundos e ouviu a porta abrir-se. O trotar era forte, mas lento, refletindo os cascos de um garanhão que já teve em sua herança a força de superar obstáculos grandes e fortes. Aos poucos esses passos, aos ouvidos da Intro, caminhavam até a estante, ouvindo-se um folhear de páginas assustadoramente platônico, com nenhuma clareza do que ocorria.

Os trotares aumentava de intensidade. E a cada trota, vinha um súbito e pequeno desespero do coração em articular os próprios pulsos. O pulso de cada instante se notava em cada canto cristalino. Brilhava muito pros olhares, mas não pulsava do mesmo jeito como se pulsava na visão amedrontadora de tantas atrabaques da alma. E constantemente esse pulso se tornava casco.

E logo em seguida o garanhão se sentava calmamente na poltrona perto da mesa, aproximando-se ao mesmo tempo para com a mesa e remexendo folhas em cima do material cristalino. A unicórnio tentava ao máximo se afastar das pernas dele, mas aos poucos o assustador trote vinha para perto dela. Quando não mais conseguia se afastar, por causa que havia um obstáculo na mesa que impedia-se sair pelo outro lado, as pernas grandes acabaram se recostando no corpo da potra, deixando-a mais apreensiva e até desesperançada a respeito de conseguir ter um disfarce completo.

E com as pernas se remexendo pelo corpo introspectano, com direito a alguns chutes na barriga dela, o garanhão notara finalmente alguma coisa esquisita embaixo da mesa, depois de uma demora de dez segundos para descobrir o que havia ali.

-Humm... Vadia já trabalhando rapidin, né safarda? Agora cumece a fazer u... Espera... Eu num chamei Servinte alguma... – Estranhou pra si mesmo.

O garanhão olhou para as pernas e viu a unicórnio branca. Surpreendentemente, ele não estranhou e até parecia já ter se acostumado com coisas do gênero.

-Hoje em dia essas vadias estão atendendo té em domicílio, viu? Levanta aí, vagaba! -.

-Tá bem, tá bem... Tudo beleza, tô saindo, tava ‘penas tentando ganhar uns trocados a mais, pois... Cê sabe... – Levantava a unicórnio, esboçando em todas as suas feições o fingimento do serviço.

-Num me interessa essas coisas. Vai cainu fora, vadia. Num pedi serviço hoje... Ou pelo menos acho que não... – Coçava o seu queixo com os cascos.

-É que... – Pensava Intro, numa possibilidade de distorção de desculpas – Tu tava meio... Cê sabe... As cidra vêm e desce pro bojão pra lelê ferrar no saco a morgada despercebida... -.

-É... Talvez... Mas vai inu agora antes que eu te foda aqui mesmo, puta! – Dizia, bem bravo, dando um tapa com um dos cascos no flanco introspectano.

-Ui! Agressivo... – Respondeu, logo em seguida trotando para a porta — Questiono se num veio de sarapantas da meninice ou coisas de pai, se é que me entende... – Sorria maliciosamente, olhando para trás.

-Tá, tá... Me deixa sozinho... – Terminou, remexendo os cascos entre folhas em cima da mesa.

E quando estava prestes a sair, uma tocada avermelhada no sangue do garanhão de terno: Na tocada no borrão Introspectano, algo vinha a se repentinamente surgir, em sua cabeça estarrecida, as imagens de vazão e hereditariedade do próprio entendimento. E continuava a aparecer várias batidas, com vários borrões fazendo-o repensar novamente o que era aquele flanco.

E quando finalmente o flanco bateu em si de volta, o casco chicoteado e, finalmente, memorizado:

-É você! Você quem matou o Flume, meu grande amigo! – Levantou-se, dando e cascos com a mesa e fúria de boi – Tu tá ferrada, vadia! GUARDAS! – Gritava.

-PUTA QUE PARIU MERDA FODA FUDEU! – Gritou a Intro.

E no mesmo instante de sua morte, a unicórnio trotou e coiceou o guarda-volumes ao lado da porta, imediatamente fazendo o pegasus contido ali dentro a sair junto para ela, esbarrando levemente e os dois de frente ao potro vermelho que gritava continuamente, com veias de derrame em ativada dispersão pro meio de seu corpo a esbarrar pra dentro do cristal, tamanha fúria se continuava. E com muitas das dispersões se alastrando nos confins do álcool da própria cidra inventada, da arma de cascavéis, maçãs podres, arquitetura destruída, da vida de pontos importantes e importados a si. Pontos de lembrança.

-Agora ferrou, Intro! O que vamos fazer, senhora? – Perguntou, nervoso.

-Vem comigo! – Gritou.

-Ah! Vocês não vão, vagabundos! – Gritou o garanhão vermelho – Venham AQUI! -.

Em sua pisadela cascada sobre a mesa, Cocogain estremecera o chão e as paredes, até mesmo tremendo os dois pôneis em sua frente a se desiquilibrarem. Porém, a tampa que estava em cima da tubulação de ar caiu e bateu na cabeça do corcel sobre a mesa, deixando-o inconsciente na mesma hora.

-Vamos! Agora é hora! – Gritou a unicórnio.

-Sim! -.

E ambos saíram da sala, ficando de frente a um corredor gigante e uma janela ao lado. Viram ao fundo surgir dois garanhões terrestres de terno, a tentarem pegarem-nos. Intro, em frente ao pegasus, tratou de se afastar para trás dele.

-Bata as suas asas, Plume... -.

-Mas para que... -.

-BATA, PORRA! – Gritou.

Imediatamente – E um pouco assustado – O potro azul tratou de levantar as suas asas e ventilar uma massa de ar em direção aos guardas, tendo efeito algum. Nesse instante, a unicórnio branca conjurou um feixe de luz que posteriormente, numa dificuldade descontrolada, esforçadamente o direcionou ao vento das asas. Num estalar de faíscas, relâmpagos se sobrepuseram por todos os lados e o feixe se amplificou num tornado elétrico e branco. Em velocidade como a velocidade da morte de uma bala, o feixe atingiu certeiramente os dois potros, deixando-os inconscientes no chão.

Plume ficara chocado ao ver a brutal energia dispersada por todo canto, com um cheiro de cinzas e borracha queimada pairando pelos cantos refrescados.

-Nossa... Que foi isso?! – Perguntou o potro.

-Sem tempo pra explicações! Já entendeu o esquema. Vambora! –.

Ambos correram e atravessaram os dois potros largados ao chão. Viraram à direita e desceram alguns degraus até se depararem com mais três garanhões de terno. Mais uma vez, o presidente bateu as suas asas e Intro conjurou a sua magia, novamente a derrubar os potros à frente. E desceram o resto das escadas, virando à esquerda e dando de cara com o portão principal da entrada da mansão, feita de cristal.

-Espere, meu pupilo... -.

-O que foi, Intro? -. Disse, olhando pra trás e parando de correr.

-Aquela porta não é normal... -.

Calmamente, a unicórnio andou devagar até o cristalino portão. Estando a alguns metros, ela acionou mais uma vez o seu chifre, só que desta vez reluzindo uma aura negra e seus olhos um espectro esverdeado. Com muito pouco esforço, ela jogou essa magia até o símbolo acima da porta, com a imediata reação de abertura automática. Na porta aberta, um clarão enigma.

-Ótimo, Intro! Agora vamos! – Cavalgou.

-Não! Espere, meu pupilo! Eu ainda não terminei e... -.

Quando ela falou a ultima frase, tarde demais: Plume começou a olhar vagamente a porta, estando fixado o seu olhar na parede sem saída. Seus olhos esverdeados – E sua boca desmedida – Começaram a refletir os interiores da vigência de sua realização irrealizada, e o medo se pairou a começar por diversos feixes de desentendimentos.

-Não... NÃO! O que está acontecendo?! Não... NÃO FAÇA ISSO COM ELA! Que... EU?! NÃO... Por favor... Isso de novo não! ... NÃO! NÃO A TOUCH! NÃO ELA! PARA COM ISSO! ...- Desesperava-se, derramando algumas lágrimas pelo chão.

No mesmo instante, Intro conjurou mais um feixe de luz branca, desta vez iluminando todo contorno da entrada e, finalmente, liberando a saída verdadeira, com o consequente retorno do pegasus à visão da irrealização realizada.

-Vamos, Plume! Temo que correr! -.

-O que... – Respondeu, meio distraído — ...Ah! Me espera, Intro! -.

E então os dois saíram e deram de focinho com mais dois potros. Novamente o bate asas e o feixe de magia. Nisso, o pegasus pegou a unicórnio pelo colo e começou a voar, fugindo para bem longe dali, enquanto os potros terrestres de terno e guardas olhavam estarrecidos e nervosos os dois.

-Humm... Que garanhão forte é esse, hein? Não me lembro de alguma época em que você me levou assim, meu pupilo... – Olhava maliciosamente, coçando um dos cascos sobre o peito do potro azul.

-Ah! Assim você me deixa com vergonha, mestre... – Falou, deixando cair acidentalmente a unicórnio.

-Opa! – Rapidamente conjurou uma magia de flutuação, retornando até o pegasus -.

-Err... Desculpa, senhora... – Se desculpou, muito arrependido.

-Tudo bem, meu pupilo – Disse, acariciando um dos cascos sobre o rosto do garanhão – Pelo menos você ainda é gentil como sempre... E um pouco besta também... -.

-Pelo menos não sou eu que tenho um chifre do capeta... -.

-Como é que é? – Perguntou, estranhando e brava.

-Ah... Heheh... Nada não... Deixa pra lá, senhora... Vamos indo... -.

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Tarde do anoitecer, numa das esquinas perto do clube de moto dos Crusaders M.C. Intro e Plume andavam lado a lado, rindo do que enfrentaram e do ocorrido. Plume, em algumas vazadas olhadas, se ignorava a si mesmo do riso e partia para um bom lembrar.

Intro não era uma de suas amantes ou coisa do gênero. Não era uma amosidade de jovens. Não lhe cabia, em momento algum, ver a unicórnio branca como uma potra como outras potras. Nem mesmo como a Touch.

Ele cercava-se de si mesmo com uma vertigem da braba vez de se manifestar. Num tom de jocosidade, surpreendia-se com a melancólica diversidade de reações, mas automaticamente a jocosidade jogando sobre a música calma e de viola americana.

A lua espelhando para os amantes e para os amados. Mas também, para a incondicionalidade dos seres da noite, dos que viviam pela noite e para a noite.

Intro se jogava numa ponta de esquecimentos, mas ao mesmo tempo regurgitava palavras naturais. Inocentemente, a malícia saía de seu ser e entrava por si, sem inocências intrometidas, a simplesmente e puramente ser por ter sido sendo.

Plume, a essa altura duma idílica sortida de visões sem pretensões, abraçou um momento e jogou o tempo ao céus. E o momento se transformou na unicórnio branca. E o abraço tornava-se tenro e sincero.

-Obrigado, Intro... – Sorria, tornando simples.

-Pelo que, meu pupilo? – Respondia, assim como o sorriso também se espelhando nela.

-Você me fez feliz hoje. Eu sou muito grato só por você estar aqui, comigo... -.

-Aww... Eu também gosto de você, meu Pupilo... – Abraçava, bem forte — ...Especialmente desse seu flanco inocente e macio... -.

-Eita! – Se afastou do abraço, envergonhado.

-Calma, meu pupilo... – Abraça-o de novo – Eu não tenho más intenções por agora. Costume de moleca, sabe? Heheh... -.

-Você e suas zuadas... – Sorria, novamente.

E por um momento continuaram abraçados. Alguns minutos. Nesse momento, com o abraço contínuo...

-Mas... Plume... -.

-Que foi, Intro? – Perguntou, estranhando.

-Por que... Você... Cê sabe... Aquele portão... Magia negra do medo... -.

-Eu... Eu realmente gostaria de dizer o que é, minha Intro. Mas... É complicado... Muito complicado... -.

-Você tem certeza que não deseja falar sobre os seus medos para mim? Você sabe que eu sou especialista em magia negra... Eu posso te ajudar a entender o seu interior e suas dores de alma e espírito... – Retornava, com um olhar sério e preocupada.

-Eu... Posso lidar com isso sozinho... Só que... -.

-O que foi, meu pupilo? – Abraçava mais forte.

-Eu... Eu queria saber se... Você ainda pode fazer... Bem... – Envergonhava-se.

-Você quer fazer? -.

-Quero... Com você, eu quero... Faz muito tempo que estou precisando e não faço com mais nenhuma outra potra... E só com você eu tenho coragem sem que aconteça... Bem... Você entendeu...-.

-Então vamos, meu pupilo. Vamos... – Respondeu, dando um beijo na testa dele.

E os dois trotaram calmamente até o clube. Com o fechar das portas de aço e metal retorcido do símbolo da busca pela marca, um momento da introspecção realizar um pouso sobre a pluma da gentileza e delicadeza.

As introspecções se surpreendiam na matéria e no espírito.

Agora a análise se tornava seca e suada. O suor se empreguiçou.

A jornada pela relação inocente.

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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.