Introspectana
9 Saga 1 Capítulo 7 - Amor assim... Delicado.
Introspectana
Capítulo 7: Amor assim... Delicado...
By Bolchen
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Um quarto grande e vazio, o quarto de um motel. Lá estava Introspectana sentada a uma cadeira, perto da cama. Da cama, podia-se ver o Toque de Luz que ainda piscava e faiscava, repentinamente. Mais do que choros, a unicórnio soltava gritos, batidas e até mesmo paradas ofegantes, todas num introspectivo de sua alma. E por fora, as suas lágrimas sinceras não só batiam sobre a coberta vermelha (De sangue), como também a clareava e tornava a coberta um aspecto rosa. Talvez uma forma de manter a luz clareando as suas esperanças.
Deitada sobre o corpo machucado de sua amiga, Intro tocava os quadris e a cintura com os cascos, abraçando e acariciando o corpo reluzente com a sua cabeça. Do chifre, notava-se um pequeno brilho branco, estando ativado constantemente e justamente em direção ao coração gentil da pônei terrestre.
Os seus cascos se moviam por todo o corpo macio e delineado, em algumas vezes ela pousava a sua face sobre o peito, talvez para adentrar ainda mais aquele brilho. Uma tentativa de jogar fogo sobre uma vela que estava para se apagar. E a vela se jogava sobre a água, uma água maligna de forças descomunais. A tristeza em forma de vida.
-Touch... Minha amiga... Sempre preocupada com os outros... -.
Introspectana calmamente levava o seu rosto de encontro com a face da professora, conseguindo olhar diretamente para um rosto desmaiado, neutro e frágil ao mesmo tempo. Olhando mais, começava a ter visões diferentes a respeito do mundo, memórias roubadas de um banco em assalto...
“Já disse que ele já se machucou o suficiente! Por favor, Intro... Para...”.
“Se não pode por ele... Faça por mim, Intro... Por mim...”.
A potra branca deu um grande e respirado suspiro, se acalmando no mesmo instante, embora as lágrimas não se acalmassem em momento algum. Voltando a ver o rosto reluzente, ela calmamente aproximava o seu focinho com a da Touch, tocando os seus narizes e, posteriormente, o seu chifre com a testa dela.
-Ahn, Touch... Por que eu fui fazer isso com você? Destino... Meu controle é tão vago sobre mim mesma... -.
Ditas as palavras sussurradas, Intro teimava para si mesma em continuar na posição, ao mesmo tempo em que o seu introspecto chamava-a para continuar naquela posição. As bocas das duas estavam muito próximas, com a boca da unicórnio a estar aberta contra a boca fechada e calma. Os seus lábios tremiam em desejo e pulsão por experimentar, nem que fosse por uma vez, aquela boca ainda se recuperando dos seus machucados nas laterais.
Os seus olhos lentamente se fechavam, cada vez mais perdendo o horizonte da luz que ela tanto estava tentando manter. Substituía-se tudo isso por um horizonte preto, escuro e inatingível, de infinitos estranhos e surpreendentes. Surpreendentemente...
“NÃO! Para, Intro!”.
Abruptamente levantou a sua cabeça, distanciando-se completamente da face de sua amiga. Estava lembrando-se de quando fora impedida de continuar a tentar conseguir informações do potro convertido. Agora a sua cara se encontrava com os cascos, acenando com a cabeça uma negação e mais perdições em lágrimas corroendo os seus olhos.
-Minha Celestia... Como posso estar sendo tão egoísta e podre?! Estava quase a abusar de novo da Touch! – Chorava, batendo com os cascos em seu rosto – Destino... Perdoe-me por tamanha ousadia... -.
Intro prontamente se levantou da cadeira e deu um panorama sobre o que via na Touch: Via que nada mudava em seu aspecto, mas dormia profundamente dentro de uma tempestade de águas e lágrimas, da tempestade das duas. Agora a unicórnio tentava cessar, ainda que inutilmente, o seu lamento. Mas percebia que, continuar naquele estado, não melhoraria o que ela já fez.
-Agora é hora de você descansar, Touch... Por favor... Melhore... -.
Intro saiu pela porta, deixando a sua amiga descansar.
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“Mas às vezes precisamos encontrar a nossa própria luz...”.
“Eu sei... Depender da luz dos outros é o que faz de nós sermos seres que magoamos fácil. E é por isso que é tão difícil esquecer os meus antigos e adoráveis pequenos pontos de luz...”.
-Nunca pensei que entenderia isso da pior maneira possível... -.
Intro havia caminhado por um longo tempo depois que deixou a sua amiga descansando. Agora, ela estava sentada sobre um banco duma praça gigante, um parque com algumas áreas verdes e outros arbustos. Mas parecia que tanto verde se misturava com o cinza da cidade, mantendo tudo sempre nos tons menos saturados que se podia ver da vida. Aquela mesma saturação baixa que se vê em filmes de gangues e polícia, o clima “dark” e noir das almas dos pôneis a resplandecer uma floresta e um parque.
Ela continuava sentada, em posição normal de assento pônei (E não humano). Olhava o céu e só enxergava esse noir de cada instante, o “foi” sendo agora mais do que tomates. Agora, eram é o que foram outrora, sendo.
O semblante melancólico e pensativo dela se contrastava com as suas lembranças, os seus momentos de roubos de mais dinheiro do Banco de Memórias.
“Assim como você nunca me contou a respeito de como consegue sugar a maldade dos outros? Questiono é se você não é uma vampira pônei...”.
“Ah sim... Eu sou uma vampira e quero MUITO sugar algo de você e não é sangue, se é que me entende...”.
-É... Parece que sou mesmo uma vampira: Uma morta que se mata e consome. Sugo dos pôneis tudo que eu já sugo do sangue... – Suspirou — É... Eu realmente mato corações... -.
Enquanto olhava aos céus, um pônei vinha por trás do banco onde ela se sentava. A sua sombra se refletia por vários lados e, em passos lentos, chegava até a Intro. Ela não percebia nada, a não ser continuar a pensar e soltar lágrimas pequenas e melancólicas.
A sombra se aproximou lentamente, até se somar com a sombra da Introspectana, que se direcionava justamente para trás, impossibilitando dela ver que um pônei se aproximava.
Até que...
-Senhorita Introspectana? -.
Ela se virou para ver quem era. Quando viu, ficara surpresa e, ao mesmo tempo, apreensiva. Sabia que algo poderia dar errado naquele momento, dado do fato de que era a égua labareda quem estava a clama-la. Blitzfire se mostrava bem neutra, mas ao mesmo tempo não podia parar de notar a tristeza e frieza da unicórnio.
Mudara, então, o seu tom neutro para se compatibilizar com aquela tristeza que se difundia ambiente afora.
-Err... O que foi, Introspectana? Há algo de errado com você? –.
-Eu? – Notou as suas lágrimas, limpando-as – Ah! Nada não... Só uma lembrança vaga minha... -.
A pegaso tratou de logo se sentar ao lado daquela potra, ficando relativamente próxima da mesma.
-Olha... – Dizia a pegaso, olhando para baixo e um pouco triste – Eu sei que não sou a melhor pônei do mundo para ficar aqui ao seu lado, mas eu realmente não gosto de ver você triste. -.
-É que são... Coisas, sabe? Momentos que preciso refletir... -.
-É por causa daquela sua amiga? – Olhou para a Intro.
-Sim... -.
A unicórnio logo suspirou profundamente, retornando o seu olhar para os céus.
-Eu magoei a Touch e agora não sei o que devo fazer. Nunca pensei que ficaria tão triste por uma pônei... -.
-Hã? – Estranhou, agora mudando o seu tom para um mais indignado – Você fala de uma forma como se pôneis fossem tão descartáveis... Isso não me soou bem... -.
-Antigamente, para mim, deveria ser... Mas agora parece que mudei... -.
-Isso não se faz, Introspectana. Isso não se faz... -.
-Por que diz isso? -.
-Jamais devemos abandonar os nossos amigos, oras! – Falava, com voz forte e tom sério – São eles quem nos dão força e vitalidade para continuar! -.
-Você parece falar de uma forma como se também eu não fosse a única a estar triste por causa de algum amigo... -.
A pegaso logo mudara de novo o seu tom, retornando para a tristeza compartilhada. Olhando para baixo, o seu distante olhar se mostrava sério e tremulante.
-É que... – Hesitava, nervosa – ... É que perdi um amigo e não sei onde ele foi parar agora. Ele significava muito para mim, sabe? Mas acho que o magoei muito em recusar namoro e agora parece que ele sumiu... -.
-E quem seria ele? -.
-Um colega de trabalho. Ele se chama Lawyerious... -.
A unicórnio não se surpreendia com o nome falado, recognizando de quem ela estava falando. Lembrara, também, da mudança de identidade proposta pelo Destino. Temendo alguma coisa jogada para fora pelas bocas do potro “apotrada”, tremendo um pouco e ao mesmo tempo ficando mais séria do que triste, resolveu perguntar:
-Mas... Você não tem uma pista que saiba aonde é que ele foi? –.
-A única pista que consegui, mas ignorei de forma muito burra é que uma pônei louca azul chegou à delegacia afirmando SER o Lawyerious. Nós obviamente não acreditamos e a expulsamos sem prestar queixar. Pobre coitada... Parecia perdida... E agora preciso procura-la de novo para saber, ao menos, onde que o Lawyerious está ou se ela fez alguma coisa com ele... -.
-Não creio que ela tenha feito algo com ele... -.
-Como disse? – Estranhou por um momento.
-Ah! Nada não... Heheh... É só um palpite, sabe? — Se corrigiu rapidamente, ficando um pouco nervosa de repente.
Introspectana percebeu que agora estava num momento ainda mais delicado do que antes. Agora ela tinha de lidar com o fato de que a pegaso estava à procura de um grande amigo, o mesmo que ela torturou, bateu e fez vomitar. Em um momento, pensou em mudar o assunto, mas a pegaso fez isso primeiro.
-Então, Introspectana... O que aconteceu entre você e sua amiga? -.
-Bem... Eu meio que a machuquei, sabe? E agora não sei se ela irá se recuperar... -.
-Não se preocupe em ter a machucado. Com o tempo as mágoas passam! – Dizia, otimista.
“Quem dera se eu tivesse apenas machucado por fora ou por dentro... “.
-Agora eu apenas espero pelo dia em que ela me perdoar... -.
-Vocês são bem próximas, hein? Aposto que gosta muito dela... -.
-Sim... Gosto muito... Muito mesmo... -.
-Mas é tipo gostar... Do corpo? Afinal, ela é uma servinte, não? -.
-O que?! Ei! Ela é minha AMIGA e não amante! – Exclamou, olhando séria e brava para a pegaso.
-Heheh... Desculpa! É que ninguém consegue resistir ao fato dela se parecer com uma servinte e... Sério! Tem certeza que ela não é uma Servinte? -.
-Tenho certeza de que ela não é, pois ela é uma professora que ama os seus alunos e adora lecionar! -.
-Eu me pergunto se esse amor por alunos não vai além... -.
Nesse momento Introspectana mudara completamente o seu tom, agora com os cascos se enfurecendo e ficando novamente estressada. Levantou-se, ficando em postura de ataque em cima do banco.
-VOCÊ RESPEITA A MINHA AMIGA, TÁ?! ELA NÃO MERECE SER TRATADA DESSA FORMA! -.
Touch se enfurecia diante de tal comparação: Não apenas a pônei amarela comparava a Touch como servinte, como falava que a Touch se aproveitava de seus alunos. Nunca ficou tão furiosa como antes.
-Calma, calma... É brincadeira, tá?! – Se assustara, em posição de defesa e ainda sentada.
-Hunf! – Se sentara novamente, evitando olhar a pônei labareda – Pelo menos eu não sou uma policial frustrada que acha que é independente, mas no fundo depende de um macho para andar! -.
-OLHA QUE EU OUVI ISSO! -.
-Que foi? Está assim só porque eu disse a verdade? Se você realmente não dependesse de um macho, não estaria à procura de um... -.
A Pegaso se acalmou no mesmo instante, sentando-se à cadeira e dando uma respirada profunda. Depois dessa, voltou o seu olhar para a Intro, que não a olhava, e pronunciou:
-Se... Você então acha mesmo que dependo de um macho, então te mostrarei que NÃO DEPENDO DE NINGUÉM! – Gritou, jogando-se por cima da Introspectana, começando a soca-la – NEM QUE SEJA BATENDO EM VOCÊ PRA MOSTRAR QUE NÃO PRECISO DE MACHO ME DEFENDENDO! -.
-Olha sua... -.
A Pegaso começou a dar cascadas na Intro, que tentava se defender de cada uma. Umas batiam certeiramente, outras eram esquivadas ou impedidas por ela, que não fazia questão de bater. Deu um soco, uma esquiva. Outro soco, certeiro no rosto.
-Ah! PRECISA MESMA APELAR PRA BANALIDADE, MEU?! -.
-SE É PRA VOCÊ APRENDER A ME RESPEITAR, AINDA MAIS QUE SOU UMA POLICIAL, ÓBVIO QUE SIM! -.
Nesse momento, um jovem poldro percebeu a briga e se aproximou.
-Ei... Vocês estão brigando? -.
-SIM! – Responderam as duas.
Uma pausa depois...
-EI, GALERA! BRIGA DE RUA AQUI! -.
E no mesmo instante diversos potros e potras apareceram, formando uma roda circular sobre as duas. Além da pegaso continuar a dar coices e cascadas, Intro tentava, ainda que inutilmente, dar alguns socos, mas sem o seu Anel pareciam impossível um deles afetar a policial que, pela sua profissão, era mais que necessário que estivesse em forma física para os seus casos.
-BRIGA! BRIGA! BRIGA! BRIGA! BRIGA! – Gritava a ponyada.
-Ei! De onde apareceu todos esses pôneis?! – Perguntou a potra introspectiva.
-Não interessa! Agora que você está perdendo, agora é hora de eu te dar uma lição, vadia! -.
Com a pegaso por cima e a Intro encurralada no chão, a labareda preparava um grande e épico coice até que, ao jogar os seus cascos, a pônei branca se desviou, rolando para o lado e derrubando a potra amarela no chão. Enfurecida pela manobra, esta se levantou e correu em direção à Introspectana, preparando um coice maior ainda.
-AGORA VOCÊ VAI VER, VADIA! TOMAAAAAAA! -.
No instante em que o coice atingia a Intro, esta se jogou para o lado e, com as pernas, tropeçou a pegaso, que caía na terra. Em vez de mais uma cascada, Intro levou os seus cascos até a cabeça da pegaso e forçou contra a grama, derrotando-a definitivamente. Com a Blitz deitada de face ao chão, vendo se espalhar pela grama um pouco de sangue, Intro retornava o seu semblante para a tristeza anterior.
-Chega de violência... Já tive o bastante por essa semana... -.
...
...
“ARF! AAH! PARA, INTRO! ESTÁ DOENDO! MINHA CRINA!”.
...
-É... Essa é talvez a ironia das relações dos pôneis. Não existe guerra de verdade: Apenas chiliques que nos levam a violência... – Falou, em voz baixa.
Com os pôneis já a caírem fora, o céu começava a formar densas camadas de nuvens que escureciam os redores. Intro então levantou a pegaso ferida e a levou até o banco de novo. Percebeu que, embora com a face suja e o sangue escorrendo do nariz, ela estava plenamente consciente, sorrindo.
-Heheh! Você realmente me pegou de jeito. Parece que perdi... Urgh! Isso dói... – Falou, relativamente feliz.
A unicórnio não parava de estranhar aquela pônei sorrindo e rindo repentinamente, olhando somente para frente enquanto a Intro fitava o seu olhar de perplexidade.
Não conseguia, por mais que tentasse, acreditar que aquela pônei estivesse sorrindo constantemente, ainda que com algumas lágrimas saindo dos olhos, fruto da violência da batida à terra, provavelmente. O seu rosto amarelo e sujo de terra mostrava uma ignorância completa com a realidade, ignorando que estava em posição menor ou maior. Talvez nem mais se importasse que estivesse daquele jeito, somente rindo pelo rir.
-Estranho... -.
-O que é estranho? – Respondeu a Blitzfire, tornando o seu olhar para a unicórnio, continuando a sorrir.
-Por que você está... Rindo? -.
-E por que eu não deveria? -.
-Eu te humilhei na frente de todos os pôneis. Eu te joguei no chão e bati com uma violência descomunal. E mesmo assim, você... Está rindo... – Olhava perplexa para o chão, em posição de duvida.
Blitz se posicionara diferente naquele momento, deslocando os seus cascos sujos de terra até o rosto introspectivo para as duas olharem diretamente uma com a outra. Intro prestava bastante atenção nisso e tudo.
-Às vezes, minha querida potra... – Falou, rindo – Nós temos de esquecer que existimos, esquecer o nosso próprio ego. É assim que conseguimos ir para frente e esquecer os lamentos e o sofrimento. É o único jeito de não ficarmos estagnado no mesmo lugar... -.
-Mas... Eu te bati! Preciso cuidar dos seus ferimentos! -.
-Relaxa... Eu mesmo me cuido depois... Nossa! Finalmente em tanto tempo conheço alguém que não me trate como inatingível... -.
-Como assim? – Perguntou, estranhando.
A pegaso se colocara novamente em posição sentada no banco, olhando para frente e sempre, sempre a sorrir. Intro, enquanto isso, limpava o rosto dela.
-Desde que eu era pequena, todo mundo me via como alguém delicada, frágil. Todo mundo tinha medo de encostar-se a mim como quem tem medo de quebrar um vaso de 10.000.000 de bits. Não gostava de como me colocavam como se eu não pudesse estar ao mesmo nível dos outros, independente de estar abaixo ou acima... -.
-Você apenas queria estar de igual para igual com todos... -.
-SIM! Exato! Eu sempre odiarei essa forma dos pôneis em estarem submissos ou superiores aos outros... – Suspirou — ...Sempre... -.
-Mas... E por que você então entrou na associação? Por que virou chefe de departamento lá? -.
-Talvez porque eu achasse que só mudando as coisas dentro da política é que eu conseguiria fazer com que os pôneis parassem de se tornarem tão submissos ou superiores. Mas no fim... Eu acabei me incluindo nessa política e contribuindo com ela... -.
Naqueles tempos, quem realmente controlava o governo não eram os representantes eleitos, mas as instituições, as mágias e os empresários. A Associação de Controle de Magia era o mais significativo representante das Instituições, sempre sendo considerada inalcançável pelo seu desenvolvimento avançado em magia e tecnologia mágica. Essa associação se deu como uma evolução natural do Instituto Celéstia para Unicórnios Superdotados, quando começou a aceitar Pegasos e pôneis terrestres para pesquisas sobre magia e tecnologia mágica. Essa união foi proposta por Twilight Sparkle, que transformou então o Instituto em Associação de Pesquisa de Magia, ou APM.
Dessa união das três raças desenvolveram-se os maiores artefatos mágicos daqueles tempos: Pesquisadores das três raças conseguiram desenvolver e manipular a magia de dentro dos pôneis de forma exata e sem descontroles, podendo controla-la ou mesmo amplificar as suas propriedades. Esse projeto resultou nos Aneis Mágicos, utilizados pelos pôneis como forma de amplificar o seu poder mágico, independente da raça. Disso, o desenvolvimento econômico e industrial de Equestria avançou em uma velocidade indescritível.
Mais do que um anel para unicórnios, foi também um anel que permitiu os pôneis terrestres amplificarem o seu poder natural de plantio e contato com os animais, não só tendo aumentado a diplomacia e o contato com os mesmos como também amplificou o poder de produção e maquinário, tendo permitido que uma plantação inteira de maçãs pudesse ter o seu ciclo completo em apenas dois dias.
Aos pegasos, esse benefício tornou possível a criação de asas com poder amplificado, capaz delas não só fazerem um Sonic Rainboom como também controle da refração da luz, tamanha velocidade que podiam alcançar. Isso contribuiu para um melhoramento significativo na logística dos pegasos, na área militar e nos transportes, assim como no patrulhamento praticamente perfeito do Tempo meteorológico.
Aos unicórnios, os anéis levaram à criação dos maiores guerreiros em batalha. Se antes os pegasos tomavam conta da infantaria, agora os unicórnios, com poder suficientemente amplificado, podiam superar níveis extraordinários de magia e batalha, tendo levado Equestria a diversas conquistas territoriais após a queda da Princesa Celestia e da Princesa Luna. Dentre as quais, foi possível a extinção completa dos dragões e a posse total de suas riquezas pelas mãos da Associação, que até hoje as mantem em um local secreto.
Entretanto, os anéis geraram consequências desastrosas e impactos relevantes para essa Equestria 100 anos após a queda das princesas: Surgiu um mercado clandestino de anéis e drogas, frutos desse desenvolvimento tecnológico feito pela Associação, bem como, pelo contato maior dos pôneis terrestres com os animais, tendo gerado movimentos sociais de proporções nacionais, onde mulas e burras se uniam contra a maioria pônei. Diante de toda essa nova realidade, a Associação se transformara numa polícia especial, que controla o alastramento de magia ilegal e drogas ilícitas, embora já tenha sido acusada de racismo em apoio aos movimentos contrários às das Mulas e das Burras.
-Hum... E você gosta muito do Lawyerious? -.
-Se eu gosto? Eu simplesmente não consigo mais viver sem ele. Agora que ele sumiu... – Suspirou – Agora só me resta a procura-lo... -.
Introspectana parou nesse instante para olhar mais sério ao chão, pensando novamente em algo que retornava para a sua cabeça...
-E bem... Quanto ao Flute D’ Charm... -.
A pegaso no momento esbugalhou os seus olhos lembrando-se de como foi o interrogatório entre as duas, colocando um de seus cascos em seu rosto.
-Urgh! Por favor me diga que você não matou o Flute D’Charm... -.
-Não matei... -.
Blitz se surpreendeu, ficando instantaneamente alegre e aliviada.
-Serião mesmo?! GRAÇAS À CELESTIA! -.
-Que foi? Por que você de repente parecia que queria que eu tivesse matado e, na verdade, não queria? -.
-VOCÊ REALMENTE NÃO SABE O QUÃO ESTOU ALIVIADA! -.
A pegaso ficava alegre, abraçando e até mesmo pulando na unicórnio, que apenas e simplesmente ficava com a cara de “não entendi” diante daquela situação.
-BORA PRA CASA! – Ficou de pé no banco, em posição de berro — MÃE, PREPARA O CHURRASCO QUE HOJE TEM FESTA! -.
-É sério! O que aconteceu? -.
A felicidade da amarelinha era tanta que até saía gotas de águas de seu globo ocular, passando os cascos no mesmo instante em que saíam. Já acalmada, conseguia finalmente dizer, ainda que respiradamente, as palavras necessárias.
-É... Arf! Que eu... Arf! Dei Informação... Arf... Errada pra você e... Arf... AAAAAAAAAARF! – Respirou profundamente, finalmente se normalizando – Meu supervisor quase me matou por isso. Ele disse que precisamos prender ele para obter mais informações a respeito de outras Mágias... -.
-Entendo... – Mudara o seu tom para um pensativo — E... Estava pensando... -.
-Hã? – Voltava a se sentar, tornando a olhar Intro – O que foi? -.
Intro então se posicionara diferente, colocando um de seus cascos sobre a perna da pegaso, olhando como raposa.
-Por que não vêm ao Motel comigo? Aí eu te apresento a verdadeira essência da minha amiga com você... -.
-Uh... Não estou gostando desse papo... Melhor deixar pra lá que... – Começou a se afastar a da Intro.
-Ué? Mas eu não disse nada de errado. Ou será que você esconde desejos profundos dentro do seu coraçãozinho de fogo? – Sorria como sempre.
-Eu?! Que nada! Você só pode estar brincando, né? – Avermelhava-se.
-Por que eu estaria brincando? Eu só quero te apresentar à forma como eu e minha amiga “passamos o tempo” – Aumentava o sorriso.
-Eu prefiro que vocês passem o tempo sozinhas. Eu tenho mais coisas para fazer e... -.
-Espera! – Puxou a pegaso de volta – Mas por que vai tão rápido? Ainda nem começamos a primeira parte de como é que inicio uma amizade! -.
-Como assim, “iniciar uma amizade”? -.
-Oras... -.
Intro começava a se aproximar e, utilizando a sua magia, paralisava Blitz na mesma posição, se aproximando perigosamente sobre ela. Primeiro encostou o seu casco na cintura dela e depois o outro no flanco.
-Primeiro eu coloco esse casco aqui e esse casco aqui. Depois aproximo a minha cabeça com a sua... – Aproximou a cabeça – Eu te abraço carinhosamente... -.
A pegaso começava a suar muito frio e o seu rosto já não se avermelhava, mas ficava já num tom infravermelho de tão intenso que estava. Sua respiração estava acelerada e começou a gritar repentinamente.
-NÃO! POR FAVOR! NÃO FAZ ISSO COMIGO! EU SOU VIRGEM! -.
E então...
-CÓCEGAS! -.
Intro começou a esfregar os cascos na pegaso, que das cosquinhas começava a rir freneticamente, chegando a sair lágrimas.
-UHAUHAUAHAUHSUSHUAHSUHAUS! POR FAVOR! ISSO FAZ CÓCEGAS! EU NÃO AGUENTO! AUSUAHSUHAUSHUAHSUHAUS! -.
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-AAAAAAAAARGH! MERDA! -.
-OPA! -.
Mais um telefone arremessado. Flute D’Charm estava de fato muito furioso. Dessa vez, apenas Introspectana estava na sala, conseguindo ao mesmo tempo desviar-se do telefone voador. Intro se assustara naquele instante, se recuperando rapidamente e se posicionando seriamente.
-Calma, Flute. Ultimamente anda furioso com a polícia, viu? -.
-Não... Eu estou furioso é COM VOCÊ! -.
Flute então pegou uma grande besta, se jogou por cima da mesa e ficou exatamente de frente para a unicórnio, apontando uma grande flecha pontuda na cabeça dela, exatamente no centro da testa, logo abaixo do chifre.
-Eu vi... EU VI VOCÊ COM AQUELA PUTA DA COMANDANTE BLITZFIRE! EU VI VOCÊS DUAS RINDO JUNTAS! -.
-Bem... É que eu estou tentando me aproximar dela para planejar um ataque e... -.
-É MENTIRA! EU SEI QUE VOCÊ NÃO ESTÁ TRAMANDO PORRA NENHUMA! – Interrompeu.
-Eu não tenho nada com ela! Ela apenas me pegou no parque de surpresa e conversamos tranquilamente! -.
-CONVERSANDO E RINDO! E RISADA NÃO ME SOA BEM! ME PARECE UM INSTRUMENTO DESAFINADO JOGANDO PRAGA NOS MEUS OUVIDOS! -.
Intro tornara os seus olhos para aquela besta em sua cabeça, com uma besta à sua frente, não sendo a arma a descrição citada. Olhando seriamente, percebia que Flute estava com a respiração desesperada e um tom cômico de balanço para lá e para cá, estando muito tonto diante de tudo aquilo. Intro não parava de rir para si mesma por dentro, embora por fora continuasse apenas a aparentemente estar irritada.
-Mas eu juro que não tenho nada com ela! Eu posso te provar! – Falou, brava.
-Ah é?! -.
Ele então retirara a sua arma da cabeça dela, retornando a se sentar na sua cadeira rotineira. Olhando bravo para a Intro, continuava a respirar repentinamente.
-Então... Se quiser me provar algo, terá de MATAR ELA, CORTAR A CABEÇA DELA E ME MOSTRAR EXATAMENTE EM CIMA DESSA MESA QUE ELA ESTÁ MORTA DEFINITIVAMENTE, ENTENDEU?! – Bateu com os cascos na madeira.
Introspectana hesitou por um momento para si mesma a respeito disso. Pensou a respeito de como ela tinha passado um bom tempo com a pegaso e, mais do que isso, tinha aprendido com ela. Agora os seus pensamentos se tornavam tempestades.
-Está bem... Eu farei... – Falou, bem baixo e desolhando.
Intro não apenas estava se tonteando, como já estava em mais uma nova dúvida para si mesma, não sabendo mais o que fazer para contornar aquela situação. Parecia-lhe que agora não podia fazer mais nada a não ser pensar mais ainda: Matar o Flute, mas destruir toda a carreira da Blitzfire e torna-la também uma marginal ou matar a Blitz, continuando a ganhar mais confiança de Flute em nome do seu plano obscuro para o mundo?
E mais do que dúvida, era uma escolha coletiva. Da escolha coletiva, só será entendida essa escolha mediante a algo... Uma votação pessoal, quem sabe... Um coletivo a decidir a respeito disso...
Quem matar? O coletivo escolherá...
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