Introspectana

8 Saga 1 Capítulo 6 - Droga de Amor


Introspectana

Capítulo 6 – Droga de Amor

By Bolchen

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Em direção ao Motel, Introspectana e Touch Light voltavam do interrogatório. Touch tentava entender o que se passava na mente da Introspectana, pois a mesma não disse uma única palavra desde que saiu da delegacia de polícia. Ela queria saber o que o interrogatório estava significando naquele momento e o que pudesse ter acontecido, mas para a professora restava apenas fragmentos de realidade.

Com a cara de preocupação e triste, a pônei cinza tentou conversar com a unicórnio, que apenas soava um rosto sério e focado:

-Vamos, Intro... O que aconteceu lá no interrogatório? Estou muito preocupada com você... -.

-Eu já disse que conto em outra hora. Agora estou num momento extremamente delicado e preciso pensar... –.

-Mas você está assim desde que saiu da Delegacia! Isso não é normal de você! Vamos... Se anima! -.

A professora começava a fazer gestos alegres. Tentou fazer caretas, bater com os seus cascos na cara ou fazer cócegas na potra branca, sem qualquer sucesso. Apenas via uma pônei, de fato, pensativa. Um olhar nem para cima e nem para baixo, mas para frente: Entre o céu e o inferno, entre a morte e a traição. A sua pensada vez estava se prolongando demais, por tanto tempo desgastando-se em murmúrios interiores para a mamãe introspectiva mandar naquela unicórnio branca.

Em um novo momento, a pônei terrestre novamente se postulava em tristeza, vendo que nada funcionava.

-Ahn... Vamos, Intro... Quero que se anime! -.

-Já disse que estou num momento muito sério para isso... –Falou, brava.

A professora estava ficando cada vez mais melancólica, até que percebeu que podia fazer uma outra coisa...

-Ei! Intro! – Chamou, ficando de frente à poldra dos olhos azuis – Que tal se a gente fosse ao cinema? Está passando um filme muito legal sobre Cupcakes! – Sorria bem aberto.

-Parece interessante, mas deixa para a próxima... – Respondeu, andando e deixando a pônei terrestre no vácuo, parada.

E ela, novamente, correu até a Intro e ficou de frente para ela.

-E se nós fossemos à loja de artefatos mágicos e testar alguns anéis? Tenho certeza que você adoraria dar uns murros naquela gentalha do hospital que tentou... Uh... Cê sabe... – Sorria de novo, em encenação de ataque.

-Bem que adoraria fazer isso, mas agora não... – Continuou andando, deixando de novo a crina ondulada no vácuo.

Suspirando, a pônei cinza começava a ficar um pouco brava, correndo novamente para ficar de frente à potra branca.

-E que tal se fossemos ao aeroporto e dar uma volta num avião? Eu piloto para você ver toda a cidade... Ou mesmo para você também dar uns murros no garanhão que tentou me dar umas cantadas... -.

Já não mais aguentando, a unicórnio parou os seus passos e levantou os seus cascos, colocando-os nos ombros da professora. Suspirando, olhou sério para a potra terrestre.

-Veja, Touch. Eu realmente adoraria fazer tudo isso e realmente gostaria muito mesmo de dar uns murros nesses sabichões, mas eu realmente não posso fazer nada agora e, por enquanto... Apenas me deixe sozinha... Vá brincar com algum poldro por aí ou então banca uma de babá para arranjar mais grana... -.

Introspectana recolocara os seus cascos ao chão e continuara os seus passos, deixando a professora num aspecto bravo de inconformismo. Ela começava a bater os cascos no chão, nervosa do fato de que a sua amiga não queria nada, simplesmente ignorando os seus pedidos ou as suas sugestões. Mas, nesse momento, tentava bolar uma outra estratégia, pensando em algum ponto que poderia ser conveniente à situação, nem que fosse apelação. Apelação...

Por claridade evidente, finalmente se alegrava de sua nova ideia, partindo rapidamente para de frente da unicórnio, sorrindo alegremente.

-Bem... Que tal fazer piada de mim? Que tal falar sobre o quão eu sou gostosa? O quão eu pareço ser “amiga” de todo mundo? Ou mesmo o quão servinte eu sou e já profissional eu estou? -.

-Não... Já cansei dessa piada... Deixa ela pra lá... – Continuou andando.

Não desistindo, correu de novo para frente da unicórnio, que não mais aguentava toda andada e interrupção consecutiva causada pela sua amiga.

-Eu já disse que... -.

-ESPERA! – Colocou os cascos de frente para a unicórnio, como se quisesse se defender — ... Que tal eu realizar todos os seus desejos de amor e ternura? Uma noite juntinhas, a sós e na cama? Eu juro que serei uma ótima companhia para você... – Falava, sorrindo maliciosamente.

A pônei terrestre já se posicionava em servinte, rondando a potra branca e utilizando sua cauda para massagear o corpo da unicórnio, passando principalmente pelo pescoço. Séria, Intro não cedeu.

-QUER PARAR DE ENCHER O SACO, MERDA?! JÁ DISSE QUE NÃO QUERO NADA, NÃO QUERO SABER DE DROGA ALGUMA E SÓ QUERO QUE ME DEIXE PENSAR, TUDO BEM?! – Gritou, brava e encarando a sua amiga.

Rapidamente a pônei cinza recuou os seus passos, baixando a sua cabeça e tremulando a sua melancolia rotineira.

-...Tá bem... Se é assim... Eu vou deixar você... Sozinha... – Falou, indo na direção contrária em que iam, em passos lentos e pesados.

-Que assim seja! -.

Introspectana suspirava para si mesma, num grande alívio de pesos e incômodos. Já jogava para si mesma vários pensamentos de como estava tão aliviada de poder, finalmente, pensar em paz. Até um pouco de arrogância e finalmente ter convencido a sua amiga a parar. Até que...

-Espera... Você disse “realizar os meus desejos de amor e ternura”? – Falou, esbugalhando os olhos – ESPERA, TOUCH! ESTAVA APENAS BRINCANDO! VOLTA AQUIIIII! – Gritou, correndo e retornando o caminho, em busca da sua amiga.

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-ARRGH! QUE DROGA! -.

Um telefone voou, indo em direção à porta. Introspectana e Touch estavam para entrar na sala de Flute D’Charm, até que a unicórnio desviou do telefone e o mesmo atingiu a Touch, que murmurou de dor em seguida. A dor de cabeça vinha com direito a gritos e berros de todos os lados.

-AI! Isso doeu... – Disse a professora, chorando.

Enquanto reclamava de dor, Introspectana se aproximara de Flute, vendo-o sentado em sua mesa, em uma fúria espantosamente caótica, jogando larvas vulcânicas por todos os lados e uma ira maior que a de Zeus. Batia na mesa repentinamente, os cascos quase a racharem a madeira ressecada. Ele rapidamente se recompôs quando percebera a presença da pônei branca, se postulando em formalidade.

-Oh... Me desculpe pela minha reação... Não queria ferir a sua servinte... -.

-Tudo bem... Ela vai ficar bem... – Disse, bem séria.

-HEY! JÁ DISSE QUE NÃO SOU SERVINTE! – Gritou a professora, muito brava e em prantos.

Já calmo, o unicórnio azul calmamente se levantava de sua cadeira, andando de casco em casco e rodando a mesa. Estava muito sério e olhando para baixo, numa cara pensativa que só faltava o casco em queixo para ser escultura pensante.

-É o seguinte: Ontem eu estava relaxadamente assistindo ao concerto das peças Octavianas. Uma grande maravilha musical onde se percebe que tem muita cadência plagal e diversas modulações de tonalidade. Talvez um reflexo do eu agora -.

Então, parou e olhou diretamente nos olhos da unicórnio.

-Mas aí percebi algo muito importante: Percebi que estava sendo observado. Percebi que a Associação está me vigiando e, mais do que nunca, estou numa situação delicada para agir. Não te culpo por perder a minha carga de cachimbos. Até porque eu mesmo fiz a besteira de não ter deslocado a carga para um local mais seguro de ser retirado... -.

-Certo... E então? -.

-Então, minha pequena pônei... – Aproximou os seus olhos até a Intro – Agora é hora de tirarmos as pedras do nosso caminho -.

Revirou-se, jogando-se novamente para a mesa, sentando como um humano se senta, cruzando as pernas e apoiando os cascos à mesa. Para a Introspectana, restava a sua seriedade de sempre. A professora continuava a cochichar a sua dor para si mesma, caída no chão enquanto conversavam.

-Hoje nós teremos de arrancar informações de um certo garanhão associado à polícia. É ele quem andou me perseguindo nesses últimos dias e preciso muito saber o que é que há por trás de tudo isso -.

-E quem seria esse pônei, senhor? -.

Ele abre a gaveta de sua mesa e pega um envelope, continuando sentado do mesmo jeito.

-Aqui está a carta contendo informações... -.

-Certo... – Pegou a carta – E... Uh... -.

-Que foi, Introspectana? – Perguntara, olhando com dúvida para a unicórnio.

— ...Por que você está sentado desse jeito? Até parece que está com vontade de ir ao banheiro... – Disse, estranhando.

-Isso aqui? Meh... É apenas uma nova moda que anda pegando dentro das Mágias. Dizem que é um certo costume de algum povo distante e que já está extinto, embora admirável... -.

— Vocês e sua cultura estranha de Mágia. Questiono porque vocês seguem tanto os espíritos... -.

-Você nunca irá entender o que é servir a causas nobres... -.

As causas nobres rondavam a cabeça de Introspectana com mil aspas. Não acreditava nisso tampouco vindo das Mágias, conhecidas por seguirem um código de conduta próprio e servirem ou para si mesmas ou para os Espíritos. Geralmente fazem isso através de transação de drogas que estejam relacionados com as suas causas, ou mesmo imposição através do medo ou da violência.

A potra branca só ficava estranhando as atitudes de Flute, que a cada tempo ficavam mais estranhas. Não conseguia olhar para ele sem imaginar algo de errado ou equivocado. Mas ignorava, tentando se focar em outros assuntos, ainda que relacionados com o Flute D’ Charm.

Em seguida, se despediram do unicórnio, partindo novamente para a rua, finalmente para abrir a carta contendo as informações que precisavam.

-Bom... De acordo com essa carta, hoje teremos de sequestrar um potro preto de olhos verdes. Ele possui um pouco de maldade no coração, mas também muita paixão-.

-O que significa a paixão, Intro? – Perguntava a pônei terrestre, estranhando o conteúdo da carta.

-Bom... Paixão é algo complicado, sabe? É um conjunto de sentimentos entre os pôneis que são despertados por uma certa atração transcendental entre eles que... -.

-NÃO! – Interrompeu – Estou perguntando o motivo do maluco beleza ter citado a paixão... – Reclamou, estressada.

-Estranho... Ultimamente você anda mudando um pouco as suas atitudes, Touch. Você anda mais irônica e brava. Nem parece mais aquela professora gentil que tratava tão bem os pequenos potros... – Falou, estranhando.

-Eu... Estou? – Perguntou, ficando melancólica e olhando para baixo – Puxa... Desculpa se fui rude... Eu realmente não queria... -.

A pônei branca ficara embaraçada, tentando confortar a sua amiga. Queria corrigir alguma besteira cometida anteriormente, colocando um de seus cascos nas costas da pônei terrestre e olhando ao seu rosto de tristeza em reflexão.

-Mas pelo menos você ainda continua com bastante compaixão e carinho pelos pôneis! Deve ser só comigo mesmo. – Sorria.

-Tá... Sei... – Continuava com o rosto para baixo.

Introspectana deu de casco com o rosto, isso porque não deu um murro ou mesmo um coice em si mesma por arrependimento maligno diante de besteiras e gafes que comete constantemente.

“Puxa! Como pude falar uma coisa dessas? É como se eu tivesse falado que ela não serve de professora por falta de gentileza! Maldita boca minha: Mal posso ver os meus movimentos! – Pensou.

-Mas de qualquer forma... Por que ele citou a paixão na carta? – Perguntara, mantendo a sua tristeza.

-Bom... Basicamente, isso significa que deveremos utilizar um Veneno do Amor nele... -.

-Veneno do amor?! – Estranhou, direcionando o seu olhar para a Intro e esquecendo a melancolia — Mas ele não necessita de pelo menos dois pôneis que estejam tomando ao mesmo tempo a bebida? -.

-Na verdade, existe um segundo efeito caso a bebida seja consumida apenas por um pônei: Ele ficará louco de paixão e preocupação por quem ele realmente ama de verdade... -.

-E nós então vamos ter de usar isso em um potro? Não é perigoso que ocorra... Você sabe... -.

-É só em último caso, Touch -.

-Ahn... E... Por que teremos de sequestrar um pônei? Eu não quero que ocorra nada de mal com ele... – Olhava preocupada.

-Eu te prometo que nada de mal ocorrerá, Touch. Te prometo que vamos apenas retirar informações dele que o Flute deseja... -.

-Está bem... Se você diz... Eu acredito... – Sorria calmamente, olhando nos olhos da unicórnio – E... que informações ele deseja? -.

-Vejamos... – Olhava para a carta – Ele deseja saber: Quem mandou ele vigiar o senhor Flute e qual o motivo... -.

-Certo... E como vamos sequestrar o garanhão? E quem ele é, afinal? -.

-De acordo com a carta... – Lendo novamente – Ele se chama Lawyerius, um pegaso de pelos pretos, olhos verdes, crina azul com algumas mechas claras, espetado. A Cutie Mark dele é um estranho artefato de metal retorcido e usa um fardo policial da Associação de Controle de Magia... -.

-Então isso significa que vamos sequestrar um policial? Mas isso não é um tanto... Perigoso? E se... Tipo... Nós fomos presas depois? – Perguntou apreensiva.

-Te prometo que nada de mal ocorrerá e todo mundo sairá pelo menos inteiro dessa história, Touch. Eu prometo... – Falou a unicórnio, colocando um de seus cascos perto do rosto da professora.

-Tudo bem... Espero... -.

Touch continuava apreensiva diante da situação. Estava na mesma inquietude da dúvida anteriormente acontecida no caminhão de cachimbos. Estava se perguntando constantemente se realmente tudo iria ficar bem e sempre respondendo com ilusões e conformações, ainda que ela estivesse consciente de que são apenas meros conformismos. O conformismo que ela sempre alimentou tal como os pôneis daqueles tempos também.

Ela se conformou, então, em tentar confiar mais na sua amiga. Mas... Duvidava de suas palavras. Via uma potra obscura, absurda. Dessa potra, saía um ser que poderia muito mais do podido. E tal poder, mais do que política, seria uma forma de imposição, a retórica ditatorial. A professora tinha medo dessa política.

E dessa política, primeiramente partiram então para um lugar distante da cidade, um local tão cinza como os outros lugares, ainda que o céu estivesse cada vez mais azul naqueles dias. Introspectana parou a sua carroça perto de uma calçada e ao longe notou a presença do potro citado, que estava dentro de um apartamento e perto da janela. Em seguida, olhou para a sua amiga, com um sorriso malicioso.

-Uh... Por que está me olhando de novo assim... Intro? – Estranhava.

-Bem... – Aproximava-se da potra da crina ondulada – De acordo com a carta, esse garanhão possui um certo passatempo que... Você sabe... Todo garanhão tem... -.

-Eu não estou entendendo... Ah não ser que... Pera... AH NÃO! DE NOVO NÃO, INTRO! -.

-O que foi? Eu não disse nada... – Sorria como sempre.

-E para de olhar assim para mim... Isso é muito estranho... E não vou fazer isso de novo não! DE JEITO NENHUM! – Avermelhava o seu rosto.

Uns minutos depois...

-Eu não disse? Você é PERFEITA para ser Servinte! O engraçado é que, cada vez mais, isso não está mais parecendo piada... – Brincou.

-Uh... Sério... Essa roupa tão apertada... Fico com tanta vergonha de usa-la... – Avermelhava-se a professora.

Notava-se que, de novo, utilizava a sua crina branca totalmente amarrada em rabo de cavalo. O seu corpo coberto pela roupa de decotes extremamente aparentes, num tom roxo claro na saia extremamente curta e uma camiseta que segue o mesmo tom, quase seguindo as cores dos olhos do toque de luz. Para completar, um colar azul claro.

-O ruim é que assim todo mundo fica olhando... Pro... Meu... Flanco... – Dizia bem baixinho e olhando para o próprio traseiro.

-Ahn... Olhe por um lado bom: Pelo menos eu tenho agora uma bela visão privilegiada de um dos melhores flancos da cidade... A lua cheia é tão bonita quando bem plena...-.

-Quer parar de zombar de mim?! -.

-Aiai! Hahah! –Ria – Tudo bem... Eu paro agora... -.

“Umm... Será mesmo que ela acha o meu flanco bonito?” Pensou para si mesma.

Em passos lentos, a professora já galopava em direção à porta do edifício em que estava o garanhão. Já fazia os gestos como quem sabia já o que fazer naquela situação. Introspectana não parava de rir baixinho e para si mesma, como se a Touch já fosse servinte há muito tempo antes. Até que parou para pensar um pouco...

“Espera... Será mesmo que ela já não foi? Estranho... Na primeira vez ela agiu de forma tão natural que... Até parecia verdade... Vish! Melhor parar de pensar nessas coisas! Vai que... Seja verdade...”.

Servintes não tinham apenas e simplesmente um compromisso de lucro: Eram realmente pôneis com um talento especial para isso. E possuíam um sentido extra para a atração física e, muito mais do que isso, possuíam um forte apelo característico. Isso tornava as dúvidas Introspectivas ainda maiores depois de notar, ainda que banalmente, um jeito tão diferente em relação ao outro Toque de Luz que ama as poldras e os filhotes a cuidar. Ao contrário de outras causas, Servintes não tinham um Espírito a quem pudessem servir.

Já perto da porta, a professora começava a encenar normalmente, tal como fez na última vez, aumentando ainda mais as suspeitas introspectivas. Nisso, o garanhão (Que obedecia exatamente às descrições da carta) já começava a descer do apartamento e, chegando à porta do edifício, notara a presença daquela égua à porta. Olhava atentamente o corpo delicado da pônei terrestre, principalmente pelo flanco relativamente maior que a de outros pôneis. A curvatura era bem delineada e era bem preenchida cada pele e cada maciez.

Notando isso, abriu a porta e foi diretamente à potra cinza, dando por cima e olhando em sedução.

-Oi, açucarzinho... Quanto tá o serviço de hoje, hein? Estou vendo que tá bem servida hoje... -.

-Err... – Hesitava, interrompendo tal ação instantaneamente – Hoje está por cortesia, já que é a primeira vez que estou nesta área... – Falava, bem nervosa, mas encenando.

-Estranho... Nunca vi uma Servinte falar de forma tão correta... -.

-...É a concorrência, sabe? – Sorria falsamente, já tendo gravado a resposta depois da última vez.

-Humm... Espero que o seu corpo seja tão bom quanto como você fala... -.

Enquanto conversavam, com o potro cada vez mais feliz, Introspectana chegava sorrateiramente no pônei, bem lentamente e como se fosse uma pedestre. Nesse momento, ela lançara um novo feitiço, ativando novamente a telepatia entre as duas.

“Leve o po...”.

“AAAAH!” Pensou alto, se assustando “Na próxima me avisa quando for ativar essa magia, está bem? “.

-Que foi, gostosa? Até parece que viu um fantasma... -.

-Ah! Nada não... Os barulhos da cidade as vezes assustam, sabe? Heheh... – Dizia, bem nervosa...

“Desculpe, Touch. E de qualquer forma, leve o potro até a carroça e finja que é uma servinte de luxo...”.

-Então, bonitão... Para o serviço, nós precisamos ir a um lugar mais... Privativo, se é que me entende... – Sorria, passando a cauda no pescoço dele.

-Tudo bem... E estou adorando a sua companhia. As servintes de hoje em dia deveriam aprender com alguém como você... -.

Sendo seduzido, ambos caminharam lentamente no meio da rua até chegarem à carroça. Intro se escondera no banco de trás, impossibilitando que fosse vista. Desatencioso, quase tropeçara na calha de roda, mas subindo normalmente na carroça, continuando a apenas prestar atenção na professora, que estava a dar ignição no automóvel.

Dada a partida, Touch conduziu a carroça pela rua, virando uma esquina até que...

-Bem... Dizem que dormir depois de uma seção faz bem para a saúde... – Falou a Touch, sorrindo.

-Como assim? O que você quer dizer? -.

Introspectana se levanta subitamente do banco de trás, equipada com um anel amplificador de força.

-Ela quis dizer: Boa noite! -.

Introspectana deu uma cascada na cabeça do pônei, que desmaiou instantaneamente.

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-Urgh... Aonde estou... -.

E acordava o garanhão em uma sala relativamente clara, já percebendo duas potras em sua frente: Introspectana e Touch Light. Um pouco tonto, logo se recompôs e percebeu que estava amarrado a uma cadeira, dentro de uma sala vazia e limpa, mas com as paredes de aço desgastadas.

Nesse momento, vendo toda a cena e as duas potras com olhares neutros, logo ficara feliz e sorrindo maliciosamente.

-Ah... Agora entendi: Agora o serviço é duplo! Estou adorando a forma de como você é criativa em cativar os seus clientes, embora essa potra branca aí não seja tão bela quanto você... -.

-Sinto muito, senhor Lawyerious. Agora não será a hora de serviços... – Respondeu Introspectana, bem séria.

-Uh... Como assim?-.

Intro então partiu para cima dele, encarando em seus olhos e de forma extremamente fria, perguntando:

-Para quem você trabalha? -.

-Uh... Para a ACM? Creio que a minha roupa expli... Ué? Até tiraram a minha roupa para o serviço? Que ansiosas que vocês são, hein? — Sorria.

-Já disse que não estamos em serviço. E isso não responde à nossa pergunta... – Falava, brava.

-Até a atuação parece real. Nunca pensei que vocês fossem ótimas atoras também. Nossa, as servintes hoje em dia estão realmente se superando cada vez mais! -.

-Eu estou perguntando: Para quem você trabalha? Para qual pônei? -.

-Nossa... Esse clima de interrogatório... Realmente está muito bom... Muito bom mesmo! -.

-JÁ DISSE QUE AGORA NÃO É HORA DE SERVIÇO – Gritou a unicórnio, dando uma grande cascada no rosto dele.

-OUCH! Isso doeu, sua vadia! E que tipo de serviço é esse, hein? Pelo que sei, dão-se tapas e não coices! – Reclamava.

Diante da resposta, Intro deu de cara com os seus cascos, não acreditando que ele ainda acreditava que aquilo tudo era um Serviço de Servinte. Com a Intro apenas cochichando para si mesma e segurando a sua raiva, Touch foi até o garanhão. Com calma, massageou o rosto do mesmo, acalmando-o e tentando convence-lo sobre o que realmente estava acontecendo. Estava calma, porém tensa diante do fato de que nunca havia interrogado alguém, olhando neutralmente.

-Olha, senhor Lawyerious... O que a minha amiga está dizendo é a pura verdade: Isso aqui não é um serviço. Nós estamos aqui tentando saber certas coisas... -.

-Que enredo lindo! É sempre assim: Uma durona e uma delicada. Clichê, mas está dando certo vocês duas! -.

-Não... Não é enredo e nem mesmo uma encenação. Estamos tentando saber de algumas coisas e você precisa nos dizer... – Falava, agachada.

-Mas você está um pouco mole para uma interrogadora, hein? Pode ser mais durona! Eu gosto de éguas duronas... – Sorria.

-Não... Você não entendeu... Nós... -.

-Espere um pouco, Touch. Vai pra lá – Mandou a Unicórnio.

Com tom sério, fitou novamente o olhar para aquele pegaso. Bem séria, deu um grande coice na barriga dele e, em seguida, mais um no rosto, deixando-o com marcas com diversos tons de vermelhos, inclusive sangue. Murmurando de dor, não conseguia dizer uma única palavra, a não ser sons de desespero e susto.

-Bom... Agora entenda o seguinte: Fale a porra da informação que queremos ou eu terei de continuar com isso... – Falou, bem séria.

-Cof! Cof! URGH! – Vomitou no chão, jorrando uma gosma verde e preta.

Ofegante, o pegaso se recompôs e olhava esbugalhado para a potra à sua frente, ficando com mais medo e apreensão dela.

-Eu... E-eu não sei do que você está falando... – Dizia, agora tremulando.

-Não sabe? Bom, eu farei você lembrar melhor agora... -.

Deu mais um grande coice na barriga dele, ficando ainda mais ofegante. Mais que olhos esbugalhados, eram olhos que já não se via uma íris ou uma sombra. Introspectana continuava séria, vendo um grande chão coberto de vômito preto e verde seguido de um potro que expirava e inspirava sem parar, tremendo toda a cadeira a ponto das irregularidades de cada canto da mesma soar uma sinfonia atonal no chão, em várias batidas selvagens e ritmadas. Ritmo do momento e da gosma verde.

-Vou repetir: Para quem você está trabalhando?! –.

-Eu... Urgh... Já disse q-que... Não... Urgh! – Vomitou mais uma vez no chão — ...Sei ... -.

-Ah... Se você sabe, por que não diz logo? Assim você para de vomitar feito um porco capitalista que come hambúrguer toda hora... – Ironizava.

-Urgh... Sua vadia... – Encarava-a, em desespero e raiva.

A Unicórnio, ouvindo tal ofensa, não poupou os seus cascos e, de novo, deu mais um coice, só que agora no rosto dele, que jorrou do nariz um sangue para enfeitar o seu corpo. O sangue não ficava parado quando caia sobre o seu corpo: O seu nervosismo trêmule fazia o sangue continuar a dançar um desespero. Ainda sim, podia-se ver uma metamorfose ambulante na coagulação sanguínea.

-Cof! Cof! Arr! Aí! – Gritava de dor.

-Vai falar ou não? -.

-J-já... Urgh! Ar... Ar... Disse... Q-que... AAAí... N-n-não sei... -.

-Tem certeza que não quer falar? -.

-Já disse... Arf! Que não... Arf! Sei... ... Vadia... – Olhava para baixo, com os mesmos olhos.

Desconsertavam-se as sentenças e as continuidades diante do interrogatório. Agora Introspectana, embora um pouco mais calma, tremia em seus cascos na força de mais uma vez vir a convencer o pegaso a ceder as palavras que tanto queria.

Pulou para cima dele, para dar mais uma cascada em seu rosto.

-JÁ DISSE QUE QUER... -.

-NÃO! Para, Intro! – Gritou a professora.

Touch tremia diante do que estava assistindo, se jogando de frente contra a unicórnio em fúria, que instantaneamente se paralisou. Postulou em posição ofensiva, séria e ofegante. Tremulava tal como tremulou sempre, mas agora a sua tremulada não fazia terremotos, mas refletia o barulho de um motor incentivado.

-Por favor, Touch. Saia da frente para que... -.

-NÃO! Não machuque-o mais! Isso está indo longe demais! – Gritou, chorando.

Suas lágrimas escorriam e se misturavam com o vômito no chão. Uma briga ocorria entre esses dois elementos.

Introspectana ficava atônita diante dessa cena. Suspirou e disse:

-Touch... É sério... Eu realmente preciso continuar o interrogatório ou senão... -.

-Senão o que? Já disse que ele já se machucou o suficiente! Por favor, Intro... Para... – Implorava, se ajoelhando para a unicórnio – Se não pode por ele... Faça por mim, Intro... Por mim... – Soltava mais lágrimas.

O seu rosto molhado já acobertava um olho hiper-reflexivo, cheio de brilhos e de sentimentos respirados. Olhava para os cascos da pônei branca, pensando no que viria a acontecer em seguida, pensando nas possibilidades ou mesmo em sua morte. Não conseguia conter os seus mares de lágrimas, que a essa altura já formava uma estranha mistura dentro do vômito.

-Já que é assim... Infelizmente... – Falou a unicórnio, levantando a professora – Vou ter de ir por cima de você... -.

A potra branca deu um coice na barriga da Touch e em seguida puxou-a pelo cabelo com a sua magia, deixando-a suspensa no ar e segurada apenas pela crina.

-ARF! AAH! PARA, INTRO! ESTÁ DOENDO! MINHA CRINA! -.

A Introspectiva ignorou as palavras do toque da luz e, em seguida, deu uma cascada em seu rosto. Com a magia, jogou-a contra a parede de aço. Ficara no local uma marca de sangue e o rosto delicado de Touch também com marcas vermelhas do seu sangue, que também saía de sua boca.

-Desculpe, Touch. Mas você está sendo um empecilho em meu caminho... -.

Introspectana voltara-se para o pegaso amarrado, que agora se desesperava tendo visto, ainda que parcialmente, a mesma pônei que o seduziu sendo arremessada violentamente contra a parede. Agora era ele quem causava terremotos.

-Já vi que você realmente não vai ceder dessa forma. Então agora é hora de forçar em outro nível... -.

Introspectana tirou do nada (Do nada mesmo) um pequeno frasco contendo um líquido rosa, em forma de coração. Era o veneno do amor.

Aproximando-se do garanhão, em cada passo dado mais aquele desesperado se contorcia, tentando ou sair das cordas ou mesmo apenas e simplesmente sair da situação. Embora estivesse cheio da ânsia, conseguia ignora-la e tentar fugir como podia para evitar mais tortura e mutilação.

Introspectana, ao chegar perto do pegaso caído e amarrado, se abaixou e, com o frasco flutuando pela sua magia, tirara a tampa e o aproximara da boca do ensanguentado.

-Vamos, Lawyerious. Tome esse líquido – Falava friamente.

Ele fechou instantaneamente a boca, com uma força muito grande. Ao mesmo tempo, rejeitava com a cabeça virando pro lado, tremendo e temendo. Recebendo a rejeição, Intro deu mais uma cascada na barriga dele, fazendo-o abrir a boca no mesmo tempo.

Ela rapidamente jogou todo o conteúdo do frasco em sua boca. Ele começou a tremer mais do que antes. Tremia e contorcia no chão, com os olhos esbugalhados e refletindo na íris a sombra introspectiva.

Dois segundos depois, arrotou forte e do arroto surgia um grande coração rosa por inteiro em vez de estar pela metade, como de costume. Os seus olhos brilharam intensamente, num espectro rosa claro que mostrava a sua delicadeza e libido para uma nova sensação diferente do vômito de seu passado: Agora recitava um nome descontroladamente se forçava por todos os lados para sair e correr.

-BLITZFIRE! EU QUERO FICAR COM A MINHA FOFA DE FOGUINHO QUENTE BLITZFIRE! FOGUINHA DE OLHOS DE MORANGO DOCE! -.

Ele jogava o seu corpo para todos os lados e ouvia-se muitas batidas de casco ecoando pela sala, assim como tremendo o líquido estomacal. Introspectana estranhou por um momento, mas depois logo começou a interrogar novamente aquele potro.

-Bom, Lawyerious. Então você está apaixonado por essa tal de Blitzfire? Quem seria ela e como ela é?-.

-A MINHA QUERIDA MORANGUINHO BLITZFIRE? ELA É UMA PEGASO QUE TAMBÉM TRABALHA COMIGO NA ASSOCIAÇÃO! VOCÊ SABE ONDE ELA ESTÁ?! EU QUERO ELA! EU QUEEEEEEEROOOOO! -.

A unicórnio logo percebeu que a pônei a quem ele se referia era a mesma que a interrogou algum tempo atrás, forçando-a a matar Flute D’Charm. Sabendo como ela era, como se comportava e como se apresentava, logo pensou em possibilidades artificiais com relação a como interroga-lo.

-Bom... Cê sabe... – Começou a caminhar ao redor dele, com um sorriso maligno – Sabe que já te bati bastante e não creio que vá querer que eu faça o mesmo com os olhos vermelhos dela, não? Afinal, não creio que queira que os vermelhos daquelas pupilas se estendam para o seu corpo ou mesmo... -.

-O que?! Como ousa! O que fez com a minha Blitzfire?! EU VOU TE MATAR! -.

-Com você aí amarrado? Se liga, babaca! – Coiceou ele na barriga, deixando-o sem ar de novo, embora sem vômito – Ela está sendo muito bem tratada com os meus outros dois potros que estão “cuidando” do corpo dela, se é que me entende... -.

— Arf... GRRR! EU VOU TE MATAR! -.

Aquele potro começou a se contorcer de raiva no chão, já não mais batendo os cascos, mas a própria cadeira se fatigava com tamanha força adquirida instantaneamente por ele. Batia uma vez no chão, a outra perto do vômito e as outras formavam ondas pretas e azuis dentro do vômito jogado ao chão, que se misturavam mais ainda com as lagrimas da professora.

-De qualquer forma, Lawyerious, ainda não aconteceu nada com ela. Apenas me diga a verdade que eu quero e soltarei vocês dois para poderem se reencontrar... -.

-Dizer? Eu digo qualquer coisa, mas não faça nada com ela! -.

-Ótimo... – Falou, revirando a sua cara para fora do foco do potro, de costas para ele – Então... Como eu dizia, eu gostaria de saber para quem você trabalha e por que você foi mandado por esse tal pônei para perseguir Flute D’Charm... -.

-Tudo bem, eu digo! – Desesperava – Eu trabalho para a minha própria querida Blitzfire! Ela quer muito destruir o Flute, de qualquer maneira! Eu, por gostar muito dela, eu segui todos os passos dele pela Blitz! -.

-Perfeito... – Olhava para baixo, bem séria.

-AGORA ME SOLTA QUE EU QUERO A MINHA MORANGUINHO! -.

A unicórnio revirou a sua cara, tornando a olhar nos olhos do potro caído ao chão. Agora não olhava secamente ou por desejo de interrogação: Olhava em nome do destino. O potro estranhava aquela atitude, mas ignorava e apenas pensava na sua amada, com o rosto continuando em desespero. Mas apenas prestava atenção na potra branca, sem falar uma única palavra, como se a paralisia de medusa fosse verídica.

Olhando não apenas seriamente, mas profundamente, a potra dos olhos azuis aproximou o seu rosto ao do pegaso, que continuava a fitar um olhar grande e íris pequena.

-Sabe... Eu na verdade poderia e muito bem matar você para queimar o arquivo. Mas o destino veio ao meu lado e disse que você merece uma nova vida, uma menos seca e desesperada de um garanhão frustrado que nada possui a não ser desejos reprimidos e um emprego que jamais quis ter. Então, ele está me dando poderes para te dar mais uma chance e realizar um certo... Sonho que você tem... -.

-Hã?! – Estranhava.

Aproximando mais ainda o seu rosto contra o dele, Intro calmamente começava um brilho de magia em seu chifre que, de pouco em pouco, tomava conta do corpo daquele garanhão. O brilho branco começava a se tornar azul índigo. O azul se intensificava, refratando qualquer visão do potro, tornando impossível enxerga-lo dentro daquela bolha.

O brilho aumentava e, da sala cinza, a aura resplandecia sobre o vômito, que logo ganhava um novo formato quando reagia com as lágrimas. Agora o ambiente parecia frio e quente ao mesmo tempo e, também, seco e húmido (De vômito).

Agora o cinza dos aços da parede pareciam tornarem-se sombras das magias, no obscurecer necessário para que o sangue na parede tornasse um símbolo matriarcal. Ou talvez uma Cutie Mark tamanho família. Pôneis nem sempre são resumíveis a um corpo pequeno com cascos, cauda, crina e cabeça. Talvez fossem mais do que um pônei a mistura de tudo aquilo.

Nesse momento, quando o preto e o verde finalmente tinham brilhado e se misturado plenamente com as águas do toque de luz, a magia se cessava aos poucos, assim como a iluminação azul. Pouco a pouco, a aura se ausentava para dar lugar a um aspecto renovado ou, na verdade, substituído.

-Seu nome agora será Steel Glint. Você, a partir de agora, será uma grande égua que lutará de verdade em nome da diplomacia e da resolução -.

Em momentos após finalmente a magia sumir, conseguia-se ver uma nova potra no lugar do antigo: Com pelo azul escura e uma crina amarela como o ouro, refletia olhos extremamente verdes de uma mata densa. Sua marca registrada: Uma espada de aço sendo “enlaçada” por uma fita branca, contendo diversas letras e caracteres ilegíveis.

Essa potra estava desacordada, dormindo profundamente ao chão.

-Que finalmente seja uma pônei feliz... -.

Introspectana andou calmamente para trás, recuando da pônei azul. Andou, andou... E se esbarrou em algo. Era a professora, que continuava ensanguentada e jogada ao chão, desmaiada. Intro virou-se e finalmente olhava a sua amiga caída, com sangue coagulado saído do nariz e uma outra parte da boca. Havia um ferimento leve na cabeça, com um corte em traço reto.

A unicórnio olhava por algum tempo a pônei terrestre, com um rosto sério e, até mesmo bravo. E naquele momento, estava a tremer um pouco. Os seus cascos estavam se desiquilibrando e os seus olhos refletiam um movimento brusco e outro nas piscadas. A cada piscada, um clareamento do novo, da abstração em pausas rápidas e menores que um segundo.

“Eu te prometo que nada de mal ocorrerá, Touch. Te prometo...” Lembrou.

Intro estava já a mostrar um pouco de olhos muito abertos: Os olhos refletiam muito mais que professora. Refletia professoras e, talvez, Introspectanas também. De diversos momentos, alguns engraçados e outros tristes, um ofegante respirar ar seco e húmido de vômito e lágrimas. Agora as memórias não sabiam se eram póstumas ou ante póstumas. Memórias jogavam xadrez com xeque mate de primeira.

“Te prometo que nada de mal ocorrerá e todo mundo sairá pelo menos inteiro dessa história, Touch. Eu prometo...”.

Uma piscada instrospectiva.

Duas...

Três...

...

-TOUCH! NÃO! O QUE FIZ COM VOCÊ?! FALE ALGUMA COISA! -.

Foi a pônei branca se derrubar em cima da poldra ensanguentada. Finalmente não apenas chorava: Finalmente estava em final de si mesma. Os olhos azuis se dilatavam constantemente, abrindo e fechando para negar e afirmar, em constante conflito, se era verdade ou não que o sangue e o vômito se misturaram.

-Por favor... TOUCH! Touch... – Clamava, abraçando a pônei cinza.

O Vômito e as lágrimas se tornaram sangue quando Introspectana chorou. A proximidade dos rostos das duas parecia vir a atacar uma nova forma de beijo, mas sem saliva. Era um beijo de lágrimas e sangue.

-Desculpa, Touch... Minha Celestia, o que deu em mim?! -.

E o sangue, mais do que tornado, tornou-se tempestade vermelha: O interior agora era aparente, em toda sua plenitude. As cores dos pôneis daqueles tempos violentos.

A sala se tornara mais viva do que cinza, arremessando dentro de si várias e várias formas de poder ser. Azul, branco, cinza... Três cores são poucas para definir.

Vermelho, transparente, preto, verde... Quatro cores que também são poucas.

Arco-Íris... Também...

Talvez a cor daqueles tempos seja mais fácil de definir por uma única forma:

Simplesmente eram.

-Por favor, Touch... Não morra... – Chorava – NÃO MORRA! O que eu fiz?! O que eu fiz o que eu FIZ?! -.

Agora a luz da sala sumia quando a lâmpada se queimava. Agora as cores finalmente tornaram-se uma: Preto não preto.

A sala agora é pônei.

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