Introspectana

5 Saga 1 Capítulo 3 - O Ode às Mãos


Introspectana

Capítulo 3 – O Ode às mãos.

By Bolchen (Cláudio Y. H. ).

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Chegavam as duas à sala de Flute D’ Charm. Perceberam uma aura estranha, praticamente diferente do que era anteriormente: Notaram diversos incensos espalhados por toda a sala, exalando cheiros de diversas flores e aromas. Flute estava sentado em cima de um tapete verde, em posição de lótus e com os cascos se unindo um com o outro, ao lado direito à mesa principal. O unicórnio respirava profundamente para sentir todos os aromas, prendendo a respiração por muitos segundos. Touch não mais estava com as roupas que tinha utilizado antes.

Num quebra clima, Introspectana interveio nesse ritual.

-Senhor... Já fizemos o que pediu... – Disse.

-Espere um pouquinho... -.

Levantava-se calmamente, chegando então num equilíbrio com um só casco. E finalmente pousava levemente sobre o chão e com os cascos continuamente a estarem atada uma com a outra. Ambas estavam estranhando tudo aquilo.

“Parece que ele andou fumando umas, hein?” Pensava à Touch, com o sorriso de sempre.

“É... Não sei... É meio estranho e... ESPERA! AINDA ESTAMOS NOS COMUNICANDO ASSIM?!- Perguntava a professora.

“Calma! Pelo menos agora podemos nos comunicar de forma mais eficaz!”.

Flute voltava o seu olhar para as duas, com semblante sério em seu rosto atando cada uma das duas de forma profunda e tensa. Mesmo assim, semblante calmo. Supostamente.

-Então... – Disse, suspirando – Creio que agora esteja na hora de vocês darem certa... Lição musical para um conhecido meu... -.

-Como assim? – Perguntou Touch, já entristecendo.

-Relaxa... Não vai ser como se eu fosse matar alguém. Afinal, as minhas sinfonias precisam continuar tendo espectadores e não poderia matar todos, não é verdade? – Dizia, de forma bem fria.

-Bom... O que você quer agora então? – Perguntou Introspectana, bem séria.

-O que posso dizer? Uma lição musical para um certo... Conhecido meu... – Falava, andando em voltas lentas pela mesa – Ele atualmente sofre de certos... Males... Em um hospital não muito longe daqui. Ele que me deu aulas de meditação tempos atrás... -.

-Mas e por que precisamos... Dar... Uma lição de música... Para ele? – Falou Touch, mais triste com a expectativa das próximas respostas.

-Vocês apenas precisam então tocar uma pequena música para ele. Creio que você saiba o feitiço do qual eu estou falando, não é Introspectana? – Se sentava em sua cadeira.

-Sim... Aquele feitiço... – Respondia, bem séria.

-Você anda meio séria, Introspectana... Não parece mais aquela assassina silenciosa que eu conhecia. Até parece que você anda mais... Harmoniosa... Estranho... – Dizia, olhando bem seco para ela.

-Apenas estou fazendo o meu trabalho... E precisa de mais alguma coisa, senhor?-.

-Não... Nada... Ah! – Abria a gaveta, pegando uns envelopes – Aqui as instruções e o pagamento. Boa sorte... – Entregava para Introspectana as cartas.

Lentamente, a unicórnio branca foi pegando os envelopes da mesa do semblante frio, supostamente. Não trocavam olhares, mas guerreavam com os globos oculares, jogando testas e abruptas olhadas em vários cantos e redores de todos os olhos que tinham. Do coração, via-se uma negação de fatos que pareciam ser verdades, enquanto de seus tropos um estranhamento característico.

Saindo lentamente, ambas finalmente chegavam para fora do edifício, com Introspectana abrindo um dos envelopes.

-Bom... – Lia a carta — Na carta que ele deixou, ele deseja que nós toquemos uma sinfonia para esse mestre de meditação dele. O guru se chama Éther e está internado no hospital central de Hoofington. E... Só isso... -.

-Mas e como faremos para entrar no Hospital?! Lá eles não nos deixarão entrar! – Respondia Touch, com muita dúvida.

-Creio que a gente... Humm... – Sorria de novo.

-Ah não... Eu já conheço esse sorriso e não é algo que eu vá gostar... Já não bastou vir de servinte, agora o que vou ter de fazer? -.

-Por enquanto eu farei o trabalho. Apenas me siga agora que eu sei o que podemos fazer... –Terminou.

Pelo Hospital não ficar muito longe de onde estavam, apenas foram andando até o mesmo. Entre esquinas e ruas, finalmente chegavam a um gigantesco edifício, mas que, ao contrário dos outros edifícios, não possuía o aspecto reto e sujo como os demais, mantendo um mesmo padrão arquitetônico de hospitais antigos de uma Equestria de cem anos antes. Do telhado em V e as estruturas de madeira e carregadas de flores, não parecia algo tão comum em relação aos demais edifícios.

Introspectana seguiu até um estreito vão do edifício, ao lado de uma porta de serviço, donde saíam os funcionários do hospital. Touch estava muito nervosa, tremulando muito e suando a cada segundo, ao contrário da seriedade e frieza da potra branca.

-Fique escondida por aqui. Eu vou até ao lado da porta. Não me siga, tudo bem? – Dizia, bem séria.

-Tudo bem... -.

Andando pela espreita, notou que da porta suja surgia duas pôneis enfermeiras, conversando.

-Nossa, querida! Não acredito que você teve de aguentar aquele velho do terceiro andar! -.

-E não é? Ele fede mais que mula molhada! Irgh! -.

No instante, a unicórnio começou a levantar as duas, com os dois cascos levantados e a sugar a maldade das mesmas. Com os olhos arregalados, ambas desmaiaram ao chão, tornando a pônei branca a volver-se à professora, que continuamente tremulava-se vendo toda a cena.

-Venha! Agora podemos nos disfarçar de enfermeiras! -.

-Está... Bem... – Disse, tremendo e com os olhos muito abertos.

Tirando os vestidos e colocando finalmente as roupas de enfermeiras nelas, Introspectana começava a olhar safadamente para a Touch, que se arrumava lentamente e cuidadosamente de costas para a unicórnio. Num dado momento, deu uma grande tapa no flanco da potra dos cachos brancos. Surpresa e brava, magoou-se contra a pônei branca.

-Belo flanco que você tem. Espero que você seja a luz se eu ficar prenha algum dia. –Disse, sorrindo safadamente.

-Por que você fez isso? Isso doeu... – Respondeu, coçando o flanco.

Visualizava-se Touch Light com um grande avental branco, tal como Introspectana. Constatava-se que a crina ondulada de Touch novamente estava amarrada, ao contrário da crina largada e selvagem de Introspectana, que agora escondia as enfermeiras dentro da grande caixa de lixo ao lado do portão. Touch apenas tendia a ficar mais nervosa em cada momento

-Acho que agora é a hora de procurarmos onde fica o quarto dele -.

-Sim... -.

Juntas, andaram e entraram no hospital pelo grande portão principal. Além de diversos pôneis doentes, notava-se que a limpeza externa não se repetia no interior: Boa parte dos aparelhos estavam deteriorados; milhares de bancos da sala de espera quebrados; Sem número de folhetos espalhados ao chão e nas paredes rachadas, sujas e velhas. Em algumas se notava escritos e propagandas de programas de saúde do governo, com uma enfermeira e uma pônei amarela estampadas. Eram a Fluttershy e a Nurse Redheart. Aparentemente, muito velhos os panfletos.

“Nossa! Até nesse hospital o cheiro é uma desgraça!” Pensava a professora para a unicórnio.

“Calma! Aguente firme esse cheiro! Temos que encontrar um dos relatórios de pacientes para saber em qual quarto ele está. Vamos procurar na seção de emergência”.

“Está bem... Hunf!” Pensou, reclamando e triste.

Ao andarem, pegaram o caminho por uma placa que indicava ser a seção de emergência do hospital. Andando um pouco pelo corredor, passaram ao lado de um doutor, aparentemente um unicórnio velho, quase sem crina e sem cuidado, de pele preta, crina grisalha e olhos verdes, usando um óculos também. Marca registrada: Uma seringa. Passando pelo mesmo, Touch sentiu algo estranho no flanco, o que jogou calafrios pelo seu corpo.

“AH! Você de novo, Introspectana! CUSTA parar de me avacalhar por um momento?! “ Reclamou, zangada.

“Não fui eu! Deve ter sido aquele potro velho que passou ao seu lado!” Pensou, com semblante sério apontado para a professora.

“Aí minha Celestia... O que fiz para cair tanto de nível? “ Pensava, triste e com a cabeça para a baixo.

“Ur... Descer? “.

“Cala a boca, Introspectana”.

Caminhando mais um pouco, perceberam uma das portas com uma placa escrita “Sala de arquivos”. Prontamente as duas entraram nela, na qual perceberam que havia cinco armários de metal contendo arquivos de todos os pacientes do hospital. A unicórnio agora retornava para o seu rosto sério.

-Tudo bem. Agora você procura nesse armário que eu procuro nesse outro. Procure pelo primeiro nome, pois o nome dele é bem único, pelo jeito – Falou a unicórnio.

-Tá... –.

Abriram todas as gavetas, na procura de um único arquivo sobre o Éther. Papéis voando, gavetas caindo e muito nervosismo em cada momento, especialmente para a Touch, que não parava de tremer desde a hora em que entraram no hospital. Estranhando isso e preocupada, Introspectana interveio.

-Por que você anda tão nervosa, Touch Light? Por que está tremendo tanto? -.

-É que... – Dizia, continuando a tremer e procurar – É-É que... Eu não gosto de hospitais. Tenho medo e trauma... -.

-E o que aconteceu para você ficar desse jeito? – Perguntava preocupada.

-Na verdade... É uma longa história. Agora não, Introspectana... -.

-Tudo bem... -.

Procuraram por mais algum tempo até que Introspectana achou o arquivo correspondente ao Ether.

-Pronto, achei! Parece que agora... Uhh... – Disse, olhando para cima.

-O que foi, Intro? – Perguntou, com cara de dúvida.

Olhando para trás, Touch viu um grande alazão de avental, sendo o mesmo o médico que anteriormente se aproveitou dela. Nervosa ao extremo, com os olhos arregalados, não só se sufocava como também se contorcia de abruptos movimentos do coração tremule.

-O que vocês duas estão fazendo no arquivo do Hospital? -.

Se levantando, a unicórnio prontamente começou a caminhar em direção ao potro, calmamente pronunciando.

-Calma, doutor. – Disse, colocando um dos cascos nas costas dele, sorrindo confiante – A gente apenas está aqui a mando do doutor Medicine para que busquemos o arquivo desse paciente! -.

-Paciente? Que paciente? Deixe-me olhar o arquivo. -.

Introspectana entregou as folhas ao doutor, enquanto ajudava Touch a se levantar diante de um nervosismo tão grande provocado pela situação. Mais do que as tremuladas, eram os coices nos nervos.

-Tudo bem... Parece que o paciente realmente precisa e muito de um novo diagnóstico -.

-Posso então levar o arquivo ao doutor? – Perguntou, agora séria.

-Tudo bem, vá! -.

As duas quase saíam, sendo interrompidas pelo garanhão, de novo.

-Mas preciso que a enfermeira ao seu lado fique comigo. Preciso conversar com ela em particular -.

“Não hesite agora! Vá com ele!” Mandou Introspectana.

“Te-te... Tenho mesmo?”.

“Desculpe. Mas não podemos deixar muita desconfiança. Vá!”.

“Nah... Está bem... ” Pensou, triste.

Então as duas se separaram, ficando a professora em companhia do doutor garanhão ao seu lado, que, logo ao sair de Introspectana, começava a acariciar de novo o flanco da Touch, deixando-a com calafrios e o nervosismo a retomar a sua existência.

-Eu sei que você adora isso e quer muito algo além... – Sussurrava no ouvido da Touch.

“Ai minha Celestia! O que eu REALMENTE fiz para cair tanto de nível? “ Pensou.

Já longe, Introspectana finalmente conseguia abrir o envelope e saber onde era o quarto do potro.

“De acordo com esse relatório, ele está atualmente no quarto 20 do terceiro andar. Tenho de fazer isso e rápido!”.

Então, Introspectana correu pelo corredor até que chegou a uma escadaria principal, subindo-a em seguida. O doutor empurrava lentamente Touch de volta para a sala de arquivos e, com a sua magia, trancava lentamente a porta. A respiração da professora não simplesmente mais pulsava em expiração e inspiração, mas sim num furacão de fungadas e batidas constantes ao chão, em seu tremule casco a soar pequenas batidas como a do ranger dos dentes. O doutor se aproximava cada vez mais da pônei dos olhos roxos e assustados, arregalados e em movimentadas tentativas de foco.

-Eu sei que você deu uma tremidinha quando eu passei o meu casco em você. Você é aquele tipo de potra safada que gosto... – Sorria maliciosamente.

-E.. E-e-eu não... Quero... N-na-da co-com você... P-posso sair daqui? – Gaguejava.

-Vamos... Eu sei pela sua cara que você já tem muita experiência nesse tipo de coisa. Eu não vou te decepcionar. Eu juro... – Disse, indo para cima da professora.

A pônei cinza tentou, mas a força do doutor forçava-a contra a parede, tornando cada vez mais perto as bocas dos dois.

“E agora... O que eu faço... Não posso terminar assim... Já sei!”.

-ESPERA! – Gritou, assustando o doutor – Eu acho que desse jeito é muito antirromântico e isso eu odeio! -.

-Hã? Como assim? – Estranhava.

-Do nada você vem e começa a tentar me beijar sem mais e nem menos? Que tipo de garanhão você é? É pior do que mulas emburradas! – Falava, caminhando um pouco pela sala.

-Ah! Me desculpe! Eu JURO que posso fazer melhor do que isso! Aliás, eu JURO que faço mais gostoso! -.

-Jura mesmo? – Sorria de forma safada, se apoiando nos arquivos.

Quando ele começava a chegar perto da pônei...

-Então podemos começar de novo? – Perguntou, sorrindo novamente.

...E ela a balançar o flanco para ele...

-Estou bem receptiva agora... – Sorria maliciosamente.

...Ela pega uma das gavetas de ferro e bate na cabeça do doutor, desmaiando instantaneamente. Desesperada, não sabia agora como sair.

“Ótimo! Agora o fiz desmaiar, mas como é que vou sair daqui se ele trancou a porta? Se eu ao menos soubesse magia... Pudesse ao menos ter um chifre... “.

Repensou e novamente entendeu...

“Mas eu tenho um chifre! Dã!” Pensou, dando de casco com o rosto.

Dando uma meia-volta, ficou de cara com o unicórnio desmaiado, prontamente a levanta-lo para algum propósito.

“Mas... Urgh! Que pesado...”.

Levantando, direcionava a cabeça até a porta, mais especificamente na fechadura. Com o chifre, mexia por dentro para conseguir abrir e, com um pedaço de metal, a mover a fechadura.

“Vamos... Abra... “.

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Introspectana chegava a um quarto abandonado, sujo e com um cheiro abatendo diversas brasas de metano. Abrindo lentamente a porta de aço, deu de cara com um pálido e pequeno potro de olhar distante, extremamente fraco e de uma estatura um pouco abaixo da média dos outros pôneis. Da sua pálida pele verde-claro e da crina índigo com mechas de prata, com os olhos azuis-escuros via um aspecto sombroso dentro de outra aura diferente da que estava vendo, depois de tanto tempo confinado numa cama. Introspectana vinha com uma aura negra para ele, postulando-se ao lado da cama em que ele deitava.

-Urr... Quem é... Você?... “ Falava, bem baixo.

-Eu sou Introspectana. Eu vim entregar um presente em nome de Flute D’ Charm... — Falava, igualmente baixo.

-O que o meu antigo e queridíssimo aluno... Urgh! – Tossia — ... Está me dando? -.

Ela lentamente caminhava de costas, se distanciando do pônei deitado. Séria, olhava secamente o doente, notando que não havia algo certo nisso tudo.

-Você não me parece muito bem para receber uma magia minha... – Disse.

Nesse momento, o pônei abruptamente começava a exalar uma aura verde, tal como a sua pele, que rapidamente condensava-se ao céu e se transformava em uma mão. A mão subitamente foi em direção à Introspectana, que se esquivou no mesmo instante em que a mão gigante tentou a pegar. Os olhos daquele garanhão começaram a brilhar, com uma mudança de voz rápida para ao tom grave.

-EU SEI QUE VOCÊ VEIO AQUI ME MATAR! – Gritou a voz rouca e grave.

A mão virou-se à direita e novamente, tento pegar a unicórnio. Esquivando, ela a dar um coice na mão, que não se afetou tanto e, após o coice, pegou pela perna da pônei. Caída ao chão, tentava puxar para se soltar daquela mão verde, sem sucesso.

-VOCÊ VAI MORRER ANTES QUE EU MORRA! -.

Ela conjurou uma magia de luz, atingindo a mão que imediatamente a soltou. Cavalgando pelo quarto, deu um coice em um dos armários, que escorregou em direção à mão, batendo violentamente. A mão destruiu o armário e continuou a persegui-la. Em um momento, ela foi pega pela cauda, tentando de novo se arrastar pelo chão.

-Me solta agora! O que você pretende fazer?! – Perguntou, gritando.

-Olha só! Agora você está desesperada?! Acho que agora é hora de você MORRER!-.

Então, a mão soltou a cauda e rapidamente tentou agarrar pelo pescoço da Introspectana, que no mesmo instante conjurou um raio de magia na mão, afastando-a de si. Levantando-se rapidamente, cavalgou mais até se jogar por cima do pônei verde, que continuava a gritar.

-MORRA DESGRAÇAAAAA DE MULAAAA! MORRAA!!! -.

E a mão logo interveio e agarrou pelo pescoço da Introspectana, que se forçava a continuar em cima do pônei verde. Com os olhos se avermelhando e a respiração impossível, conjurava uma magia diferente, com uma aura estranha e nada comum em relação às outras magias que fizera.

“Agora você vai receber o “presentinho” que o seu aluno te deixou!” Pensou alto.

E a magia começava a tomar todo o formato do corpo frágil de Éther. No mesmo instante, uma arpa surgia em conjunto com outros pequenos instrumentos delicados, todos rodeando a cama e a mão verde. Começavam a tocar uma sinfonia, especificamente a sinfonia humana número 9 feita por Beethoven.

-NÃÃÃÃÃÃOOOOOOO!!! MUSICA DOS TÁRTAROS! MÚSICA NÃO! ODEIO MUSICAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHH-.

E o pônei verde começava a brilhar em conjunto com o aparelho de medida de pulsação, que pulsava rapidamente e cada vez mais o intervalo de cada apito diminuía. O aparelho começava a soltar fumaça, assim como os raios de luz etéreos estavam a não mais se continuar concentrados naquele potro. Com a mão verde a perder rapidamente a sua força, Introspectana, cegada por toda aquela luz, apenas conseguiu soltar mais uma magia, que era uma bola de luz para destruir por completo aquela mão.

Destruída a mão, ela rapidamente pulou da cama e correu para fora do quarto, já a correr das escadarias para o térreo. Séria, estava à procura da sua companheira. Correndo por todos os corredores tentou, em vão, acha-la.

Dentre corredores e mais outras salas, percebia pelas janelas que a luz estava cada vez mais tomando uma forma maior e sabia que precisava sair e urgente daquele lugar. Correndo por outros mais cantos, em um dado momento, viu um grande portão duplo de empurro e, instintivamente, deu um coice nele para se deparar...

-Nossa! – Disse a pônei branca, surpresa – Eu não sabia que... -.

-Não é o que você está pensando... -.

-Mas isso aí é tão... Nojento... E não pensei que você fosse desse tipo de coisa... -.

-Eu estava desesperada, está bem? -.

-Mas... -.

-Eu estava com fome, tá? Só porque eu estou com você não quer dizer que não possa ficar sem comer ao menos um pouco de banana com mostarda! – Reclamou, se aproximando à Introspectana, zangada.

-Hunf... Tudo bem... Acho que pelo menos agora você está alimentada também... – Disse, de forma fria e brava.

Introspectana, sem delongas, pegou a pônei pelos cascos e rapidamente começaram a correr pelos corredores. Os guardas que ficavam de plantão notaram a movimentação e começaram a persegui-las, mas ao mesmo tempo notaram algo estranho o Hospital, deixando-as correrem enquanto foram verificar o que estava acontecendo.

-Rápido! Temos de sair agora e cair fora! -.

-Mas o que... Arf... Arf... Vai... Aconte... – Perguntava Touch, ofegante por correr.

-Apenas corre! – Interrompeu.

Com uma cara de séria, puxando uma pônei cansada, ambas finalmente chegavam á entrada do hospital, saindo e correndo pela própria rua. Várias carroças paravam enquanto ambas corriam pela rua para se distanciarem do hospital, que agora exalava um brilho cada vez mais intenso. As luzes começavam a tomar todos os corredores e os quartos do hospital, com vários pôneis machucados e doentes saindo desesperadamente do mesmo. O clarão cada vez não mais conseguia se manter, chegando a praticamente a um colapso.

-Vamos... Só mais uma esquina... – Corria, gritando para a professora.

-Eu não quero nem ver o que vai acontecer... – Dizia, triste e medrosa.

Virando a uma esquina, finalmente puderam daquele lugar, presenciar o que estaria porvir. O brilho cada vez mais se intensificava, até que, num repente... Parou de brilhar e tudo voltava ao normal.

-Espera... – Estranha a professora – Pensei que ia explodir o hospital em vários pedaços. Pensei que você tivesse implantado uma bomba de magia nele... -.

-Também não sou tão doida assim. Pelo menos agora podemos dizer que a missão foi um total sucesso! -.

-Bom... Pelo menos espero agora ter um tempinho de ir ao banheiro. Urgh! Estou passando mal... – Disse, colocando o casco na barriga.

-Viu no que dá ficar se viciando em bananas? Toma cuidado que profissão de servinte não é fácil, viu? – Sorria maliciosamente.

-O que?! O que está querendo induzir com isso? – Retrucou, brava e avermelhada.

-Nada não... Só sei que você tem realmente um futuro promissor em sua profissão... – Continuava a sorrir.

-EU NÃO SOU SERVINTE! EU JURO! Que saco... – Gritou, se entristecendo em seguida.

-É brincadeira... – Consolou.

Enquanto andavam pelas ruas, retornava-se então o olhar para o pálido pônei verde-escuro, olhando fixamente para cima sem mover os olhos dilatados tal como não movia o corpo e com a boca aberta, ao som da Ode à Alegria. No teto, a imagem de uma unicórnio muito conhecida em outros tempos. Mais do que conhecida, uma unicórnio que, em seus cascos, foram substituídas por mãos. A pintura se esverdeava nesse instante.

E a sua lira tocava a última nota da sinfonia.